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Romanos 8:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" E, se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. "

Romanos 8:17

menu_book Versículo no contexto

15 Pois vocês não receberam um espírito de escravidão para ainda viverem no temor, mas receberam o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba! Pai!

16 O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.

17 E, se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados.

18 Considero que os sofrimentos da vida presente não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.

19 Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nestas palavras, o apóstolo descreve uma quarta grande bênção dos crentes: o seu direito à glória futura. Isso se encaixa bem com a adoção, porque a condição de filhos dá direito a essa glória, e o caráter de filhos prepara para ela. “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também” (Romanos 8:17). Nas heranças comuns, essa regra nem sempre se aplica, pois muitas vezes só o primogênito herda. Mas a igreja é uma igreja de primogênitos, porque todos os crentes são herdeiros.

O céu é uma herança compartilhada por todos os santos. Eles não chegam lá como compradores que conquistaram esse lugar por mérito ou esforço. Eles chegam como herdeiros, somente pelo dom de Deus, porque é Deus quem faz herdeiros. Os santos são herdeiros mesmo enquanto ainda são menores neste mundo, como se vê em (Gálatas 4:1-2). A vida presente é um tempo de treinamento e preparo para a herança. Isso deveria consolar profundamente todos os filhos de Deus, por menor que seja o que agora têm em mãos, pois, como herdeiros, já possuem o suficiente aguardando por eles.

A honra e a felicidade de um herdeiro dependem do valor daquilo que irá receber. Podemos pensar naqueles que “herdam o vento”, o que não é ganho verdadeiro algum. Por isso o apóstolo descreve brevemente o que os crentes herdam. Primeiro, eles são herdeiros de Deus. O próprio Senhor é a porção da herança dos santos (Salmo 16:5), uma herança formosa (Salmo 16:6). Os santos são sacerdotes espirituais que têm o Senhor como herança (Números 18:20). A herança deles é ver a Deus e desfrutar de Deus. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus (Apocalipse 21:3).

Em segundo lugar, eles são coerdeiros com Cristo. Cristo, como Mediador, isto é, aquele que está entre Deus e os homens para reuni-los, é chamado de herdeiro de todas as coisas (Hebreus 1:2). Os verdadeiros crentes, por estarem unidos a ele, herdarão todas as coisas também (Apocalipse 21:7). Os que agora participam do Espírito de Cristo como seus irmãos, também participarão de sua glória como seus irmãos (João 17:24), e se assentarão com ele em seu trono (Apocalipse 3:21). Senhor, que é o homem para que o honres de modo tão grandioso?

Essa glória futura é então apresentada como recompensa dos sofrimentos presentes e também como cumprimento da esperança presente. Como recompensa dos sofrimentos atuais dos santos, ela é uma recompensa riquíssima: “se é certo que com ele padecemos” (Romanos 8:17), ou “uma vez que com ele padecemos”. A vida da igreja neste mundo é sempre marcada por aflições e, especialmente naqueles dias, ser cristão era sofrer. Para consolá-los, Paulo diz que eles sofrem com Cristo, por amor a ele, por sua honra e por uma boa consciência, e que com ele serão glorificados. Aqueles que sofreram com Davi no tempo de sua rejeição foram depois exaltados com ele quando subiu ao trono. Veja (2 Timóteo 2:12).

Vê-se como o sofrimento por Cristo resulta em ganho para nós. Podemos parecer perder por causa dele, mas, no final, não seremos, nem poderemos ser, perdedores por meio dele. O evangelho está cheio de tais promessas. Para fortalecer os crentes que sofrem com esperança, Paulo compara os dois lados em (Romanos 8:18). De um lado, estão os sofrimentos do tempo presente. Os sofrimentos dos santos pertencem apenas a esta era presente. Eles não ultrapassam as coisas do tempo e não duram mais do que o próprio tempo (2 Coríntios 4:17). São leves e passageiros, tão leves que podem ser pesados e achados pequenos.

Do outro lado está a glória que há de ser revelada, e essa glória é um grande peso, um peso de glória sobremodo excelente e eterno. Ainda não a conhecemos plenamente, nem a desfrutamos plenamente (1 Coríntios 2:9; 1 João 3:2). Ela “há de ser revelada”. É maior do que tudo o que vimos ou conhecemos até agora. As bênçãos presentes são doces e preciosas, mas algo maior ainda está escondido, aguardando para ofuscar todas elas. Ela “há de ser revelada em nós”, não apenas mostrada a nós, mas desfrutada em nós. O reino de Deus está dentro de vós, e assim permanecerá para sempre.

Assim Paulo conclui que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória por vir. Eles não podem merecer essa glória. Se sofrer por Cristo não pode merecê-la, então tampouco fazer obras por Cristo pode merecê-la. Esses sofrimentos não deveriam nos afastar de buscar essa glória de todo o coração. Os sofrimentos são pequenos e breves, e atingem apenas o corpo. A glória é rica e grandiosa, diz respeito à alma e dura para sempre.

“Porque para mim tenho por certo”, diz Paulo. Isso não é uma opinião rápida ou descuidada, mas o resultado de reflexão séria. Ele pesou cuidadosamente a questão, considerou os dois lados e então chegou a esse juízo. Como a visão do mundo difere da visão da Palavra sobre “os sofrimentos do tempo presente”. Paulo fala como um contador cuidadoso que fecha um balanço. Ele soma o que gastamos por Cristo nos sofrimentos presentes e encontra muito pouco. Depois soma o que Cristo assegura para nós na glória vindoura e encontra uma soma infinita, muito além de qualquer medida nossa. A perda fica mais do que compensada, e cada dificuldade é mais do que recompensada.

Quem, então, teria medo de sofrer por Cristo, se ele vai adiante de nós no sofrimento e não ficará atrás quanto à recompensa? Paulo estava plenamente habilitado para falar sobre isso. Ele sabia não só por reflexão, mas por experiência, pois conhecia tanto o sofrimento quanto a glória. Ele conhecia “os sofrimentos deste tempo presente” (2 Coríntios 11:23-28). Também conhecia algo da glória do céu (2 Coríntios 12:3-4). Contemplando ambos, ele dá esse veredito.

Nada fortalece tanto o espírito em meio ao sofrimento presente quanto um olhar de fé para a glória que há de ser revelada. O opróbrio de Cristo parece riqueza para aqueles que mantêm os olhos fixos na recompensa prometida (Hebreus 11:26). Assim como os santos sofrem por essa glória, também a aguardam. O céu, portanto, é certo, porque Deus não despertaria e encorajaria, pelo seu Espírito, esperanças apenas para envergonhá-las e frustrá-las. Ele confirmará a palavra ao seu servo, sobre a qual o fez esperar (Salmo 119:49). O céu é, portanto, doce, porque se a esperança demorada faz adoecer o coração, quando o desejo se cumpre, é verdadeiramente árvore de vida (Provérbios 13:12).

Paulo agora observa esse anseio pela glória nas próprias criaturas (Romanos 8:19-22). Essa deve ser uma glória grande, e muito maior, já que toda a criação está em tão intensa expectativa e desejo por ela. Essa afirmação é um pouco difícil e causa certa dificuldade aos intérpretes, sobretudo porque nenhuma outra passagem da Escritura a apresenta exatamente da mesma forma, para comparação.

Por “a criatura” aqui, não devemos entender, como alguns fazem, o mundo gentílico e a sua esperança em Cristo e no evangelho. Essa leitura é forçada e distante do sentido do apóstolo. Paulo está falando de toda a estrutura da natureza, especialmente deste mundo inferior, todas as coisas criadas, vivas e inanimadas, que juntas formam um só mundo.

O sentido de Paulo nesses versículos pode ser recolhido em algumas observações. Primeiro, a criação agora vive sob uma espécie de vazio e frustração por causa do pecado humano, como diz (Romanos 8:20). Quando Adão pecou, a terra foi amaldiçoada por causa dele, e com ela as criaturas deste mundo inferior foram submetidas à mudança e à morte. Elas estão sob a “escravidão da corrupção” (Romanos 8:21), isto é, assumiram impureza, fraqueza, decadência e desordem desde a queda.

Há agora conflito na criação. Uma criatura muitas vezes fere outra, e todas estão sujeitas a constante mudança e desaparecimento. Elas também sofrem sob os juízos de Deus sobre o homem. Quando o mundo foi inundado e quase todas as criaturas pereceram, certamente a criação estava então sujeita à vaidade. A Escritura também ensina que toda a ordem da natureza caminha para uma purificação final pelo fogo, e não para uma permanência infinita como está.

Parte dessa vaidade e escravidão é que as criaturas são frequentemente mal utilizadas pelos homens como instrumentos de pecado. São empregadas de maneiras que desonram o Criador, prejudicam seus filhos ou servem a seus inimigos. Quando alimento, riqueza ou outras coisas criadas se tornam combustível para as nossas paixões, são tratadas como servas do pecado. Isso não é de maneira alguma voluntário da parte delas. Não escolheram esse papel, nem sofrem por seu próprio pecado. Sofrem por causa do pecado do homem. Adão, por sua queda, as trouxe a essa condição, e Deus, como juiz, pronunciou sentença sobre a criação por causa da rebelião do homem.

Contudo, até esse fardo é carregado em esperança (Romanos 8:20). Há uma espécie de expectativa de que essa condição presente não durará para sempre. Deveríamos sentir compaixão por essas pobres criaturas, pois, por causa do nosso pecado, foram sujeitas à inutilidade.

Em segundo lugar, a criação geme e sofre debaixo desse peso (Romanos 8:22). É uma linguagem figurada, mostrando como o pecado pesa sobre toda a ordem criada. A terra pareceu tremer sob o pecado dos que crucificaram Cristo. A criação, por assim dizer, clama contra o pecado humano. A Escritura fala assim quando diz que a pedra clama da parede (Habacuque 2:11) ou que a própria terra clama (Jó 31:38).

Em terceiro lugar, a criação hoje sobrecarregada um dia será libertada, quando Deus consumar todas as coisas. Então ela será livrada desse cativeiro para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus (Romanos 8:21). Já não estará sujeita à corrupção e à maldição. Em vez disso, este mundo inferior será renovado. Havendo novos céus, haverá também nova terra (2 Pedro 3:13; Apocalipse 21:1). A criação receberá uma glória adequada à sua natureza, assim como os filhos de Deus receberão uma glória adequada à deles.

O fogo do último dia será um fogo purificador, não um fogo que destrói até o nada. A Escritura não nos diz claramente o que acontece com as almas dos animais quando morrem, mas a partir dela parece possível algum tipo de restauração. Se alguém perguntar de que servirão tais criaturas aos santos glorificados, podemos responder que serão tão úteis quanto foram para Adão em seu estado de inocência. E, se o seu propósito for apenas manifestar a sabedoria, o poder e a bondade do Criador, isso já basta.

Toda a criação aguarda ansiosamente a revelação dos filhos de Deus (Romanos 8:19). Na segunda vinda de Cristo, os filhos de Deus serão manifestos abertamente. Agora, os crentes são gente oculta. O trigo parece perdido no meio da palha. Mas então aparecerão em sua verdadeira glória. Ainda não se manifestou o que havemos de ser (1 João 3:2), mas naquela ocasião essa glória será revelada.

Essa plena redenção da criação está reservada para aquele dia. Como a criação caiu por causa do homem, será também libertada por causa do homem. Toda a maldição e impureza que agora nela se apegam serão removidas quando os que sofreram com Cristo na terra reinarem com ele na terra. Toda a criação anseia por esse tempo, e isso também é uma razão para que o homem de bem seja misericordioso até com seus animais.

Paulo então se volta para os crentes, que são novas criaturas (Romanos 8:23-25). O fundamento dessa esperança nos santos é que já recebemos as primícias do Espírito. As primícias consagravam toda a colheita e ao mesmo tempo a garantiam. Do mesmo modo, a graça é o primeiro gosto da glória, glória já iniciada. Tendo recebido tais dons neste deserto, é natural que ansiemos pela colheita plena no céu.

Nós, não só a criação, mas nós mesmos, gememos em nosso íntimo. Isso quer dizer que esses desejos são fortes e profundos, mas muitas vezes silenciosos e reservados. Não são as queixas ruidosas dos hipócritas, e sim gemidos silenciosos que chegam depressa ao céu. Ou então significa que gememos juntos, como um só povo. É o desejo unido de toda a igreja: “Vem, Senhor Jesus, vem depressa.” Esses gemidos revelam um anseio forte e urgente, como se a alma sofresse com a demora.

Os consolos presentes e as graças presentes não anulam esses gemidos. Não são gemidos de alguém que está morrendo, mas dores de uma mulher em trabalho de parto. São sinais de vida, não de morte. O que os crentes aguardam é a adoção, isto é, a redenção do nosso corpo. A alma é a parte principal da pessoa, mas Deus também prometeu honra e bem‑aventurança para o corpo. A ressurreição é aqui chamada de redenção do corpo.

Então seremos libertos do poder da morte e da sepultura, e da escravidão da corrupção. Embora o corpo seja agora fraco e humilde, será renovado, embelezado e feito semelhante ao corpo glorioso de Cristo (Filipenses 3:21; 1 Coríntios 15:42). Isto é o que se chama adoção.

Primeiro, é a adoção manifestada abertamente diante de todo o mundo, de anjos e homens. Agora já somos filhos de Deus, mas essa honra ainda está oculta. Então Deus reconhecerá publicamente todos os seus filhos. Os documentos de adoção, por assim dizer, já estão escritos, assinados e selados. Naquele dia serão reconhecidos, proclamados e publicados. Assim como Cristo foi declarado Filho de Deus com poder pela ressurreição dos mortos, também os santos serão declarados filhos de Deus com poder (Romanos 1:4). Então não haverá mais espaço para dúvida.

Segundo, é a adoção levada à plena consumação. Os filhos de Deus têm corpo e alma, e enquanto esses corpos não entrarem na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, a adoção não está completa. Mas então ela se cumprirá, quando o Autor da nossa salvação, Jesus Cristo, conduzir muitos filhos à glória (Hebreus 2:10). É isso que esperamos, e nessa esperança descansa a nossa carne (Salmo 16:9-10). Todos os dias do nosso tempo determinado estamos aguardando essa transformação, quando Deus chamará e nós responderemos, e ele terá prazer na obra de suas mãos (Jó 14:14-15).

Isso também se encaixa em nossa condição presente, como dizem Romanos 8:24-25. Nossa felicidade ainda não é algo totalmente possuído. Somos salvos na esperança. Nisso, como em outras coisas, Deus fez da vida presente um tempo de prova, de modo que nossa recompensa ainda não é coisa visível. Quem trata com Deus precisa tratar em confiança. A esperança é uma das principais marcas do cristão (1 Coríntios 13:13), e a esperança sempre aponta para um bem ainda futuro.

A fé olha para a promessa, e a esperança olha para a coisa prometida. A fé é a prova, e a esperança é a expectativa das coisas que ainda não vemos. A fé gera a esperança. Por isso é necessário esperarmos com paciência. Ao esperar por essa glória, precisamos de paciência para suportar os sofrimentos no caminho e as demoras até ela. Nossa estrada é difícil e longa, mas aquele que há de vir virá e não tardará. Assim, ainda que pareça demorar, é justo que o esperemos.

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