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Romanos 8:26 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Do mesmo modo, o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem como orar de modo conveniente, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. "

Romanos 8:26

menu_book Versículo no contexto

24 Porque foi pela esperança que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; pois aquilo que alguém vê, como é que ainda o espera?

25 Nós, que esperamos o que não vemos, aguardamos isso com paciência.

26 Do mesmo modo, o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem como orar de modo conveniente, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

27 E aquele que sonda os corações sabe o que o Espírito deseja, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.

28 Além disso, sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos segundo os seus desígnios.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo aponta aqui para dois privilégios que pertencem aos verdadeiros cristãos. O primeiro é a ajuda do Espírito na oração. Enquanto vivemos neste mundo, esperando aquilo que ainda não vemos, precisamos continuar orando. A esperança inclui desejo, e quando esse desejo é elevado a Deus, torna-se oração. Gememos em nossa necessidade.

Somos fracos na oração. Não sabemos o que devemos pedir como convém. Muitas vezes não sabemos o que pedir, porque não somos juízes sábios do que é melhor para nós. Quem sabe o que é bom para o ser humano nesta vida? (Eclesiastes 6:12). Somos míopes e geralmente favorecemos a carne, isto é, nosso eu pecaminoso. Também tendemos a desejar o alvo sem o caminho que conduz a ele. “Não sabeis o que pedis” (Mateus 20:22). Somos como crianças tolas que choram por um fruto antes de ele estar maduro e próprio para elas (Lucas 9:54-55).

Também não sabemos como orar como convém. Não basta fazer algo bom; é preciso fazê-lo bem e na ordem certa. E é aí que muitas vezes tropeçamos. Nossas graças são fracas, nossos afetos são frios, nossos pensamentos se dispersam, e nem sempre encontramos um coração disposto à oração (2 Samuel 7:27). Paulo fala na primeira pessoa do plural, “não sabemos”, incluindo-se com os demais. Todos os crentes se queixam de insensatez, fraqueza e distração na oração. Se o próprio Paulo sentia essa necessidade, quanto menos motivo temos nós para tentar orar em nossa própria força!

Mas o Espírito ajuda a nossa fraqueza, especialmente a fraqueza na oração, onde mais facilmente tropeçamos. O Espírito nos ajuda por meio da Palavra, que nos dá regras e promessas, e nos ajuda no coração, habitando em nós e operando em nós como Espírito de graça e de súplicas, sobretudo quando sofremos e a fé mais corre o risco de desfalecer. Para isso o Espírito Santo foi dado. Quando se diz que ele “ajuda”, indica que ele ajuda ao nosso lado, como alguém que auxilia outro a erguer um peso, levantando pela outra ponta. Ele ajuda conosco, quer dizer, ele age junto conosco enquanto usamos a força que temos. Não devemos ficar parados, esperando que o Espírito faça tudo. Quando o Espírito vai adiante, devemos movimentar-nos. Não podemos fazer nada sem Deus, e ele não fará tudo sem nós.

Que tipo de ajuda é essa? O próprio Espírito intercede por nós. Ele molda os nossos pedidos, forma as nossas súplicas e prepara a nossa petição. Cristo intercede por nós no céu, e o Espírito intercede por nós em nossos corações. Assim Deus, em sua bondade, tem provido para o seu povo que ora. Como Espírito que ilumina, ele nos ensina o que pedir. Como Espírito que santifica, ele desperta desejos santos. Como Espírito que consola, ele acalma nossos temores e nos sustenta em meio aos desânimos. O Espírito Santo é a fonte de todos os nossos desejos e anelos por Deus.

Essa intercessão vem acompanhada de gemidos inexprimíveis. Isso mostra a força e a intensidade dos desejos que o Espírito Santo produz. Pode haver verdadeira oração no Espírito sem palavra alguma pronunciada, como aconteceu quando Moisés orou (Êxodo 14:15) e quando Ana orou (1 Samuel 1:13). Não é um falar elegante ou um discurso bem elaborado o que o Espírito produz em nós, mas fé e grande sinceridade. Esses gemidos não podem ser plenamente traduzidos em palavras, porque a alma está tão apertada por tentações e tribulações que não sabe o que dizer nem como dizer. Contudo, o Espírito intercede por meio desses gemidos sem palavras. Quando só conseguimos clamar: “Aba, Pai”, e entregar-nos a ele com humilde confiança, isso é obra do Espírito.

Essa intercessão é também segundo a vontade de Deus (Romanos 8:27). O Espírito no coração nunca se opõe ao Espírito na Palavra. Desejos que contrariem a vontade de God não procedem do Espírito. Quando o Espírito intercede em nós, ele sempre inclina a nossa vontade à vontade de Deus: “Não seja como eu quero, mas como tu queres”.

Essas intercessões certamente são bem-sucedidas. “Aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito” (Romanos 8:27). Para o hipócrita, cuja religião vive apenas na língua, é terrível que Deus sonde o coração e atravesse todo disfarce. Mas, para o cristão sincero, que leva a sério, no íntimo, o seu dever, é consolo saber que Deus esquadrinha o coração. Assim ele ouvirá e responderá aos desejos que não conseguimos pôr em palavras. Ele sabe do que precisamos antes que peçamos (Mateus 6:8). Ele conhece a mente do seu próprio Espírito em nós. Assim como ouve sempre o Filho intercedendo por nós, ouve sempre o Espírito intercedendo em nós, porque essa intercessão é conforme a sua vontade. Nada mais poderia ser feito para o consolo do povo do Senhor em suas orações a Deus. Cristo afirmou que tudo o que pedirmos ao Pai segundo a sua vontade, ele nos dará. Mas como aprender a pedir segundo a sua vontade? O Espírito nos ensina isso. Por isso a semente de Jacó nunca o busca em vão.

O segundo privilégio é este: todas as providências, isto é, todos os atos de Deus em nossas vidas, cooperam para o bem dos que pertencem a Cristo (Romanos 8:28). Alguém poderia objetar que os crentes ainda passam por muitas aflições. Ainda que o Espírito interceda por eles, os sofrimentos permanecem. Isso é verdade. Contudo, a intercessão do Espírito é sempre eficaz neste sentido: aconteça o que acontecer com eles, todas as coisas cooperam para o seu bem.

Devemos notar o caráter dos santos que participam dessa promessa. Eles são descritos por marcas que pertencem a todos os que são de fato santificados, isto é, feitos santos por Deus. Eles amam a Deus. Isso inclui todos os movimentos da alma em direção a Deus como o bem supremo e fim último. O nosso amor a Deus é o que torna cada providência doce e, por isso, proveitosa. Aqueles que amam a Deus fazem o melhor uso de tudo o que ele faz e o aceitam bem. São também os chamados segundo o seu propósito, chamados eficazmente, isto é, Deus realmente os traz a si, de acordo com o seu plano eterno. Esse chamado é eficaz, não por algum mérito nosso, mas por causa do propósito gracioso de Deus.

O privilégio dos santos é que todas as coisas cooperam para o seu bem, isto é, todas as providências de Deus que lhes dizem respeito. Tudo o que Deus faz, faz levando-os em conta (Salmo 57:2). Os pecados deles não fazem parte do que Deus faz, portanto não estão incluídos aqui, embora até mesmo o fato de Deus permitir o pecado possa ser usado para o bem deles (2 Crônicas 32:31). Mas todas as providências de Deus lhes pertencem, tanto as misericordiosas quanto as dolorosas, tanto as pessoais quanto as públicas. Todas elas são para o bem. Isso pode significar bem temporal, como no caso das provações de José, ou, pelo menos, bem espiritual e eterno. O que é realmente bom para eles é aquilo que faz bem à sua alma. Direta ou indiretamente, cada providência tende ao bem espiritual dos que amam a Deus, desviando-os do pecado, aproximando-os mais de Deus, desapegando-os do mundo e preparando-os para o céu. Cooperam entre si.

Elas atuam de modos diferentes, assim como os remédios agem no corpo de maneiras diversas, conforme o objetivo do médico, mas sempre para o bem do paciente. Cooperam, como vários ingredientes em um só medicamento, todos servindo a um mesmo propósito. Deus pôs um em contraste com o outro (Eclesiastes 7:14).

A expressão usada aponta para a forte harmonia da Providência, o governo sábio de Deus sobre todos os acontecimentos, e para o seu propósito firme. É como se todas as rodas se movessem como uma só roda (Ezequiel 10:13). Alguns entendem o versículo assim: Ele faz todas as coisas cooperarem para o bem. O bem não vem de alguma força especial nos eventos em si, mas do poder e da graça de Deus operando neles, com eles e por meio deles.

Sabemos disso com certeza pela Palavra de Deus, pela nossa própria experiência e pela experiência de todos os crentes.

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