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Ezequiel 36:25 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. "

Ezequiel 36:25

menu_book Versículo no contexto

23 E eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre os gentios, o qual profanastes no meio deles; e os gentios saberão que eu sou o SENHOR, diz o Senhor DEUS, quando eu for santificado aos seus olhos.

24 E vos tomarei dentre os gentios, e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra.

25 Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.

26 E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.

27 E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O povo de Deus poderia desanimar quando pensasse em restauração. Poderia se sentir indigno de tamanha bondade, e também incapaz de recebê-la, pois ainda era pecador. Os versículos anteriores responderam à primeira preocupação, mostrando que Deus agiria por causa da sua própria glória, e não por causa do mérito do povo. Estes versículos respondem à segunda preocupação, prometendo que Deus mesmo os prepararia pela sua graça, e então lhes concederia a misericórdia que já tinha planejado.

Isso se cumpriu em parte, de modo impressionante, no cativeiro babilônico. Enquanto estiveram na Babilônia, os judeus foram curados de sua tendência à idolatria, ao falso culto. Mas a promessa vai além disso. Ela também é uma figura da aliança da graça, a promessa salvadora de Deus em que Ele concede bênçãos espirituais por meio de Cristo e do Espírito. Assim como o capítulo 34 passou da promessa do retorno à promessa de Cristo, o grande Pastor, esta passagem avança para a promessa do Espírito e da sua obra em nós. Precisamos do mérito de Cristo para justificação, para sermos considerados justos diante de Deus, e precisamos do Espírito para santificação, para sermos feitos santos.

Deus primeiro promete realizar uma boa obra neles, para que estejam preparados para o bem que Ele pretende fazer por eles (Ezequiel 36:25-27). Uma promessa semelhante já havia sido feita em (Ezequiel 11:18-20). Ele diz: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados”, o que aponta para a purificação do pecado. Significa que o sangue de Cristo, aplicado à consciência, lava a culpa, assim como a água da purificação removia a impureza cerimonial. E também aponta para a graça do Espírito, derramada sobre toda a alma, limpando-a de desejos e hábitos corruptos. Naamã foi purificado da lepra mergulhando no Jordão, e de modo muito mais elevado Deus purifica pecadores do pecado. Cristo em si mesmo era puro; se não fosse, seu sangue não poderia nos purificar, e é o Espírito Santo quem nos torna santos.

Deus diz: “de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei”. Ele repete a mesma verdade em (Ezequiel 36:29): “E vos livrarei de todas as vossas imundícias”. O pecado mancha as pessoas, e a idolatria as mancha de modo especial. Torna os pecadores odiosos a Deus e um peso para si mesmos. Quando a culpa é perdoada e a natureza pecaminosa é renovada, então são purificados de suas imundícias. Não há outro meio de ser salvo delas. Deus promete isso para que Ele seja santificado neles, como diz (Ezequiel 36:23). Não podemos honrar o nome de Deus se Ele primeiro não santificar o nosso coração. Não podemos viver para a sua glória senão pela sua graça.

Deus também promete dar-lhes um novo coração, uma disposição interior melhor do que a que tinham antes. Ele agirá de dentro para fora, produzindo uma mudança completa em suas vidas. Todo aquele que pertence à nova aliança e tem direito à nova Jerusalém recebe um novo coração e um novo espírito. Esses são necessários para que andem em novidade de vida. Esta é a natureza divina da qual os crentes passam a participar por meio das promessas de Deus.

Em lugar de um coração de pedra, Deus dará um coração de carne. Um coração de pedra é frio, duro e incapaz de receber a obra de Deus ou de corresponder a Ele em amor. Um coração de carne é macio e sensível. Tem sensibilidade espiritual, conhece a dor e a alegria espirituais e segue a vontade de God. A graça renovadora produz na alma uma mudança tão grande quanto transformar uma pedra morta em carne viva.

Deus também promete lidar com a nossa incapacidade de cumprir o nosso dever. Ele diz que fará com que andem nos seus estatutos. Não apenas lhes mostrará o caminho certo, mas os inclinará a andar por ele. Dará sabedoria, desejo e força ativa para toda boa obra. Para isso, colocará o seu Espírito dentro deles como mestre, guia e santificador, aquele que os torna santos. Deus não obriga as pessoas a obedecer por pressão externa. Em vez disso, faz com que obedeçam por um princípio de vida interior.

Devemos notar também como somos chamados a responder a essa promessa. Deus diz: “Guardareis os meus juízos”. Se Deus cumpre a sua parte conforme a promessa, devemos cumprir a nossa conforme o mandamento. A promessa da graça, que nos dá poder para o dever, deve nos mover a um cuidado constante e a esforço na prática do dever. As promessas de Deus devem nos conduzir aos seus mandamentos como nossa regra, e seus mandamentos devem nos fazer voltar às suas promessas em busca de força. Sem a sua graça, nada podemos fazer.

Deus em seguida promete trazê-los para a aliança consigo mesmo. O coração da aliança da graça é isto: “Vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus” (Ezequiel 36:28). Não é dito: “Se vós fordes o meu povo, então serei o vosso Deus”. É verdade que não podemos esperar que Deus seja o nosso Deus se não formos o seu povo, mas aqui Deus fala primeiro em graça. Ele nos escolheu e nos amou primeiro, não nós a Ele. Por isso, até a condição vem como promessa, não como recompensa de mérito ou obras. Ele diz: “Vós sereis o meu povo”, isto é: “Eu vos farei assim. Eu vos darei a natureza e o espírito do meu povo, e então serei o vosso Deus”. Isto é o fundamento e o coroamento da felicidade do crente. É o próprio céu (Apocalipse 21:3; Apocalipse 21:7).

Deus também promete fazer por eles todo o bem que a sua situação exige. Quando estiverem preparados para a misericórdia, voltarão à sua terra e nela habitarão outra vez (Ezequiel 36:28). Deus os trará de volta, não porque mereçam, mas por causa da promessa feita a seus pais. Foi por essa razão, e não por mérito deles, que Ele lhes deu a terra desde o início (Deuteronômio 7:7-8). Ele é gracioso porque declarou que seria gracioso. A mesma ordem aparece em (Ezequiel 36:33). “No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniquidades”, diz Deus, “farei com que as cidades sejam habitadas”. Primeiro Ele remove o pecado, depois restaura o consolo. Esse é o modo de agir da misericórdia de Deus.

Então eles desfrutarão de abundância de bens. Quando forem libertos da imundícia que retinha as boas coisas, Deus diz: “Chamarei o trigo e o multiplicarei” (Ezequiel 36:29). A fartura vem quando Deus a chama, e a abundância que Ele envia continuará crescendo. Quando Ele dá a sua ordem, o fruto das árvores e a colheita do campo se multiplicam. À medida que o povo aumenta, aumenta também a produção necessária para alimentá-lo. Aquele que dá bocas para alimentar também dá o alimento. A fome fora um dos juízos sobre eles, e era profunda vergonha passar necessidade em uma terra conhecida por sua fertilidade. Mas agora Deus diz: “Não deixarei mais vir sobre vós a fome de pão”. Ninguém está sob esse castigo, a não ser quando Ele o impõe.

Assim, não sofrerão mais a vergonha da fome. Ninguém poderá zombar deles como de um povo que Deus deixa na falta do necessário. Na verdade, não só serão libertos da desgraça da necessidade, mas serão conhecidos pela abundância. A terra que por muito tempo ficara vazia diante dos olhos de todos os que passavam, uns olhando com desprezo e outros com pena, será novamente cultivada (Ezequiel 36:34). Depois de permanecer tanto tempo inculta, ficará ainda mais frutífera.

Note que Deus chamará o trigo, mas ainda assim eles precisarão lavrar a terra para obtê-lo. Isso mostra que até as bênçãos prometidas precisam ser buscadas com trabalho. A promessa de Deus não substitui o nosso esforço; ela o desperta e o enche de esperança. Deus abençoará de tal maneira o trabalho do diligente que todos os que passarem notarão isso com espanto (Ezequiel 36:35). Dirão: “Vede a grande mudança aqui; esta terra que estava assolada tornou-se como o jardim do Éden, um deserto transformado em paraíso”. Deus tem honras reservadas para o seu povo que compensarão o desprezo que agora padecem, e Ele será honrado neles.

Esse grande aumento tanto do povo quanto da produção da terra é comparado (Ezequiel 36:38) aos grandes rebanhos de gado trazidos a Jerusalém para o sacrifício em uma das festas sagradas. Até as cidades arruinadas ficarão cheias de rebanhos de gente, não como os rebanhos que cobrem as pastagens (Salmo 65:13), mas como o rebanho santo levado aos átrios da casa do Senhor. Uma grande multidão é, de fato, uma bela visão quando todos são dedicados a Deus, como um rebanho santo oferecido a Ele em sacrifício vivo. Multidões são belas no templo de Deus.

Essa mudança bendita produzirá efeitos felizes. Primeiro, levará o povo de Deus a uma sincera tristeza pelos seus pecados (Ezequiel 36:31). Então se lembrarão de seus maus caminhos e terão nojo de si mesmos por causa deles. Isso mostra o que o pecado realmente é: algo odioso e imundo, aquilo que o Senhor aborrece. E mostra também o primeiro passo em direção ao arrependimento: a memória séria dos nossos pecados, pensando neles com atenção e nomeando-os com clareza.

Devemos lembrar dos nossos pecados contra nós mesmos, não apenas nossos crimes mais graves, mas também nossas faltas e fraquezas, tudo o que fizemos que não foi bom, nem tão bom quanto deveria ter sido. Devemos considerar não só as desobediências diretas, mas também cada vez que ficamos aquém da lei de Deus. O arrependimento verdadeiro sempre inclui aborrecimento de si mesmo, uma santa vergonha e confusão de rosto. “Vocês se odiarão aos seus próprios olhos”, porque verão quão feios se tornaram aos olhos de Deus.

O amor próprio está na raiz do pecado, por isso é justo que fiquemos envergonhados quando enxergamos quão tolo o pecado foi. No entanto, essa luta interior é destinada a nos conduzir, com bons fundamentos, de volta à paz conosco mesmos. O maior auxílio para o arrependimento segundo o evangelho é o senso da misericórdia de Deus. Quando Deus os estabelece em meio à abundância, então eles passam a odiar ainda mais os seus pecados. A bondade de Deus deve vencer a nossa maldade e nos conduzir ao arrependimento. Quanto mais vemos quão pronto Deus está para nos receber quando nos arrependemos, mais envergonhados devemos nos sentir por termos pecado contra um amor assim. O coração é muito duro se não se derrete diante disso.

Em segundo lugar, essa mudança afetará os vizinhos deles, porque os levará a um conhecimento mais claro de Deus (Ezequiel 36:36). As nações ao redor, que falavam mal de Deus — pois todos os que falam mal dele falam em ignorância — começarão a entender melhor quando virem a terra de Israel restaurada. Elas aprenderão que Deus pode reedificar as cidades mais arruinadas e replantar as terras mais devastadas. Também verão que, mesmo que o favor de Deus para com seu povo pareça interrompido por um tempo, não será cortado para sempre.

Elas serão levadas a reconhecer a verdade da palavra de Deus ao verem como as obras dele correspondem exatamente ao que falou a Israel: “Eu, o Senhor, falei, e o farei.” Entre nós, falar e fazer são coisas diferentes. Com Deus não é assim.

Deus coloca essas coisas diante deles, não como pagamento por algum mérito, mas como resposta às suas orações. Eles não devem pensar que conquistaram isso. “Não é por amor de vós que faço isto”, diz ele, “fique isso bem sabido” (Ezequiel 36:22, Ezequiel 36:32). Pelo contrário, deveriam envergonhar-se e confundir-se por causa dos seus próprios caminhos. Deus está cumprindo tudo o que prometeu, e isso é tão certo como se já estivesse inteiramente realizado. Mesmo os acontecimentos presentes estão caminhando nessa direção.

Primeiro, eles precisam abandonar qualquer ideia de que suas boas obras mereçam isso. Quando Deus trouxe Israel pela primeira vez a Canaã, advertiu claramente para que não pensassem que era por causa da sua justiça (Deuteronômio 9:4-6). Não é por causa de suas boas qualidades ou boas ações, nem porque Deus necessite de algo deles ou espere algum ganho da parte deles. Quando ele mostra misericórdia, age por direito real, não porque tenhamos merecido. Isso é dito com muita ênfase: “Sabei que não é por amor de vós”, porque somos rápidos em pensar demais do nosso próprio mérito e lentos em abrir mão dele. De um modo ou de outro, Deus fará com que todos os seus favorecidos reconheçam e confessem que foi a sua graça, não a sua bondade; a sua misericórdia, não o seu mérito, que os fez ser o que são. Assim, a glória não pertence a eles, mas a ele.

Em segundo lugar, precisam arrepender-se de seus maus caminhos. Devem admitir que as misericórdias que recebem de Deus não apenas são imerecidas, mas foram, com justiça, perdidas mil vezes pelos seus pecados. Por isso, devem estar muito longe de se gloriar em suas boas obras. Devem, antes, envergonhar-se e confundir-se por causa de seus maus caminhos, e assim estarão melhor preparados para receber misericórdia.

Ao mesmo tempo, precisam saber que devem desejar e esperar por essa misericórdia (Ezequiel 36:37). “Ainda assim deixarei que a casa de Israel me peça por isso.” Deus falou, e ele o fará, mas quer ser buscado por isso. Ele exige que o seu povo o busque, e moverá o coração deles a fazer isso quando vier ao encontro deles com misericórdia.

Eles precisam orar por isso, porque a oração é o modo pelo qual Deus é buscado e solicitado. O que Deus promete deve tornar-se assunto das nossas orações. Ao pedir a misericórdia prometida, damos glória ao Doador, mostramos que valorizamos o dom, confessamos nossa necessidade e honramos a oração, precisamente o meio que Deus escolheu honrar.

O próprio Cristo precisou pedir, e então Deus lhe deu as nações por herança. Ele precisou rogar ao Pai, e então o Pai enviou o Consolador, o Espírito Santo. Se isso é verdade a respeito de Cristo, com muito mais razão devemos pedir, se queremos receber.

Eles também devem consultar os oráculos de Deus, isto é, buscar a palavra e a direção de Deus, e assim Deus é buscado e interrogado. A misericórdia em questão precisa ser mais do que uma obra de providência, isto é, mais do que um ato geral do cuidado governante de Deus. Ela deve ser um filho da promessa, algo que Deus empenhou na sua aliança. Por isso, a promessa deve ser tomada como referência, e a oração deve ser feita com a fé firmada nessa promessa. A promessa deve orientar as nossas esperanças e também sustentá-las.

Vemos esses dois caminhos em Daniel, falando em nome da casa de Israel, quando estava para pedir grandes coisas a Deus em favor deles. Ele estudou as Escrituras e entendeu pelos livros, especialmente pelo livro do profeta Jeremias, tanto o que esperar quanto quando esperar. Então voltou o rosto para buscar a Deus em oração (Daniel 9:2, Daniel 9:3). A lição é clara: nossa comunhão com Deus deve ser mantida viva pela palavra e pela oração em todos os seus tratos conosco, e em ambos devemos buscá-lo.

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