Versículo em destaque
Deuteronômio 32:26 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Eu disse: Por todos os cantos os espalharei; farei cessar a sua memória dentre os homens, "
Deuteronômio 32:26
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
24 Consumidos serão de fome, comidos pela febre ardente e de peste amarga; e contra eles enviarei dentes de feras, com ardente veneno de serpentes do pó.
25 Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao jovem, juntamente com a virgem, assim à criança de peito como ao homem encanecido.
26 Eu disse: Por todos os cantos os espalharei; farei cessar a sua memória dentre os homens,
27 Se eu não receasse a ira do inimigo, para que os seus adversários não se iludam, e para que não digam: A nossa mão está exaltada; o Senhor não fez tudo isto.
28 Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento.
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Depois de muitas advertências terríveis sobre a ira e o juízo merecidos, surgem aqui surpreendentes sinais de misericórdia, uma misericórdia imerecida e que triunfa sobre o juízo. Fica claro, por isso, que Deus não tem prazer na morte do pecador, mas antes quer que ele se volte para ele e viva.
Primeiro, em zelo por sua própria honra, ele não os destruiria por completo (Deuteronômio 32:26-28). Não se pode negar que eles mereciam ser exterminados, e que a sua memória desaparecesse de entre os homens. O nome de um israelita poderia ter ficado apenas na história, porque eram um povo sem entendimento, o povo mais insensato e descuidado que se podia ver. Não criam na glória de Deus mesmo quando a viam, nem entendiam a sua bondade mesmo quando a experimentavam e dela viviam. De pessoas que eram capazes de abandonar um Deus assim, uma lei assim e uma aliança assim por ídolos vãos, se podia dizer com toda a verdade: “Não há entendimento neles”.
Teria sido fácil para Deus arruiná-los e apagar a sua memória. Quando a maior parte deles já havia caído à espada, ele poderia ter espalhado o restante por recantos distantes e escondidos da terra, onde ninguém mais ouviria falar deles, e isso seria o fim. Deus pode destruir os que parecem mais seguros, espalhar os que parecem mais unidos e sepultar em esquecimento perpétuo nomes que um dia foram famosos.
A justiça também clamava por isso: “Eu disse: Por todos os cantos os espalharei”. Os que se desligam de Deus merecem ser cortados da terra. Por que não seriam tratados conforme o que merecem? Mas a sabedoria também considerou o orgulho e a arrogância do inimigo. Se Deus destruísse um povo que lhe fora tão querido e por quem fizera tanto, o inimigo usaria isso como motivo para falar contra o próprio Deus. Diria: “A nossa mão está exaltada”, isto é, “Certamente vencemos”. Não veria que o Senhor o fizera, mas imaginaria que o havia conseguido apesar dele, como se o Deus de Israel fosse tão fraco quanto os falsos deuses das outras nações.
Por causa disso, a misericórdia prevalece e um remanescente é poupado. Deus livra aquele povo indigno de uma ruína total: “Tema-se a ira do inimigo”. Esta é uma forma humana de falar, pois Deus não teme a ira de nenhum homem. Mas, nesse assunto, ele agiu como se a temesse. Os poucos piedosos em Israel, que se importavam com o nome de Deus, temeram a ira do inimigo neste caso mais do que em qualquer outro, como fizeram Josué e Davi em suas angústias (Josué 7:9). E porque eles a temeram, diz-se que Deus também a temeu. Ele não precisava que Moisés lhe lembrasse essa preocupação, mas ele mesmo a trouxe à memória: “Que dirão os egípcios?”.
Todos os que se preocupam com a honra do nome de Deus e com o bem do seu povo podem achar consolo aqui. Deus agirá por causa do seu próprio nome, e não permitirá que ele seja envergonhado e profanado. Por mais que mereçamos vergonha, Deus nunca envergonhará o trono da sua glória.
Ele fará isso também em misericórdia para com o seu próprio povo. Embora o tivessem provocado profundamente, ainda assim pertenciam a ele, e a miséria deles clamava por sua compaixão (Deuteronômio 32:36). O Senhor julgará o seu povo, no sentido de que julgará em favor dele contra os seus inimigos, defenderá a sua causa e quebrará o jugo de opressão debaixo do qual gemeram por tanto tempo. Ele terá piedade de seus servos, não mudando de mente, mas mudando de atitude, passando a lutar por eles como antes lutara contra eles, quando viu que a força deles se esgotara.
Isso aponta claramente para os livramentos que Deus concedeu a Israel por meio dos juízes, resgatando-os daqueles a quem os havia entregue por causa dos seus pecados (Juízes 2:11-18). Aponta também para o fato de que sua alma se angustiou por causa da miséria de Israel (Juízes 10:16), mesmo quando eles foram reduzidos ao ponto mais baixo. Deus os ajudou quando não podiam ajudar a si mesmos, quando não restava mais ninguém, quer estivessem encerrados nas cidades, quer vivendo espalhados pelos campos.
Isso nos ensina que Deus muitas vezes vem libertar o seu povo quando as coisas estão no pior estado possível. Ele prova a fé e desperta a oração permitindo que a situação chegue ao extremo. Então mostra mais claramente o seu poder, enchendo de vergonha o rosto de seus inimigos e de maior alegria o coração de seu povo, porque os livra do perigo como tições arrebatados do fogo.
Ele fará isso também em desprezo aos deuses-idolos, trazendo-lhes vergonha (Deuteronômio 32:37-38). “Onde estão os seus deuses?” Isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, Deus fará por seu povo o que os ídolos que eles serviram não puderam fazer. Eles haviam abandonado a Deus e gastado muito em sacrifícios aos ídolos, trazendo a gordura de suas ofertas e o vinho de suas libações, como se aqueles deuses pudessem alimentar-se deles e desfrutá-los.
Agora Deus, por assim dizer, diz: “Esses deuses que vocês se esforçaram tanto por servir os ajudarão na angústia e lhes retribuirão todo esse gasto? Vão aos deuses que serviram e deixem que eles os salvem” (Juízes 10:14). Isso tem por objetivo mostrar-lhes a loucura de deixar um Deus que podia socorrê-los, para seguir deuses que nada podiam fazer. Também visa conduzi-los ao arrependimento e prepará-los para o livramento. Quando a mulher infiel segue seus amantes e não os alcança, depois se volta aos seus ídolos e não encontra ajuda, finalmente diz: “Voltarei para o meu primeiro marido” (Oséias 2:7). Veja também (Isaías 16:12; Jeremias 2:27-28).
Em segundo lugar, Deus fará contra os seus inimigos aquilo de que os ídolos em que confiavam não puderam livrá-los. Senaqueribe e Nabucodonosor desafiaram ousadamente o Deus de Israel a livrar os que o adoravam (Isaías 37:10; Daniel 3:15), e ele de fato os livrou, para vergonha de seus inimigos. Mas então o Deus de Israel desafiou Bel e Nebo a salvarem os seus adoradores, a se levantarem para ajudá-los e serem a sua proteção (Isaías 47:12-13). Contudo, eram tão impotentes que eles mesmos, isto é, suas imagens, que era tudo o que restava deles, foram levados em cativeiro (Isaías 46:1-2).
Os que confiam em qualquer rocha que não seja Deus descobrirão que ela não passa de areia quando a aflição chegar. Ela falhará justamente na hora em que mais precisarem dela.
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Deste capítulo
Deuteronômio 32:1
"Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca."
Deuteronômio 32:2
"Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva."
Deuteronômio 32:3
"Porque apregoarei o nome do Senhor; engrandecei a nosso Deus."
Deuteronômio 32:4
"Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é."
Deuteronômio 32:5
"Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é."
Deuteronômio 32:6
"Recompensais assim ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?"
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