Versículo em destaque
Deuteronômio 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR Deus de vossos pais vos dá. "
Deuteronômio 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR Deus de vossos pais vos dá.
2 Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.
3 Os vossos olhos têm visto o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo o homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor teu Deus consumiu do meio de ti.
Explore estudos bíblicos guiados
Sessões estruturadas com notas, perguntas e insights de orientadores
As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
Prévia da sessão 1:
Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
6 min
Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
Prévia da sessão 1:
O Cuidado do Pastor
5 min
Crie uma conta grátis para salvar notas, acompanhar progresso e desbloquear todas as sessões
Criar conta grátisComentário Bible Guided
Este discurso tão importante e comovente é tão completo, e seus pontos são repetidos com tanta frequência, que é melhor considerá‑lo como um todo ao explicá‑lo. Não é fácil dividi‑lo em parágrafos independentes; por isso, ajuda recolher seu ensino em partes bem definidas.
De modo geral, aqui está Moisés aplicando a história que veio antes. É uma conclusão tirada de tudo o que Deus já fez: “Agora, pois, ó Israel, ouve…” (Deuteronômio 4:1). Do mesmo modo devemos reagir quando olhamos para trás e contemplamos a providência de Deus, seu governo sábio e seu cuidado sobre nossa vida. A história dos tempos passados também deve nos conduzir à obediência.
O principal objetivo do discurso de Moisés é insistir para que Israel permaneça perto de Deus e o sirva somente. Ele os adverte a não se desviarem para nenhum outro deus, nem a se afastarem de qualquer forma do dever para com o Senhor. Fala com força persuasiva, instruindo e, ao mesmo tempo, apresentando motivos para convencê‑los.
Em primeiro lugar, ele os encarrega de prestar cuidadosa atenção à palavra de Deus e aos estatutos e juízos que lhes ensinava: “Ouve, ó Israel”. Ele não quer dizer apenas que deviam escutá‑lo naquele momento. Quer dizer que, sempre que a lei fosse lida, deveriam ouvi‑la com atenção. Precisavam acolher os mandamentos de Deus como assuntos de grande importância, tanto porque vêm de Deus quanto porque dizem respeito à própria alma deles. Em Horebe, outro nome do monte Sinai, Deus já os havia feito ouvir suas palavras de maneira marcante (Deuteronômio 4:10). A atenção que então lhes foi imposta deveria agora se tornar um hábito constante, por serem tão boas e tão graves as coisas que Deus falou. O que Deus falou uma vez, devemos ouvir repetidas vezes.
Em segundo lugar, Moisés ordena que guardem a lei de Deus em sua pureza e inteireza (Deuteronômio 4:2). Não deviam acrescentar nada a ela, nem tirar dela coisa alguma. Alguns entendem que isso significa não violar a lei na prática, fazendo o que ela proíbe ou deixando de fazer o que ordena. Outros entendem que significa não introduzir ideias humanas no culto a Deus, como se seus mandamentos fossem incompletos, nem retirar nada do que ele instituiu como se fosse supérfluo. A obra de Deus é perfeita, e nada se pode acrescentar ou tirar sem piorá‑la (Eclesiastes 3:14). Os judeus entenderam isso de forma muito estrita, aplicando inclusive à redação da lei, até a menor letra. Esse cuidado ajudou a preservar o texto hebraico. Advertência semelhante é feita ao final do Novo Testamento (Apocalipse 22:18‑19).
Em terceiro lugar, ele os encarrega de obedecer aos mandamentos de Deus, e não apenas ouvi‑los (Deuteronômio 4:2, 5, 6, 13, 14). Ouvir deve levar a praticar, e o conhecimento deve conduzir à obediência. Os mandamentos de Deus eram o caminho em que deveriam andar e a regra que deveriam seguir. Deveriam orientar a conduta moral pela lei moral, o culto pelos ritos que Deus havia determinado, e a justiça pela lei judicial. Ele conclui o capítulo com o mesmo mandamento: “Guardarás, pois, os seus estatutos e os seus mandamentos” (Deuteronômio 4:40). Leis são feitas para serem cumpridas.
Em quarto lugar, Moisés ordena que sejam muito cuidadosos e vigilantes na obediência à lei (Deuteronômio 4:9, 15, 23). Ele diz: “Guarda‑te a ti mesmo” e “Guarda diligentemente a tua alma”. Quem deseja viver de modo piedoso precisa ser cauteloso e estar alerta. Como enfrentamos muitas tentações e temos muitas inclinações pecaminosas no coração, é necessário vigiar a nós mesmos de perto e guardar o coração com cuidado. Ninguém anda direito se anda descuidadamente.
Em quinto lugar, ele os adverte especialmente contra a idolatria, o pecado que mais os cercaria por causa das nações ao redor e o pecado em que mais facilmente cairiam por inclinação do próprio coração. Seria o pecado que mais ofenderia a Deus e que traria sobre eles o maior dano. “Guardai, pois, bem as vossas almas, para que não vos esqueçais” nesse ponto, para que não se corrompam (Deuteronômio 4:15‑16). Ele adverte contra duas formas de idolatria.
Uma é o culto a imagens, mesmo quando alguém afirma estar usando a imagem para adorar o Deus verdadeiro, como Israel fizera com o bezerro de ouro. Isso troca a verdade de Deus pela mentira e transforma sua glória em vergonha. O segundo mandamento aponta diretamente para essa questão, e Moisés o desenvolve aqui (Deuteronômio 4:15‑18). Tal culto corrompe interiormente, porque forma ideias falsas de Deus na mente e abre a porta para todo tipo de mal. É também uma espécie de infidelidade espiritual. Pode destruí‑los. Não deviam fazer nenhuma imagem de Deus em forma humana, homem ou mulher, nem na forma de qualquer animal, ave, serpente ou peixe. As nações pagãs adoravam seus deuses por meio de imagens assim, embora a verdade seja clara: aquilo que o artífice fabrica não pode ser Deus (Oséias 8:6). Representar o Espírito infinito por uma imagem, ou o grande Criador por uma criatura, é uma grave afronta a Deus e uma mentira perigosa para nós mesmos.
Para impedi‑los de fazer essas imagens, Moisés lembra que, quando Deus se revelou em Horebe, fê‑lo por meio de uma voz de palavras que alcançaram os ouvidos deles. Isso lhes ensinou que a fé vem pelo ouvir, e que Deus se encontra conosco em sua palavra. Não foi dada nenhuma imagem para os olhos. Ver a Deus como ele é de fato pertence à alegria do mundo por vir; vê‑lo de modo errado só nos faz mal neste mundo. Eles não viram semelhança alguma, nenhuma forma, nenhuma imagem visível (Deuteronômio 4:12, 15). Talvez esperassem ver algo, pois antes tinham desejado romper os limites e olhar para o Senhor (Êxodo 19:21). Mas o que viram foi apenas fogo e resplendor, nada que pudessem transformar em ídolo. Deus ordenou isso com sabedoria, por causa do perigo da idolatria.
O próprio Moisés foi autorizado a ver a semelhança do Senhor (Números 12:8), porque Deus sabia que ele não se inclinaria à idolatria. Mas o povo acabara de sair do Egito, onde admirara ídolos; por isso, não devia ver nenhuma forma de Deus. Se tivessem visto alguma, poderiam copiá‑la e, então, pensar que o segundo mandamento proibia apenas imagens diferentes daquela. Como observa o bispo Patrick, poderiam raciocinar assim: “Isto apenas proíbe qualquer imagem que não seja a pela qual Deus se mostrou a nós”. Devemos tomar isso como advertência a não fazermos imagens de Deus em nossa mente ao adorá‑lo. Podem existir ídolos no coração mesmo quando não há imagens no santuário.
Outra forma de idolatria contra a qual foram advertidos era o culto ao sol, à lua e às estrelas (Deuteronômio 4:19). Essa era uma das mais antigas formas de idolatria, e uma das mais atraentes. Esses corpos celestes estão acima de nós, brilham com grande beleza e servem ao mundo inteiro; assim, as pessoas eram levadas a honrá‑los. Justamente por isso a tentação era mais perigosa.
Moisés mostra como essa tentação se torna forte quando as pessoas vivem guiadas apenas pelo que veem. Ele as adverte a não se deixarem levar pela imaginação nem pelos costumes das nações em redor. O coração está muito pronto a seguir o que os olhos contemplam. Ao verem sol, lua e estrelas, podem admirá‑los tanto em sua altura, brilho, movimento regular e poder benéfico, que acabam dando a eles a glória que pertence àquele que os fez. É preciso firmeza verdadeira para resistir a essa tentação quando a fé em um Deus invisível e em um mundo invisível é fraca.
Ainda assim, Moisés mostra como essa tentação é frágil quando as pessoas pensam corretamente. O sol, a lua e as estrelas não são deuses. São dádivas do Senhor seu Deus, dadas a todas as nações. É tolice adorá‑los, pois são apenas servos feitos para iluminar a terra. O próprio sol, em hebraico, é chamado “shemesh”, que significa servo, porque serve a todo o mundo visível. Devemos honrar como senhor aquilo que foi feito para nos servir? E, já que toda a utilidade deles vem de Deus, é errado dar‑lhes o louvor que pertence somente a ele.
Moisés também ordenou ao povo que ensinasse as leis de Deus a seus filhos e aos filhos de seus filhos (Deuteronômio 4:9‑10). Assim, o conhecimento e o culto de Deus deveriam ser transmitidos de uma geração à outra. A vida de fé em Israel deveria permanecer entre eles, a não ser que quebrassem a aliança e perdessem esse privilégio. Os pais, portanto, deviam se empenhar em ensinar a seus próprios filhos o temor de Deus e em treiná‑los a obedecer aos seus mandamentos.
Ele também os advertiu a não se esquecerem do dever: “Guardai‑vos, para que vos não esqueçais da aliança do SENHOR vosso Deus” (Deuteronômio 4:23). Deus nunca se esquece de sua aliança, mas nós facilmente nos esquecemos. Essa é a raiz de muitos afastamentos de Deus. Por isso, é preciso cuidar contra tudo o que possa tirar de nossa mente a aliança de Deus. Devemos vigiar o coração, porque é fácil a religião se esvair se formos descuidados. Cuidado, cautela e santa vigilância são o melhor auxílio contra a má memória.
Esses são os mandamentos que Moisés lhes deu. Agora é importante notar os motivos que ele apresenta para sustentar esses mandamentos. Ele não os deixa sem fortes argumentos; pelo contrário, fala de modo completo em nome de Deus. Alguns desses motivos eram específicos para Israel, mas muitos valem também para nós. No fim, fica claro que a verdadeira religião tem a razão ao seu lado, ainda que os descuidados fechem os ouvidos para ela.
Um dos principais argumentos de Moisés é a grandeza, a glória e a bondade de Deus. Se de fato pensássemos seriamente em que tipo de Deus temos de tratar, certamente levaríamos a sério o nosso dever para com ele e não ousaríamos pecar contra ele. Ele lembra, em primeiro lugar, que o Senhor Jeová é o único Deus vivo e verdadeiro (Deuteronômio 4:39). Muitas coisas nós até sabemos, mas não nos fazem bem porque não as consideramos nem as aplicamos a nós mesmos. Esta verdade é tão clara que quase não pode ser negada, e tão poderosa que, se fosse realmente ponderada pelas pessoas, mudaria o mundo. O Senhor Jeová é Deus, um ser infinito e eterno, que existe por si mesmo, plenamente suficiente em si, fonte de toda vida, poder e movimento. Ele é Deus nos céus acima, revestido de toda glória e governando todos os exércitos celestiais. Ele também é Deus na terra embaixo e, embora a terra seja tão distante de seu trono, nunca está fora de seu olhar nem de seu cuidado. Não há outro Deus vivo e verdadeiro além dele. Os deuses das nações não passavam de cópias falsas e pretendentes. Os israelitas, que adoravam somente o Deus supremo, não tinham desculpa alguma se dele se desviassem ou se o negligenciassem.
Ele também os lembra de que Deus é fogo consumidor, Deus zeloso (Deuteronômio 4:24). Eles precisavam ter cuidado para não o ofender. Primeiro, ele vê qualquer afronta contra si e não repartirá sua honra com rivais. Ele exige amor e culto inteiros. O zelo de Deus por seu povo é forte motivo para que sejamos vigilantes quanto a nós mesmos. Segundo, ele tem poder para castigar a afronta, sobretudo no que diz respeito ao culto, porque é aí que ele tem um zelo especial. Ele é fogo consumidor. Sua ira contra os pecadores é terrível e destruidora, um juízo ardente que consumirá seus inimigos (Hebreus 10:27). O fogo só queima o que está próprio para ser queimado, e a ira de Deus recai sobre aqueles que, por seu próprio pecado, se tornaram preparados para a destruição (1 Coríntios 3:13; Isaías 27:4). O Novo Testamento traz o mesmo alerta, dizendo que devemos servir a Deus com reverência, porque ele continua sendo fogo consumidor, ainda que seja o nosso Deus e a alegria dos que o servem fielmente (Hebreus 12:28-29).
Em terceiro lugar, Moisés lembra que Deus é misericordioso, como se vê em Deuteronômio 4:31. Ele menciona isso para incentivar o arrependimento, mas também para sustentar a obediência e afastar o povo da apostasia. Abandonaríamos um Deus misericordioso, que não nos abandonará se permanecermos fiéis a ele? Para onde poderíamos ir que fosse melhor? Esqueceríamos a aliança do nosso Deus, quando ele não se esquece da aliança feita com nossos pais? Que o amor nos prenda ao nosso dever, e que a misericórdia de Deus nos mova a permanecer perto dele.
Ele também aponta para o relacionamento deles com Deus, a autoridade que Deus tem sobre eles e o dever que tinham para com ele. “Os mandamentos que vocês devem guardar e cumprir”, diz Moisés, “não são meus. Não são ideias ou ordens minhas, mas mandamentos do Senhor, formados por perfeita sabedoria e sustentados por supremo poder”. Ele é o Senhor Deus de seus pais (Deuteronômio 4:1), de modo que eles pertenciam a ele por linhagem. Seus pais eram dele, e eles nasceram em sua casa. Ele é o Senhor seu Deus (Deuteronômio 4:2), assim, eles lhe pertenciam também por seu próprio consentimento. Ele é o Senhor meu Deus (Deuteronômio 4:5), por isso Moisés lhes fala como servo e mensageiro dele. Em nome do Senhor, Moisés lhes entregou tudo, e somente aquilo, que havia recebido do próprio Deus.
Moisés os exorta ainda a reconhecer quão sábio é viver de acordo com a lei de Deus: “Esta é a vossa sabedoria perante os olhos dos povos” (Deuteronômio 4:6). Se eles guardassem os mandamentos de Deus, agiriam com sabedoria para o próprio bem. Isso não apenas é o que é certo, mas também o que serve ao verdadeiro bem deles. Essa é uma das verdades mais antigas das Escrituras: “O temor do Senhor, isso é sabedoria” (Jó 28:28).
Além disso, estariam correspondendo às expectativas das nações ao redor. Quando outros povos ouvissem ou lessem a lei dada a Israel, concluiriam que se tratava de um povo certamente sábio e entendido. Grandes coisas podem ser justamente esperadas daqueles que têm a revelação de Deus e aos quais são confiadas as palavras de Deus. Eles deveriam ser mais sábios e melhores que os demais, e, se vivessem segundo as regras que lhes foram dadas, de fato o seriam. Se não o fizessem, por algum tempo a vergonha poderia recair sobre a religião que diziam professar, mas por fim ela voltaria sobre eles mesmos em juízo. Aqueles que desfrutam da luz e da lei de Deus devem viver de forma a manter seu nome honrado e a trazer glória a Deus (ver Eclesiastes 10:1).
Moisés então destaca as bênçãos especiais que Israel desfrutava por causa de sua posição diante de Deus (Deuteronômio 4:7, 4:8). Nossa comunhão com Deus, que é a maior honra e alegria que podemos ter neste mundo, é mantida viva por meio da sua palavra e da oração. Nessas duas coisas, Israel era mais abençoado do que qualquer outro povo na terra. Nunca houve povo tão favorecido em falar com Deus (Deuteronômio 4:7). Ele estava perto deles em tudo o que o invocavam, pronto para responder às suas perguntas pelo oráculo e para responder às suas súplicas por sua providência. Quando clamavam por pão, por água ou por cura, encontravam-no perto para socorrer e livrar, “socorro bem presente”, no meio deles (Salmo 46:1, Salmo 46:5). Seu ouvido estava atento às suas orações.
Observe-se três coisas. Primeiro, o povo de Deus se distingue por isto: clama a ele em toda necessidade. Apresenta a Deus cada pedido e busca sua direção em todas as coisas. Segundo, os que invocam a Deus certamente o acharão perto, pronto para responder em paz a toda oração que vem da fé. Veja Isaías 58:9. Ele é como um pai que responde ao grito do filho, dizendo: “Eis-me aqui. O que é, meu filho?” Terceiro, esse privilégio torna o povo de Deus verdadeiramente grande e honrado. O que poderia elevar mais uma pessoa ou uma nação do que isso? Que nome é mais nobre do que Israel, “um príncipe com Deus”? Que nação é tão grande? Outras nações poderiam se gloriar de maior número, de terras mais extensas ou de história mais antiga, mas nenhuma podia se gloriar de tamanha proximidade com o céu como Israel. Elas tinham seus deuses, mas esses deuses não estavam perto delas como o Deus de Israel estava, nem podiam socorrê-las na angústia como o Deus de Israel o fazia (1 Reis 18:27).
Nunca houve povo tão favorecido em ouvir a voz de Deus, por meio dos estatutos e juízos colocados diante deles (Deuteronômio 4:8). Também nisso residia a grandeza de Israel acima de todas as outras nações. Que nação é tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos? Todas as leis de Deus são perfeitamente justas e retas, muito acima das leis de qualquer povo. A lei de Deus é infinitamente melhor do que a lei humana. Nenhuma lei concorda tão plenamente com a equidade natural, com a razão clara e consigo mesma em todas as suas partes. Nenhuma lei é tão proveitosa ao bem humano quanto a lei da Escritura (Salmo 119:128). Ter esses estatutos e juízos colocados diante de si é a verdadeira grandeza de qualquer povo (Salmo 147:19, Salmo 147:20). É uma honra que a Bíblia seja respeitada e tenha lugar entre nós. Isso mostra que um povo está em alta consideração diante de Deus e também contribui para colocá-lo em posição elevada entre as nações. Os que honram a lei serão honrados por ela.
Moisés aponta então para a manifestação gloriosa de Deus no monte Sinai, onde lhes deu essa lei. Ele insiste com força: “Guarda-te, e guarda bem a tua alma, para que não te esqueças das coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos” (Deuteronômio 4:10). Alguns ainda estavam vivos e podiam se lembrar, embora na ocasião tivessem menos de vinte anos. Os demais podiam ser considerados como tendo estado ali “em seus pais”, que receberam a lei e entraram em aliança, não apenas por si, mas também por seus filhos. Deus tinha de modo especial os filhos em vista ao dar a lei, para que os pais a ensinassem a seus filhos.
Eles deviam se lembrar de duas coisas que, à primeira vista, pareceria impossível esquecer. Primeiro, deviam lembrar-se do que viram no monte Sinai (Deuteronômio 4:11). Viram fogo e trevas ao mesmo tempo, um espetáculo estranho e temível. Cada um desses elementos tornava o outro mais impressionante. As trevas faziam o fogo parecer ainda mais terrível, e o fogo fazia as trevas parecerem mais profundas e assustadoras. Fogueiras noturnas são as mais amedrontadoras, e aquele fogo na escuridão tornava toda a cena mais solene. As trevas eram tão densas que nem mesmo um fogo daquele porte as dissipava. Assim, mais tarde, Deus fala de se manifestar para o bem de seu povo e contra seus inimigos em fogo e trevas ao mesmo tempo (Salmo 18:8, Salmo 18:9). Ele diz novamente, como Moisés repete aqui em Deuteronômio 4:36, aquilo que eles tinham visto, porque queria que nunca o esquecessem: “Ele te fez ouvir a sua voz do meio do fogo” e “te mostrou o seu grande fogo”.
Um relâmpago único, aquele fogo que vem do céu, já enche as pessoas de espanto. Alguns observam que muitas criaturas, por instinto, voltam o rosto para o relâmpago, como se se preparassem para receber o seu efeito. Se isso é assim, quanto mais terrível deve ser um fogo constante vindo do céu. Aquilo deu a Israel uma amostra antecipada do dia do juízo, quando o Senhor Jesus há de se manifestar em fogo flamejante.
Moisés os faz lembrar não só do que tinham visto, mas também do que não tinham visto: não viram forma nem semelhança de Deus. Portanto, não tinham qualquer motivo para formar uma imagem dele, nem na mente nem nos altos onde prestavam culto. O que viram de Deus bastava para provar que ele é infinitamente poderoso e perfeito, mas não dava nenhum motivo para imaginá‑lo com um corpo semelhante ao nosso.
Ele os lembra também do que ouviram no monte Sinai (Deuteronômio 4:12). O Senhor lhes falou com voz clara, em sua própria língua, e eles a ouviram. Moisés amplia isso quase no fim do seu discurso (Deuteronômio 4:32, 33, 36). Primeiro, eles ouviram a voz de Deus falando do céu. Deus se manifesta ao mundo inteiro por meio da criação, sem fala nem linguagem, e ainda assim “a sua voz” se faz ouvir (Salmo 19:1-3). Mas a Israel ele se deu a conhecer por palavras faladas, descendo à fraqueza da igreja em sua infância espiritual.
Eles também o ouviram do meio do fogo, o que mostrava que era o próprio Deus quem falava. Quem mais poderia habitar com o fogo consumidor? Deus falou com Jó do meio do redemoinho, o que já era aterrador. A Israel falou do meio do fogo, o que era ainda mais assustador. Devemos ser gratos a Deus por ele não nos falar dessa maneira, mas por meio de pessoas semelhantes a nós, cujo temor não nos afugenta (Jó 33:6, 7).
Eles ouviram e ainda assim continuaram vivos (Deuteronômio 4:33). Foi grande misericórdia o fato de o fogo não tê‑los consumido, e de não terem morrido de medo, ainda que o próprio Moisés tremesse. Jamais algum povo tinha ouvido coisa semelhante. Moisés manda que perguntem aos tempos antigos e às terras longínquas, e veriam que não havia outro exemplo de Deus favorecer um povo dessa forma (Deuteronômio 4:32). Uma honra tão especial exigia uma obediência especial. Já que Deus fizera por eles muito mais do que por qualquer outra nação, era justo esperar mais deles.
Moisés ainda os exorta a lembrar os atos de bondade de Deus ao tirá‑los do Egito, da fornalha de ferro, onde eram forçados a trabalhos pesados. Ele os formou como povo e então os tomou para si, como propriedade peculiar, povo separado para a sua herança (Deuteronômio 4:20). Ele volta a mencionar isso em Deuteronômio 4:34, 37, 38. Deus jamais fizera coisa semelhante por outra nação, e o surgimento de Israel foi diferente do crescimento de todos os demais povos.
Eles foram honrados e separados, não porque merecessem ou tivessem qualquer atrativo especial, mas porque Deus amou seus pais. Ele os escolheu. Nisso se vê a razão da graça livre, a bondade imerecida de Deus. Somos amados não por causa de nós mesmos, mas por causa dele, que guarda a aliança em fidelidade.
Eles foram tirados do Egito por meio de sinais e maravilhas, em misericórdia para com eles e em juízo sobre os egípcios. Deus estendeu o seu braço contra o Egito, e a mão estendida de Moisés mostrava esse juízo quando ele invocava as pragas. Tudo isso visava também a um estabelecimento feliz em Canaã (Deuteronômio 4:38). Outras nações tinham de ser removidas para que houvesse lugar para Israel, o que mostrava quanto mais queridos eles eram para Deus. Egito e Canaã, ambos, tiveram de ceder em favor da honra e do bem de Israel. Os que se põem contra a luz de Israel ou bloqueiam o seu caminho o fazem para a própria ruína.
Moisés lembra ainda como Deus, algumas vezes, tinha manifestado a sua justiça contra o próprio Israel por causa de seus pecados. Ele menciona em especial o caso de Peor (Deuteronômio 4:3, 4), que ocorrera há bem pouco tempo. Seus próprios olhos tinham visto a destruição repentina dos que se uniram a Baal‑Peor, e a preservação dos que permaneceram fiéis ao Senhor. Disso podiam perceber facilmente o perigo de se afastar de Deus e a bem‑aventurança de se manter perto dele.
Ele volta a mencionar também a ira de Deus contra si mesmo: “O Senhor se irou contra mim por causa de vós” (Deuteronômio 4:21, 22). Ele diz isso para provar se eles eram realmente gratos e se sentiam a perda que tinham trazido ao seu fiel amigo e líder. Devemos ser mais tocados pelo que outros sofrem por nossa causa do que pelo que nós próprios sofremos.
Moisés então insiste na recompensa certa da obediência. Ele começa com este pensamento: que vivam, entrem e possuam a terra (Deuteronômio 4:1). E termina com a mesma ideia: que bem lhes vá, a eles e a seus filhos depois deles (Deuteronômio 4:40). Eles deviam saber que eram observados em sua conduta e que sua prosperidade dependia de sua devoção a Deus. Se guardassem os mandamentos de Deus, ele certamente manteria as suas promessas.
Ele também os adverte quanto à ruína que viria se se desviassem de Deus. Desenvolve isso em Deuteronômio 4:25-31. Ele prevê que, com o tempo, depois de muito tempo estabelecidos na terra, vivendo tranquilos e acomodados, iriam corromper‑se e fazer imagem de escultura. Esse seria o pecado mais provável de enredá‑los (Deuteronômio 4:25).
Em seguida, ele prediz os juízos de Deus sobre eles. Seriam destruídos (Deuteronômio 4:26) e espalhados entre as nações (Deuteronômio 4:27). Seu próprio pecado se tornaria castigo (Deuteronômio 4:28): ali serviriam deuses feitos por mãos humanas, quer por imposição, quer por própria insensatez, buscando socorro onde não há socorro verdadeiro. Os que rejeitam os deveres da religião nos tempos de bonança não podem esperar o seu consolo nos tempos de aflição. É justo que tais pessoas sejam entregues aos deuses que escolheram servir (Juízes 10:14).
Mesmo assim, Moisés lhes dá esperança de que Deus mostraria misericórdia em dias posteriores, levando‑os, por meio de juízos, ao arrependimento e tornando a recebê‑los em aliança consigo (Deuteronômio 4:29-31). Em qualquer lugar onde estivermos, podemos buscar dali o Senhor nosso Deus, ainda que estejamos longe da nossa terra ou do seu santo templo. Nenhum lugar na terra está cortado do céu.
Só aqueles que buscam a Deus de todo o coração o encontrarão para seu consolo. Isso se refere a pessoas inteiramente entregues a ele, que realmente anseiam pelo seu favor e o procuram com seriedade. As aflições são enviadas para nos despertar e reconduzir a Deus, e, pela graça de Deus operando nelas, muitos voltam ao juízo perfeito. “Quando estas coisas te sucederem”, diz Moisés em essência, “verás o que resulta de te desviares dele” (ver Daniel 9:11, 12). A fidelidade de Deus à sua aliança também alimenta a esperança de que ele não nos rejeitará, ainda que seja o sofrimento que nos faça voltar a ele. Se, afinal, lembrarmos da aliança, encontraremos que ele não a esqueceu.
Reunindo todas essas razões, fica claro que a verdadeira religião tem a razão ao seu lado. Ninguém rejeita o governo de Deus sem primeiro abrir mão do bom senso que pertence a um ser humano.
Como a sua IA cristã pode ajudar
Explore as Escrituras e a vida por uma perspectiva cristã
Estudo bíblico
Orientação para a vida
Apoio em oração
Sabedoria diária
Faça 3 perguntas grátis por semana. Não é necessário cartão de crédito. Ver planos
Deste capítulo
Deuteronômio 4:2
"Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando."
Deuteronômio 4:3
"Os vossos olhos têm visto o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo o homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor teu Deus consumiu do meio de ti."
Deuteronômio 4:4
"Porém vós, que vos achegastes ao Senhor vosso Deus, hoje todos estais vivos."
Deuteronômio 4:5
"Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor meu Deus; para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar."
Deuteronômio 4:6
"Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida."
Deuteronômio 4:7
"Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?"
Oração diária
Receba uma reflexão bíblica diária por e-mail
Comece cada manhã com um versículo, uma oração e um próximo passo simples.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.
Bible Guided oferece orientação baseada na fé e deve complementar, não substituir, apoio terapêutico profissional.