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Eclesiastes 12:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade. "

Eclesiastes 12:8

menu_book Versículo no contexto

6 Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço,

7 E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.

8 Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade.

9 E, quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria; e atentando, e esquadrinhando, compôs muitos provérbios.

10 Procurou o pregador achar palavras agradáveis; e escreveu-as com retidão, palavras de verdade.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Salomão está chegando ao fim e não quer encerrar antes de cravar seu ponto de maneira definitiva. Ele deseja que seus ouvintes e leitores busquem a satisfação que nunca encontrarão nas coisas criadas, mas somente em Deus e no dever para com Ele. Por isso, ele repete seu tema principal: “Vaidade de vaidades, tudo é vaidade” (Eclesiastes 12:8).

Ele repete porque já demonstrou ser verdade. Repete também porque quer que tanto outros quanto ele mesmo guardem isso perto do coração e usem essa verdade com frequência. Vemos sua confirmação todos os dias, portanto devemos fazer uso diário dela. O mundo é vazio, e todas as coisas que há no mundo são vazias também.

Ele recomenda este livro à nossa séria atenção porque suas palavras são confiáveis e dignas de serem recebidas. Vêm de um homem que se converteu e se arrependeu, alguém que aprendeu, com experiência cara, quão vazio é o mundo e quão tolo é esperar demais dele. Ele foi Coélet, o que foi reunido de volta depois de andar desgarrado, trazido novamente ao Deus de quem se afastara. É o penitente que diz: “Vaidade de vaidades”.

Todos os verdadeiros penitentes estão convencidos da vacuidade do mundo, porque descobrem que ele não consegue aliviar o peso do pecado que sentem. Essas palavras também vêm de um homem que foi sábio, mais sábio do que qualquer um de sua época, ricamente dotado de uma sabedoria incomum. Ele era famoso por isso, e pessoas vinham de longe para ouvi-lo. Assim, estava plenamente habilitado a julgar essa questão, sábio não apenas como rei, mas como pregador; e pregadores precisam de sabedoria se desejam ganhar almas.

Ele também era um homem que assumiu como encargo fazer o bem e usar corretamente a sabedoria. Sabendo que sua sabedoria não lhe havia sido dada apenas para si, continuou ensinando ao povo aquilo que tinha sido útil para ele mesmo e que ele esperava que os ajudasse também. É para o próprio bem dos governantes que o seu povo seja bem instruído na religião, e não é desonra alguma para eles ensinarem pessoalmente o bom conhecimento do Senhor. É seu dever apoiar aqueles cujo trabalho é ensinar, e falar bem a eles (2 Crônicas 30:22). Que ninguém despreze o povo comum, ainda que seja muito sábio e grande, como se esse povo fosse indigno de bom conhecimento ou incapaz de aprendê‑lo. Mesmo os bem instruídos ainda precisam de mais ensino, para que possam crescer.

Ele também teve grande cuidado e empenho em fazer o bem, pois se propôs a ensinar o povo o conhecimento. Não ofereceu pensamentos descuidados só porque lidava com gente simples enquanto ele era muito sábio. Aplicou‑se com atenção ao que lia e ouvia de outros, para que, estando bem abastecido, pudesse tirar do seu tesouro coisas novas e coisas velhas. Foi cuidadoso no que dizia e escrevia, e tudo o que fez foi elaborado com esmero.

Escolheu a forma de ensino mais útil, por meio de provérbios ou sentenças breves, que são mais fáceis de entender e de guardar na memória do que longos discursos. Não se limitou a poucas máximas repetidas muitas vezes, mas reuniu muitos provérbios e uma ampla variedade de reflexões sérias, a fim de ter algo a dizer em muitas situações diferentes. Não registrou apenas observações simples e comuns, mas também pesquisou aquelas mais incomuns e marcantes. Minerou nos veios profundos da sabedoria, em vez de apanhar apenas o que estava na superfície. E não dispôs seus pensamentos de maneira solta e casual, mas os ordenou, para que aparecessem com maior força e beleza.

Ele revestiu seu ensino com o tipo de palavras que julgou mais agradáveis. Buscou achar “palavras agradáveis”, palavras que deleitam (Eclesiastes 12:10). Teve o cuidado de não deixar que um bom conteúdo fosse prejudicado por uma expressão desajeitada, dura ou pouco proveitosa. Ministros não devem se esforçar para usar palavras rebuscadas ou vistosas, mas palavras aceitáveis, que provavelmente agradem para o bem, ajudando as pessoas a crescer. Quem deseja ganhar almas precisa aprender a alcançar as pessoas com palavras bem colocadas.

O que ele escreveu para nossa instrução é também totalmente confiável, e podemos nos apoiar nisso. O que foi escrito é reto e sincero, correspondendo exatamente ao que o escritor realmente pensava: palavras de verdade, um retrato verdadeiro das coisas como elas são. Quem se deixa guiar por essas palavras não perde o caminho. De que valem palavras agradáveis se não forem retas e verdadeiras? A maioria prefere palavras suaves que adulam, em vez de palavras corretas que orientam (Isaías 30:10), mas para quem se entende a si mesmo e discerne o que é melhor para si, as palavras de verdade sempre serão aceitáveis.

O que ele e outros homens santos escreveram produz grande bem em nós, especialmente quando é devidamente explicado (Eclesiastes 12:11). Devemos enxergar um duplo benefício na verdade divina quando é bem utilizada. Ela é útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça. Ajuda a nos despertar para o dever. É como um aguilhão para o boi que puxa o arado, impulsionando‑o quando anda devagar e acordando‑o quando se arrasta. As verdades de Deus traspassam o coração (Atos 2:37) e fazem a pessoa refletir de novo quando está descuidada e lenta, para que atue com mais vigor em sua obra. Como nossos bons sentimentos se esfriam tão depressa, precisamos desses aguilhões.

Essas verdades também nos ajudam a perseverar no cumprimento do dever. São como pregos para pessoas vacilantes e instáveis, fixando‑as no que é bom. São aguilhões para os preguiçosos e pregos para os inquietos e dispersos, meios de firmar o coração e fortalecer boas resoluções, para que não fiquemos soltos em relação ao nosso dever, nem dele nos afastemos. Todo bem que houver em nós deve ser como prego fincado em lugar firme (Esdras 9:8).

Para esses fins, Deus nos dá sua verdade principalmente de duas maneiras: pelas Escrituras e pelo ministério. As Escrituras são a regra permanente, as “palavras dos sábios”, isto é, dos profetas, que são chamados de sábios (Mateus 23:34). Temos essas palavras por escrito, podendo recorrer a elas a qualquer tempo, usando‑as como aguilhões e pregos. Por meio delas podemos instruir a nós mesmos. Se elas pressionarem a consciência com força e deixarem nela marca profunda e duradoura, nos tornarão sábios para a salvação.

Depois há o ministério. Para tornar as palavras dos sábios ainda mais úteis a nós, Deus determinou que fossem aplicadas e fixadas pelos “chefes dos congregados”.

As reuniões solenes para adoração são instituição antiga e dada por Deus. Existem para a honra de Deus e para o bem de sua igreja; não são apenas úteis, mas necessárias para esses fins. E é preciso que haja líderes nessas assembleias, ministros de Cristo que as presidem como voz de Deus para o povo e voz do povo para Deus.

A função deles é fixar as palavras dos sábios, como pregos bem cravados. Nessa obra, a Palavra de Deus também é como um martelo (Jeremias 23:29). O objetivo é fazer a verdade aderir ao coração e à consciência, de modo que permaneça ali e cumpra sua obra.

O que está escrito e assim posto diante de nós procede de Deus. Chega a nós por muitas mãos, por meio de muitos sábios e muitos chefes de assembleias, mas vem de um só Pastor, o grande Pastor de Israel, que conduz José como a um rebanho (Salmo 80:1). Deus é esse único Pastor. Seu bom Espírito inspirou as Escrituras, e esse mesmo Espírito auxilia os ministros a abri‑las e aplicá‑las corretamente.

Essas “palavras dos sábios” são ditos verdadeiros de Deus, e nelas podemos descansar nossas almas. Todos os ministros devem receber desse único Pastor o que ensinam, e falar em conformidade com a luz da Palavra escrita.

As santas Escrituras, se as usarmos como convém, são suficientes para nos guiar no caminho da verdadeira felicidade. Não precisamos nos desgastar correndo atrás de outros escritos para alcançar esse fim (Eclesiastes 12:12). Se os livros de Escritura que Deus já nos deu não nos convencem da vaidade do mundo e da necessidade da religião, não seríamos convencidos ainda que tivéssemos o dobro deles. Nem mesmo se houvesse tantos livros que o mundo inteiro não pudesse contê‑los (João 21:25) eles fariam aquilo que as Escrituras não fizeram.

Estudo demais pode deixar a pessoa confusa e cansada. Pode se tornar mais um peso para o corpo do que auxílio para a alma. Deus nos deu tanto quanto julgou adequado para nós, e tanto quanto somos capazes de receber. Se alguém não se deixa advertir por esses escritos, dificilmente outros o moverão.

Ou, colocando de outra forma: não há fim para a compra de livros e para o esforço de dominá‑los com muito estudo. A pessoa pode obter o melhor entretenimento e o melhor refinamento exterior que este mundo oferece. Mas, se esses livros não o advertirem quanto à vacuidade do mundo e do saber humano, e quanto à incapacidade deles de torná‑lo feliz sem verdadeira piedade, então não há fim real nessa busca, nem verdadeiro proveito nela. Isso gastará o corpo, mas nunca dará repouso verdadeiro à alma.

Até mesmo o grande erudito John Selden concordou com essa conclusão. Ele reconheceu que, em todos os livros que leu, nunca encontrou nada em que pudesse repousar a sua alma, a não ser na Sagrada Escritura, especialmente nas palavras de (Tito 2:11-12), que falam da graça de Deus que traz salvação e nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas, vivendo de modo sensato, justo e piedoso neste mundo.

Diante disso, somos chamados a receber uma advertência séria: se tudo “debaixo do sol” é vaidade, somente a Palavra de Deus oferece fundamento verdadeiro, consolo duradouro e direção segura para a vida.

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