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Salmos 8:3 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde teus adversários e reduz ao silêncio teus inimigos.

Salmos 8:3

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi continua a engrandecer a honra de Deus falando da honra que ele concedeu ao ser humano, e de modo especial ao homem Cristo Jesus. A bondade de Deus é tão digna de louvor quanto a sua grandeza. O salmista contempla isso com espanto e gratidão, e quer nos conduzir a fazer o mesmo.

O que o leva a se maravilhar com a bondade de Deus para com o homem é a beleza e o poder dos corpos celestes, que todos podem ver: ele considera os céus, a lua e as estrelas (Salmo 8:3). Ele não menciona o sol, talvez porque estivesse meditando numa caminhada noturna, quando apenas a lua e as estrelas estavam à vista. Ainda que não sejam tão úteis para nós quanto o sol, mesmo assim manifestam a sabedoria, o poder e a bondade do Criador.

É nosso dever considerar os céus. Nós os vemos, e não temos como deixar de vê-los. Nisso, entre outras coisas, o ser humano se distingue dos animais. As feras tendem a olhar para baixo, para a terra; mas o homem foi feito ereto, com os olhos voltados para o alto. Fomos criados para elevar o pensamento acima das coisas terrenas e fixar o coração nas coisas de cima, pois aquilo que vemos não nos molda de fato se não pararmos para refletir sobre isso.

Devemos lembrar também que os céus são os céus de Deus. O mundo inteiro pertence a ele, mas os céus pertencem a ele de modo especial (Salmo 115:16). São o lugar onde a sua glória resplandece de forma singular, e aprendemos a chamá‑lo de nosso Pai que está nos céus.

Os céus são dele porque foi ele quem os fez. E os fez com facilidade, como que pelos seus dedos. Estender os céus não exigiu esforço ou fadiga, apenas a sua palavra. A imagem dos “dedos” mostra ao mesmo tempo o seu poder e o cuidado habilidoso com que tudo foi formado.

Mesmo as luzes menores, a lua e as estrelas, proclamam a glória e o poder do Pai das luzes, e nos dão motivo para louvá‑lo. Os corpos celestes não apenas foram criados por Deus, como também são governados por ele. Ele não só os trouxe à existência, mas determinou-lhes a ordem, e a ordem que estabeleceu não pode ser mudada.

Tudo isso conduz o salmista a admirar ainda mais o favor de Deus para com o homem. Quando pensamos em como a glória de Deus enche as regiões celestes, é surpreendente que ele se importe com uma criatura tão pequena como o ser humano. Aquele que habita nessa parte tão luminosa e bem‑aventurada da criação, e a governa por completo, ainda assim se inclina para observar o que se faz na terra (Salmo 113:5‑6).

E quando lembramos o quanto os céus são úteis às pessoas na terra, o assombro aumenta. As luzes do firmamento foram estendidas para todas as nações (Deuteronômio 4:19; Gênesis 1:15). Por isso faz sentido a pergunta: “Que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?” (Salmo 8:4). A palavra usada para “homem” aponta para seres humanos fracos, pecadores e miseráveis, que tantas vezes se esquecem de Deus e do dever que têm para com ele. Mesmo assim, Deus se lembra deles, se importa com sua vida e os leva em conta na sua obra criadora.

Isso vale para a humanidade em geral. Ainda que o homem seja apenas um verme, e o filho do homem também (Jó 25:6), Deus ainda assim lhe mostra grande bondade. Entre todas as criaturas deste mundo, os seres humanos são os objetos especiais da providência, do cuidado governante de Deus sobre a criação.

Isso é verdade, em primeiro lugar, por causa da posição elevada do homem na criação. Ele foi feito um pouco menor do que os anjos (Salmo 8:5). É menor em certo sentido, porque seu corpo pertence à terra e se assemelha aos animais que morrem. Mas, por outro lado, está muito próximo dos santos anjos, porque possui uma alma espiritual e imortal. Em ordem de dignidade, vem logo depois deles. E isso é apenas por pouco tempo, enquanto sua alma habita num corpo de pó. Porém os filhos da ressurreição serão como os anjos (Lucas 20:36) e já não serão inferiores a eles.

Em segundo lugar, o homem recebeu faculdades e capacidades nobres. Deus o coroou de glória e de honra. Aquele que lhe deu a vida o separou e o tornou apto para governar as criaturas inferiores. Tornou o homem mais sábio do que os animais do campo e as aves do céu (Jó 35:11), de modo que é apropriado que sejam dirigidos por ele. A razão humana é a sua coroa de glória, e ele não deve desonrar essa coroa usando‑a mal ou agindo contra a própria luz que recebeu.

Em terceiro lugar, o homem recebeu domínio sobre as criaturas inferiores, debaixo de Deus, e foi constituído senhor delas. Aquele que as fez, as conhece e é o seu dono entregou ao homem domínio sobre elas (Salmo 8:6). Esse encargo real foi dado na criação (Gênesis 1:28) e reafirmado depois do dilúvio (Gênesis 9:2). Deus pôs todas as coisas debaixo dos pés do homem para que ele pudesse usar o trabalho, o produto e a vida das criaturas inferiores. Elas lhe foram entregues e submetidas.

O salmo menciona vários tipos de criaturas, não apenas ovelhas e bois, que o homem cria e alimenta, mas também os animais do campo e as criaturas do mar. Inclui até aquelas que estão longe de nós, como as aves do céu e os peixes do mar, que vivem num outro ambiente e passam pelos caminhos do mar sem serem vistos. O ser humano tem meios de capturar essas criaturas e, embora muitas sejam mais fortes ou mais rápidas do que nós, ainda assim exercemos domínio sobre elas de uma forma ou de outra (Tiago 3:7). Todo tipo de fera, de ave e de animal marinho já foi domado, ou pode ser domado.

Deus também nos permite usar essas criaturas conforme a necessidade. “Levanta-te, Pedro, mata e come” (Atos 10:13). Toda vez que comemos peixes ou aves, somos lembrados do domínio que Deus concedeu ao homem sobre as obras de suas mãos. E isso também deve nos lembrar de que nós mesmos precisamos permanecer debaixo do governo de Deus, nosso supremo Senhor.

Esse versículo aponta de modo especial para Jesus Cristo. Somos ensinados a lê‑lo assim em (Hebreus 2:6‑8), onde o apóstolo o usa para provar o senhorio supremo de Cristo no céu e na terra. Ele mostra que Jesus é o homem, o Filho do Homem, mencionado aqui, aquele que Deus coroou de glória e honra e constituiu como governador sobre as obras de suas mãos.

Esse é o maior ato de bondade já demonstrado à raça humana e a mais alta honra já concedida à natureza humana. Vemos isso na encarnação, isto é, em Cristo assumindo a carne humana, e na sua exaltação, ao ser elevado após o seu sofrimento. Esses dons são muito maiores do que as bênçãos que recebemos na criação e na providência, ainda que essas também sejam grandes e muito além do que merecemos. Tudo isso deve nos levar a nos humilhar e a admirar a graça de Deus.

Primeiro, Jesus Cristo assumiu a natureza humana e, nessa natureza, se humilhou. Tornou‑se o Filho do Homem, participante de carne e sangue. Nesse sentido, Deus o “visitou”, o que muitos relacionam ao seu sofrimento por nós. Em (Hebreus 2:9) lemos que, por causa do sofrimento da morte, como uma visitação em juízo e ira, ele foi coroado de glória e honra. Deus fez cair sobre ele o pecado de todos nós e tratou com ele por causa disso. Visitou‑o com vara e com açoites, para que fôssemos curados por meio de suas feridas. Por um pouco de tempo, como explica o apóstolo, ele foi feito menor do que os anjos, quando tomou a forma de servo e se esvaziou.

Depois, nessa mesma natureza humana, ele foi exaltado como Senhor de todos. Deus Pai o exaltou porque ele se humilhou. Coroou‑o de glória e honra, a glória que ele tinha com o Pai antes que o mundo existisse. Fê‑lo não apenas cabeça da igreja, mas também governador de todas as coisas em favor da igreja. Entregou todas as coisas em suas mãos e confiou a ele o governo da providência, junto com o governo da graça, e sob este. Todas as criaturas foram colocadas debaixo de seus pés. Mesmo enquanto viveu na terra, ele deu sinais claros desse poder, como quando repreendeu os ventos e o mar e ordenou a um peixe que pagasse o imposto.

Assim, o salmista conclui como começou: “Senhor, quão admirável é o teu nome em toda a terra”. A terra foi honrada pela presença do Redentor, ainda é iluminada por seu evangelho e é governada por sua sabedoria e poder. Ao cantarmos e orarmos com essas palavras, devemos certamente agradecer a Deus por sua bondade comum a todos, em especial pela utilidade das criaturas inferiores para nós. Mas, acima de tudo, devemos dar glória ao Senhor Jesus, confessá‑lo como Senhor, submeter‑nos a ele como nosso Senhor e aguardar o dia em que veremos todas as coisas plenamente sujeitas a ele e todos os seus inimigos feitos estrado de seus pés.

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