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Salmos 71:1 - Significado e aplicação

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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

De Salomão. Ó Deus, confia ao rei os teus juízos. Entrega a justiça nas mãos do filho real,

Salmos 71:1

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi pede aqui, de modo geral, duas coisas: que ele mesmo não seja envergonhado, e que seus inimigos e opressores é que sejam envergonhados. Ele ora para nunca ter de se envergonhar de confiar em Deus, nem ficar decepcionado depois de crer nas promessas de Deus. Todo verdadeiro crente pode chegar com ousadia a Deus com esse pedido, porque Deus nunca frustra a esperança que ele mesmo despertou.

Percebe-se como Davi insiste, de maneiras diferentes, em declarar que confia em Deus, e o faz com alegria e gratidão. Ele traz essa confissão de volta a Deus e a usa como razão para pedir socorro. Honramos a Deus, e o agradamos, quando lhe dizemos com sinceridade que dependemos inteiramente dele. “Em ti, SENHOR, confio” (Salmo 71:1). Qualquer que seja a escolha dos outros, Davi escolhe o Deus de Jacó como seu auxílio. Aqueles que estão plenamente satisfeitos com o poder de Deus e com a verdade de sua promessa podem dizer isso de verdade, porque estão dispostos a fazer, sofrer, perder e arriscar tudo por ele. Quem quiser tratar com Deus precisa tratá‑lo em termos de confiança; se recuamos diante dele, isso mostra que não confiamos.

Davi também diz: “Tu és a minha rocha e a minha fortaleza” (Salmo 71:3) e, de novo: “Tu és o meu refúgio, e a minha forte torre” (Salmo 71:7). Ele quer dizer: “Corro para ti, e sei que estarei seguro contigo. Se tu me guardares, ninguém poderá me fazer mal”. Ele ainda afirma: “Tu és a minha esperança e a minha confiança” (Salmo 71:5). Em outras palavras, Deus já se mostrou o alvo correto para a esperança e a confiança, e Davi constatou que esperar nele jamais falha.

A confiança de Davi é fortalecida também pelo que já experimentou. “Tu és a minha confiança desde a minha mocidade” (Salmo 71:5). Desde que ele pôde distinguir a mão direita da esquerda, apoiou‑se em Deus e viu abundantes motivos para isso. “Por ti tenho sido sustentado desde o ventre” (Salmo 71:6). Desde que passou a ter vida, já era uma prova viva do cuidado de Deus.

Isso deveria nos levar a uma devoção precoce a Deus e a um serviço constante a ele. Aquele que foi nosso auxílio desde o nascimento deve ser nossa esperança desde a juventude. Se recebemos tanto favor de Deus antes mesmo de podermos fazer qualquer coisa por ele, não devemos perder tempo quando já somos capazes de servi‑lo. Davi menciona isso para fortalecer sua fé em meio ao problema presente. Deus não só lhe deu a vida, fazendo‑o sair do ventre de sua mãe, mas também o tomou cedo para a sua própria família e o pôs sob o cuidado da aliança, como um filhinho debaixo de suas asas (Salmo 116:16). Por isso Davi raciocina que Deus o guardará agora, já que o sustentou por todo o tempo. E conclui também que deve entregar‑se inteiramente a Deus, para que seu louvor seja sempre acerca dele.

Com essa confiança, Davi faz seus pedidos. Ele pede para não ser confundido (Salmo 71:1), isto é, para que sua esperança em Deus não termine em decepção. Podemos, em fé, rogar o mesmo, que a confiança em Deus jamais se torne nossa vergonha. A esperança na glória de Deus é uma esperança que não nos envergonha. Ele pede também para ser livrado de seus inimigos (Salmo 71:2). “Livra‑me pela tua justiça”, diz ele, pedindo que Deus, como Juiz justo, defenda o injustiçado e trate com os ímpios. Deus sempre pode abrir um caminho de escape junto com a provação (1 Coríntios 10:13). Davi pede a Deus que ouça suas orações e o salve de sua angústia (Salmo 71:4), dos que estavam prontos a despedaçá‑lo.

Ele apresenta três razões para esse livramento. Primeiro, Deus já lhe deu motivo para esperá‑lo: “Pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza; manda o meu livramento” (Salmo 71:3). Ou seja, Deus prometeu isso, e suas promessas são tão certas que a Escritura muitas vezes fala delas como ordens: Deus fala, e está feito. Segundo, os inimigos de Davi são homens ímpios, injustos e cruéis, de modo que será honra para Deus se levantar contra eles (Salmo 71:4). Deus é santo, justo e bom, e isso condiz com o seu caráter. Terceiro, muitos olhos estão voltados para Davi (Salmo 71:7). Ele é “como um prodígio para muitos”, isto é, as pessoas observam para ver como terminarão uma aflição tão incomum e uma confiança em Deus também tão incomum. Ou, então, ele é tratado como um monstro, evitado por todos; se o SENHOR não for o seu refúgio, está arruinado. As pessoas podem abandoná‑lo, mas Deus não.

Davi também pede descanso e segurança duradouros em Deus. “Sê tu para mim uma rocha de habitação, em que eu possa sempre entrar; deste mandamento que me salves” (Salmo 71:3). Aqueles que vivem perto de Deus, que constantemente se achegam a ele em fé e oração e mantêm os olhos nele, podem contar com um abrigo forte nele. Esse refúgio não desaba por si mesmo, e nenhum inimigo consegue arrombá‑lo. Eles também são bem‑vindos para chegar a ele em todo tempo, sem jamais serem censurados por virem “demais”.

Ele pede ainda uma vida cheia de louvor. “Encham‑se a minha boca do teu louvor e da tua glória todo o dia” (Salmo 71:8), ou seja, “de modo que eu não seja envergonhado em minha esperança, mas que os meus inimigos sejam envergonhados no seu orgulho”. Os que amam a Deus também amam louvá‑lo. Querem fazê‑lo o dia todo, não só de manhã e à noite, não apenas em horários marcados, mas em tudo o que dizem. Pretendem louvá‑lo enquanto vivem e esperam louvá‑lo para sempre em um mundo melhor.

Por fim, Davi pede para não ser desamparado na velhice. “Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se for acabando a minha força” (Salmo 71:9). Ele sente a fraqueza que acompanha a idade: sua força está minguando.

Na velhice, as forças do corpo e da mente começam a falhar. Os olhos ficam embaçados, a voz enfraquece, os membros perdem vigor, e a vida continua com menos energia. Esse é o peso e a aflição de que se fala em (Salmo 90:10).

Nessa fraqueza, Davi pede a presença constante de Deus. Em essência, ele diz: “SENHOR, não me rejeites; não me deixes”. Ser rejeitado ou abandonado por Deus é terrível em qualquer momento, mas especialmente quando a idade já levou as forças humanas. O próprio Deus é a força do coração; se ele se afasta, a pessoa está perdida.

Ainda assim, a oração de Davi revela esperança. Ele tem razões para crer que Deus não o abandonará, mesmo quando se tornar velho e fraco. Servos fiéis de Deus podem consolar‑se com isso: o SENHOR normalmente não rejeita servos antigos. Assim, Davi torna a orar: “Ó Deus, não te alongues de mim; não permitas que eu sinta como se te retirasses, pois então estou arruinado. Meu Deus, que estás ligado a mim pela aliança, apressa‑te em socorrer‑me, ou perecerei antes que chegue o socorro” (Salmo 71:12).

Davi também pede que seus inimigos sejam confundidos em seus planos contra ele. Eles não estavam apenas aborrecendo‑o; armavam ciladas por sua vida, e sua oposição visava a sua alma, sua própria vida (Salmo 71:10, Salmo 71:13). Uniram‑se em planos bem pensados, e suas palavras eram ousadas e cruéis: “Deus o desamparou; persegui‑o e prendei‑o”.

O raciocínio deles era completamente falso. Porque Davi estava em grande angústia e por muito tempo, concluíram que Deus o havia abandonado. Porém, muitos não são desamparados por Deus, ainda que pensem que são, ou que outros assim pensem. Sua conclusão também era cruel. Se Deus realmente o tivesse desamparado, julgavam que agora podiam atacá‑lo sem medo. Isso é como acrescentar dor a quem já foi ferido pela mão de Deus, como em (Salmo 69:26). Foi o mesmo tipo de zombaria usada contra Ezequias, quando Senaqueribe tentou assustá‑lo afirmando que o SENHOR era contra ele (Isaías 36:10).

A oração de Davi, por sua vez, é justa. Num espírito de profecia, e não por mero ressentimento, ele pede: “Sejam confundidos e consumidos os acusadores da minha alma” (Salmo 71:13). Se eles não quiserem ser envergonhados pelo arrependimento e assim salvos, que sejam então envergonhados com perpétua afronta e destruídos. Deus trará vergonha sobre os que tentam envergonhar a sua glória e a honra do seu povo.

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