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Daniel 10:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome era Beltessazar; a palavra era verdadeira e envolvia grande conflito; e ele entendeu esta palavra, e tinha entendimento da visão. "

Daniel 10:1

menu_book Versículo no contexto

1 No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome era Beltessazar; a palavra era verdadeira e envolvia grande conflito; e ele entendeu esta palavra, e tinha entendimento da visão.

2 Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas.

3 Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta visão é datada do terceiro ano de Ciro, isto é, do terceiro ano do seu governo depois de ter conquistado a Babilônia. Era também o terceiro ano desde que Daniel passara a conhecê-lo mais de perto e a estar sob sua autoridade. A profecia é declarada como verdadeira, e toda palavra que vem de Deus é verdadeira. Daniel testemunha de modo solene que realmente teve essa visão e ouviu essas palavras.

O tempo determinado era longo, estendendo-se até o fim do reinado de Antíoco, cerca de trezentos anos depois. Isso era um período muito extenso, sobretudo quando se considera que tudo ainda estava distante de se cumprir. Num sentido mais profundo, essa profecia também aponta para realidades espirituais e eternas e, em figura, até para o fim do mundo e a ressurreição dos mortos. Daniel podia, com razão, dizer que o tempo determinado era longo.

Mesmo assim, a visão lhe foi tornada clara, quase como se fosse um relato histórico e não apenas uma profecia. Ele entendeu o assunto, e foi-lhe exposto de modo tão nítido que ele podia afirmar que tivera entendimento da visão. Não foi algo que apenas agitou a sua imaginação; trouxe luz à sua mente.

Antes de receber a visão, Daniel havia se humilhado profundamente. Ele não jejuava porque esperava uma visão; e quando fez aquela grande oração no capítulo 9, não parece ter esperado esse tipo de resposta. Ele foi movido por devoção e por um amoroso cuidado pelo povo de Deus que sofria. Lamentou por três semanas inteiras, entristecido pelos próprios pecados, pelos pecados do seu povo e pelas aflições deles.

Alguns entendem que a sua tristeza vinha de perceber que muitos judeus eram preguiçosos e indiferentes. Embora tivessem permissão para voltar à sua terra, permaneceram no exílio e não deram o devido valor aos privilégios que lhes foram oferecidos. Outros entendem que ele chorava porque os inimigos impediam continuamente a reconstrução do templo, subornando autoridades para se oporem aos judeus e atrapalharem o trabalho (Esdras 4:4-5). Pessoas piedosas não conseguem deixar de se entristecer quando a obra de Deus avança lentamente, enfrenta forte resistência, enquanto os amigos de Deus parecem fracos e seus inimigos, muito ativos.

Durante essas três semanas, Daniel não comeu pão agradável. Ele não deixou de comer totalmente, mas comeu pouco e manteve sua alimentação simples e sem atrativos. Também se absteve de carne, vinho e de se ungir com óleo durante todo esse tempo (Daniel 10:3). Já era muito idoso, e poderia alegar que seu corpo precisava de alimento substancioso. Era também um grande homem, acostumado a iguarias, e poderia dizer que não poderia passar sem elas. Porém, quando a renúncia a si mesmo servia melhor à sua devoção, ele preferiu negar-se. Isso envergonha muitos jovens, que nem pequenos sacrifícios estão dispostos a fazer.

A pessoa gloriosa que Daniel viu na visão é, de modo geral, identificada como o Senhor Jesus Cristo, o Verbo eterno. Daniel estava junto ao rio Tigre, chamado aqui de Hidequel (Daniel 10:4), provavelmente caminhando ali em atitude de devoção e meditação, como Isaque um dia saiu ao campo para meditar. Por ser um homem de alta posição, seus servos o acompanhavam a certa distância.

Ali Daniel levantou os olhos e viu um homem, Cristo Jesus. Deve ser ele, pois aparece na mesma forma em que mais tarde se mostrou a João em Patmos (Apocalipse 1:13-15). Suas vestes eram sacerdotais, porque ele é o sumo sacerdote que nos representa diante de Deus. Estava vestido de linho, como o sumo sacerdote no Dia da Expiação, e em volta da cintura trazia um cinto de ouro puro, o melhor ouro, de Ufaz. Tudo em Cristo é da melhor qualidade. O cinto nos seus lombos indicava sua prontidão e vigor na obra da redenção, como servo de seu Pai.

Sua aparência era formosa; seu corpo era como uma pedra preciosa de tom azul-celeste. Seu rosto era ao mesmo tempo admirável e terrível, como relâmpago, brilhante o bastante para ofuscar e advertir. Seus olhos eram como tochas de fogo, e seus braços e pés brilhavam como bronze polido (Daniel 10:6). Sua voz era alta, forte e penetrante, como o barulho de uma grande multidão. A voz de Deus pode dominar a voz do povo. Assim Cristo se mostrou em glória, e isso deve levar-nos a pensar grandemente dele e a dar-lhe o primeiro lugar em todas as coisas. Deve também levar-nos a admirar sua humildade, pois ele velou todo esse esplendor quando assumiu a forma de servo e se esvaziou.

Essa manifestação teve um efeito poderoso sobre Daniel e sobre os homens que estavam com ele, enchendo-os de terror. Seus assistentes não viram a visão. Ela não lhes foi concedida, porque uma revelação desse tipo era destinada de modo especial a Daniel. Deus se manifesta a todos em alguma medida, e ninguém é privado dessa luz a não ser por rejeitá-la. Mas esta visão pertencia especialmente a Daniel, como alguém especialmente favorecido. Os companheiros de Paulo viram a luz, mas não viram o homem (Atos 9:7; Atos 22:9). É honra para aqueles que são amados por Deus que o que é oculto para muitos lhes seja revelado. Cristo se manifesta a eles, e não ao mundo (João 14:22).

Embora os servos de Daniel não tivessem visto a visão, foram tomados por um tremor inexplicável. Talvez tenham ouvido a voz, ou sentido algum abalo estranho no ar. Um grande estremecimento caiu sobre eles, e fugiram para se esconder, provavelmente entre os salgueiros junto ao rio. Muitos têm espírito de temor, embora nunca recebam o espírito de adoção. Para eles, Cristo é apenas motivo de pavor. O medo deles também serve para confirmar que a visão de Daniel foi real. Não foi produto da imaginação, pois teve um efeito real e poderoso sobre as pessoas ao seu redor.

Daniel viu a visão, e a viu sozinho, mas não pôde suportar o que viu. Não apenas ofuscou seus olhos, como também o esmagou em seu íntimo, de modo que não ficou força nele (Daniel 10:8). Como Moisés, ele poderia dizer: “Estou aterrorizado e tremendo”. Sua mente ficou tão ocupada, seja contemplando a glória da visão, seja lutando para firmar o coração diante daquele temor, que o corpo foi quase reduzido à inércia. Não tinha força, e estava a um passo de ser como um morto. Empalideceu como quem perde todo o sangue do rosto, sua cor desapareceu, sua formosura se transformou em desfiguração, e nele não ficou vigor algum.

Isso mostra que nem mesmo as pessoas mais santas e excelentes conseguem suportar vislumbres diretos da glória divina. Ninguém pode vê-la e viver. Até um pequeno raio dessa glória é quase morte, como aconteceu aqui com Daniel. Mas os santos glorificados verão Cristo como ele é e serão capazes de suportar essa visão.

Contudo, embora Daniel tivesse sido esvaziado de forças pela visão de Cristo, ainda assim ouviu a voz das suas palavras e entendeu o que ele dizia. É preciso cuidar para que a reverência pela glória de Deus, que deve nos despertar para ouvir sua voz nas Escrituras e em sua providência, não se transforme em medo tal que nos torne incapazes ou pouco dispostos a ouvi-lo. Parece que, quando a visão de Cristo encheu Daniel de pavor, a voz das suas palavras logo o acalmou e firmou. Silenciou o temor e o trouxe a um santo repouso e paz de espírito. “Quando ouvi a voz das suas palavras”, diz ele, “cai em profundo sono, com o rosto em terra.” Ao ver a visão, lançou-se na mais humilde postura de adoração, com o rosto em terra, e então adormeceu, não por descaso com o que via e ouvia, mas por ter sido profundamente abalado.

Por mais terrível que Cristo pareça àqueles que estão convictos de pecado e cheios de temor por causa disso, há o suficiente em sua palavra para aquietar seus corações e dar-lhes paz, se eles apenas ouvirem e confiarem.

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