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Salmos 38:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Quando castigas o homem, fazendo-o sentir a sua culpa, consomes, como faria a traça, o que ele tem de mais caro. Verdadeiramente, o homem é apenas um sopro.

Salmos 38:12

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesses versículos, Davi expõe a força e a maldade de seus inimigos. Eles se aproveitaram de seu corpo enfraquecido e de sua mente abatida, não só para zombar, mas para tentar destruí‑lo. Ele apresenta os pecados deles como argumento para que Deus o socorra, assim como faz em (Salmo 25:19), ao pedir: “Considera os meus inimigos”.

Ele diz que eles são cruéis e cheios de rancor. “Buscam o meu mal e procuram tirar‑me a vida” (Salmo 38:12). A vida que era preciosa aos olhos do Senhor e das pessoas piedosas era tratada como se não tivesse valor algum. Esse é o ódio profundo que sempre se manifestou na descendência da serpente contra a descendência da mulher, querendo ferir a cabeça mesmo quando só consegue alcançar o calcanhar.

Ele também diz que são astutos e calculistas no mal que fazem. Armam laços, tramam mentiras e se ocupam com isso o dia todo. Chegam a conversar entre si sobre planos danosos, como se cada um pudesse acrescentar algo ao ataque. O mal praticado por meio do engano é com razão chamado de laço.

Davi acrescenta que eles são atrevidos e insultuosos. Quando seu pé escorregava, quando ele entrava em dificuldade ou cometia algum erro, eles se exaltavam contra ele. Supunham que sua queda iria arruinar tudo para sempre. Alegravam‑se em vê‑lo tropeçar e agiam como se um único deslize tivesse de terminar em destruição total.

Eram também ingratos e injustos. Odiavam‑no sem motivo (Salmo 38:19). Ele nunca lhes tinha feito mal, nem sequer desejado o mal, e lhes dera muitos motivos para responderem com bondade. Em vez disso, pagavam o bem com o mal (Salmo 38:20), como em (Salmo 109:4), onde ele diz que, por seu amor, fizeram‑se seus adversários. Pessoas ímpias muitas vezes odeiam a própria bondade, mesmo quando se beneficiam dela. Odiarão a oração, até naqueles que oram por elas, e odiarão a paz, até naqueles que buscam a paz.

Davi declara ainda que o ódio deles era também contra Deus. Oporam‑se a ele porque ele seguia o que é bom. Odiavam‑no porque odiavam a Deus e a todos que trazem a imagem de Deus. Quando sofremos por fazermos o bem, não devemos nos espantar. É assim desde o princípio, como quando Caim matou Abel porque as obras de Abel eram justas. E não será sempre assim, pois Deus recompensará os fiéis.

Ele também observa que seus inimigos eram muitos e fortes. Eram cheios de vida, poderosos e cresciam em número (Salmo 38:19). Davi, ao contrário, estava fraco, abatido e triste, enquanto os ímpios ao seu redor pareciam florescer. Não devemos julgar o caráter de ninguém apenas pela sua condição exterior. Ninguém pode saber, pela aparência, quem é amado ou odiado por Deus.

Parece ainda que as palavras de Davi apontam para Cristo, cujos inimigos foram exatamente assim. Eles haviam perdido todo senso de honra e virtude. Ninguém odeia de fato o cristianismo sem antes ter lançado fora a decência humana básica e rompido seus laços mais sagrados.

Davi então encontra consolo ao olhar para o próprio comportamento diante de tantas injustiças. O verdadeiro dano causado pelos inimigos é quando nos empurram para o pecado, como em (Neemias 6:13), quando procuram nos tirar do equilíbrio interior e nos afastar de Deus e do dever. Se a graça de Deus nos guarda disso, os ataques deles não nos ferem de verdade. Se nos mantemos firmes na integridade e na paz, quem pode realmente nos prejudicar?

Ele conservou o domínio próprio e não se deixou desestabilizar pelos insultos e ataques (Salmo 38:13-14). Diz: “Eu era como surdo, não ouvia”. Ele não deu atenção aos insultos, não guardou ressentimento e não planejou vingança. Quanto menos importância damos às ofensas e agressões, mais paz conservamos no coração.

Por estar surdo às provocações, permaneceu também calado, como alguém que não tem palavras em sua defesa. Nada disse, em parte para não se irar, em parte para não piorar os inimigos. Não quis responder, nem mesmo se apressar em se defender, para que sua defesa não fosse entendida como novo agravo. Ainda que buscassem a sua vida e seu silêncio pudesse parecer culpa, permaneceu como mudo que não abre a boca. Quando os inimigos gritam alto, muitas vezes é sábio falar pouco, para não agravar ainda mais a situação.

Davi sabia que sua mansidão não conquistaria pessoas assim, e que respostas brandas não afastariam a ira delas. Eram gente baixa demais para reagir de forma correta. Mesmo assim, ele agiu com mansidão para não pecar e para poder olhar depois para sua conduta com paz. Assim, Davi apontou para Cristo, que esteve calado diante de Seus acusadores e não respondeu insulto com insulto. Ambos são exemplo para que não devolvamos afronta com afronta.

Ele também se manteve perto de Deus pela fé e pela oração, e isso o ajudou a suportar as injustiças e manter o coração quieto. “Pois em ti, Senhor, espero” (Salmo 38:15). Ele confiava em que Deus falaria por ele, provaria sua inocência e, de algum modo, calaria e envergonharia seus inimigos. Seus amigos o haviam abandonado (Salmo 38:10), mas Deus não o deixaria.

“Eu era como homem que não ouve, pois tu ouvirás.” Por que dar ouvidos a cada acusação, se Deus já está ouvindo? (1 Pedro 5:7) diz que Deus cuida de nós, por isso não precisamos carregar o que Ele já tomou sobre si. Alguns entendem: “Tu responderás”, e é por isso que Davi se cala. Esse é um bom motivo para suportar calúnias com paciência: Deus vê toda injustiça e, no tempo certo, falará por nós e contra os que nos fazem mal. Portanto, devemos aquietar‑nos, pois o silêncio manifesta confiança nele. Se tentamos resolver tudo por conta própria, puxamos a obra de Deus para nossas mãos e perdemos o consolo da defesa que vem dele.

Nosso Senhor Jesus, quando sofreu, não ameaçou, mas entregou‑se àquele que julga justamente (1 Pedro 2:23). Não perderemos nada, no final, se fizermos o mesmo. É como se Davi dissesse: “Senhor, tu responderás por mim”.

Ele também clamou a Deus. Em (Salmo 38:16), ele diz, em essência: “Eu disse: Ouve‑me”, o que se entende pelo contexto. Ele já havia dito isso antes, e sua esperança continuava sendo esta: “Em ti espero, porque tu me ouvirás, para que eles não se alegrem contra mim.” Quando temia que seus inimigos prevalecessem, consolava‑se com esse pensamento. Isso é grande ajuda quando as pessoas são falsas e sem afeição, pois temos um Deus a quem podemos recorrer livremente, e Ele permanece fiel.

Em seguida, ele lamenta sua própria insensatez e fraqueza. Sentia o pecado ainda atuando dentro de si e via que corria o risco de reclamar da providência de Deus, isto é, do governo sábio de Deus sobre sua vida, e de perder a paciência por causa das injustiças que sofria dos homens: “Estou prestes a tropeçar” (Salmo 38:17). É semelhante ao que o salmista disse em outro tempo difícil: “Quase se desviaram os meus pés, quando vi a prosperidade dos ímpios” (Salmo 73:2). Aqui o sentido é: “Eu estava pronto a dizer: foi inútil manter minhas mãos limpas.” Sua dor era constante: “Todo dia tenho sido afligido” (Salmo 73:13-14), e ele ficava remoendo isso na mente. Isso quase o fez escorregar entre a fidelidade e a incredulidade. O medo disso o levou de volta a Deus: “Em ti espero, não só para que me defendas, mas para que me preserves de pecar.” Quando as pessoas piedosas fixam demais o olhar em seus problemas, quase caem; quando mantêm Deus diante de si, permanecem firmes.

Ele também se lembrou de seus pecados passados contra si mesmo, reconhecendo que, por meio deles, havia atraído sobre si essas aflições e, de certo modo, perdido o direito a uma proteção especial. Ainda que pudesse se defender diante dos homens, diante de Deus ele se condenava (Salmo 38:18): “Confessarei o meu pecado e não o encobrirei. Terei tristeza pelo meu pecado e não o tratarei com levianidade.” Isso o ajudou a ficar calado sob a disciplina de Deus e sob as afrontas dos homens. Se nos doemos de verdade pelo pecado, isso nos ajuda a suportar o sofrimento, especialmente quando a acusação dos outros é injusta.

Dois elementos pertencem ao arrependimento, que é o retorno do pecado para Deus. Primeiro, deve haver confissão de pecado. “Declararei a minha iniquidade” significa mais do que dizer “sou pecador”; é uma confissão clara e específica do que fizemos de errado. Devemos confessar nossos pecados de forma franca e completa diante de Deus, incluindo as circunstâncias que os agravam, para que Deus receba a glória e nós levemos a vergonha. Segundo, deve haver tristeza pelo pecado. “Eu me angustiarei por causa dele.” O pecado traz tristeza. Todo verdadeiro arrependido se entristece pelo desonra feita a Deus e pelo mal que trouxe sobre si mesmo. Alguns entendem como: “Temerei por causa do meu pecado”, com medo de que ele me arruíne, a menos que seja perdoado.

Ele conclui com uma oração urgente pela presença amorosa de Deus e por seu socorro na hora certa em meio à angústia (Salmo 38:21; Salmo 38:11). É como se dissesse: “Não me desampares, Senhor, ainda que os meus amigos me abandonem e ainda que eu mereça ser abandonado por ti. Não fiques longe de mim, embora o meu coração incrédulo esteja pronto a temer que tu estejas afastado.” Nada fere mais profundamente o coração de um homem piedoso, em meio ao sofrimento, do que o medo de que Deus o tenha deixado por causa de sua ira. Por isso, nada brota de forma mais sincera do seu interior do que esta súplica: “Senhor, não te afastes de mim. Apressa-te em socorrer-me, pois estou em perigo de perecer se o alívio não vier logo.” Deus não apenas permite que o invoquemos na angústia, mas também que peçamos que ele se apresse em nos ajudar.

O salmista apresenta o motivo da sua confiança: “Tu és o meu Deus, a quem sirvo e de quem dependo para me sustentar; és a minha salvação, o único que pode salvar-me, aquele que prometeu salvar-me e de quem eu espero a salvação.” Se alguém estiver aflito, que ore assim, suplique assim e espere assim, tomando para si as palavras deste salmo.

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