Versículo em destaque
Gênesis 33:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo. "
Gênesis 33:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão.
4 Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram.
5 Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo.
6 Então chegaram as servas; elas e os seus filhos, e inclinaram-se.
7 E chegou também Lia com seus filhos, e inclinaram-se; e depois chegou José e Raquel e inclinaram-se.
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Aqui vemos a conversa entre os dois irmãos quando se encontraram. Foi uma conversa livre e amigável, sem menção da antiga briga. Esse foi o melhor jeito de lidar com o passado. Eles falam primeiro da família de Jacó (Gênesis 33:5-7). Onze ou doze crianças, sendo a mais velha com, no máximo, uns quatorze anos, vinham logo atrás de Jacó. Esaú pergunta: “Quem são estes?” Jacó já havia falado a Esaú sobre o crescimento da sua casa (Gênesis 32:5), mas não mencionara os filhos. Talvez não quisesse expô-los a perigo, caso Esaú ainda tivesse más intenções, ou talvez quisesse surpreendê-lo com eles, se Esaú viesse em paz.
Jacó responde a uma pergunta comum de um jeito sério e apropriado: “São os filhos que Deus graciosamente deu ao teu servo.” Bastaria dizer: “São meus filhos.” Isso responderia a Esaú, mas não soaria como Jacó, um homem que sempre olhava para o Senhor. Não devemos apenas fazer as coisas comuns de maneira piedosa, mas também falar delas de modo piedoso (3 João 1:6). Jacó fala de seus filhos como dons de Deus, e dons especiais. Eles são bênção do Senhor (Salmo 128:3; Salmo 112:9; Salmo 107:41). Embora fossem muitos, dessem trabalho e ainda não estivessem bem providos, ele ainda assim os considera grandes bênçãos.
Então suas mulheres e seus filhos chegam por ordem e se inclinam diante de Esaú, como Jacó havia feito antes deles (Gênesis 33:6-7). É apropriado que a família honre aquele a quem o chefe da casa honra.
Eles também falam do presente que Jacó havia enviado. Esaú recusa com bondade, dizendo que já tem o suficiente e não precisa daquilo (Gênesis 33:9). Quem deseja ser visto como honrado não deve parecer ganancioso nas amizades. Qualquer que tenha sido o efeito do presente de Jacó em acalmar Esaú, este não queria que se pensasse que fora movido por dinheiro, por isso recusou. Ele diz: “Tenho bastante”, querendo dizer: “Tenho de sobra.” Isso nos ensina que muitos que não têm bênçãos espirituais e estão fora da aliança de Deus ainda assim possuem muitos bens deste mundo. Esaú tinha o que lhe fora prometido: a gordura da terra e uma vida conquistada pela espada. É bom saber que temos o suficiente, mesmo que não tenhamos tanto quanto outros. Até Esaú podia dizer: “Tenho bastante.” Os que estão contentes com o que têm devem mostrar isso, não cobiçando o que os outros possuem.
Esaú afirma que não precisa do presente, nem para se sustentar, pois é rico, nem para ser apaziguado, pois já está reconciliado. Devemos cuidar para que nossa ganância não se aproveite da bondade de outra pessoa.
Então Jacó insiste para que Esaú aceite o presente, e acaba conseguindo (Gênesis 33:10-11). Antes, ele o havia enviado por medo (Gênesis 32:20), mas agora o medo se foi. Assim, ele insiste para que Esaú o receba por amor, para mostrar que desejava a amizade do irmão, e não apenas sua própria segurança. Ele apresenta dois motivos. Primeiro, é grato ao favor do irmão. Diz: “Tenho visto o teu rosto como se tivesse visto o rosto de Deus.” Ou seja: “Vi você reconciliado comigo e em paz comigo, e isso é grande alegria.” Ou pode significar que Jacó via o favor de Deus para com ele na bondade de Esaú. Era um sinal para o bem, mostrando que Deus havia respondido suas orações. Os confortos terrenos são verdadeiros confortos quando vêm como respostas de oração e mostram que Deus nos aceitou. Também é grande alegria quando pessoas que estavam em desacordo voltam à amizade.
Segundo, Jacó aponta para as coisas boas que Deus lhe deu. “Deus me tem agraciado”, ele diz. Devemos notar com gratidão quando aquilo que temos neste mundo cresce em nossas mãos, e dar a Deus o crédito por isso. Ele é quem dá poder para adquirir riquezas (Deuteronômio 8:18). Jacó acrescenta: “Tenho tudo”, ou “tenho o suficiente.” O “bastante” de Esaú era muito, mas o “tudo” de Jacó era melhor. Um homem piedoso pode ter pouco neste mundo e ainda assim dizer, com verdade: “Tenho tudo.” Ele tem tudo porque tem o Deus de tudo, e todas as coisas lhe pertencem se ele pertence a Cristo (1 Coríntios 3:22). Ele também tem o consolo de tudo. “Tenho tudo, e em abundância”, como diz Paulo (Filipenses 4:18). Quem pensa que tem tudo está certo de que tem o suficiente. Ele tem tudo também em esperança, pois em breve terá tudo plenamente quando chegar ao céu. Com base nisso, Jacó insiste com Esaú, e Esaú aceita o presente.
É algo belo quando a fé torna as pessoas generosas, de mão aberta e livres de mesquinhez.
Depois disso, eles falam sobre o restante da jornada. Esaú se oferece para seguir com Jacó como guia e companheiro, como sinal de que realmente estão reconciliados (Gênesis 33:12). Não vemos em nenhuma outra ocasião que Jacó e Esaú tenham sido tão amigos antes. A obra de Deus foi completa: ele fizera de Esaú não apenas alguém que já não era inimigo, mas um amigo. Esse osso quebrado, depois de bem alinhado, ficou mais forte do que antes. Esaú agora ama a companhia de Jacó e o convida para ir ao monte Seir. Não devemos jamais desistir de ninguém, nem desconfiar de Deus, cuja mão inclina todos os corações.
Mesmo assim, Jacó recusa com sabedoria a oferta (Gênesis 33:13-14). Ele mostra cuidado atento com sua família e seus rebanhos, como bom pastor e bom pai. Precisa considerar as crianças e os animais novos, e não pode forçá-los demais. Esse tipo de sabedoria e ternura deve ser imitado por aqueles que cuidam dos jovens nas coisas de Deus. No começo, eles não devem ser sobrecarregados com deveres pesados na religião, mas conduzidos conforme são capazes, com o trabalho tornando-se o mais leve possível. Cristo, o bom Pastor, faz o mesmo (Isaías 40:11).
Jacó não pede a Esaú que diminua o ritmo, nem força sua própria família a andar mais depressa. Também não os deixa para trás apenas para acompanhar o irmão, como muitos fariam, preferindo a companhia alheia à própria casa. Em vez disso, pede a Esaú que siga adiante e diz que irá depois, no passo que sua casa puder suportar. É injusto esperar que os outros andem no nosso ritmo. Ainda podemos chegar, no fim, ao mesmo destino, mesmo sem viajar juntos nem no mesmo passo. Pode haver pessoas com as quais não conseguimos caminhar de perto, e, ainda assim, não precisamos nos separar delas em discórdia. Jacó diz a Esaú que tenciona ir até ele em Seir, e podemos supor que tenha feito isso depois de estabelecer bem sua família e seus bens em outro lugar, embora essa visita não seja registrada.
Quando fizermos as pazes com nossos amigos, devemos mantê-las com cuidado, para não ficar atrás deles em bondade.
Esaú oferece então alguns de seus homens para servirem de guarda e escolta para Jacó (Gênesis 33:15). Ele vê que Jacó tem apenas um pequeno grupo, com servos que são principalmente pastores e cuidadores de rebanhos, e nenhum pajem ou acompanhante de destaque. Então pensa que Jacó talvez quisesse parecer mais importante, como Esaú, se pudesse. Ele deseja emprestar-lhe alguns de seus homens para que Jacó pudesse viajar de modo mais impressionante, como irmão de Esaú.
Jacó recusa humildemente, e pede que Esaú não se ofenda com a recusa: “Para que isso?” Jacó não precisava daquilo por aparência, pois não estava tentando exibir grandeza mundana, sobrecarregando-se com um séquito desnecessário. O orgulho vazio da pompa e da grandeza exige muita coisa sobre a qual se pode perguntar justamente: “Para que isso?”
Jacó também não precisava da escolta por segurança, pois estava sob a proteção de Deus. Quem tem Deus como guarda está bem guardado. Quem tem a força de Deus a cada manhã não precisa depender do poder humano. Jacó então diz: “Somente ache eu graça aos olhos de meu senhor.” Em outras palavras, se ele tinha a boa vontade de Esaú, tinha tudo o que desejava. Se Jacó valorizou tanto a boa vontade de um irmão, temos motivo bem maior para considerar que temos o suficiente quando temos a boa vontade do nosso Deus.
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Deste capítulo
Gênesis 33:1
"E levantou Jacó os seus olhos, e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os filhos entre Lia, e Raquel, e as duas servas."
Gênesis 33:2
"E pôs as servas e seus filhos na frente, e a Lia e seus filhos atrás; porém a Raquel e José os derradeiros."
Gênesis 33:3
"E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão."
Gênesis 33:4
"Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram."
Gênesis 33:6
"Então chegaram as servas; elas e os seus filhos, e inclinaram-se."
Gênesis 33:7
"E chegou também Lia com seus filhos, e inclinaram-se; e depois chegou José e Raquel e inclinaram-se."
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