Versículo em destaque
Salmos 37:21 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Retribuem-me o mal pelo bem; hostilizam-me porque quero fazer o bem. "
Salmos 37:21
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
19 Sim, confesso minha culpa; meu pecado me atormenta.
20 Entretanto, meus inimigos são vigorosos e fortes, e são muitos os que me odeiam sem razão.
21 Retribuem-me o mal pelo bem; hostilizam-me porque quero fazer o bem.
22 Não me abandones, Senhor. Ó meu Deus, não fiques longe de mim.
23 Depressa, vem em meu auxílio, Senhor, minha salvação!
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Estes versículos dizem praticamente o mesmo que os anteriores neste salmo, e esse assunto merece ser meditado com atenção. Eles mostram, primeiro, o que Deus nos pede como caminho para a verdadeira felicidade, e depois o que ele promete àqueles que andam nesse caminho.
Se desejamos a bênção de Deus, devemos ter todo o cuidado em dar a cada um o que lhe é devido. O ímpio toma emprestado e não paga (Salmo 37:21). Recusar-se a pagar o que devemos não é apenas vergonhoso, é pecado. Alguns entendem esse versículo também como mostrando não só a maldade dessas pessoas, mas a miséria em que Deus as deixa, pois ficam obrigadas a pedir emprestado e depois não conseguem pagar.
Devemos também estar dispostos a praticar bondade e generosidade. A bondade de Deus para com os justos muitas vezes se manifesta nisto: ele os coloca em condição de ajudar outros. O justo tem um coração à altura de seus recursos, por isso se compadece e dá (Salmo 37:21). Ele é misericordioso todos os dias, e empresta, além de dar. Às vezes, emprestar é uma forma tão verdadeira de caridade quanto dar, quando isso nasce de um coração misericordioso.
Devemos nos desviar do pecado e praticar a verdadeira piedade. “Aparta-te do mal e faze o bem” é a regra (Salmo 37:27). Precisamos deixar de fazer o que é errado e aprender a odiar o mal, depois aprender a fazer o que é certo e nos apegar a isso. Essa é a verdadeira religião.
Devemos também usar bem nossa fala, louvando a Deus e ajudando o próximo. A boca do justo fala sabedoria (Salmo 37:30). Ele não fala apenas com cuidado, mas pronuncia palavras que instruem, como Salomão. Não desperdiça a conversa com assuntos vazios ou sem propósito. Em vez disso, fala de juízo, isto é, da palavra de Deus, de sua providência e das regras sábias para viver.
Devemos sujeitar nossa vontade à vontade e à palavra de Deus. “A lei do seu Deus está em seu coração” (Salmo 37:31). É inútil chamar Deus de “nosso Deus” se não recebemos sua lei em nosso coração e não nos submetemos a ela. É uma hipocrisia pobre falar belamente e falar de juízo, se a lei não está realmente dentro de nós. A lei de Deus deve governar o coração, moldar nosso modo de pensar e dirigir nossa vida. Então nossos passos não escorregarão.
Em tais condições, Deus promete sua bênção e consolo. Os que são abençoados por Deus herdarão a terra, ou a terra de Canaã, que era a glória de todas as terras (Salmo 37:22). Nossos confortos terrenos são verdadeiramente doces quando os enxergamos vindo da bênção de Deus. Assim podemos confiar que não nos faltará nada que seja realmente bom para nós neste mundo. Mas os que são amaldiçoados por Deus serão cortados e arrancados, e essa diferença tão nítida fará a bênção sobre os justos sobressair ainda mais.
Deus também dirigirá nossos passos e ordenará nossos caminhos da forma que melhor sirva à sua glória (Salmo 37:23). Pela sua graça e pelo seu Espírito Santo, ele guia os pensamentos, os sentimentos e os planos das pessoas piedosas. Pela sua providência, ele governa os acontecimentos que dizem respeito a elas e lhes esclarece o caminho, tanto no que devem fazer quanto no que podem esperar. Ele firma os passos do homem bom, não só o caminho mais amplo, mas também os pequenos passos, muitas vezes por meio das discretas advertências da consciência. Ele nem sempre mostra toda a estrada de uma vez, mas conduz passo a passo, para que seu povo continue dependendo dele.
Deus faz isso porque se agrada do caminho do justo e porque quer que o próprio justo também se agrade desse caminho. O Senhor conhece o caminho dos justos com favor (Salmo 1:6) e, por isso, o dirige. Como Deus ordena esse caminho segundo a sua própria vontade, o crente encontra alegria nele. Deus ama a sua própria imagem refletida em seu povo e se agrada do que eles fazem sob sua direção.
Deus também livrará seu povo de ser arruinado por suas quedas, seja em pecado, seja em aflição (Salmo 37:24). O homem bom pode ser surpreendido em alguma falta, mas a graça de Deus o trará de volta ao arrependimento, de modo que não se perca. Ele pode perder, por um tempo, a alegria da salvação de Deus, mas essa alegria será restaurada. Deus o sustém com sua mão e com seu Espírito generoso. A raiz permanece viva mesmo se a folha murcha, e a primavera vem depois do inverno. O homem bom pode também estar em profunda angústia, com problemas em seus negócios e o espírito abatido, mas não ficará prostrado de modo definitivo. Deus será a força de seu coração quando o corpo e o coração falharem, e o seu consolo o manterá em pé.
Deus também promete que não nos faltarão os suprimentos básicos desta vida (Salmo 37:25). Davi diz: “Fui moço e agora sou velho e, em todas as mudanças que vi na vida exterior das pessoas, nunca vi o justo desamparado por Deus ou pelos homens. Não vi seus filhos obrigados a mendigar o pão.” O próprio Davi certa vez precisou pedir pão a Abimeleque, o sacerdote, mas isso foi quando Saul o perseguia. Jesus nos ensinou a separar os casos de sofrimento por causa da justiça dessas promessas comuns sobre o sustento terreno (Marcos 10:30), porque esse tipo de sofrimento tem sua própria honra e consolo especiais. Paulo considera esse sofrimento como um dom, e não como perda ou dano (Filipenses 1:29).
Mesmo assim, há pouquíssimos exemplos de pessoas piedosas, ou de suas famílias, sendo empurradas à miséria profunda em que muitos ímpios caem por causa do próprio pecado. Davi diz que não viu o justo desamparado, nem seus filhos mendigando o pão. Alguns explicam “desamparado” neste sentido: se eles caírem em necessidade, Deus lhes suscitará amigos que os socorram, para que não precisem se expor à vergonha de mendigar como pessoas comuns. Ou, se chegarem a ir de porta em porta em busca de alimento, não o farão em desespero, como o ímpio que anda vagueando à procura de pão e perguntando onde o há (Jó 15:23).
Eles não serão repelidos como o filho pródigo, que desejava encher o estômago com as alfarrobas, mas ninguém lhe dava nada (Lucas 15:16). Também não reclamarão amargamente se não ficarem plenamente satisfeitos, como os inimigos de Davi, que andavam vagueando por mantimento e murmuravam (Salmo 59:15). Alguns entendem que essa promessa se refere especialmente aos que são generosos e dispostos a socorrer os pobres, no sentido de que Davi nunca viu ninguém se arruinar por causa da bondade. É reter mais do que convém que conduz à pobreza (Provérbios 11:24).
Deus também não nos abandonará, mas nos guardará com bondade nas aflições e apertos (Salmo 37:28). “O Senhor ama o juízo”, isto é, ama fazer o que é justo e se agrada dos que praticam a justiça. Por isso ele não abandona seu povo no sofrimento, quando outros se afastam dele. Pelo contrário, cuida para que sejam preservados para sempre, ou seja, Deus guarda o seu povo em todas as épocas, protege cada santo nas provas presentes e, ao fim, os conduz à felicidade que dura para sempre. Ele os guardará para o seu reino celestial, e essa é a verdadeira preservação eterna (2 Timóteo 4:18; Salmo 12:7).
Também temos a promessa de um lar estabelecido, primeiro neste mundo, até onde Deus permitir, e depois num mundo melhor, quando deixarmos este. Habitaremos para sempre (Salmo 37:27) e não seremos exterminados como os filhos dos ímpios (Salmo 37:28). Os que fazem de Deus o seu descanso não ficam sem pouso nele, como se não tivessem casa. Nesta terra, não há lar permanente, não há cidade duradoura. Somente no céu, aquela cidade que tem fundamentos, é que os justos habitarão para sempre, e esse será o seu lar definitivo.
Também é prometido que não seremos presas fáceis de nossos inimigos, que tentam nos arruinar (Salmo 37:32, 33). Há um inimigo que aproveita toda oportunidade para nos ferir, um ímpio que espreita o justo como um leão espreita a presa e procura matá-lo. Isso se aplica aos ímpios em geral. Muitas vezes são astutos, observando uma brecha para ferir o justo de modo que pareça até justo, e são cruéis, porque buscam tirar a vida. Mas isso se aplica especialmente ao diabo, aquela antiga serpente com suas artimanhas para armar ciladas aos justos, seus planos, dos quais não devemos ser ignorantes, aquele grande dragão vermelho que procura matar, e aquele leão que ruge, inquieto e furioso, buscando a quem possa tragar.
No entanto, a promessa é que ele não terá êxito, seja Satanás, sejam aqueles que ele usa. Como inimigo em campo de batalha, o Senhor não deixará o justo em sua mão. Deus não permitirá que Satanás faça tudo o que deseja, nem retirará de seu povo a sua força e a sua graça. Em vez disso, vai capacitá-los a resistir e vencer, e a sua fé não falhará (Lucas 22:31, 32). O homem bom pode cair nas mãos de um mensageiro de Satanás e ser muito atribulado, mas Deus não o deixará nas mãos de Satanás (1 Coríntios 10:13).
Nem Satanás terá sucesso como inimigo no tribunal. Deus não condenará os justos quando forem julgados, ainda que o acusador dos irmãos os acuse diante de Deus dia e noite. As suas acusações mentirosas serão rejeitadas, assim como as acusações de Satanás contra Josué foram rejeitadas (Zacarias 3:1, 2). A resposta é: “O Senhor te repreenda, ó Satanás”.
Deus é quem justifica, isto é, quem declara justos, em seu tribunal, aqueles que eram pecadores; se é assim, quem poderá trazer acusação válida contra os escolhidos de Deus?
Deste capítulo
Salmos 37:1
"Salmo de Davi. Para servir de lembrança."
Salmos 37:2
"Senhor, em tua cólera não me repreendas; em teu furor, não me castigues,"
Salmos 37:3
"porque tuas flechas me atingiram, e tua mão desceu sobre mim."
Salmos 37:4
"Tua cólera nada poupou em minha carne; por causa do meu pecado, nada há de intacto em meus ossos."
Salmos 37:5
"Porque minhas culpas se elevaram acima da minha cabeça; como um pesado fardo, oprimem-me em demasia."
Salmos 37:6
"São fétidas e purulentas as feridas que minha loucura me causou."
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