Versículo em destaque
Ezequiel 12:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: "
Ezequiel 12:1
O que significa Ezequiel 12:1?
Ezequiel 12:1 mostra Deus iniciando uma conversa séria com o profeta, preparando-o para uma mensagem de alerta ao povo teimoso. Indica que Deus ainda fala e orienta, mesmo quando muitos ignoram. Em situações de família desunida ou escolhas repetidas que dão errado, esse versículo lembra que a orientação de Deus continua disponível.
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Versículo no contexto
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1 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
2 Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque eles são casa rebelde.
3 Tu, pois, ó filho do homem, prepara mobílias para mudares, e de dia muda aos olhos deles; e do teu lugar mudarás para outro lugar aos olhos deles; bem pode ser que reparem nisso, ainda que eles são casa rebelde.
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Talvez Ezequiel pensasse muitas vezes, com alegria, na visão da glória de Deus que havia contemplado. Depois que aquela visão se afastou dele, é possível que desejasse vê-la de novo. Tendo-a visto uma vez, e depois uma segunda, podia esperar ser honrado com ela também uma terceira vez. No entanto, não lemos que ele a tenha visto novamente, embora a palavra do SENHOR continuasse vindo a ele. Deus falou de muitas maneiras aos pais, e muitas pessoas ouviram a voz de Deus mesmo sem verem visões do Todo‑Poderoso (Hebreus 1:1). A fé vem pelo ouvir aquela palavra segura de profecia, que é mais firme do que qualquer visão. Podemos manter comunhão com Deus sem depender de súbitos arrebatamentos religiosos ou de êxtases exteriores.
Nesses versículos, o profeta é instruído, primeiro, a representar de forma simbólica o cativeiro que aguardava Zedequias, rei de Judá. Essa era a mensagem que precisava ser anunciada, e foi anunciada a um povo já em cativeiro. Enquanto Zedequias permanecesse no trono, eles se consolavam com a esperança de que ele resistiria ao rei da Babilônia. Zedequias planejava sacudir o jugo babilônico, e é provável que esses pobres cativos esperassem muito desse plano. Talvez ele até os tivesse animado secretamente a nutrir a esperança de que em breve os livraria ou faria troca de prisioneiros para conseguir sua libertação. Enquanto se alimentavam dessas falsas esperanças, não conseguiam se acomodar à sua aflição nem aprender com ela. Por isso era necessário, embora muito duro, convencê‑los de que Zedequias, em vez de ser o libertador deles, em breve sofreria o mesmo destino que eles.
Alguém poderia pensar que bastaria ao profeta dizer isso em nome de Deus, como de fato o faz depois (Ezequiel 12:10). Mas, antes de anunciar a profecia em palavras, ele deve anunciá‑la por meio de um sinal. Precisa falar primeiro aos olhos deles, antes de falar aos seus ouvidos. A razão desse método é dada em (Ezequiel 12:2): são um povo obtuso e teimoso, que não presta atenção ao que apenas ouve, ou logo se esquece do que ouviu. Nada fica gravado com profundidade em seu coração. Ele vive no meio de uma casa rebelde, um povo em quem quase não se consegue produzir nenhum bem. Têm olhos e ouvidos, mas não os usam. Eram idólatras, e seu caráter combinava com os ídolos que adoravam, que têm olhos, mas não veem, e ouvidos, mas não ouvem (Salmo 115:5, Salmo 115:6, Salmo 115:8).
São, com justiça, chamados rebeldes aqueles que fecham os olhos à luz de Deus e tapam os ouvidos à lei de Deus. Se as pessoas sabem o que é certo, têm meios de aprender e, mesmo assim, recusam‑se, sua ignorância não é desculpa. Acrescentam rebeldia ao seu pecado. Ninguém é tão cego ou tão surdo quanto aquele que não quer ver e não quer ouvir. Eles não veem e não ouvem porque são casa rebelde. A culpa está neles mesmos. A escuridão no entendimento nasce da obstinação da vontade.
Por isso Ezequiel deve falar com eles por sinais, como se ensina pessoas surdas. Desse modo poderiam, ao menos, ser instruídos ou envergonhados. Os ministros precisam adaptar sua forma de trabalhar não só à fraqueza das pessoas, mas também à sua resistência voluntária. Se vivem entre um povo rebelde, devem falar de modo mais claro e mais enérgico, e seguir o caminho mais provável de alcançá‑lo. Assim, esses ouvintes ficarão sem desculpa.
O profeta também deve usar um meio que os impressione e comova. Ele precisa juntar tudo o que é necessário para uma mudança de morada (Ezequiel 12:3). Deve fazer as malas como quem se prepara para uma viagem, com roupas e dinheiro. Tem de mudar‑se de um lugar para outro como alguém inquieto e obrigado a sair. Deve fazer isso de dia, à vista de todos. Precisa tirar todos os seus utensílios domésticos para que possam ser arrumados e levados (Ezequiel 12:4). Como as portas e os portões estariam fechados ou guardados pelo inimigo, ele deve cavar através da parede e por ali fazer sair seus pertences (Ezequiel 12:5). Deve carregá‑los nos próprios ombros, porque não tem servo que o ajude. Tem de fazer isso ao anoitecer, para não ser percebido. Depois de salvar o que puder dos seus bens, ele mesmo deve fugir à tarde, diante dos olhos deles, com medo e tremor, indo como vão os cativos (Ezequiel 12:4).
Isso significa que ele deve cobrir o rosto (Ezequiel 12:6), seja por vergonha de ser visto e medo de ser reconhecido, seja como sinal de profunda tristeza e angústia. Precisa partir como um pobre negociante que tem de fechar sua loja, esconder a cabeça e deixar o próprio país. Assim, o próprio Ezequiel se torna um sinal para eles. E, se ele parecia relutante em passar por todo esse trabalho e expor‑se ao riso e à zombaria, Deus o fortalece dizendo: “Talvez atentem para isto e se voltem de sua falsa confiança, ainda que são casa rebelde” (Ezequiel 12:3).
Não devemos desistir nem mesmo das piores pessoas, pois ainda podem cair em si e se arrepender. Por isso é necessário continuar usando os meios apropriados para convencê‑las e convertê‑las, enquanto há vida e esperança. Os ministros devem estar dispostos a enfrentar as tarefas mais difíceis e incômodas, como Ezequiel esteve nesse encenar de mudança, mesmo quando o sucesso parece apenas possível, não certo. Se apenas uma alma for despertada para refletir seriamente, nosso cuidado e nosso trabalho terão sido bem empregados.
Ezequiel também obedeceu a Deus de forma pronta e completa na ordem que recebeu (Ezequiel 12:7): “Assim fiz como se me deu ordem.” Com isso, ele ensina a todos nós, especialmente aos ministros. Devemos obedecer a todo mandamento de Deus com disposição, até aos mais difíceis. Cristo aprendeu a obediência, e assim também todos nós precisamos aprender. Devemos fazer tudo o que pudermos pelo bem das almas dos outros, e assumir qualquer incômodo que possa ajudar a corrigir os que não se deixam persuadir. “Fazemos todas as coisas”, isto é, estamos dispostos a fazer qualquer coisa, “para a vossa edificação”, para o vosso proveito espiritual.
Devemos ainda sentir em nós mesmos aquilo que queremos despertar nos outros. Quando Ezequiel precisava apresentar aos ouvintes uma cena triste, ele próprio assumia uma aparência triste. E devemos ter o coração desapegado deste mundo e prontos para deixá‑lo, levando nossos bens como quem se prepara para mudar, porque aqui não temos cidade permanente. “Levantai‑vos e ide‑vos, porque não é este o vosso descanso, porquanto está contaminado.” Vivemos no meio de uma casa rebelde, por isso precisamos estar prontos a partir. Quem não estaria disposto a deixar tal casa, um mundo tão ímpio como este?
Em seguida, ele recebe instruções sobre as palavras que deve usar para explicar esses sinais e ações, assim como Ágabo, quando amarrou suas próprias mãos e pés, explicou a quem se referia aquela prisão.
Note‑se, porém, que Deus não explicou o sinal a Ezequiel senão na manhã seguinte. Deixou o profeta esperando, para que ele continuasse dependendo de Deus por direção. O que Deus faz, e o que manda que façamos, pode parecer obscuro no início, mas se tornará claro depois.
Esperava‑se que o povo perguntasse o que significava aquele sinal, ou ao menos deveria ter perguntado (Ezequiel 12:9). Deus diz: “Não te disse a casa de Israel: Que fazes tu?” Ele sabia que tinham dito isso. Embora fossem um povo rebelde, ainda conservavam certa curiosidade pela mensagem de Deus, como aqueles que “buscam a Deus cada dia” (Isaías 58:2). Por isso o profeta precisava fazer algo estranho, para que perguntassem a respeito e, então, talvez prestassem atenção à resposta e se aproveitassem dela. Alguns entendem que eles não tinham perguntado coisa alguma, como se Deus dissesse: “Acaso esta casa rebelde nem sequer te perguntou: Que fazes tu?” Nesse caso, a ordem seria que lhes explicasse de qualquer maneira, ainda que não tivessem perguntado.
Isso mostra que, quando Deus envia mensagens por meio de seus ministros, Ele observa como são recebidas. Escuta o que respondemos, e se desagrada quando desprezamos suas palavras sem refletir nelas. Depois de ouvir a palavra de Deus, devemos buscar mais esclarecimento com os ministros, e assim continuaremos a crescer em conhecimento, se persistirmos em buscá‑lo.
O profeta também deve explicar o significado do sinal. De modo geral, Deus diz: “Este aviso se refere ao príncipe em Jerusalém” (Ezequiel 12:10). Os cativos sabiam quem ele era, e se consolavam com o fato de ainda haver um governante em Jerusalém, e de Israel ainda parecer permanecer ali. Mas Deus lhes diz que as ações de Ezequiel eram uma figura do que aconteceria com seus amigos que ainda estavam em Jerusalém. “Eu vos sou por sinal”, ele declara (Ezequiel 12:11). Assim como a vida de um ministro deve ensinar às pessoas o que elas devem fazer, também os tratos de Deus com as pessoas servem de advertência a outros sobre o que devem esperar. Quando ministros são deslocados e vivem em inconstância, isso lembra às pessoas que a vida neste mundo também é incerta e sujeita a contínuas mudanças. Quando se aproxima o tempo da tribulação, Cristo avisou seus discípulos: “Lançarão mão de vós e vos perseguirão primeiro” (Lucas 21:12).
O povo seria levado cativo (Ezequiel 12:11). Deus declara: “Como fiz, assim se lhes fará”. Eles seriam arrancados de suas casas e nunca mais voltariam, e o lugar que antes os conhecia não os reconheceria mais. Não podemos considerar nenhuma casa terreno nosso descanso final, pois não sabemos até onde poderemos ser levados antes de morrer.
O príncipe também tentaria escapar em vão, porque ele igualmente iria para o cativeiro. Jeremias havia dito a Zedequias, rei de Judá, a mesma coisa de forma direta: ele não escaparia, mas certamente seria preso (Jeremias 34:3). Agora Ezequiel repete essa verdade ao povo que confiava nesse rei e esperava ajuda dele. Ele mesmo carregaria alguns de seus bens sobre o ombro. Os juízos de Deus podem transformar um príncipe em carregador. Aquele que antes tinha seus símbolos reais levados à sua frente, e andava com orgulho pela cidade ao meio-dia, agora levaria seus próprios pertences nas costas e tentaria fugir de noite. O pecado provoca uma mudança terrível nas pessoas. Como o inimigo vigiava cada porta do palácio, eles cavariam um buraco na parede para sair. Os homens se tornariam ladrões de suas próprias casas, carregando suas próprias coisas, porque a guerra destrói a ordem de propriedade e de direito.
Ele também tentaria fugir disfarçado, com o rosto coberto, de modo que só pudesse olhar para frente e não enxergasse o chão. O homem que antes queria ser visto em todo o seu esplendor agora teria medo de ser visto de qualquer maneira. Assim, ninguém deve se orgulhar de ser notado, nem se sentir excessivamente satisfeito em olhar ao redor, quando vê um rei escondendo o rosto e incapaz de ver a terra sob seus pés.
Deus diz que o príncipe seria capturado e levado a Babilônia (Ezequiel 12:13). O Senhor afirma: “Estenderei sobre ele a minha rede, e será apanhado no meu laço”. Pareceria a rede e o laço dos caldeus, dos babilônios, mas Deus os reivindica como instrumentos seus. Quem pensa que pode escapar da espada do Senhor acabará preso na rede de Deus.
Jeremias havia dito que o rei Zedequias veria o rei da Babilônia e depois iria para Babilônia. Ezequiel diz que ele seria levado para Babilônia, mas não a veria, embora morresse ali. Alguns poderiam dizer que os profetas se contradiziam, porque um afirmou que ele veria o rei da Babilônia e o outro afirmou que ele não veria Babilônia. Mas as duas declarações se cumpriram juntas. Ele viu o rei da Babilônia em Ribla, onde foi julgado por sua rebelião, e ali seus olhos foram arrancados; assim, não viu Babilônia quando chegou lá. Os exilados esperavam que seu príncipe viesse como conquistador para resgatá-los, mas ele viria como prisioneiro, e sua vergonha aumentaria a tristeza deles. Teriam pouca alegria em vê-lo, quando ele nem sequer poderia enxergá-los.
Todos os que o cercavam e o apoiavam seriam espalhados e reduzidos à impotência (Ezequiel 12:14). Deus diz: “Espalharei todos os que o cercam para o socorrer”, e ele ficaria sem auxílio. Deus os espalharia entre as nações e por outras terras (Ezequiel 12:15), de modo que se tornariam sinais da justiça de Deus por onde quer que passassem. Alguém ainda poderia perguntar se não haveria possibilidade de voltarem a se reunir, já que um homem que foge hoje pode lutar amanhã. Deus responde que não: “Desembainharei a espada atrás deles”. Sua espada os alcançaria em qualquer lugar, e, quando Deus desembainha sua espada, ela sempre cumpre o propósito que ele determinou.
Ainda assim, alguns dos homens espalhados de Zedequias escapariam (Ezequiel 12:16). Deus diz: “Deixarei deles alguns homens.” Embora todos fossem espalhados, nem todos seriam destruídos. Alguns teriam a vida preservada como um dom precioso. E o propósito dessa misericórdia é importante: “Para que contem todas as suas abominações entre as nações para onde forem.” A aflição os faria cair em si, e eles reconheceriam que Deus foi justo em tudo o que lhes aconteceu. Confessariam abertamente os pecados que levaram Deus a contender com eles. Assim, seu livramento mostraria a misericórdia de Deus, e eles dariam a resposta correta a essa misericórdia ao reconhecer sua bondade em poupá-los.
Quando Deus nos livra de modo marcante de perigos que nos cercavam, devemos enxergar, entre outros, este propósito em sua misericórdia: fomos poupados para glorificar a Deus e auxiliar outros, confessando nossos pecados com coração humilde.
Os que são conduzidos a esse ponto pelo sofrimento aprendem que o Senhor é Deus, e podem também ser instrumentos para levar outros a reconhecê-lo. Vê-se como Deus tira o bem do mal. A dispersão de pecadores, que em sua própria terra lhe haviam trazido tanto desonra e dano, torna-se a dispersão de pessoas arrependidas, que lhe trarão muita honra e serviço em outras terras.
Os levitas, a tribo separada para o serviço de Deus, foram em certo momento divididos e espalhados por Israel como forma de maldição. No entanto, Deus transformou essa maldição em bênção. Por estarem espalhados entre as tribos, tiveram a melhor oportunidade de ensinar a Jacó as leis de Deus.
Perspectivas da IA cristã
Em Ezequiel 12:1, a frase é simples, mas carrega um peso silencioso: “Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo”. Há um profeta em meio a um povo teimoso, cansado de ouvir avisos, atravessando juízo, … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Ezequiel 12:1, a frase é simples, mas carrega um peso silencioso: “Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo”. Há um profeta em meio a um povo teimoso, cansado de ouvir avisos, atravessando juízo, exílio, frustração. E, ainda assim, em meio a tanta dureza, a palavra de Deus continua vindo. Não é o relato de alguém em clima de culto vibrante, mas de alguém no meio dos escombros da história, em ambiente de resistência, incredulidade e dor. Esse pequeno versículo revela algo muito terno: a iniciativa é sempre de Deus. Quando tudo parece fechado, quando o coração coletivo está endurecido, Deus ainda fala, insiste, procura caminho. A palavra não vem porque a situação está favorável, mas justamente porque está confusa, sombria, pesada. A voz do Senhor encontra um ser humano concreto, com limites, medos e cansaços, e o envolve em um chamado difícil, porém acompanhado. Há, nesse movimento, uma esperança discreta: a história não está entregue apenas ao caos do povo, existe um Deus que interrompe o silêncio e segue se aproximando, mesmo quando quase ninguém quer escutar.
“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo” parece, à primeira vista, apenas uma fórmula introdutória. Mas, em Ezequiel 12:1, essa frase carrega peso teológico e literário. Ela estabelece a origem da mensagem: não é … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo” parece, à primeira vista, apenas uma fórmula introdutória. Mas, em Ezequiel 12:1, essa frase carrega peso teológico e literário. Ela estabelece a origem da mensagem: não é opinião do profeta, nem leitura sociológica do exílio, mas iniciativa divina. O sujeito ativo é o Senhor; Ezequiel é receptor e porta-voz. O contexto ajuda aqui. Ezequiel fala a um povo resistente, “casa rebelde”. Em meio à crise do cativeiro babilônico, liderança fracassada e falsas esperanças nacionalistas, o texto insiste: ainda assim, Deus toma a palavra. Há juízo em andamento, mas também há comunicação. O silêncio de Deus, que seria o verdadeiro desespero, não é o cenário de Ezequiel 12. Essa fórmula recorrente em Ezequiel marca blocos de oráculos e reforça a autoridade do que segue. A mensagem dura que virá – sinais do exílio, desmascaramento de ilusões – não nasce do temperamento amargo do profeta, mas do compromisso de Deus com a verdade e com a fidelidade à sua aliança. Uma leitura cuidadosa sugere que, já nesse versículo, se desenha a tensão central do capítulo: juízo inevitável, comunicado com clareza paciente por um Deus que ainda fala.
Em Ezequiel 12:1, a frase simples “Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo” registra um momento decisivo: no meio de um povo teimoso, Deus continua falando. O profeta não começa com opinião, emoção ou … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Ezequiel 12:1, a frase simples “Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo” registra um momento decisivo: no meio de um povo teimoso, Deus continua falando. O profeta não começa com opinião, emoção ou estratégia própria; começa com uma palavra recebida. Antes de qualquer ação prática, há escuta. Antes de denunciar o pecado, há clareza sobre o que Deus está realmente dizendo. Esse versículo também revela algo sobre a rotina espiritual: a voz de Deus chega em meio a contextos difíceis, cansaço, desânimo e resistência das pessoas. Ainda assim, a iniciativa é do Senhor. Ele insiste em comunicar, em orientar, em advertir. Não abandona a história, mesmo quando o povo está endurecido. Há, ainda, um princípio para decisões concretas: autoridade verdadeira nasce de submissão à palavra de Deus. Ezequiel só pode agir com firmeza depois de ouvir com atenção. Sabedoria também aparece na rotina de quem escolhe filtrar opiniões, medos e pressões pela voz do Senhor, discernida nas Escrituras, em vez de viver reagindo a cada circunstância ou expectativa alheia.
Em Ezequiel 12:1, a frase “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo” carrega mais do que uma simples introdução profética. Nela repousa o mistério de um Deus que fala, que toma a iniciativa … Ler a perspectiva completa Mostrar menos
Em Ezequiel 12:1, a frase “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo” carrega mais do que uma simples introdução profética. Nela repousa o mistério de um Deus que fala, que toma a iniciativa e interrompe o curso comum da vida com Sua voz. A cena é de um profeta em exílio, cercado por dureza de coração e cegueira espiritual, e ainda assim a Palavra insiste em chegar. Há, por trás desse versículo, uma revelação sobre o caráter de Deus: não é o silêncio indiferente, mas a persistência paciente. A palavra “veio” sugere movimento em direção, aproximação graciosa. Não nasce da genialidade do profeta, nem de um impulso religioso humano, mas desce, visita, alcança. Em um contexto de julgamento iminente e resistência do povo, Deus continua falando, advertindo, chamando ao arrependimento. A eternidade toca a história em forma de palavra. Nessa pequena frase, percebe-se que o centro da vida espiritual não é o esforço para produzir experiências, mas a capacidade de escutar quando Deus decide falar. Deus trabalha também no silêncio, mas quando rompe o silêncio, a resposta adequada é reverência, temor e obediência.
Aplicação para a restauração da saúde
Ezequiel 12:1 começa com a experiência de ouvir a palavra do Senhor em meio a um contexto de crise e desorganização coletiva. Em termos de saúde mental, essa cena pode ser lida como a possibilidade de um “ponto de referência interno” quando tudo ao redor é confuso. Em quadros de ansiedade, depressão ou trauma, pensamentos automáticos negativos costumam dominar o campo interno, gerando sensação de caos e ameaça constante. A lógica bíblica de “vir uma palavra” remete à introdução de um novo discurso, mais estável e compassivo, dentro desse turbilhão.
Na prática clínica, algo semelhante ocorre quando se identifica e nomeia emoções, reestrutura crenças distorcidas e constrói narrativas mais realistas e esperançosas. Práticas como atenção plena, respiração diafragmática e escrita terapêutica podem abrir espaço mental para que essa “palavra” diferente seja percebida, interrompendo ciclos de ruminação e autocrítica. A teologia bíblica sugere que essa voz não nega a dor nem a injustiça, mas oferece sentido e direção em meio a elas. Assim como Ezequiel escuta em um contexto resistente e adoecido, pessoas em sofrimento psíquico podem, com apoio profissional e espiritual saudável, desenvolver a capacidade de acolher mensagens internas mais cuidadosas, integrando fé, emoção e razão no processo de recuperação.
Maus usos comuns a evitar
Um uso problemático de Ezequiel 12:1 ocorre quando a experiência profética é tomada como modelo para justificar “ouvir vozes” sem qualquer avaliação clínica. Em pessoas com sintomas psicóticos, alterações de percepção, uso de substâncias ou sofrimento intenso, a crença de receber mensagens diretas de Deus pode exigir avaliação psiquiátrica urgente, nunca apenas reforço religioso. Outra distorção é usar o versículo para desqualificar tratamentos psicológicos, como se a única “palavra válida” fosse a espiritual. É sinal de alerta quando líderes desencorajam terapia, medicação ou apoio em situações de depressão, risco de suicídio, violência doméstica ou abuso. Também é prejudicial afirmar que todo sofrimento é falta de fé, promovendo positividade tóxica e fuga espiritual de problemas concretos, o que pode atrasar intervenções essenciais à saúde mental e à segurança.
Perguntas frequentes
Por que Ezequiel 12:1 é importante para o estudo da Bíblia?
Qual é o contexto de Ezequiel 12:1 na Bíblia?
Como posso aplicar Ezequiel 12:1 na minha vida hoje?
O que significa a expressão “veio a mim a palavra do SENHOR” em Ezequiel 12:1?
O que Ezequiel 12:1 nos ensina sobre o modo como Deus fala com Seu povo?
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Deste capítulo
Ezequiel 12:2
"Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, e tem ouvidos para ouvir e não ouve; porque eles são casa rebelde."
Ezequiel 12:3
"Tu, pois, ó filho do homem, prepara mobílias para mudares, e de dia muda aos olhos deles; e do teu lugar mudarás para outro lugar aos olhos deles; bem pode ser que reparem nisso, ainda que eles são casa rebelde."
Ezequiel 12:4
"Aos olhos deles, pois, tirarás para fora, de dia, as tuas mobílias, como quem vai mudar; então tu sairás de tarde aos olhos deles, como quem sai mudando para o cativeiro."
Ezequiel 12:5
"Faze para ti, à vista deles, uma abertura na parede, e tira-as para fora, por ali."
Ezequiel 12:6
"Aos olhos deles, nos seus ombros, às escuras as tirarás, e cobrirás o teu rosto, para que não vejas a terra; porque te dei por sinal à casa de Israel."
Ezequiel 12:7
"E fiz assim, como se me deu ordem; as minhas mobílias tirei para fora de dia, como mobílias do cativeiro; então à tarde fiz, com a mão, uma abertura na parede; às escuras as tirei para fora, e nos meus ombros as levei, aos olhos deles."
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