Versículo em destaque
Deuteronômio 32:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Lembra-te dos dias da antiguidade, atenta para os anos de muitas gerações: pergunta a teu pai, e ele te informará; aos teus anciãos, e eles te dirão. "
Deuteronômio 32:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é.
6 Recompensais assim ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?
7 Lembra-te dos dias da antiguidade, atenta para os anos de muitas gerações: pergunta a teu pai, e ele te informará; aos teus anciãos, e eles te dirão.
8 Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel.
9 Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.
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Moisés já havia mostrado a Israel que Deus era o seu grande benfeitor e, portanto, eles estavam obrigados a obedecê-lo por gratidão. Aqui ele passa a citar exemplos específicos da bondade e do cuidado de Deus. Alguns desses atos eram muito antigos, por isso Moisés os remete aos registros dos tempos passados: “Lembra-te dos dias da antiguidade” (Deuteronômio 32:7). Isso quer dizer que deveriam manter na memória a história das intervenções de Deus, tanto no mundo antigo quanto na vida de Abraão, Isaque e Jacó. Essas histórias antigas são valiosas, especialmente a história inicial do povo de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
Outros atos de bondade eram mais recentes, e para esses Moisés apela aos pais e aos anciãos que ainda viviam entre eles. Os pais devem ensinar cuidadosamente aos filhos não apenas a palavra e as leis de Deus (Deuteronômio 6:7) e o sentido de suas ordenanças (Êxodo 12:26-27), mas também suas obras e os caminhos pelos quais ele dirigiu a história. Os filhos devem desejar aprender essas coisas, porque elas os ajudam a obedecer a Deus e a saber como viver. O Salmo 78:3-7 diz a mesma coisa. O cuidado de Deus por Israel dava a eles razões muito fortes para nunca se afastarem dele.
O primeiro grande exemplo é a escolha antecipada de Canaã como herança deles. Muito antes de Israel entrar na terra, Deus já a havia preparado para o seu povo. Quando a terra foi dividida entre os filhos dos homens, nos dias de Pelegue, depois do dilúvio, Deus já tinha Israel em vista. Ele ordenou que os descendentes de Canaã se estabelecessem ali por um tempo, como se estivessem apenas guardando a terra até que Israel estivesse pronto para recebê-la. A linhagem deles estava debaixo da maldição de Noé (Gênesis 9:25), de modo que poderiam ser removidos no tempo certo, de forma justa e adequada. Deus fixou os limites das nações tendo em vista o futuro de Israel, para que seu povo tivesse exatamente o que precisava.
Isso mostra várias coisas. Deus determinou os limites de onde as pessoas habitam e quanto tempo permanecem ali (Atos 17:26). Ele dá a terra aos homens, mas não de um modo que permita a cada um tomar para si o que quiser (Salmo 115:16). Ele reparte as terras entre as nações e espera que cada uma respeite o lugar que recebeu. Mostra também que a sabedoria de Deus alcança muito à frente. Ele planeja muito antes dos acontecimentos, e o que decide no princípio aparece mais tarde na história (Atos 15:18; Eclesiastes 3:11). Acima de tudo, quando Deus governa o mundo e dirige os reinos, ele olha de modo especial para a sua igreja e para o seu povo, e trabalha em todas as coisas para o bem deles (2 Crônicas 16:9; Isaías 45:4).
Os cananeus podiam pensar que tinham um direito firme sobre aquela terra, mas Deus pretendia que fossem apenas possuidores temporários, até que Israel chegasse. Assim, Deus realiza sua bondade para com seu povo por meio de outros que não o conhecem e que não têm intenção alguma de ajudá-lo. Os corações deles não pensam segundo o modo de Deus (Isaías 10:7; Miqueias 4:12). Mesmo assim, ele os usa para cumprir o seu propósito.
A razão de Deus ter escolhido Israel tão cedo torna ainda maior a sua bondade: “Porque a porção do Senhor é o seu povo” (Deuteronômio 32:9). O mundo inteiro pertence a ele, mas a sua igreja lhe pertence de modo especial. É o seu próprio campo, sua vinha, seu jardim cercado. Ele se deleita nela, habita no meio dela e a guarda como à menina dos seus olhos. Também espera dela uma honra especial, mais do que de todo o restante do mundo. É fácil entender por que Deus é a porção do seu povo, pois ele é sua alegria e sua vida. Mas é muito mais difícil explicar por que o seu povo é a porção dele, já que Deus nada ganha deles. Isso só pode ser compreendido como pura graça, a bondade imerecida de Deus.
O segundo grande exemplo é a formação de Israel em um povo preparado para tomar a herança quando chegasse o tempo. Isso também aponta para a herança celestial. Desde a eternidade, Deus a preparou para todo o seu Israel espiritual, e no tempo oportuno ele os habilita para recebê-la, tornando-os aptos (Colossenses 1:12). O livramento de Israel da escravidão e a destruição de seus inimigos foram cheios de milagres visíveis e já haviam sido mencionados muitas vezes, por isso Moisés não se detém neles aqui. Em vez disso, ele fala da obra de Deus em moldar o próprio povo, porque isso pode ser menos percebido do que os milagres feitos em favor deles.
Ele encontrou Israel em uma terra deserta (Deuteronômio 32:10). Isso se refere, em primeiro lugar, ao deserto pelo qual Deus os conduziu até Canaã, onde os treinou e cuidou deles. É chamado de igreja no deserto (Atos 7:38). Ali eles nasceram, foram alimentados e instruídos, para que ficasse claro que tudo vinha de Deus, pois ali não tinham nenhum auxílio do mundo ao redor. Mas as palavras também apontam para a condição miserável e o caráter pobre do povo quando Deus começou a agir por eles. O Egito era como um deserto para eles, um ermo de uivos, porque estavam escravizados ali, gemendo debaixo de opressão e incapazes de se socorrer. Deus os encontrou ali e os tirou de lá. Sua situação era desesperadora, e seus corações não eram mais promissores do que sua condição externa.
O povo era tão ignorante das coisas divinas, tão lento para recebê-las, tão irritadiço e obstinado, e tão profundamente ligado aos ídolos do Egito, que podia ser bem descrito como encontrado em uma terra deserta. Seria tão razoável esperar uma boa colheita de um ermo estéril quanto esperar um bom serviço a Deus de um povo como aquele. Os que são renovados e santificados pela graça devem lembrar com frequência o que eram por natureza.
Ele o guiou ao redor e o instruiu. Quando Deus tinha o povo no deserto, não os levou diretamente a Canaã. Fê-los caminhar por um caminho mais longo e, assim, os ensinou. Fez isso, primeiro, dando-lhes tempo para aprender e dando mandamentos conforme podiam suportar. Aqueles que ensinam não devem esperar que o aprendizado aconteça de uma vez, e os que aprendem precisam de tempo para crescer. Em segundo lugar, usou isso para provar a fé, a paciência e a confiança deles, e para treiná-los por meio das dificuldades do deserto.
Cada etapa continha algo que os ensinava. Mesmo quando os disciplinava, os instruía pela sua lei. O Salmo 107:7 diz que ele os guiou por caminho direito, e aqui se diz que os guiou ao redor. Deus sempre conduz o seu povo pelo caminho certo, mesmo quando esse caminho nos parece tortuoso e demorado. O percurso mais longo pode não ser o mais curto, mas ainda assim é o melhor caminho para chegar a Canaã. Neemias 9:13 explica como ele os ensinou, com juízos retos, leis verdadeiras, bons estatutos e mandamentos. E especialmente em Neemias 9:20 se declara que ele lhes deu o seu bom Espírito para os instruir. Ele ensina de modo eficaz. Eles teriam sido totalmente impróprios para Canaã se não tivessem passado antes pela disciplina do deserto.
Ele o guardou como à menina do seu olho, com todo cuidado e ternura. Protegeu-os do sol abrasador, do ar aberto e de todos os perigos de um deserto seco e hostil. A coluna de nuvem e de fogo foi ao mesmo tempo guia e proteção.
Ele também fez por eles o que a águia faz com seus filhotes, como é descrito em Deuteronômio 32:11-12. A imagem já havia sido sugerida em Êxodo 19:4, quando Deus disse que os havia carregado sobre asas de águia. Aqui ela é explicada com mais detalhes. A águia demonstra grande amor por seus filhotes, não apenas protegendo-os e alimentando-os, como fazem outros animais, mas treinando-os para voar. Ela os desperta do ninho, esvoaça sobre eles para mostrar como usar as asas e depois os faz voar sobre as suas próprias asas, até que possam voar sozinhos.
Isso também traz uma lição para os pais, que devem preparar os filhos para um trabalho útil e não estragá-los com preguiça e comodidade. Deus fez assim com Israel. Quando amavam a escravidão e não queriam deixá-la, Deus, por meio de Moisés, os instigou a buscar a liberdade e muitas vezes os impediu de voltar para a casa da servidão. Tirou-os do Egito, conduziu-os pelo deserto e, por fim, os levou através dele. O Senhor sozinho o guiou. Não precisou de ajuda nem tomou sócio na obra. Isso era um forte motivo para que servissem somente ao Senhor e não colocassem nenhum outro deus ao lado dele, muito menos contra ele. Nenhum deus estranho ajudou Israel em sua salvação; portanto, nenhum deveria participar do culto e do louvor de Israel (Salmo 81:9).
Em terceiro lugar, Deus os estabeleceu em uma boa terra. Isso já havia começado com o feliz assentamento das duas tribos e meia, o que era uma garantia do que logo e certamente seria feito pelo restante. Deu-lhes vitórias gloriosas sobre seus inimigos (Deuteronômio 32:13). Fê-los cavalgar sobre as alturas da terra, isto é, conduziu-os em conquista e os trouxe de volta em triunfo. Passaram por cima das fortalezas que se ergueram contra eles e depois descansaram honrados nas colinas férteis de Canaã. No Egito eram pobres e desprezados, mas em Canaã eram grandes e enriquecidos. Andavam em dignidade, como um povo a quem o Rei dos reis se agradara de honrar.
Ele também lhes deu grande abundância de todo bem. Isso incluía não apenas a produção comum da terra, mas até mel da rocha e azeite da dura rocha. Isso pode apontar tanto para a água milagrosamente tirada da rocha no deserto, chamada aqui de mel e azeite por ter sido tão doce e bem-vinda em meio à necessidade, como para a rica provisão de mel e azeite que eles encontrariam em Canaã, até mesmo nos lugares menos férteis. As rochas de Canaã produziriam mais e melhor do que os campos e pastos de outras terras. Deuteronômio 32:14 acrescenta ainda mais bênçãos de Canaã. Eles teriam tanta fartura e tamanha variedade de alimentos saudáveis, cada coisa sendo o melhor do seu tipo, que cada refeição poderia ser um verdadeiro banquete, se assim desejassem. Haveria pão excelente, feito do melhor trigo, manteiga e leite em abundância, gado bem alimentado e, para beber, o puro sangue da uva.
Deus foi para eles um Pai amoroso e um provedor generoso. Ainsworth entende a fartura de Canaã como uma figura da fertilidade do reino de Cristo e do consolo encontrado em sua palavra e em seu Espírito. Para os filhos do seu reino, ele dá manteiga e leite, o puro leite da palavra, e alimento sólido para os crentes fortes, juntamente com o vinho que alegra o coração.
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Deste capítulo
Deuteronômio 32:1
"Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca."
Deuteronômio 32:2
"Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva."
Deuteronômio 32:3
"Porque apregoarei o nome do Senhor; engrandecei a nosso Deus."
Deuteronômio 32:4
"Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é."
Deuteronômio 32:5
"Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é."
Deuteronômio 32:6
"Recompensais assim ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?"
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