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Êxodo 32:30 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E aconteceu que no dia seguinte Moisés disse ao povo: Vós cometestes grande pecado. Agora, porém, subirei ao Senhor; porventura farei propiciação por vosso pecado. "

Êxodo 32:30

menu_book Versículo no contexto

28 E os filhos de Levi fizeram conforme à palavra de Moisés; e caíram do povo aquele dia uns três mil homens.

29 Porquanto Moisés tinha dito: Consagrai hoje as vossas mãos ao Senhor; porquanto cada um será contra o seu filho e contra o seu irmão; e isto, para que ele vos conceda hoje uma bênção.

30 E aconteceu que no dia seguinte Moisés disse ao povo: Vós cometestes grande pecado. Agora, porém, subirei ao Senhor; porventura farei propiciação por vosso pecado.

31 Assim tornou-se Moisés ao Senhor, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro.

32 Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Moisés já havia executado justiça sobre os principais culpados e, agora, lida tanto com o povo quanto com Deus. Primeiro, ele fala ao povo para conduzi‑lo ao arrependimento (Êxodo 32:30). Depois que alguns foram mortos, os que restaram podiam achar que estavam seguros e, portanto, inocentes. Moisés corta essa ilusão imediatamente: “Vós cometestes grande pecado”, e, se não se arrependessem, também pereceriam.

Ele deseja que o povo veja tanto o peso do pecado quanto a própria culpa. Chama aquilo de “grande pecado” para que não pensem tratar‑se de algo leve. Diz que todos pecaram, de modo que ninguém podia se desculpar apontando outros como mais culpados. Este é o trabalho dos ministros de Deus: mostrar às pessoas seus pecados e a gravidade deles. O pecado nos deixa arruinados, a menos que seja perdoado; sem um Salvador, estamos perdidos para sempre.

Moisés também mostra como seria difícil ajustar a questão com Deus a respeito desse pecado. Não seria resolvida a não ser que ele subisse ao Senhor e ali permanecesse em longa e séria oração, como fizera quando recebeu a lei. Mesmo assim, seria apenas um “porventura” ele poderia fazer propiciação por eles. Isso revela quão maligno é o pecado, porque até o intercessor precisa empenhar‑se tanto para buscar perdão. O custo do perdão revela a profundidade do dano causado pelo pecado.

Ainda assim, isso trazia algum consolo ao povo. Ao ouvir que tinham pecado grandemente, também ouviram que Moisés, que tinha grande favor diante de Deus e verdadeiro amor por eles, subiria ao Senhor para fazer propiciação. A convicção precisa vir acompanhada de consolo. Primeiro as pessoas devem ser levadas a ver a grandeza do seu pecado; depois, devem ouvir sobre a propiciação e receber esperança de misericórdia. Moisés subiria ao Senhor, ainda que fosse apenas um “porventura” de que pudesse fazer expiação.

Cristo, o grande Mediador, foi com certeza muito maior, pois estivera com o Pai e conhecia todos os seus planos. Mas, para nós, até um “talvez” esperançoso já é suficiente para encorajar a oração em busca de misericórdia. Em (Sofonias 2:3) está escrito: “Porventura sereis escondidos”. Quando oramos pelos outros, devemos pedir com fervor e humildade que Deus lhes conceda arrependimento, embora não possamos exigir isso (2 Timóteo 2:25).

Depois, Moisés suplica a Deus por misericórdia. Suas palavras são carregadas de sentimento. Ele voltou ao Senhor, não para receber novas instruções sobre o tabernáculo, pois não havia mais conversas sobre isso naquele momento. O pecado e a insensatez muitas vezes interrompem a obra de que amigos e ministros se alegram e os deixam, em vez disso, com um trabalho doloroso a fazer.

Na sua oração, Moisés primeiro mostra o profundo ódio que sente pelo pecado do povo (Êxodo 32:31). Ele fala como alguém chocado: “Ah! Este povo cometeu grande pecado.” Deus já lhe havia contado o que sucedera (Êxodo 32:7), e agora Moisés conta novamente a Deus, em tom de lamento. Ele não os chama de povo de Deus, porque se mostraram indignos desse nome. Chama‑os de “este povo”, um povo traiçoeiro e ingrato, que fez para si deuses de ouro. É grande pecado fazer do ouro um deus, como acontece quando as pessoas nele confiam e nele põem seu coração.

Moisés não tenta desculpar nem diminuir o pecado. O que dissera ao povo para convencê‑lo, ele agora apresenta a Deus em confissão. “Cometeram grande pecado”, ele diz, e vem não para apresentar desculpas, mas para buscar expiação. É como se dissesse: “Senhor, perdoa a iniquidade, porque é grande” (Salmo 25:11).

Em seguida, Moisés mostra o profundo desejo que tem pelo bem do povo (Êxodo 32:32). Ele afirma, em essência, que o pecado não é grande demais para que a misericórdia infinita o perdoe, se Deus se agradar de fazê‑lo. Suas palavras são entrecortadas e urgentes: “Se perdoares o seu pecado, nada mais peço. Se perdoares, serás engrandecido, e eu estarei satisfeito e recompensado por ter intercedido por eles.” É semelhante ao pedido do viticultor em (Lucas 13:9): “Se der fruto...”. Também se parece com (Lucas 19:42), onde “se tu soubesses” traz a ideia de “ah, se ao menos tivesses sabido”.

Mas, se o povo ainda assim tiver de ser destruído, Moisés pede para ser contado com ele. “Rogo‑te que me risques do teu livro que tens escrito” significa: “Se eles tiverem de ser cortados, que eu também seja cortado, e que eu seja privado de entrar em Canaã.” Se todo Israel tiver de perecer, ele está disposto a perecer com o povo. Prefere não herdar a terra prometida a sobreviver enquanto eles são destruídos. (Ezequiel 13:9) usa linguagem semelhante ao falar daqueles que não serão inscritos no registro de Israel nem entrarão na terra.

Deus tinha dito a Moisés que, se este não interviesse, Deus faria dele uma grande nação (Êxodo 32:10). Moisés recusa essa oferta. Não quer edificar sua própria casa sobre a ruína de Israel. Prefere sofrer prejuízo junto com o povo. Se não puder impedir a destruição deles, não deseja viver para vê‑la (Números 11:15). Não quer ser contado entre os vivos se outros estão sendo assinalados para preservação (Isaías 4:3). Nisso, ele mostra seu terno amor pelo povo e aponta para o bom Pastor, Jesus, que dá a sua vida pelas ovelhas (João 10:11). Também aponta para aquele que seria cortado da terra dos viventes por causa do pecado do povo de Deus (Isaías 53:8; Daniel 9:26).

Moisés dá um forte exemplo a todos, especialmente aos que ocupam cargos públicos. Os interesses particulares devem ser colocados depois do bem de toda a comunidade. Importa pouco o que aconteça conosco e com nossas famílias neste mundo, desde que vá bem com a igreja de Deus e haja paz em Israel. Moisés suplica por perdão e “luta” com Deus em oração, mas não dita o que Deus deve fazer. Ele não diz: “Se não perdoares, serás injusto ou cruel.” Está longe disso. Diz apenas: “Se não, que eu morra com os israelitas, e cumpra‑se a vontade do Senhor.”

Deus não toma Moisés ao pé da letra. Ele não riscará do seu livro ninguém, a não ser aqueles que, voluntariamente, quebraram a fé e perderam o seu lugar nele (Êxodo 32:33). A alma que pecar, essa morrerá, e o inocente não será punido pelo culpado. Até isso era sinal de misericórdia para o povo, pois não seriam todos destruídos de uma só vez. Somente aqueles que participaram do pecado seriam cortados. Assim, Moisés vai obtendo vitória pouco a pouco.

A princípio, Deus não dá a Moisés plena certeza de que estava totalmente reconciliado com o povo. Ele retém esse consolo para que não pensem que o perdão é fácil de alcançar e para que sintam mais profundamente a maldade do pecado. Ao adiar o consolo, Deus torna mais forte a convicção. Também prova Moisés, o grande intercessor do povo, chamando‑o a continuar suplicando por eles.

Em resposta a Moisés, Deus ainda promete continuar com o seu plano bondoso de lhes dar a terra de Canaã, a terra de que já havia falado (Êxodo 32:34). Por isso, envia Moisés de volta para conduzi‑los, embora fossem indignos dele, e promete que o seu anjo irá adiante deles. Trata‑se de um anjo criado, empregado na obra comum da providência divina, o que mostra que dali em diante não deviam esperar nada extraordinário ou fora do curso normal. Mais tarde, Moisés recebe promessa maior da presença especial de Deus com eles (Êxodo 33:14; Êxodo 33:17), mas isso era tudo o que ele podia alcançar naquele momento.

Deus também adverte que se lembraria desse pecado quando tivesse motivo para puni‑los por outros pecados. Em outras palavras, quando viesse novamente com a vara, haveria um golpe a mais por causa dessa transgressão. Os judeus têm um dito baseado nisso, segundo o qual, depois desse episódio, nenhum juízo veio sobre Israel sem alguma “porção” do bezerro de ouro nele. Mas não há base bíblica para afirmar que Deus os sobrecarregou com tantos sacrifícios e outras leis cerimoniais apenas porque haviam adorado o bezerro de ouro. Estêvão diz que, quando fizeram o bezerro e ofereceram sacrifícios a ele, Deus se afastou e os entregou a prestar culto aos astros e aos poderes celestes (Atos 7:41; Atos 7:42). A forte inclinação deles à idolatria foi, por si só, um justo juízo por terem feito e adorado o bezerro, e eles só foram plenamente libertos dessa tendência no cativeiro babilônico. Veja Romanos 1:23‑25.

Muitas pessoas não são castigadas de imediato pelos seus pecados, mas são reservadas para um acerto de contas posterior. O juízo pode ser lento, mas é certo. Por ora, o Senhor feriu o povo (Êxodo 32:35), provavelmente com uma praga ou alguma outra doença contagiosa. Era um sinal da ira de Deus e um aviso de males piores por vir.

Arão fez o bezerro, mas se diz que o povo o fez também, porque o adorou. Como se costuma dizer, “quem pede deuses, faz deuses”. Arão não foi ferido, mas o povo foi. O pecado dele foi de fraqueza, enquanto o deles foi ousado e deliberado. A diferença é grande, ainda que nem sempre a vejamos claramente. Deus a vê perfeitamente, e o seu juízo é sempre verdadeiro.

Assim, Moisés conseguiu um adiamento e uma disciplina mais branda, mas não pôde desviar por completo a ira de Deus. Alguns entendem que isso revela a limitação da lei de Moisés para reconduzir plenamente o povo a Deus e conceder paz completa com ele.

Essa paz plena foi reservada para Cristo, em quem somente Deus perdoa o pecado de tal modo que já não o lembra mais.

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