Versículo em destaque
Ezequiel 4:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E tu, toma trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho e aveia, e coloca-os numa vasilha, e faze deles pão; conforme o número dos dias que tu te deitares sobre o teu lado, trezentos e noventa dias, comerás disso. "
Ezequiel 4:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 Dirigirás, pois, o teu rosto para o cerco de Jerusalém, com o teu braço descoberto, e profetizarás contra ela.
8 E eis que porei sobre ti cordas; assim tu não te voltarás de um lado para o outro, até que cumpras os dias do teu cerco.
9 E tu, toma trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho e aveia, e coloca-os numa vasilha, e faze deles pão; conforme o número dos dias que tu te deitares sobre o teu lado, trezentos e noventa dias, comerás disso.
10 E a tua comida, que hás de comer, será do peso de vinte siclos por dia; de tempo em tempo a comerás.
11 Também beberás a água por medida, a saber, a sexta parte de um him; de tempo em tempo beberás.
Explore estudos bíblicos guiados
Sessões estruturadas com notas, perguntas e insights de orientadores
As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
Prévia da sessão 1:
Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
6 min
Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
Prévia da sessão 1:
O Cuidado do Pastor
5 min
Crie uma conta grátis para salvar notas, acompanhar progresso e desbloquear todas as sessões
Criar conta grátisComentário Bible Guided
A explicação mais clara desta parte do aviso de Ezequiel sobre a ruína de Jerusalém aparece no lamento de Jeremias (Lamentações 4:3-4, 10). Jeremias descreve a terrível fome em Jerusalém durante o cerco e os resultados horrorosos que ela trouxe. O sinal de Ezequiel foi ordenado para fazer o povo sentir esse perigo antes que ele chegasse.
Primeiro, o profeta deveria viver por 390 dias com alimento pobre e em pequenas porções, e esse alimento ainda deveria ser mal preparado, porque o povo ficaria sem comida e sem combustível. O pão seria feito do pior tipo de cereal, com apenas um pouco de trigo e cevada, e o restante seriam favas, lentilhas, milho miúdo e aveia, grãos muitas vezes usados para alimentar animais. Era como uma mistura de grãos do que se conseguisse achar. Enquanto estivesse deitado sobre o lado, com o corpo abatido, ele precisava de alimento, mas só esse pão grosseiro lhe era permitido (Ezequiel 4:9). Não devemos apegar-nos demais a comidas saborosas, pois não sabemos com que alimento simples ainda poderemos ter de viver antes de morrer. Mesmo a comida mais comum é melhor do que merecemos; por isso, não devemos desprezá‑la nem desperdiçá‑la. Também não devemos olhar de cima para quem precisa viver desse tipo de alimento, pois o nosso próprio destino pode vir a ser igual.
Em segundo lugar, a quantidade de alimento deveria ser a mínima capaz de manter uma pessoa viva. Isso mostrava que os sitiados em Jerusalém seriam colocados em ração controlada e sobreviveriam apenas até que o pão da cidade acabasse por completo (Jeremias 37:21). Ezequiel deveria comer somente vinte siclos de pão por dia, cerca de 280 gramas (Ezequiel 4:10), e beber apenas um sexto de um him de água, algo em torno de um quarto de litro (Ezequiel 4:11). Na Babilônia, ele tinha pão em abundância e muita água junto ao rio; ainda assim, Deus o chamou a viver com extrema parcimônia para confirmar sua mensagem e servir de sinal para Israel. Os servos de Deus precisam aprender a suportar durezas e a negar a si mesmos confortos lícitos quando isso glorifica a Deus, manifesta fé verdadeira e reparte o peso do sofrimento com os irmãos. O corpo precisa ser mantido sob domínio e feito obediente. A natureza se contenta com pouco, a graça com menos ainda, mas o desejo pecaminoso nunca se satisfaz. É sábio impor a nós mesmos algumas restrições, para que possamos suportá‑las melhor se a necessidade um dia nos as impuser. Em tempos de aflição pública, é vergonhoso viver em luxo, como aqueles que bebiam vinho em grandes taças e não se entristeciam com a ruína de José (Amós 6:4-6).
Terceiro, Ezequiel devia assar o pão usando excremento humano, seco e utilizado como combustível para o fogo (Ezequiel 4:12). Só a ideia já causa repulsa. Mesmo assim, ele tinha de comer esse pão com a maior simplicidade, como se fossem bolos de cevada comuns. E deveria fazer isso em público, para que o povo sentisse mais profundamente o desastre que se aproximava. O sinal mostrava que, na fome extrema, não apenas lhes faltariam alimentos finos, mas até mesmo alimento limpo, tendo de se conformar com o que conseguissem. Para uma pessoa faminta, até coisas amargas parecem doces.
Ezequiel pediu para ser dispensado dessa parte do sinal (Ezequiel 4:14). Isso lhe parecia envolver impureza cerimonial, já que a lei mandava enterrar o excremento humano para que nada impuro fosse visto no acampamento (Deuteronômio 23:13-14). Ele pediu: “Ah, Senhor Deus, nunca me contaminei, e temo contaminar-me com isso.” As pessoas piedosas temem mais a contaminação do pecado do que qualquer outra coisa. Ao mesmo tempo, uma consciência muito sensível pode às vezes se inquietar em excesso com coisas que são lícitas, como aconteceu aqui com Ezequiel. Ele ainda não tinha aprendido que o que entra pela boca não contamina o homem (Mateus 15:11).
Note que ele não argumentou: “Senhor, sempre vivi com delicadeza e só usei o que era limpo e agradável.” Havia em Jerusalém pessoas criadas assim, e ainda assim foram obrigadas a se agarrar à imundícia durante o cerco (Lamentações 4:5). Em vez disso, ele afirmou que tinha sido cuidadoso em evitar o que a lei proibia, como carne de animal morto por si ou despedaçado por feras. Nesse sentido, estava dizendo: “Senhor, não coloques isso agora sobre mim.” Pedro usaria argumento parecido mais tarde: “Senhor, nunca comi coisa alguma comum e imunda” (Atos 10:14). Em tempos de aperto, é consolador poder dizer, em nosso íntimo, que procuramos afastar-nos do pecado, até dos pecados menores e de toda aparência de mal. Tudo o que Deus ordena certamente é bom. Mas, se formos chamados a fazer algo que honestamente cremos ser errado, devemos expor nosso caso dizendo, em essência: “Tenho guardado a minha pureza até aqui; por que a perder agora?”
Por causa dessa delicadeza de consciência demonstrada por Ezequiel, Deus lhe concedeu outra forma. Permitiu que ele usasse excremento de vaca em lugar do humano (Ezequiel 4:15). Isso também aponta, ainda que de modo discreto, para a profundidade da contaminação que o pecado humano produz. Se o nosso próprio excremento é tão ofensivo, quanto mais ofensiva é a corrupção do pecado. Como diz Jó: “Quanto mais abominável e corrupto é o homem” (Jó 15:16).
O sinal tinha um significado claro: mostrava que os que ficassem em Jerusalém sofreriam miséria extrema por falta de comida. O cerco cortaria todos os suprimentos, e a cidade logo sentiria a perda do campo, pois até o rei depende do que vem da lavoura. O “bastão do pão”, isto é, o sustento que mantém a vida, seria quebrado em Jerusalém (Ezequiel 4:16). Deus não apenas tiraria do pão o poder de sustentar, de modo que comeriam e não se fartariam (Levítico 26:26), mas tiraria o próprio pão (Isaías 3:1). O pouco que restasse teria de ser medido por peso e repartido com grande cuidado, para que cada um recebesse uma parte pequena e fizesse com que durasse o máximo possível.
Mas de que serviria isso, se não podiam fazer a comida durar para sempre e os sitiados se esgotariam antes que o exército do lado de fora? Teriam de comer e beber com extremo cuidado, esticando ao máximo cada porção. Mesmo assim, olhariam com pavor para seus mantimentos quase esgotados, sem qualquer meio de conseguir mais.
Eles ficariam aterrorizados em conjunto. Normalmente, em meio à aflição, é algum consolo saber que outros a compartilham conosco, e o coração se alivia quando tem com quem desabafar. Mas ali, a miséria partilhada só tornaria a dor maior. As queixas que faziam uns aos outros não os aliviariam, mas aprofundariam o medo e a inquietação.
O desfecho seria exatamente tão mau quanto temiam. Não seriam capazes de imaginar nada pior, porque definharam por causa do seu pecado. Muitos morreriam de fome, uma morte lenta, pior do que morrer à espada (Lamentações 4:9). Morreriam de modo a sentir-se morrendo. O pecado traria sobre eles toda essa miséria. Definhariam na sua culpa, o que também pode significar que persistiriam em pecado teimoso e sem arrependimento, morrendo em seus pecados. Esse é um fim muito mais triste do que morrer num monturo.
Aqui devemos enxergar a terrível ruína que o pecado traz sobre um povo, e reconhecer que Deus é justo ao agir assim. Houve tempo em que Jerusalém era farta do melhor trigo (Salmo 147:14), mas agora ficaria feliz se tivesse o grão mais pobre, e ainda assim não conseguiria tê-lo. A fartura de alimento fora uma das bênçãos de Jerusalém, mas se transformara em um de seus pecados (Ezequiel 16:49). Ela usou sua abundância para luxo e exagero, e por isso Deus justamente puniu esse abuso com fome. É justo que Deus tire os confortos que transformamos em combustível para os nossos pecados.
Também devemos agradecer a Deus pela fartura, não só pelos frutos da terra, mas pelo comércio e pelo abastecimento. É bênção que o lavrador possa receber dinheiro pelo seu pão e que o comerciante possa obter pão com seu dinheiro. É bênção haver alimento não só nos campos, mas também no mercado. Mesmo quem vive em cidades e grandes centros, embora não semeie nem colha, é sustentado diariamente com o que precisa.
Isso também apontava para o fato de que os levados cativos seriam forçados a comer pão imundo entre os gentios (Ezequiel 4:13). Teriam de comer alimentos preparados por mãos gentias, fora das normas da lei da congregação de Israel, e sempre tinham sido ensinados a considerar isso como impuro. Eles detestariam isso tanto quanto alguém detestaria pão misturado com excremento, talvez pão amassado ou moldado com esterco. Daniel e seus companheiros preferiram comer somente legumes e beber água a se contaminar com a comida do rei (Daniel 1:8). Ou ainda, seriam obrigados a comer comida estragada, o tipo de alimento que os opressores lhes dariam na escravidão, comida que antes teriam recusado até tocar. Porque não quiseram servir a Deus com alegria quando tinham tudo, Deus os faria servir a seus inimigos quando nada tivessem.
Como a sua IA cristã pode ajudar
Explore as Escrituras e a vida por uma perspectiva cristã
Estudo bíblico
Orientação para a vida
Apoio em oração
Sabedoria diária
Faça 3 perguntas grátis por semana. Não é necessário cartão de crédito. Ver planos
Deste capítulo
Ezequiel 4:1
"Tu, pois, ó filho do homem, toma um tijolo, e pô-lo-ás diante de ti, e grava nele a cidade de Jerusalém."
Ezequiel 4:2
"E põe contra ela um cerco, e edifica contra ela uma fortificação, e levanta contra ela uma trincheira, e põe contra ela arraiais, e põe-lhe aríetes em redor."
Ezequiel 4:3
"E tu toma uma sertã de ferro, e põe-na por muro de ferro entre ti e a cidade; e dirige para ela o teu rosto, e assim será cercada, e a cercarás; isto servirá de sinal à casa de Israel."
Ezequiel 4:4
"Tu também deita-te sobre o teu lado esquerdo, e põe a iniqüidade da casa de Israel sobre ele; conforme o número dos dias que te deitares sobre ele, levarás as suas iniqüidades."
Ezequiel 4:5
"Porque eu já te tenho fixado os anos da sua iniqüidade, conforme o número dos dias, trezentos e noventa dias; e levarás a iniqüidade da casa de Israel."
Ezequiel 4:6
"E, quando tiveres cumprido estes dias, tornar-te-ás a deitar sobre o teu lado direito, e levarás a iniqüidade da casa de Judá quarenta dias; um dia te dei para cada ano."
Oração diária
Receba uma reflexão bíblica diária por e-mail
Comece cada manhã com um versículo, uma oração e um próximo passo simples.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.
Bible Guided oferece orientação baseada na fé e deve complementar, não substituir, apoio terapêutico profissional.