Versículo em destaque
Gênesis 44:18 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então Judá se chegou a ele, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó. "
Gênesis 44:18
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
16 Então disse Judá: Que diremos a meu senhor? Que falaremos? E como nos justificaremos? Achou Deus a iniqüidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achado o copo.
17 Mas ele disse: Longe de mim que eu tal faça; o homem em cuja mão o copo foi achado, esse será meu servo; porém vós, subi em paz para vosso pai.
18 Então Judá se chegou a ele, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.
19 Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pai, ou irmão?
20 E dissemos a meu senhor: Temos um velho pai, e um filho da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto; e só ele ficou de sua mãe, e seu pai o ama.
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Aqui vemos um discurso muito sábio e comovente que Judá dirige a José em favor de Benjamim, pedindo que a sentença contra ele seja retirada. É possível que Judá se sentisse mais ligado a Benjamim do que os demais irmãos e se preocupasse de modo especial em trazê‑lo de volta em segurança. Também é provável que ele sentisse uma responsabilidade particular porque havia prometido ao pai que responderia pela vida de Benjamim. Outros ainda podem ter escolhido Judá para falar em nome de todos por reconhecerem nele melhor juízo, mais coragem e maior habilidade com as palavras.
As palavras de Judá, como Moisés as registra, são tão simples e cheias de sentimento que soam claramente como algo falado no calor do momento. É difícil não perceber nelas uma direção especial de Deus ao escrever, pois é o próprio Deus quem dá palavras aos homens.
Nesse discurso há muita habilidade sem afetação, junto com uma persuasão clara e sincera. Judá começa demonstrando profundo respeito por José. Chama‑o de “meu senhor”, apresenta a si e a seus irmãos como “teus servos”, pede que seja ouvido com paciência e reconhece a autoridade de José como plena. Na prática, ele afirma: “Tu és como Faraó; tememos a tua ira e buscamos o teu favor como o de Faraó.” A verdadeira piedade não torna as pessoas grosseiras, e é sinal de sabedoria falar com respeito àqueles cujo poder pode nos atingir. A honra não é bajulação quando é dada a alguém que de fato a merece.
Em seguida, Judá apresenta Benjamim como alguém que deveria despertar compaixão em José. Ele era o mais novo, ainda inexperiente, não havia sido endurecido pelas aflições, pois sempre fora tratado com muito cuidado pelo pai. Judá lembra que ele era o único filho que restava daquela mãe, e que seu irmão havia morrido, aludindo a José. Judá não imaginava o quanto essas palavras atingiriam o coração de José. Judá sabia que José fora vendido, de modo que tinha motivo para supor que ainda estivesse vivo, ou, pelo menos, não podia ter certeza de sua morte. Mas como haviam dito ao pai que ele estava morto, e repetido essa mentira por tanto tempo, começaram a se esquecer da verdade e quase passaram a acreditar na própria mentira.
Judá também enfatiza que fora o próprio José quem exigira que trouxessem Benjamim. José havia pedido para vê‑lo (Gênesis 44:21) e declarara que eles não poderiam tornar a ver o seu rosto se Benjamim não estivesse com eles (Gênesis 44:23, Gênesis 44:26). Isso sugeria que José tinha algum propósito bondoso para com o jovem. Por que, então, depois de tanta dificuldade para trazê‑lo, Benjamim deveria agora ser condenado a escravo para sempre? Eles o haviam levado unicamente porque José ordenara, portanto era razoável esperar que José lhe mostrasse misericórdia. Alguns observam que, quando os filhos de Jacó falaram com o pai, disseram: “Não desceremos se o nosso irmão não for conosco” (Gênesis 43:5). Mas, ao recontar essa conversa aqui, Judá fala de modo mais cuidadoso: a ideia é “não podemos descer com esperança de sucesso”. Palavras ditas às pressas, de modo descuidado, diante de alguém em posição superior, devem ser corrigidas quando são repetidas depois.
O ponto mais forte do apelo de Judá é a dor que recairia sobre seu pai idoso se Benjamim ficasse como escravo. Ele declara abertamente: “Seu pai o ama” (Gênesis 44:20). Eles já haviam usado esse argumento com José quando ele insistia em ver Benjamim (Gênesis 44:22). Disseram que, se Benjamim se afastasse do pai, aquele velho morreria; agora o perigo seria ainda maior se o filho não voltasse de maneira nenhuma. O próprio Jacó já havia suplicado com base nisso: se algum mal sobreviesse a Benjamim, ele desceria à sepultura com as cãs carregadas de tristeza (Gênesis 44:29). Por isso Judá afirma com grande urgência que a vida de Jacó está ligada à vida do rapaz (Gênesis 44:30). Se Jacó visse que Benjamim não havia retornado, ele desfaleceria e morreria de imediato (Gênesis 44:31), ou se afundaria em tamanha tristeza que logo viria a morrer. Judá acrescenta que não suportaria presenciar isso: “Não me deixes ver o mal que sobrevirá a meu pai” (Gênesis 44:34). Os filhos devem ser muito cuidadosos com a paz de espírito de seus pais e temer tudo o que possa lhes trazer pesar. O amor que desceu primeiro dos pais aos filhos deve subir de volta no coração dos filhos, levando‑os a retribuir, de alguma forma, o cuidado recebido.
Em respeito à justiça de José, e para mostrar que estava falando com absoluta sinceridade, Judá oferece a si mesmo como escravo no lugar de Benjamim (Gênesis 44:33). Assim, a sentença seria cumprida; José não teria prejuízo, pois Judá provavelmente era mais forte e mais apto para o serviço do que Benjamim; e Jacó suportaria com menos dor a perda de Judá do que a de Benjamim. Judá não demonstra ciúme do amor especial que o pai tinha por Benjamim. Pelo contrário, está disposto a tornar‑se escravo para que Benjamim possa ser livre.
Se José fosse um simples desconhecido para aquela família, os motivos apresentados por Judá já seriam suficientes para comover qualquer coração humano. Nada poderia ser mais terno e mais tocante; seria capaz de abrandar até um coração duro. Mas José era irmão de sangue de Benjamim, mais próximo dele do que o próprio Judá, e naquele momento sentia um amor ainda mais intenso por Benjamim e por seu pai idoso do que o próprio Judá. Essas palavras, portanto, foram imensamente agradáveis para ele. Jacó e Benjamim, na verdade, não precisavam que alguém intercedesse por eles diante de José, porque o próprio José já os amava.
Devemos notar também quão cuidadosamente Judá evita qualquer menção à suposta culpa de Benjamim. Se reconhecesse a acusação, pareceria pôr em dúvida a honestidade do irmão. Se a negasse, pareceria questionar a justiça de José e a sentença que ele dera. Por isso, Judá não entra nessa questão e se apega apenas à misericórdia de José. Isso lembra as palavras humildes de Jó diante de Deus: mesmo que fosse justo, não ousaria discutir com o seu Juiz, mas suplicaria por misericórdia (Jó 9:15). Ele não tentaria sustentar a própria causa, apenas pediria graça.
Não é de admirar que mais tarde Jacó tenha dito: “Judá, a ti louvarão os teus irmãos” (Gênesis 49:8). Judá demonstrou mais coragem, mais sabedoria, maior habilidade ao falar e, sobretudo, maior ternura em favor do pai e da família do que os outros irmãos. Sua lealdade para com Benjamim nesse momento de crise foi recompensada muito tempo depois, quando a tribo de Benjamim permaneceu firme ao lado da tribo de Judá, enquanto as outras dez tribos se afastaram. E quando o apóstolo fala da mediação de Cristo, de sua obra como aquele que nos conduz a Deus, ele observa que nosso Senhor descende de Judá (Hebreus 7:14). Assim como Judá aqui, Cristo não apenas falou em favor de outros, mas também se tornou fiador deles, assumindo responsabilidade por eles e demonstrando profunda preocupação tanto com o Pai quanto com seus irmãos (Gênesis 44:22).
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Deste capítulo
Gênesis 44:1
"E deu ordem ao que estava sobre a sua casa, dizendo: Enche de mantimento os sacos destes homens, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca do seu saco."
Gênesis 44:2
"E o meu copo, o copo de prata, porás na boca do saco do mais novo, com o dinheiro do seu trigo. E fez conforme a palavra que José tinha dito."
Gênesis 44:3
"Vinda a luz da manhã, despediram-se estes homens, eles com os seus jumentos."
Gênesis 44:4
"Saindo eles da cidade, e não se havendo ainda distanciado, disse José ao que estava sobre a sua casa: Levanta-te, e persegue aqueles homens; e, alcançando-os, lhes dirás: Por que pagastes mal por bem?"
Gênesis 44:5
"Não é este o copo em que bebe meu senhor e pelo qual bem adivinha? Procedestes mal no que fizestes."
Gênesis 44:6
"E alcançou-os, e falou-lhes as mesmas palavras."
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