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Salmos 59:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Deus falou no seu santuário: “Triunfarei, repartindo Siquém; medirei com o cordel o vale de Sucot.

Salmos 59:8

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi aqui conforta a si mesmo, diante do poder ameaçador de seus inimigos, com a resolução piedosa de esperar em Deus e com a confiança de que ainda o louvará. Ele decide esperar em Deus por causa da força de seus inimigos, que o empurra para Deus, e por causa da força de Deus, que o atrai a confiar nele. Em tempos de perigo e angústia, é sábio e correto esperar em Deus, porque ele é a nossa defesa e o nosso alto refúgio, o lugar onde estamos seguros.

Ele espera, em primeiro lugar, que Deus seja para ele um Deus de misericórdia: “O Deus da minha misericórdia irá adiante de mim com as bênçãos de sua bondade e os dons de sua graça”. Deus suprirá suas necessidades antes mesmo que Davi peça, antes que seus temores se levantem, e muito além do que ele espera. É um consolo, na oração, pensar em Deus não apenas como misericordioso, mas como o Deus da nossa misericórdia, aquele que nos dá todo o bem e opera em nós todo o bem. Toda a misericórdia que há em Deus está reservada para o seu povo e pronta para ser derramada sobre eles. O salmista com razão a chama de “minha misericórdia”, pois todas as bênçãos da nova aliança, a promessa salvadora de Deus por meio de Cristo, são chamadas de firmes misericórdias de Davi (Isaías 55:3), e são firmes para todo o seu povo.

Em segundo lugar, Davi espera que Deus seja um Deus de vingança para com os que o perseguem. Ele diz isso tanto como previsão quanto como oração, e, aqui, uma coisa equivale à outra. Quando ora para que assim seja, ao mesmo tempo declara que crê que assim será. Ele enxerga várias coisas que Deus fará com seus inimigos, aqueles que o espiam, buscando ocasião contra ele e oportunidade para lhe fazer mal.

Primeiro, Deus os exporá à vergonha, como eles mesmos já se tornaram vergonhosos. Eles pensam que Deus não ouve nem nota o que fazem, mas o Senhor zombará da loucura deles. Imaginam que o Deus que fez o ouvido não ouvirá, e o Senhor os terá, a eles e a todos os ímpios semelhantes, em escárnio. Ateus e perseguidores merecem ser alvo de riso e desprezo (Salmo 2:4; Provérbios 1:26; Isaías 37:22).

Segundo, Deus fará deles exemplos permanentes de sua justiça. Davi diz: “Não os mates de uma vez, para que o meu povo não se esqueça”. Se o castigo vem depressa demais, a lição não permanece por muito tempo. A destruição repentina assusta as pessoas por um momento, mas logo elas a esquecem. Por isso Davi pede a Deus que os disperse com seu poder, deixando sinais claros de seu desagrado por onde quer que eles passem. Assim, a notícia de seu castigo se espalharia pela terra. Até Caim, embora assassino, não foi morto, para que a vingança não fosse logo esquecida; ele foi feito errante. Quando os juízos de Deus parecem lentos, devemos lembrar que ele tem propósitos sábios e santos na maneira como derrama sua ira.

Davi também pede que Deus os disperse de modo que nunca mais se juntem para fazer o mal. “Abate-os, Senhor, nosso escudo.” Se Deus tomou sobre si a proteção do seu povo como seu escudo, certamente humilhará aqueles que lutam contra ele.

Terceiro, Davi pede que sejam pagos segundo o que merecem. Suas palavras são cheias de pecado, cada expressão que pronunciam carrega culpa. Que fiquem, então, enlaçados no orgulho que aparece em sua boca, em seus juramentos de maldição e em suas mentiras. Saul, rei de Israel, era dado a praguejar (1 Samuel 14:28, 44). Há muito mais mal nos pecados da língua do que as pessoas costumam imaginar. Pragas, mentiras e discursos soberbos estão entre os piores pecados da língua, e um homem é verdadeiramente infeliz quando Deus lhe dá exatamente o que suas próprias palavras merecem.

Quarto, Davi pede que Deus se glorifique, como Deus e Rei de Israel, por meio da ruína deles. “Consome-os na tua indignação, consome-os.” Isto é, persegue-os com um juízo após o outro, até que sejam completamente destruídos. Que sejam abatidos pouco a pouco, para que tanto eles quanto os que os observam entendam que Deus domina em Jacó até os confins da terra. Saul e seus seguidores pensam que reinarão e levarão tudo diante de si, mas aprenderão que há Alguém acima deles que os governa. O alvo dos juízos de Deus é mostrar que o Senhor reina, que executa seus próprios desígnios, dá lei a toda criatura e ordena todas as coisas para a sua glória. Os maiores deste mundo estão sob seu controle, e ele os usa como quer.

Ele reina em Jacó, porque ali está a sua corte, ali é conhecido e ali o seu nome é grande. Mas também reina até os confins da terra, porque todas as nações estão dentro do seu reino. Ele governa até aqueles que não o conhecem, e governa em favor de Jacó, para o bem da sua igreja. Seu domínio sobre o mundo inteiro serve aos propósitos de Jacó, seu servo, e de Israel, seu escolhido (Isaías 45:4).

Quinto, Davi pede que o próprio pecado deles se converta em castigo. O pecado deles foi caçar Davi como quem caça uma presa. O castigo seria serem reduzidos a tamanha pobreza que tenham de sair em busca de alimento como quem caça, e ainda assim não o encontrem, assim como não conseguiram apanhar Davi. Não seriam exterminados de uma vez, mas dispersos e consumidos aos poucos. Os que morrem de fome morrem pouco a pouco e sentem a sua morte se aproximar (Lamentações 4:9). Davi antevê que eles serão forçados a mendigar de porta em porta.

Fariam isso com vergonha e relutância. Teriam vergonha de mendigar, o que agravaria o castigo; por isso sairiam ao entardecer, quando é mais escuro e menos provável serem vistos. E, no entanto, clamariam em alta voz em sua miséria. Seu lamento viria de uma ira profunda contra a própria condição, uma condição que não aceitam. Farão barulho como um cão. Quando caçavam Davi, ladravam e rosnavam como cães enfurecidos; quando saírem à caça de alimento, uivarão e ganirão como cães famintos. Os que se arrependem do pecado gemem na angústia como pombas, mas corações endurecidos gritam como cães, ou como um touro selvagem preso numa rede, cheios de fúria inquieta. Eles não clamavam a Deus de coração quando uivavam em suas camas por causa do trigo e do vinho (Oséias 7:14).

Receberiam pouca ajuda, e o coração das pessoas se endureceria contra eles. Andariam pela cidade, vagando de um lado para outro em busca de comida, e só a obteriam à custa de insistir e importunar (Salmo 59:15). Mesmo assim, muitos dariam apenas para se ver livres deles, não por alegria em ajudar, mas por cansaço diante de sua vinda constante.

Continuariam também insatisfeitos, o que é uma das piores partes da pobreza. São como os cães gulosos de Isaías 56:11, que nunca se fartam e vivem reclamando se não forem cheios. Um homem contente pode não ter tudo o que deseja, mas não murmura, não acusa a Deus nem se contorce por dentro. Já aqueles cujo deus é o ventre, isto é, dominados por seus apetites, se irritam tanto com Deus quanto consigo mesmos. Não é a pobreza em si que torna um homem miserável, mas a falta de contentamento.

Em contraste, Davi espera poder louvar a Deus, confiando que a providência divina lhe dará motivos para isso e que a graça de Deus lhe dará um coração pronto a louvar (Salmo 59:16, 17). Ele louvaria a Deus por seu poder e por sua misericórdia, ambos dignos de estarem em seu cântico. Poder sem misericórdia deveria nos encher de temor, e misericórdia sem poder pouco poderia nos ajudar. Mas o poder de Deus, pelo qual ele pode nos socorrer, e a sua misericórdia, pela qual está disposto a nos socorrer, merecem o louvor permanente de todo o seu povo.

Ele também louvaria a Deus porque, vez após vez, encontrou nele sua defesa e refúgio na angústia. Deus conduz o seu povo a situações difíceis para que eles aprendam seu poder e misericórdia em protegê-los e abrigá-los, e assim tenham mais motivos para lhe dar glória. Davi ainda o louvaria porque continuava a depender dele, confiando em Deus como sua força para cumprir o dever, sua defesa para guardá-lo do mal e o Deus de sua misericórdia para fazê-lo feliz e em paz. Aquele que é tudo isso para nós é, sem dúvida, digno do nosso melhor amor, louvor e serviço.

Ele louvaria cantando. O cântico é um modo natural de expressar alegria, e Deus o instituiu também como meio de despertar a alegria santa e a gratidão. Davi cantaria em alta voz, porque estava profundamente tocado pela glória de Deus, não se envergonhava de confessá-la e desejava influenciar outros com isso. Ele cantaria o poder de Deus, mas exaltaria em voz alta a sua misericórdia, pois era a misericórdia que mais comovia o seu coração.

Cantaria de madrugada, quando seu espírito estivesse mais fresco e disposto. As misericórdias de Deus se renovam a cada manhã, por isso é apropriado começar o dia com o seu louvor. Ele cantaria para Deus (Salmo 59:17), para a sua honra e glória, mantendo sempre o Senhor diante de si. Assim como nossas orações devem ser dirigidas a Deus, também nossos louvores devem ser a ele endereçados, elevando o coração e fazendo melodia ao Senhor.

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