Versículo em destaque
Ezequiel 23:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Veio mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
Ezequiel 23:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Veio mais a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2 Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe.
3 Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus seios, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade.
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Deus já havia falado muitas vezes a Ezequiel, e por meio dele ao povo, sobre esse mesmo assunto. Agora a sua palavra vem de novo, porque Deus declara a mesma verdade uma vez, duas vezes, muitas vezes, e ainda assim é pouco para que as pessoas prestem atenção. Para mostrar aos pecadores a maldade do pecado, e o perigo e a miséria que ele traz, Deus precisa repetir-se continuamente, porque somos muito relutantes em encarar a verdade sobre nós mesmos.
Os pecadores expostos aqui são duas mulheres, dois reinos, reinos-irmãos: Israel e Judá. Eram filhas de uma só mãe, porque durante muito tempo tinham sido um só povo. O reino de Salomão era tão grande e tão cheio de gente que, logo após a sua morte, se dividiu em dois. Antes da divisão, já haviam praticado prostituições no Egito, isto é, eram culpados de idolatria, como já havia sido mostrado (Ezequiel 20:8). A Escritura usa a impureza sexual como figura dos pecados que mais provocam a ira de Deus e arruínam um povo, o que revela a gravidade desse pecado. Ele é um dos piores, porque outros grandes pecados são comparados a ele. Isso deveria levar-nos a odiar toda forma de cobiça carnal, todo sinal dela e todo passo em sua direção. Tal pecado luta contra a alma, engana os pecadores, encanta-os, desvia sua mente de Deus e de tudo o que é bom, arruína a consciência, torna-os abomináveis aos olhos do Deus puro e santo e, por fim, os afoga em destruição e perdição.
Quando os dois reinos se separaram, seus nomes também mudaram. Israel é chamada a irmã mais velha, porque primeiro se afastou da família de reis e sacerdotes que Deus havia estabelecido, e porque as dez tribos ficaram com ela, enquanto apenas duas ficaram com Judá. Deus diz de ambos os reinos: Eram meus, porque eram descendência de Abraão, amigo de Deus, e de Jacó, o escolhido de Deus. Estavam em aliança com Deus e traziam o sinal da circuncisão, selo dessa aliança. Eram meus; por isso, o seu desvio foi uma gravíssima injustiça. Foi tomar para si o que pertencia a Deus, um ato vergonhoso de ingratidão para com seu maior benfeitor e uma traição contra as promessas mais sagradas.
As pessoas que professam ser povo de Deus, mas depois se afastam dele, têm muito mais a responder do que aquelas que nunca fizeram tal profissão. Deus diz: Eram meus, estavam casados comigo, e para mim geraram filhos e filhas. Muitos entre eles eram dedicados à honra de Deus e o serviam, e eram a força e o ornamento daqueles reinos, como os filhos são para as famílias de que procedem. Nesta figura, Samaria e o reino de Israel são chamados de Aolá, que significa “seu próprio tabernáculo”, porque os lugares de culto que fizeram eram de sua própria escolha e invenção. Deus nunca os aprovou. “Seu tabernáculo para si mesma”, traduzem alguns, isto é, que fique com ele e receba o que disso resultar. Jerusalém e o reino de Judá são chamados de Aolibá, que significa “meu tabernáculo está nela”, porque o seu templo era o lugar que o próprio Deus escolhera para ali pôr o seu nome. Ele o reconhecia como seu e os honrava com sinais da sua presença naquele lugar. Alguns que pertencem a Deus e confessam o seu nome recebem privilégios maiores do que outros, e esses privilégios maiores tornam maior a sua culpa se se desviarem. Mas os que têm menos privilégios não ficam inocentes por causa disso.
O afastamento traiçoeiro de Israel, longe de Deus, é então descrito. Aolá se prostituiu sendo minha. Embora as dez tribos tivessem deixado a casa de Davi, Deus ainda as reconhecia como suas. Mesmo que Jeroboão tivesse pecado ao levantar os bezerros de ouro e levado Israel ao pecado, Deus não os rejeitou totalmente enquanto ainda adoravam apenas o Deus de Israel, ainda que de forma errada, por meio de imagens. Mas o caminho do pecado é sempre descendente. Aolá passou à adoração de Baal (1 Reis 16:31), erguendo aquele falso deus em rivalidade contra o Senhor (1 Reis 18:21). Como uma adúltera sem vergonha, que deseja seus amantes por estarem bem vestidos e serem impressionantes, ou por serem jovens e formosos, ela desejou os assírios. Eles usavam azul, ocupavam cargos de capitães e governadores e pareciam desejáveis e honrados. Assim, ela admirou seus vizinhos, especialmente os assírios, cujo poder se aproximara de suas fronteiras. Admirou seus ídolos e os adorou. Admirou o esplendor de suas cortes e sua força militar e procurou fazer alianças com eles a qualquer custo, como se seu próprio Deus não bastasse para ser confiado. Um rei de Israel chegou a dar ao rei da Assíria mil talentos para obter seu apoio (2 Reis 15:19). Ela desejou os escolhidos da Assíria, como homens dignos de confiança para cargos públicos, e entregou-se a todos os seus ídolos, o que a tornou impura.
Qualquer criatura a quem prendemos nosso amor, a quem damos honra acima de Deus e em quem colocamos nossa confiança, tornamos um ídolo. E tudo o que fazemos ídolo nos contamina. O aviso volta ao início da história de Israel: Ela não deixou as prostituições que trouxe do Egito (Ezequiel 23:8). A idolatria deles no Egito nunca devia ser esquecida, especialmente porque então estavam debaixo de senhores e feitores cruéis. Alguns observaram que, quando Satanás se gabou de ter andado pela terra como se tudo lhe pertencesse, Deus não disse: “Consideraste o meu povo Israel no Egito?”, porque já se tinham tornado idólatras e não podiam ser apresentados como motivo de orgulho. Em vez disso, apontou para Jó, na terra de Uz. Essa inclinação corrupta em Israel, presente quando o povo começou a existir, é figura da corrupção original com que nascemos. Ela mostra a forte atração que todos temos para com o mundo e a carne, assim como Israel era atraído pela idolatria. Estava neles desde o início, e depois foram censurados por não deixarem os pecados que trouxeram do Egito. Esses desejos corruptos não deixavam a carne, embora o Egito tivesse sido uma casa de servidão. Da mesma forma, as inclinações e desejos pecaminosos com que entramos no mundo não simplesmente desaparecem. Continuamos a carregá-los, ainda que o pecado em que nascemos seja a fonte de todos os sofrimentos da vida humana.
O reino de Israel foi então destruído por causa desse afastamento de Deus. Deus diz: Eu a entreguei nas mãos de seus amantes (Ezequiel 23:9, Ezequiel 23:10). Primeiro, com justiça, entregou-a à sua própria cobiça, como quando Efraim está entregue aos ídolos e se diz: “Deixai-o”; depois, entregou-a também nas mãos desses amantes.
As nações vizinhas, cujos ídolos Israel copiou e em cuja amizade confiou, tornaram-se instrumentos para sua destruição. Os assírios, a quem ela tanto admirara, logo descobriram o ponto fraco da terra, tiraram-lhe a beleza e as defesas e a deixaram exposta e indefesa. Levaram seus filhos e filhas para o exílio, mataram-na à espada e puseram fim completo àquele reino.
O relato completo está em (2 Reis 17:6 e seguintes), onde a causa da ruína desse reino outrora florescente é claramente mostrada. Israel abandonou o Deus de Israel, adorou outros deuses e andou nos costumes das nações ao seu redor. Por isso Deus muito se indignou contra eles e os removeu de diante da sua face (Ezequiel 23:18). É marcante que justamente os assírios, a quem haviam amado tanto, se tornassem o instrumento do juízo de Deus contra eles. Isso mostra como Deus muitas vezes usa, em juízo justo, exatamente aquilo em que os pecadores puseram o coração. Do mesmo modo, o diabo atormentará para sempre os pecadores impenitentes que agora lhe dão ouvidos e o seguem como tentador.
Assim, Samaria se tornou famosa entre as mulheres, ou melhor, infame. Tornou-se um nome falado, um assunto comentado por toda parte. Sua ruína por causa da idolatria tornou-se um aviso para que todos não fizessem o mesmo. Como a execução pública de criminosos conhecidos, ela se tornou um exemplo que deveria afastar outros dos pecados que a levaram a um fim tão miserável e vergonhoso. Como diz a Escritura: “Todo o Israel o ouvirá e temerá” (Deuteronômio 21:21).
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Deste capítulo
Ezequiel 23:2
"Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe."
Ezequiel 23:3
"Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus seios, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade."
Ezequiel 23:4
"E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Aolá, e Jerusalém é Aolibá."
Ezequiel 23:5
"E prostituiu-se Aolá, sendo minha; e enamorou-se dos seus amantes, dos assírios, seus vizinhos,"
Ezequiel 23:6
"Vestidos de azul, capitàes e magistrados, todos jovens cobiçáveis, cavaleiros montados a cavalo."
Ezequiel 23:7
"Assim cometeu ela as suas devassidões com eles, que eram todos a flor dos filhos da Assíria, e com todos os de quem se enamorava; com todos os seus ídolos se contaminou."
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