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Ezequiel 28:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: "

Ezequiel 28:11

menu_book Versículo no contexto

9 Acaso dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou Deus? mas tu és homem, e não Deus, na mão do que te traspassa.

10 Da morte dos incircuncisos morrerás, por mão de estrangeiros, porque eu o falei, diz o Senhor DEUS.

11 Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.

13 Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Assim como a ruína de Tiro foi anunciada no capítulo 26 e depois lamentada no capítulo 27, agora a ruína do rei de Tiro é profetizada e, em seguida, posta em forma de lamento. Costuma‑se entender que aqui se fala daquele príncipe que governava Tiro naquele tempo, o mesmo mencionado em (Ezequiel 28:2). Provavelmente se chamava Etbaal, ou Itobalo, como o chama Diodoro Sículo, rei de Tiro quando Nabucodonosor destruiu a cidade. Por todos os sinais externos, ele parece ter sido um homem notável e famoso, mas o seu pecado o derrubou.

Muitos intérpretes veem nesse lamento também um sentido mais profundo. Entendem nele um retrato da queda dos anjos que pecaram e se arruinaram pelo orgulho. Em passagens como esta, algumas expressões se ajustam primeiro ao rei de Tiro, enquanto outras parecem apontar para anjos, como a fala sobre estar no monte santo de Deus. Mas, se há aqui um significado simbólico mais fundo, ele pode igualmente apontar para a queda de Adão, o que parece ser sugerido em (Ezequiel 28:13): “Estiveste no Éden, jardim de Deus”, e ainda na expressão “no dia em que foste criado”.

Alguns entendem que o rei de Tiro representa toda a casa real, incluindo reis anteriores e alcançando até Hirão, rei de Tiro. O governante de (Ezequiel 28:2) é chamado de príncipe, mas o que é pranteado aqui é chamado de rei. A corte real de Tiro fora famosa por muitos anos, mas o pecado a arruinou. Podemos notar aqui duas coisas: a grandeza desse rei e a sua queda.

Primeiro, vemos o rei de Tiro no auge de seu esplendor. Em (Ezequiel 28:12–15), ele é descrito como um homem de grande posição e poder, alguém que marcava fortemente a sua época. Estava acima dos homens comuns. Hirão e outros reis de Tiro tinham sido extraordinários em seus dias, e este governante talvez não fosse menos impressionante do que qualquer um deles. A frase “tu és o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura” indica que ele parecia ter alcançado o ponto mais alto que a capacidade humana e o êxito terreno podiam dar. Nele, a sabedoria e a prosperidade exterior pareciam estar em seu auge. Ele parecia um homem completo, perfeito no seu tipo.

Ele também parecia tão sábio e feliz quanto Adão antes da queda, como diz (Ezequiel 28:13): “Estiveste no Éden, jardim de Deus.” Ele vivia como se estivesse no paraíso, cercado de todo bem e com pleno domínio sobre o que estava ao seu redor, assim como Adão tivera. Um sinal de sua magnificência era a sua riqueza em joias. Possuía mais pedras preciosas do que outros príncipes, porque aqueles que negociam amplamente costumam ajuntar mais dessas riquezas. “Toda pedra preciosa era a tua cobertura.” Eram tantas pedras que não estavam apenas no seu tesouro e na sua coroa, mas também enfeitavam suas vestes. Pareciam cobri‑lo por inteiro.

Em (Ezequiel 28:14), diz‑se que ele andava “no meio das pedras afogueadas”, isto é, dessas pedras preciosas tão brilhantes, que faiscavam como chamas. Seus aposentos eram quase cercados de joias, de modo que ele andava por entre elas como alguém envolto em glória. É possível que ele imaginasse ser tão esplêndido quanto Deus, rodeado de anjos, que são comparados a labaredas de fogo. Se ele amava tanto as pedras preciosas a ponto de julgá‑las brilhantes como anjos, não surpreende que amasse a si mesmo a ponto de se considerar tão grande quanto Deus.

Nove tipos de pedras preciosas são nomeados aqui, e também aparecem no éfode do sumo sacerdote, a veste especial usada no culto. Talvez sejam listadas porque o rei, em seu orgulho, gostava de falar delas uma por uma, ostentando o valor e o suposto poder de cada uma. O ouro é mencionado por último, como se fosse de menor valor que as pedras, e provavelmente ele falava dele com o mesmo tom de vanglória. Outro elemento que fazia o seu palácio parecer um paraíso era a bela música de que desfrutava, com tamboris e flautas, instrumentos de corda e de sopro. Eram instrumentos confeccionados com grande arte, preparados especialmente para ele. A expressão “foram preparados no dia em que foste criado” pode ser entendida como referindo‑se ao dia do seu nascimento ou ao dia em que subiu ao trono. Ele se orgulhava muito disso e desejava que todos os que visitassem o seu palácio reparassem nesse esplendor.

Ele também se apresentava como se fosse um anjo em forma humana, como diz (Ezequiel 28:14): “Tu eras o querubim ungido para proteger.” Ou seja, ele se via como um anjo guardião sobre o seu povo, brilhante, forte e fiel no cargo que ocupava. Reis verdadeiramente ungidos por Deus deveriam ser para o seu povo como querubins, cobrindo‑os e protegendo‑os com seu poder. Quando cumprem bem esse papel, Deus aprova o seu governo. A elevação deles vem do próprio Deus, pois está dito: “e te estabeleci.” Alguns entendem que a menção do Éden aponta para o querubim posto ao oriente do jardim do Éden, para guardá‑lo (Gênesis 3:24). Nesse caso, o rei imaginava ser capaz de proteger sua cidade dos inimigos tão plenamente como aquele anjo guardava o que lhe fora confiado. Outros pensam que a referência é aos querubins do lugar santíssimo, cujas asas cobriam a arca. Assim, ele se julgava tão brilhante e glorioso quanto um deles.

Ele também parecia tão esplêndido quanto o sumo sacerdote, quando este se vestia de suas roupas “para glória e para ornamento”. Ele parecia estar no monte santo de Deus, como se fosse a figura principal do templo erguido naquele monte santo. Parecia tão grande, e com tanta majestade e autoridade, quanto o sumo sacerdote quando andava no templo adornado de pedras preciosas (2 Crônicas 3:6) e trajava vestes guarnecidas de pedras sobre o peito e os ombros. Nesse cenário, parecia andar “entre as pedras afogueadas”. Assim se apresentava o rei de Tiro, ou pelo menos assim ele imaginava ser.

Em seguida, vemos a sua ruína, aquilo que manchou toda a sua glória e lançou sua honra ao pó, como diz (Ezequiel 28:15). “Perfeito eras nos teus caminhos”, isto é, ele prosperava em todos os seus negócios e tudo parecia dar certo. Não tinha apenas boa fama, mas uma reputação brilhante, “desde o dia em que foste criado”, isto é, desde o dia em que subiu ao trono, “até que se achou iniquidade em ti.” Esse foi o ponto de virada que arruinou tudo. Isso também pode aludir à triste queda dos anjos e de nossos primeiros pais, que eram perfeitos em seus caminhos até que se achou iniquidade neles.

Uma vez encontrado o pecado nele, este não parou de crescer. Ele foi de mal a pior, como indica (Ezequiel 28:18): “Tu profanaste os teus santuários.” Ele perdeu aquilo que considerava sagrado, o lugar em que supunha estar seguro. Tornou esses lugares impuros pela multidão de pecados que cometeu. Observe‑se, primeiro, qual foi o pecado que arruinou o rei de Tiro.

O pecado principal foi o pecado do seu comércio, como se lê em (Ezequiel 28:18). Isso inclui tanto a sua maldade pessoal como a do seu povo, pois o pecado deles é lançado sobre ele. Ele permitiu essas práticas e deu mau exemplo, conforme (Ezequiel 28:16): “Na multiplicação do teu comércio, encheram o teu interior de violência, e pecaste.” Estava tão absorvido nos negócios e tão fixado no lucro, que não se importava em fazer justiça. Não protegia o fraco, nem corrigia as injustiças praticadas contra ele.

No ímpeto dos negócios, muitos foram prejudicados por descuido. Em suas transações, ele também se valia do seu poder para tirar direitos de outros. Os que têm muito a administrar neste mundo correm sério perigo de cometer muitas injustiças. É difícil lidar com muitas pessoas sem ferir algumas delas. Os ofícios e negócios são muitas vezes chamados de “mistérios”, mas demasiados os transformam em mistérios de pecado.

Seu outro grande pecado foi o orgulho e a arrogância, como diz (Ezequiel 28:17): “Elevou‑se o teu coração por causa da tua formosura.” Ele se apaixonou por si mesmo e pela própria imagem. “Corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor”, isto é, o brilho e a ostentação de sua vida o cegaram. Fixou tanto o olhar na própria grandeza, que já não enxergava com clareza. Inflado de orgulho, acabou perdendo tanto a sabedoria quanto o respeito que ela lhe trazia. Tornou‑se, de fato, um insensato por se gloriar.

As pessoas fazem um péssimo negócio quando abrem mão da sabedoria apenas para alimentar a vaidade. Para satisfazer um desejo raso, perdem um bem verdadeiro e precioso. É uma troca extremamente cara.

Observe‑se, em segundo lugar, a ruína que esse pecado trouxe sobre ele. Ele foi lançado fora de sua posição e expulso do seu palácio, que ele tratava como se fosse ao mesmo tempo um paraíso e um templo. Em (Ezequiel 28:16), lemos: “Te lançarei, profanado, do monte de Deus.” Seu poder real era como um monte, elevado acima dos demais. É chamado de monte de Deus porque toda autoridade é instituída por Deus e tem algo de sagrado. Mas, como ele abusou desse poder, foi reputado como profano e, por isso, foi removido.

Ele havia desonrado a coroa que usava, e assim a perdeu. Seria destruído “do meio das pedras afogueadas”, isto é, do meio das pedras preciosas que adornavam seu palácio como se fosse um templo. Essas pedras não o protegeriam.

Ele também foi exposto ao desprezo e à vergonha, e pisado por seus vizinhos. “Eu te lançarei por terra”, diz (Ezequiel 28:17). “Te lançarei sobre as pedras, do meio das pedras preciosas.” Ele se tornaria um triste aviso para os reis, para que olhassem para ele e aprendessem a não ser orgulhosos nem duros.

Ele também foi completamente consumido, ele e sua cidade. “Farei sair do meio de ti um fogo”, diz (Ezequiel 28:18). Os conquistadores, depois de despojarem a cidade de suas riquezas, poriam fogo em seu centro, especialmente no palácio, e o queimariam até virar cinzas. Ou isso pode significar, de forma mais geral, o fogo dos juízos de Deus, que destruiria tanto o governante quanto o povo e traria sua glória a pó sobre a terra. Esse fogo sairia de dentro de ti. Os juízos de Deus contra os pecadores muitas vezes se levantam a partir dos próprios pecados deles. Eles são consumidos por um fogo que ajudaram a acender.

Dessa maneira, ele se tornou um exemplo terrível do juízo de Deus. (Ezequiel 28:18) diz que todos os que o conhecem ficarão espantados. Eles se admirarão de como alguém que esteve tão alto pôde cair tão baixo. O palácio do rei de Tiro, como o templo em Jerusalém, se tornaria algo espantoso de se ver e objeto de zombaria, como em (2 Crônicas 7:20-21). Assim caiu o rei de Tiro.

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