Versículo em destaque
Ezequiel 33:21 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E sucedeu que, no ano duodécimo do nosso cativeiro, no décimo mês, aos cinco do mês, veio a mim um que tinha escapado de Jerusalém, dizendo: A cidade está ferida. "
Ezequiel 33:21
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
19 E, convertendo-se o ímpio da sua impiedade, e praticando juízo e justiça, ele viverá por eles.
20 Todavia, vós dizeis: Não é justo o caminho do Senhor; julgar-vos-ei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel.
21 E sucedeu que, no ano duodécimo do nosso cativeiro, no décimo mês, aos cinco do mês, veio a mim um que tinha escapado de Jerusalém, dizendo: A cidade está ferida.
22 Ora, a mão do Senhor estivera sobre mim pela tarde, antes que viesse o que tinha escapado; e ele abrira a minha boca antes que esse homem viesse ter comigo pela manhã; e abriu-se a minha boca, e não fiquei mais calado.
23 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
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Aqui temos a notícia trazida a Ezequiel de que Jerusalém havia sido consumida pelo fogo pelos caldeus, isto é, pelos babilônios. A cidade foi queimada no décimo primeiro ano do exílio, no quinto mês (Jeremias 52:12-13). O relato chegou ao profeta no décimo segundo ano e no décimo mês (Ezequiel 33:21), ou seja, cerca de um ano e quase cinco meses depois. É bem possível que ele já soubesse antes, por meio do contato regular entre Jerusalém e Babilônia, mas esta foi a primeira notícia vinda de um fugitivo, alguém que escapara e podia contar toda a história, com todos os detalhes e com grande emoção.
Isso também cumpriu o sinal que Deus já lhe havia dado, de que um fugitivo viria e o faria ouvir com seus próprios ouvidos (Ezequiel 24:26). Ele ouviria mais claramente do que nunca da boca de um homem que, em essência, podia dizer: “Eu mesmo vi essas coisas tristes.” A realidade da ruína, narrada por uma testemunha ocular, tornaria o juízo ainda mais grave.
Vemos também o auxílio especial de Deus sobre Ezequiel para prepará-lo para aquela notícia tão pesada (Ezequiel 33:22). A mão do Senhor já estava sobre ele antes que o mensageiro chegasse, e Deus havia aberto sua boca para falar à casa de Israel o que está registrado anteriormente neste capítulo. Ele já não estava mais em silêncio. O próprio acontecimento provou que ele era verdadeiro profeta e envergonhou aqueles que o haviam contestado.
As profecias do capítulo 24 até este ponto parecem tratar principalmente das nações ao redor de Israel. É provável que Ezequiel não as tenha proclamado em voz alta naquele momento, mas as tenha escrito e enviado como cartas aos povos envolvidos. Ele não podia comparecer diante dos amonitas, de Tiro ou do Egito para falar-lhes diretamente, então atuou por meio de mensagens escritas, como Zacarias fez quando não podia falar. Desse modo, continuava a cumprir plenamente o seu ministério profético. Mesmo ministros silenciados ainda podem fazer muito bem por meio de cartas e visitas.
Agora a boca do profeta é aberta para que ele fale aos filhos do seu próprio povo. É bem possível que ele já viesse conversando com eles como amigo, recordando-lhes o que lhes havia ensinado. Mas ele ainda não lhes falara como profeta, sob nova inspiração, até agora. A mão do Senhor veio sobre ele de novo, renovou o seu chamado, deu-lhe novas palavras e o capacitou a falar como convinha.
A mensagem que ele recebe agora diz respeito aos judeus que ainda restavam na terra de Israel e viviam entre as suas ruínas, pois o pecado tornara a terra um deserto (Ezequiel 33:24). As cidades de Israel tinham se tornado ruínas de Israel. Alguns poucos que escaparam da espada e do cativeiro ainda estavam ali e começavam a pensar em se estabelecer novamente. Isso foi bem depois de Jerusalém ter sido destruída. Naquela altura, Gedalias, homem modesto e humilde, e seus companheiros já haviam sido mortos, e Joanã e os homens orgulhosos que estavam com ele provavelmente se achavam no auge de sua influência (Jeremias 43:2). Antes de resolverem ir ao Egito, Ezequiel parece estar se opondo a um plano anterior, de se estabelecerem na devastada terra de Israel, e provavelmente enviou esse aviso pelo mesmo homem que lhe trouxera as notícias da queda de Jerusalém.
Também é possível que a mensagem tivesse em vista algum outro grupo de judeus que permaneceu na terra, na esperança de ali criar raízes e se tornar o único senhorio dela, depois que Joanã e suas forças partissem para o Egito. De qualquer forma, a primeira coisa que aparece é o orgulho desses judeus remanescentes. Viviam entre as ruínas da terra de Israel e, embora os tratos de Deus para com eles tivessem sido profundamente humilhantes, e ainda os ameaçassem, mantinham-se obstinadamente orgulhosos e seguros. O mensageiro que trouxe a notícia a Ezequiel provavelmente não podia lhe dizer o que eles andavam dizendo, mas Deus lhe revelou: “A terra nos foi dada em possessão” (Ezequiel 33:24).
Em outras palavras, pensavam: “Nossos companheiros se foram, logo a terra agora é toda nossa, por direito de sobrevivência, ou por não haver outros herdeiros. Ficaremos agora sozinhos no meio da terra e teremos tudo só para nós.” Isso mostra quão cegos estavam debaixo da mão pesada de Deus e como se tinham tornado egoístas e mesquinhos. Alegravam-se com a ruína do país, desde que ainda pudessem tirar algum proveito disso. Não se importavam que tudo o mais estivesse devastado, contanto que pudessem ficar com a propriedade. Era uma herança bem pobre para se gloriar.
Chegaram até a se comparar com Abraão e se orgulhar, dizendo: “Temos Abraão por pai.” “Abraão”, diziam, “era apenas um homem, uma única família, e herdou a terra e nela viveu em paz por muitos anos. Mas nós somos muitos, muitas famílias, bem mais numerosos que ele. Certamente a terra nos foi dada em possessão.” Com isso queriam dizer duas coisas. Primeiro, julgavam poder reivindicar de Deus direito tão forte à terra quanto Abraão. Se Deus deu a terra a Abraão, que era apenas um adorador seu, como recompensa de serviço, imaginavam que muito mais certamente a daria a eles, visto que eram muitos adoradores. Isso mostra o quanto se exaltavam em seus próprios méritos, como se fossem maiores do que o próprio Abraão, seu pai, o qual não foi justificado por obras.
Segundo, pensavam poder manter a terra contra os caldeus e quaisquer outros inimigos tão bem quanto Abraão a manteve diante dos que contenderam com ele. Se Abraão, sendo apenas um homem, conseguiu conservá-la, quanto mais eles, sendo muitos e tendo muito mais homens debaixo de seu comando do que os trezentos servos treinados de Abraão, conseguiriam mantê-la também. Isso revela a confiança que tinham na própria força. Haviam tomado posse e estavam decididos a não largá-la. As providências de Deus não os haviam humilhado nem atemorizado, por isso ele lhes envia uma mensagem que deveria produzir ambos os efeitos. Primeiro vai humilhá-los, expondo a maldade em que ainda persistiam, que os tornava completamente indignos de possuir a terra.
A idolatria, esse pecado de quebrar a aliança, o pecado que especialmente provocou o Deus zeloso a devastar o país, continua sendo o pecado que mais facilmente os prende. Eles levantam os olhos para seus ídolos, o que mostra que, mesmo que já não se curvem perante eles tanto quanto antes, ainda põem neles o coração e por eles suspiram.
Continuam tão ferozes, cruéis e bárbaros quanto sempre foram, derramando sangue inocente. Além disso, confiam em sua própria força, em seu próprio braço e em seu próprio arco, sem verdadeira dependência de Deus nem de sua providência sobre os acontecimentos. Estão firmados sobre sua espada (Ezequiel 33:26), isto é, acham que podem conquistar tudo pela força das armas.
Como pessoas assim podem esperar a herança de Isaque, se têm o espírito de Ismael, cuja mão seria contra todos (Gênesis 16:12), e o propósito de Esaú, que tencionava viver da sua espada (Gênesis 27:40)? Lemos de alguns que, ao morrer, pensavam não poder descansar no túmulo a não ser tendo a espada debaixo da cabeça (compare com Gênesis 32:27). Aqui encontramos pessoas que, enquanto vivem, pensam não poder estar seguras se não tiverem a espada debaixo dos pés, como se as espadas fossem ao mesmo tempo os travesseiros mais macios e os apoios mais firmes. Contudo, foi o pecado, o próprio pecado, que primeiro puxou a espada. Bendito seja Deus, alguns sabem coisa melhor: firmam-se no apoio do poder e da promessa de Deus e repousam a cabeça no consolo do seu amor, e não confiam na própria espada (Salmo 44:3).
Eles também são culpados de toda sorte de maldade, e especialmente desta: cada um contamina a mulher do seu próximo, o que é um dos piores pecados. E ainda assim pretendem possuir a terra? Que gente vil! Os que vivem em rebelião contra o Senhor não podem esperar conservar a terra, nem gozar de verdadeira paz ou felicidade, aqui ou na vida futura.
Para atemorizá-los, Deus anuncia os novos juízos que tem reservados contra eles, juízos que tornarão impossível que conservem a terra ou resistam a seus inimigos. Dizem eles que possuirão a terra? Deus diz que não a possuirão, e jurou isso: “Vivo eu, diz o Senhor.” Embora ele tenha jurado que não tem prazer na morte do pecador, também jurou que os que continuam se recusando a se arrepender e crer não entrarão no seu descanso.
Os que estão nas cidades, aqui chamadas “ruínas”, cairão à espada, seja pela espada dos caldeus, que vêm castigar o assassinato de Gedalias, seja pela espada uns dos outros em suas contendas civis. Os que estiverem no campo serão devorados pelas feras, que naturalmente se multiplicariam numa terra deserta, onde não houvesse ninguém para as afugentar (Êxodo 23:29). Mesmo depois que o exército inimigo deixasse o país, ali ainda não haveria segurança. As feras nocivas eram um dos quatro juízos terríveis (Ezequiel 14:15).
Os que estiverem nos fortes e nas cavernas, imaginando estar seguros em esconderijos feitos por mãos humanas ou na própria natureza, porque nenhum olho humano os vê e nenhuma arma humana os alcança, ainda assim serão atingidos pelas flechas do Todo‑Poderoso. Morrerão de doenças. Toda a terra, até mesmo a terra de Israel, que já foi o ornamento de todas as terras, ficará totalmente desolada (Ezequiel 33:28). Será uma desolação completa, tão desolada quanto possível. Os montes de Israel, as colinas férteis e até Sião, o monte santo, não serão poupados. As estradas ficarão vazias, as casas sem moradores, e ninguém passará por ali, como já havia sido ameaçado: “ficareis poucos em número” (Deuteronômio 28:62).
O orgulho da sua força, tudo aquilo em que ela se gloria e no que confia como sendo sua glória e seu poder, será destruído. A causa de tudo isso é gravíssima: são todas as suas abominações, todos os pecados detestáveis que eles cometeram. É o pecado que traz essa ruína e torna as nações desoladas; por isso, ele deve ser chamado pelo nome que merece: abominação.
Contudo, o resultado final será bom: então saberão que eu sou o Senhor, o Senhor deles, e voltarão à fidelidade para com ele quando eu tiver tornado a terra absolutamente desolada. Só mesmo um povo muito teimoso e sem disposição de aprender deixa de reconhecer sua dependência de Deus quando todo conforto terreno lhe é tirado e reduzido a ruínas.
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Deste capítulo
Ezequiel 33:1
"E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:"
Ezequiel 33:2
"Filho do homem, fala aos filhos do teu povo, e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um homem dos seus termos, e o constituir por seu atalaia;"
Ezequiel 33:3
"E, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;"
Ezequiel 33:4
"Se aquele que ouvir o som da trombeta, não se der por avisado, e vier a espada, e o alcançar, o seu sangue será sobre a sua cabeça."
Ezequiel 33:5
"Ele ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado, o seu sangue será sobre ele; mas o que se dá por avisado salvará a sua vida."
Ezequiel 33:6
"Mas, se quando o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniqüidade, porém o seu sangue requererei da mão do atalaia."
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