Versículo em destaque
Deuteronômio 25:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela. "
Deuteronômio 25:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 Quarenta açoites lhe fará dar, não mais; para que, porventura, se lhe fizer dar mais açoites do que estes, teu irmão não fique envilecido aos teus olhos.
4 Não atarás a boca ao boi, quando trilhar.
5 Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela.
6 E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel.
7 Porém, se o homem não quiser tomar sua cunhada, esta subirá à porta dos anciãos, e dirá: Meu cunhado recusa suscitar a seu irmão nome em Israel; não quer cumprir para comigo o dever de cunhado.
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Aqui está a lei sobre casar com a viúva do irmão. Pela história da família de Judá podemos ver que isso já era um costume antigo (Gênesis 38:8). O objetivo era preservar a continuidade da linhagem familiar. O caso previsto aqui era bem comum: um homem morre sem filhos, talvez ainda jovem, pouco depois do casamento, enquanto seus irmãos ainda são muito novos para se casar.
Nesse caso, a viúva não deveria se casar com alguém de outra família, a não ser que todos os parentes do marido se recusassem a recebê‑la. Assim, os bens que ela tivesse recebido com o casamento não sairiam da família. O irmão do falecido, ou o parente mais próximo, deveria se casar com ela. Isso era uma expressão de bondade para com a viúva, que havia deixado seu povo e a casa de seu pai. Também honrava o marido morto, para que ele não fosse esquecido, nem se perdesse nos registros de sua tribo. O primeiro filho nascido dessa união seria contado como filho do falecido e colocado na linhagem familiar em seu nome (Deuteronômio 25:5, 25:6).
Naquele antigo pacto, as pessoas não tinham uma esperança tão clara sobre a vida após a morte como temos hoje. O evangelho trouxe à luz a vida e a imortalidade. Por isso, para eles era mais importante “continuar vivos” por meio do nome deixado nos filhos. Essa lei atendia a esse desejo natural de uma forma lícita. Mesmo que um homem não tivesse tido filhos com sua esposa, seu nome não seria apagado de Israel, isto é, do registro de sua família, nem ficaria ali marcado como alguém sem descendência. Mais tarde, os saduceus usaram essa lei numa pergunta a Jesus, tentando confundir a doutrina da ressurreição (Mateus 22:24 e seguintes). É possível que tenham dado a entender que não havia necessidade de insistir na imortalidade da alma ou na vida futura, já que a lei cuidava com tanto cuidado de preservar nomes e famílias.
Mas, se o irmão ou o parente mais próximo se recusasse a cumprir esse dever, o que aconteceria? Ele não era forçado a casar com a viúva (Deuteronômio 25:7). Se ele não gostasse dela, tinha liberdade para recusá‑la. Alguns entendem que, antes de Moisés, a lei não concedia essa liberdade. O amor é essencial para o consolo do casamento. Como o afeto não pode ser forçado, também o casamento não deve ser imposto onde ele não existe.
Ainda assim, quem se recusasse deveria ser publicamente envergonhado. A viúva, que tinha o maior interesse em preservar o nome de seu falecido marido, deveria levar o caso aos anciãos. Se o parente permanecesse irredutível, ela devia tirar‑lhe a sandália e cuspir‑lhe no rosto perante o tribunal público, ou ao menos cuspir diante dele, como os mestres judeus depois amenizaram (Deuteronômio 25:8-10). Isso o marcava com desonra, e a vergonha ficaria ligada à sua família depois dele. Quem se recusa a ajudar a preservar com justiça o nome e a honra de outra pessoa justamente perde a própria honra. Se ele não queria edificar a casa de seu irmão, merecia levar em sua própria casa um sinal de desgraça, como alguém de quem se tirou a sandália, mostrando que merecia andar descalço. Vemos essa lei aplicada no caso de Rute (Rute 4:7). Mas ali, como havia outro homem disposto a cumprir o dever, foi esse outro que tirou a sandália, e não Rute.
Há também aqui uma lei para punir uma mulher indecorosa (Deuteronômio 25:11, 25:12). A mulher que denunciava o cunhado por recusar‑se a casar com ela precisava ser ousada e firme. Mas, para que esse tipo de ousadia não se transformasse em descaramento, é dada aqui uma lei severa, porém justa, contra uma indecência atrevida. O próprio ato descrito é reconhecido como extremamente vergonhoso. Uma mulher não faria tal coisa se já não tivesse perdido o senso de virtude e de honra.
O contexto poderia, em parte, parecer uma desculpa, já que ela estaria tentando ajudar o marido contra alguém mais forte do que ele. Mas, se fazer isso movida pela ira, e com um motivo aparentemente bom, era punido com tanta severidade, quanto mais deveria ser condenado se nascesse da luxúria e de um desejo perverso? A punição era que sua mão devia ser cortada, e os juízes não deveriam se julgar mais compassivos do que Deus: “o teu olho não a poupará”. Talvez Jesus tivesse essa lei em mente ao falar de cortar a mão direita que leva a pecar. É melhor suportar o maior sofrimento no corpo do que arruinar a alma para sempre. A modéstia é uma proteção em torno da castidade, e tanto homens quanto mulheres devem cuidar zelosamente de preservá‑la.
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Deste capítulo
Deuteronômio 25:1
"Quando houver contenda entre alguns, e vierem a juízo, para que os julguem, ao justo justificarão, e ao injusto condenarão."
Deuteronômio 25:2
"E será que, se o injusto merecer açoites, o juiz o fará deitar-se, para que seja açoitado diante de si; segundo a sua culpa, será o número de açoites."
Deuteronômio 25:3
"Quarenta açoites lhe fará dar, não mais; para que, porventura, se lhe fizer dar mais açoites do que estes, teu irmão não fique envilecido aos teus olhos."
Deuteronômio 25:4
"Não atarás a boca ao boi, quando trilhar."
Deuteronômio 25:6
"E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel."
Deuteronômio 25:7
"Porém, se o homem não quiser tomar sua cunhada, esta subirá à porta dos anciãos, e dirá: Meu cunhado recusa suscitar a seu irmão nome em Israel; não quer cumprir para comigo o dever de cunhado."
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