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Salmos 7:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Põe fim à malícia dos ímpios e sustenta o direito, ó Deus de justiça, que sondas os corações e os rins.

Salmos 7:10

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi já havia apresentado sua causa a Deus em oração e, mais cedo no salmo, havia declarado solenemente sua inocência. Aqui ele age, por assim dizer, com base nesse apelo, confiando na palavra de Deus. Ele se firma na promessa de que os justos serão guardados e felizes, enquanto a perversidade obstinada terminará em ruína certa.

Davi tem plena certeza de que Deus será seu forte protetor e Salvador, o defensor de sua inocência oprimida (Salmo 7:10). Ele não está apenas afirmando que Deus é seu defensor e que o demonstrará; está dizendo que não espera proteção de mais ninguém. Se houver livramento, terá de vir somente de Deus. Alguns expressam a ideia assim: “Meu escudo está em Deus”, isto é, em Deus se encontra tudo o que é necessário para guardar os que lhe pertencem. O nome do Senhor é como uma torre forte (Provérbios 18:10).

Davi fundamenta essa confiança em duas verdades. Primeiro, Deus mostra favor especial aos que são sinceros. Ele salva os retos de coração, e isso inclui salvar com uma salvação eterna. Ele também os preserva nas tribulações presentes, na medida em que isso é bom para eles. Sua honestidade e retidão, debaixo do cuidado de Deus, se tornam uma proteção. Os retos de coração estão seguros, e devem enxergar a si mesmos assim, sob a proteção divina.

Segundo, Davi confia em Deus porque Deus ama a justiça e a retidão. Deus julga o justo; ele aprova toda causa justa e a sustentará em toda pessoa justa. Alguns entendem: “Deus é um justo Juiz”. Isso significa que ele não apenas age com justiça em si mesmo, mas também faz com que a justiça seja cumprida entre os homens e pune o mal.

Davi está igualmente certo quanto à ruína de seus perseguidores, pelo menos daqueles que se recusam a se arrepender e dar glória a Deus. Ele “lê” aqui o futuro deles, se possível para o bem deles, para que parem de lutar contra ele. No mínimo, ele contempla esse futuro para ter paz em seu próprio coração, a fim de não temê-los nem se ressentir de seu aparente sucesso presente. Quando entra no santuário de Deus, ele aprende duas coisas sobre eles.

Primeiro, eles são filhos da ira. Não são dignos de inveja, porque Deus está irado com eles. Deus se ira com o ímpio todos os dias. Eles continuam praticando o que o ofende, e isso vai sendo acumulado para o dia do juízo. Assim como suas misericórdias se renovam cada manhã para o seu povo, assim também sua ira é, por assim dizer, renovada cada manhã contra os ímpios, porque eles lhe dão novos motivos para isso. Deus está irado com os ímpios mesmo em seus dias mais felizes e prósperos, e até em seus dias de aparente religiosidade. Se lhes é permitido prosperar, é sob juízo. Se oram, até as suas orações são abomináveis para ele. A ira de Deus permanece sobre eles (João 3:36), e mais culpa vai sendo acrescentada continuamente.

Segundo, eles são filhos da morte, como todos os filhos da ira: são homens destinados à ruína, marcados para a destruição. O fim deles é certo. Deus os destruirá, e a destruição para a qual são guardados é destruição que vem do Todo-Poderoso. Isso deve fazer todos nós temermos o pecado, pois ele está ligado à ira de Deus (Salmo 7:13; Salmo 7:14).

Ao mesmo tempo, esse aviso contém misericórdia. A destruição do pecador pode ser evitada se ele se desviar do mal, pois a ameaça vem com essa condição: se ele não se converter de seu mau caminho, se não parar de atacar o povo de Deus, então a ruína virá. Mas, se se converter, fica implícito que o seu pecado será perdoado e tudo irá bem. Até as ameaças de juízo carregam uma sugestão graciosa de misericórdia. Isso é suficiente para justificar Deus para sempre quando as pessoas são destruídas. Elas poderiam ter se voltado e vivido, mas escolheram seguir adiante até morrer, de modo que o sangue delas recai sobre a própria cabeça.

Se o pecador não é detido pela conversão, então a justiça de Deus prepara a destruição para ele. Em termos gerais, Deus já preparou para ele os instrumentos de morte, todos os meios necessários para executar a morte que o pecado merece. Se Deus decidir ferir, jamais faltará instrumento; até a criatura mais fraca pode se tornar um instrumento em sua mão.

Há também variedade nesses instrumentos. Há a espada, que fere e mata de perto, e o arco com flechas, que atingem de longe, até mesmo aqueles que pensam ter escapado do juízo de Deus. Se o pecador foge da arma de ferro, ainda assim o arco de aço o atravessará (Jó 20:24). Esses instrumentos também estão prontos. Deus não precisa procurá-los; estão sempre à mão. Juízos estão preparados para os zombadores, e Tofete, lugar de juízo em fogo, foi preparado desde muito tempo.

Enquanto Deus prepara esses instrumentos de morte, ele dá aos pecadores avisos e tempo para se arrependerem e escaparem deles. Ele é tardio em irar-se e paciente para conosco, não querendo que ninguém pereça. Mas, quanto mais o castigo é adiado para que a conversão possa ocorrer, mais pesado será se esse tempo for desperdiçado. Enquanto Deus espera, a espada está sendo afiada e o arco está sendo armado. A destruição dos pecadores obstinados, embora demorada, é certa, porque foi determinada desde a antiguidade. E entre todos os pecadores, os perseguidores são especialmente marcados para a ira divina. Contra eles, mais do que contra outros, Deus aponta suas flechas. Eles podem desafiar a Deus, mas não podem se colocar fora do alcance de seus juízos.

Além disso, acabam se destruindo a si mesmos (Salmo 7:14-16). O pecador é descrito como alguém que trabalha arduamente para arruinar a própria alma, muitas vezes fazendo mais esforço para se destruir do que faria para salvá-la se empregasse a mesma força do modo correto. Sua vida é como a de uma mulher em trabalho de parto que dá à luz uma gravidez falsa, um filho que não é real. A mente do pecador, com todos os seus planos, concebe maldade e a realiza com habilidade, traçando o plano em profundidade e mantendo-o em segredo. Seu coração, movido pelas paixões, está em “trabalho de parto” de maldade e se esforça para dar à luz desígnios perversos contra o povo de Deus. Mas o que resulta disso no fim? É falsidade. É um engano contra si mesmo, uma mentira em suas próprias mãos. Ele não consegue executar o que planejou e, mesmo que consiga, não obterá a satisfação que esperava. Ele gera vento (Isaías 26:18), restolho (Isaías 33:11) e morte (Tiago 1:15), isto é, falsidade.

É também como um trabalhador que cava um poço e acaba caindo nele e morrendo ali. Em certo sentido, isso é verdade de todos os pecadores. Ao se sobrecarregarem de culpa e se entregarem às suas paixões pecaminosas, preparam a própria destruição. Isso muitas vezes se torna muito evidente naqueles que tramam o mal contra o povo de Deus ou contra o próximo. Pela mão justa de Deus, aquilo que planejaram para a ruína alheia volta sobre a própria cabeça. O que projetaram para vergonha e queda dos outros torna-se a sua própria confusão.

Não há lei mais justa do que esta: o autor de um plano homicida perece por sua própria arma. Alguns veem nisso uma referência a Saul, que caiu sobre a própria espada.

Quando entoamos este salmo, devemos fazer como Davi (Salmo 7:17). Devemos louvar o Senhor segundo a sua justiça, isto é, dar-lhe glória por seu cuidado gracioso para com o seu povo aflito e por seu justo juízo contra os que os ferem. Assim cantamos louvores ao Senhor Altíssimo. Quando seus inimigos se exaltam com orgulho, ele mostra que está acima de todos eles.

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