Versículo em destaque
Sofonias 3:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ai da cidade rebelde e desprezível, da cidade tirânica! "
Sofonias 3:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ai da cidade rebelde e desprezível, da cidade tirânica!
2 Ela não ouviu a voz, nem aceitou o aviso; não confiou no Senhor, nem se aproximou do Senhor, seu Deus.
3 Seus chefes estão no meio dela como leões que rugem; seus juízes são como os lobos da noite, que nada guardam para a manhã seguinte.
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É impressionante que Jerusalém, a cidade santa onde Deus era conhecido e o seu nome era grande, seja descrita dessa maneira. Um lugar com tantos meios de graça tornou-se profundamente corrupto e pecador, e Deus permitiu que isso acontecesse. Isso mostra que a lei, por si só, nunca pôde tornar as pessoas perfeitas. Sendo esta, de fato, a condição de Jerusalém, e sabendo que os juízos de Deus não tornam as pessoas piores do que elas realmente são, não causa espanto que o profeta comece com uma palavra de “ai”. O Deus santo odeia o pecado naqueles que estão mais próximos dele, e odeia ainda mais quando o encontra neles. Uma condição pecaminosa é sempre uma condição miserável.
A cidade como um todo recebe uma descrição muito grave. A cidade fiel se tornou como uma prostituta, trazendo vergonha sobre si mesma, porque está imunda e contaminada (Sofonias 3:1). Alguns entendem essa expressão como indicando que ela se tornou infame, e uma leitura alternativa a chama de cidade glutona, sempre se enchendo e alimentando os desejos da carne. O pecado é imundícia e poluição, e torna pessoas e lugares abomináveis aos olhos do Deus santo. Ela também faz mal aos seus vizinhos e ao seu próprio povo. É a cidade opressora, e, embora nenhuma outra cidade tivesse leis e decisões tão corretas, nenhuma tinha mais injustiça no modo como era governada.
Ela é também profundamente ofensiva ao seu Deus e, em tudo, anda em oposição a ele (Sofonias 3:2). Deus lhe deu a sua lei e falou por meio de seus profetas, mostrando o bem a fazer e o mal a evitar, mas ela não quis obedecer à sua voz em nada. Ele a instruiu tanto pela palavra quanto pela disciplina, mas ela não aprendeu nem com sua doutrina nem com sua correção. Não se submeteu à sua vontade nem correspondeu ao propósito que ele tinha em tudo isso. Ele a exortou a confiar nele, a depender de seu poder e de sua promessa para livramento e socorro, mas ela não confiou no Senhor. Confiou mais em alianças com outras nações do que em sua aliança com Deus. Ele lhe deu sinais de sua presença e estabeleceu meios pelos quais ela poderia se aproximar dele, mas ela não se chegou ao seu Deus. Manteve distância e, na prática, disse ao Todo-Poderoso que se retirasse.
Os líderes não eram melhores, e aqueles que deveriam conter o mal tornaram-se exemplos e apoiadores dele. Seus príncipes eram como leões que rugem, ferozes e gananciosos, fazendo presa de todos em redor. Usavam o poder para destruir, não para o bem do povo. Seus juízes, que deveriam proteger o inocente, eram como lobos da tarde, duros, vorazes e insaciáveis. Sua crueldade e cobiça não tinham limite. A expressão sobre não roerem os ossos até o outro dia retrata como se deleitavam na opressão e continuavam a saboreá-la, como se os restos do homem arruinado fossem um petisco reservado para a manhã seguinte (Jó 31:31).
Seus profetas, que diziam falar em nome do céu, eram levianos, falsos e traiçoeiros. Eram cheios de ideias fantasiosas, conversa vazia e vida desregrada. Não eram dignos de confiança, porque não tinham firmeza nem verdade em si. Eram tão apegados à zombaria e à brincadeira que mal se podia saber quando falavam seriamente. Suas profecias eram uma farsa, e em segredo riam do povo que acreditava neles. Seus sacerdotes, que deveriam ensinar e guardar as coisas santas, também falharam em sua responsabilidade. Deveriam manter o santuário puro, mas foram eles mesmos que o contaminaram. Homens como Hofni e Fineias, os filhos corruptos de Eli, tornaram os sacrifícios do Senhor desprezíveis por causa de sua vida ímpia. Deveriam explicar e aplicar a lei com fidelidade, mas, em vez disso, a torciam. Ao forçarem sobre ela seus próprios significados, faziam-na dizer o que lhes convinha, e desse modo tornavam a lei ineficaz.
Toda essa corrupção ficava ainda mais grave diante dos muitos favores que Deus lhes havia concedido. Tinham sinais da presença de Deus no meio deles e toda vantagem para conhecer a sua vontade, com os mais fortes motivos para obedecer, e, mesmo assim, continuaram em rebeldia (Sofonias 3:5). O Senhor estava no meio deles como o Deus justo, que observa todo erro e todo acerto. Estava ali como Deus santo, de modo que sua impureza era especialmente ofensiva (Deuteronômio 23:14). Estava ali como Deus reto, disposto a punir os insultos que lhe faziam e as injustiças que praticavam uns contra os outros. Deus também lhes havia colocado à frente o seu próprio exemplo, para que se moldassem por ele. Ele não comete injustiça; por isso, eles também não deveriam cometê-la. Tudo no modo como foram tratados os chamava à santidade, pois ele dissera: “Sede santos, porque eu sou santo”. Deus se mostraria fiel a eles, e, portanto, não deveriam ser falsos para com ele.
Ele também lhes enviou seus profetas, levantando-os cedo e enviando-os. Assim como a manhã vem fielmente dia após dia, Deus fazia com que sua mensagem voltasse sempre à luz. Mostrou-lhes claramente o bem que exigia deles e os lembrava disso repetidas vezes. Era como se despertasse bem cedo os seus profetas para trazerem luz às coisas que diziam respeito à sua paz (Isaías 50:4). Considerando tudo, o que mais poderia ter sido feito à vinha para torná-la frutífera? (Isaías 5:4). E, no entanto, depois de tudo isso, os injustos não sabiam o que era ter vergonha. Os que haviam praticado injustiça continuavam a praticá-la, sem se envergonhar e incapazes até de corar. Se ainda tivessem algum senso de honra, não teriam agido tão diretamente contra a vocação que recebiam e contra o ensino que lhes fora dado. Pessoas que perderam todo pudor estão além de qualquer remédio.
Deus também havia colocado diante de seus olhos exemplos claros de sua justiça, que deveriam servir de advertência (Sofonias 3:6). Ele havia eliminado nações, as sete nações de Canaã, que a própria terra expulsou por causa de sua maldade. Israel havia sido advertido a tomar cuidado, para que a terra não os vomitasse também (Levítico 18:28). Ou isso pode se referir às nações vizinhas que Deus havia tornado desoladas por causa do pecado, especialmente as dez tribos de Israel.
Suas torres ficaram vazias, suas fortalezas foram arruinadas, e seu orgulho e poder foram quebrados. Suas ruas tornaram-se desertas, de modo que ninguém mais passava por elas. Suas cidades foram destruídas e deixadas em ruínas, sem nenhum habitante. Todos haviam sido mortos ou levados cativos.
Os inimigos executaram isso, mas Deus deixa claro que ele estava por trás de tudo: “Eu as exterminei”, diz o Senhor. Ele planejou isso como advertência para Jerusalém (Ezequiel 23:9, 11). Em outras palavras, dizia: “Certamente me temerás. Certamente esses juízos sobre outros te impedirão de fazeres as mesmas maldades. Certamente aprenderás com o que estás vendo”. Eles deveriam ter entendido que, quando a casa do vizinho está em chamas, a própria casa também corre perigo. Quando somos abalados pelo juízo, devemos aprender a temer a Deus.
Deus havia colocado diante deles vida e morte, bem e mal, tanto em sua palavra quanto em sua providência. Prometera que, se o temessem e aceitassem a correção, sua prosperidade continuaria, e sua morada não seria destruída como a do vizinho. Se levassem a sério a advertência e se voltassem para ele, seus pecados passados seriam perdoados, e sua paz se prolongaria. Também os deixou sentir a dor de sua disciplina, mas os poupou da destruição total: “Eu os castiguei, mas não os consumei, para que fossem corrigidos e não condenados”.
Deus usou esses vários meios para trazê-los de volta, mas nada surtiu efeito. Advertências suaves não os comoveram, e disciplina severa não os mudou. Eles eram diligentes em seu pecado, levantando-se cedo para executar seus planos maus e fazendo todo esforço para alimentar seus desejos. Deus se levantava cedo para enviar seus profetas a fim de os fazer voltar, mas eles se levantavam ainda antes, fechando a porta contra seus mensageiros. Sua corrupção era completa. Todas as suas ações estavam estragadas, e somente eles eram culpados. Não podiam culpar o tentador, pois foram eles mesmos que escolheram e perseguiram o mal. Como diz a Escritura, cada um é tentado quando é atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Deste capítulo
Sofonias 3:2
"Ela não ouviu a voz, nem aceitou o aviso; não confiou no Senhor, nem se aproximou do Senhor, seu Deus."
Sofonias 3:3
"Seus chefes estão no meio dela como leões que rugem; seus juízes são como os lobos da noite, que nada guardam para a manhã seguinte."
Sofonias 3:4
"Seus profetas são jactanciosos e impostores; seus sacerdotes profanam as coisas santas e violam a lei."
Sofonias 3:5
"O Senhor, que reside no meio dela, é justo e nada faz de errado; cada manhã ele traz à luz a sua justiça, sem nunca falhar, jamais. O perverso, porém, não sabe o que é vergonha!"
Sofonias 3:6
"Exterminei as nações; seus chefes ficaram desnorteados. Devastei suas ruas de tal modo que ninguém mais passa por elas; e suas cidades foram arrasadas de tal forma que já não resta nelas um único habitante."
Sofonias 3:7
"Eu dizia: “Ao menos agora você me temerá e aceitará o aviso; e sua casa não será destruída, conforme o que eu tinha decidido contra ela”. Eles, porém, empenharam-se ainda mais em perverter os seus caminhos."
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