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Deuteronômio 27:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E Moisés deu ordem naquele dia ao povo, dizendo: "

Deuteronômio 27:11

menu_book Versículo no contexto

9 Falou mais Moisés, juntamente com os sacerdotes levitas, a todo o Israel, dizendo: Guarda silêncio e ouve, ó Israel! Hoje vieste a ser povo do Senhor teu Deus.

10 Portanto obedecerás à voz do Senhor teu Deus, e cumprirás os seus mandamentos e os seus estatutos que hoje te ordeno.

11 E Moisés deu ordem naquele dia ao povo, dizendo:

12 Quando houverdes passado o Jordão, estes estarão sobre o monte Gerizim, para abençoarem o povo: Simeão, e Levi, e Judá, e Issacar, e José, e Benjamim;

13 E estes estarão sobre o monte Ebal para amaldiçoar: Rúben, Gade, e Aser, e Zebulom, Dã e Naftali.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Quando a lei foi escrita de modo que todo o povo pudesse ver e ler, suas advertências também precisavam ser proclamadas. Para concluir solenemente a aliança com Deus, o povo deveria declarar abertamente que aceitava essa lei. Eles já haviam sido instruídos a fazer isso (Deuteronômio 11:29-30), por isso esse mandamento aqui começa de forma um pouco repentina em (Deuteronômio 27:12).

Parece que em Canaã, na região que depois pertenceu a Efraim, tribo de Josué, havia dois montes próximos, com um vale entre eles. Um se chamava Gerizim e o outro Ebal. As tribos deviam se colocar nas encostas desses dois montes, seis de um lado e seis do outro, de modo que ficassem de frente umas para as outras, separadas pelo vale. Assim, os sacerdotes, em pé entre elas, poderiam ser ouvidos pelos que estavam mais próximos dos dois lados.

Quando fosse feito silêncio e todos estivessem atentos, um dos sacerdotes, ou talvez vários em diferentes pontos, proclamaria em voz alta uma das maldições. Todo o povo que estivesse ao lado e ao pé do monte Ebal responderia: “Amém.” O mesmo aconteceria quando a bênção fosse proferida: “Bendito aquele que não fizer isto ou aquilo”, e então os que estivessem ao lado e ao pé do monte Gerizim responderiam: “Amém.” Isso gravaria profundamente neles as bênçãos e as maldições, as promessas e as advertências da lei. Também ensinaria toda a nação não apenas a ouvir as palavras, mas a aplicá‑las a si mesma.

Uma coisa a notar nessa cerimônia solene é que ela devia ser feita uma única vez, não repetida, embora fosse lembrada pelas gerações futuras. O próprio Deus escolheu quais tribos ficariam em Gerizim e quais em Ebal (Deuteronômio 27:12-13), para que não houvesse discussão, caso as tribos tivessem de escolher por si mesmas. As seis tribos designadas para a bênção eram todas filhas das mulheres livres, porque a promessa pertence a tais pessoas (Gálatas 4:31). Levi é incluída aqui com as demais, para ensinar aos ministros que devem aplicar a si mesmos tanto a bênção quanto a maldição que pregam aos outros, e pela fé dizer seu próprio “Amém” a elas.

As tribos que deviam responder às bênçãos são descritas como estando ali “para abençoar o povo”, mas das outras se diz que “estarão... para amaldiçoar”, sem mencionar o povo. Isso pode ser porque a Escritura evita sugerir que qualquer um do povo de Deus se colocaria de bom grado debaixo da maldição. Ou pode significar que, na realidade, havia apenas uma grande bênção pronunciada sobre Israel como um todo, um povo feliz se obedecesse, e as tribos em Gerizim deviam responder “Amém” a essa bênção. Então as maldições entravam como exceções a essa regra geral. Israel era um povo abençoado, mas quem entre eles praticasse as coisas aqui mencionadas não teria parte nessa bênção e estaria debaixo de maldição. Isso mostra o quanto Deus está disposto a abençoar. Se alguém cai sob a maldição, traz essa condição sobre si mesmo.

Os levitas, ou sacerdotes, deviam pronunciar tanto as maldições quanto as bênçãos. Eles haviam sido separados para abençoar (Deuteronômio 10:8), e os sacerdotes faziam isso diariamente (Números 6:23). Mas também tinham de fazer clara distinção entre o que é precioso e o que é vil. Não deviam falar bênçãos como se pertencessem a todos sem distinção. Do mesmo modo, hoje os ministros devem pregar os terrores da lei tanto quanto os consolos do evangelho. Não apenas atrair as pessoas ao dever por meio de promessas de bênção, mas também adverti‑las com a ameaça da maldição.

Aqui estão registradas as maldições, mas não as bênçãos. Isso porque todos quantos estavam sob o regime da lei estavam debaixo de maldição. Foi uma honra reservada para Cristo nos abençoar e fazer por nós aquilo que a lei não podia fazer, visto que era impotente. No sermão de Cristo no monte, que foi o verdadeiro monte Gerizim, encontramos apenas bênçãos (Mateus 5:3 em diante).

O povo devia responder “Amém” a cada maldição. É fácil entender o sentido de “Amém” após uma bênção. Os judeus costumavam dizer, para incentivar o povo a dizer “Amém” às orações públicas, que quem responde “Amém” depois de quem abençoa é como se tivesse abençoado também. Mas como poderiam dizer “Amém” às maldições? Primeiro, era uma confissão de que essas advertências eram verdadeiras. Não eram apenas sustos para crianças ou pessoas ingênuas. Eram declarações reais da ira de Deus contra o pecado humano, e nenhuma delas deixaria de se cumprir. Segundo, era o reconhecimento de que as maldições eram justas. Ao dizer “Amém”, afirmavam não só “isso certamente acontecerá”, mas também “é justo que aconteça”. Quem faz tais coisas merece cair sob a maldição.

Terceiro, era uma espécie de juramento autoimposto contra esses pecados. Ligava-os fortemente a não terem nada a ver com as práticas más que atraíam a maldição. Em essência, estavam dizendo: “Que a ira de Deus caia sobre nós se fizermos tais coisas.” Lemos sobre pessoas que “entraram em maldição” para andarem na lei de Deus (Neemias 10:29), e essa é a forma comum de um juramento solene entre nós. Os judeus chegam a dizer, como observa o bispo Patrick, que todo o povo, ao dizer “Amém”, obrigava uns aos outros a guardar as leis de Deus. Cada um devia fazer o que pudesse para impedir o próximo de quebrá‑las e advertir os que tivessem pecado, para que não viessem a carregar a culpa e a maldição por causa de outros.

Agora devemos notar os pecados específicos contra os quais essas maldições são pronunciadas. Em primeiro lugar, pecados contra o segundo mandamento. A espada da advertência é colocada ali em primeiro lugar (Deuteronômio 27:15). São amaldiçoados não apenas os que adoram imagens, mas também os que as fazem ou as guardam, se forem do tipo usado por idólatras em culto. Não faz diferença se é imagem de escultura ou de fundição. Continua sendo algo que o Senhor abomina, ainda que não seja exposta em público, mas guardada em lugar secreto. Mesmo que não seja efetivamente adorada, e ainda que ninguém diga que é para culto, mantê‑la ali demonstra respeito por ela e vira uma tentação constante. A pessoa pode escapar da punição humana, mas não escapa da maldição de Deus.

Em segundo lugar, pecados contra o quinto mandamento, em (Deuteronômio 27:16). A falta de respeito aos pais é tão grave que é colocada logo depois da falta de respeito para com o próprio Deus. Se alguém maltratasse seus pais, por palavras ou por atos, seria levado ao tribunal e devia ser morto (Êxodo 21:15, 21:17).

Mas desprezar os pais em segredo, no coração, é algo que o magistrado não pode julgar. Por isso, esse pecado é colocado sob a maldição de Deus, porque ele conhece o coração. Filhos que agem com soberba e desrespeito para com seus pais são filhos amaldiçoados.

Em terceiro lugar, pecados contra o oitavo mandamento. A maldição de Deus também é lançada sobre várias formas de injustiça. Ela recai sobre o vizinho desonesto que muda o marco de divisa (Deuteronômio 27:17; Deuteronômio 19:14). E também sobre o conselheiro desleal, que é procurado para dar orientação, mas secretamente conduz seu amigo ao prejuízo. Isso é como fazer um cego sair do caminho, fingindo guiá‑lo, e nada poderia ser mais cruel ou traiçoeiro (Deuteronômio 27:18). Os que afastam outros dos mandamentos de Deus e os atraem para o pecado fazem recair sobre si essa maldição, como nosso Salvador explicou (Mateus 15:14): “Se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.”

A maldição também recai sobre o juiz injusto que perverte o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva (Deuteronômio 27:19). Essas pessoas geralmente eram pobres e não tinham quem as defendesse. Um juiz poderia ser tentado a favorecer seus inimigos, pois parecia não haver nada a ganhar ajudando‑os nem nada a perder prejudicando‑os. Mas tais juízes são amaldiçoados.

Em quarto lugar, pecados contra o sétimo mandamento. O incesto é um pecado amaldiçoado, seja com uma irmã, com a mulher do pai ou com a sogra (Deuteronômio 27:20; Deuteronômio 27:22; Deuteronômio 27:23). Esses pecados expunham a pessoa não só à punição do magistrado (Levítico 20:11), mas, de forma ainda mais grave, à ira de Deus. A bestialidade também é amaldiçoada (Deuteronômio 27:21).

Em quinto lugar, pecados contra o sexto mandamento. São citadas aqui duas das piores formas de homicídio. A primeira é o assassinato oculto, quando o homem não enfrenta o próximo abertamente, em pé de igualdade, dando‑lhe chance de se defender, mas o atinge em segredo (Deuteronômio 27:24). Isso pode acontecer por envenenamento ou outro meio escondido, quando a vítima nem sequer sabe quem está lhe causando dano. Veja (Salmo 10:8-9). Mesmo que tais assassinatos nunca sejam descobertos nem punidos pelos homens, a maldição de Deus os seguirá.

A segunda é o homicídio cometido sob aparência de justiça, o que é grande afronta a Deus, pois usa uma de suas próprias ordenanças para encobrir a maldade. E é também grande injustiça para com o próximo, pois destrói ao mesmo tempo sua honra e sua vida. Por isso, é maldito aquele que recebe suborno, ou vende seu serviço, para acusar, condenar ou sentenciar um inocente à morte (Deuteronômio 27:25). Veja (Salmo 15:5).

A cerimônia termina com uma maldição geral sobre qualquer pessoa que não confirmar, ou, como também pode ser entendido, que não cumprir, todas as palavras desta lei, praticando-as (Deuteronômio 27:26). Ao obedecer à lei, colocamos o nosso selo sobre ela e a confirmamos. Ao desobedecê-la, fazemos o que está ao nosso alcance para anulá-la (Salmo 119:126). O apóstolo, seguindo antigas versões, cita assim: “Maldito todo aquele que não permanece” (Gálatas 3:10).

Essa maldição final impede que qualquer pessoa com outros pecados pense que está segura só porque o seu pecado específico não foi aqui nomeado. Ela alcança a todos, não apenas os que praticam o mal que a lei proíbe, mas também os que deixam de fazer o bem que a lei exige. A isso todos devemos dizer Amém, reconhecendo que estamos debaixo dessa maldição e que a merecemos com justiça. Certamente teríamos perecido para sempre debaixo dela, se Cristo não nos tivesse remido da maldição da lei, fazendo-se maldição em nosso lugar.

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