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Salmos 17:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.
Salmos 17:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.
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Este salmo é uma oração. Assim como há tempo de chorar e tempo de se alegrar, também há tempo de louvar e tempo de orar. Davi estava debaixo de perseguição, provavelmente da parte de Saul, que o caçava pelos montes como se fosse uma perdiz. A aflição por fora e o temor por dentro o levaram ao trono da misericórdia como suplicante, isto é, como um pedinte humilde.
Ele fala com Deus aqui tanto por meio de apelo quanto de petição. Seu apelo é: “Ouve, SENHOR, a justiça; ouve a minha causa justa e julga-a.” Sua petição é: “Atende ao meu clamor; dá ouvidos à minha oração” (Salmo 17:1) e, de novo: “Inclina para mim o teu ouvido, ouve a minha fala” (Salmo 17:6). Isso não significa que Deus precise ser forçado pela nossa urgência, mas ele permite que expressemos o profundo desejo que temos por uma resposta graciosa da parte dele.
Davi apresenta três motivos para pedir que Deus o ouça. Primeiro, ele é sincero e não finge na oração. Sua oração não é feita com lábios enganosos. Ele fala o que pensa, e seu coração acompanha sua boca. Orações fingidas nada produzem; mas, quando o coração puxa a oração, Deus a encontra com seu favor.
Segundo, ele já vinha orando antes de a aflição chegar. Não era a primeira vez que a angústia o levava à oração. “Tenho te invocado” (Salmo 17:6); em outras palavras, ele diz: “Senhor, ouve-me agora.” É um grande consolo quando a tribulação nos encontra com as rodas da oração já em movimento. Assim podemos nos aproximar com mais ousadia do trono da graça. As pessoas, em geral, se dispõem mais prontamente a ajudar aqueles que há muito são seus clientes.
Terceiro, ele se sente animado, pela fé, a esperar que Deus o atenda. “Eu sei que me ouvirás; por isso, ó Deus, inclina os teus ouvidos para mim.” Uma confiança dependente de Deus é um forte argumento quando apresentamos a ele os nossos pedidos.
Vejamos agora o apelo de Davi. O tribunal ao qual ele recorre é o próprio céu. “Senhor, ouve a justiça, porque Saul está irado e parcial demais para ouvir o que é justo. Saia da tua presença a minha sentença” (Salmo 17:2). Os homens o julgaram como se fosse um malfeitor e o perseguiram, mas ele recorre deles para Deus. Ele já tinha feito esse mesmo apelo publicamente diante de Saul, dizendo: “O SENHOR julgue entre mim e ti” (1 Samuel 24:12), e agora o repete em oração particular.
Isso é grande sustento para pessoas inocentes que sofrem injustiça. Se ímpios nos caluniam, nos maltratam e nos distorcem, é consolo saber que temos um Deus justo que toma a nossa causa. Ele é defensor dos oprimidos, e o seu juízo é verdadeiro. Ele trará toda pessoa e toda causa à luz, removerá toda aparência enganosa, reverterá toda sentença injusta e dará a cada um segundo as suas obras.
A sinceridade nada tem a temer da investigação de Deus. Na aliança da graça, isto é, no trato gracioso de Deus de salvar o seu povo, os retos podem dizer: “Façam os teus olhos justiça.” O pleno conhecimento que Deus tem de nós é alegria para o honesto, mas terror para o hipócrita. Isso é especialmente confortador para os falsamente acusados e injustamente tratados.
Davi também aponta para as evidências que sustentam o seu apelo. Deus o havia provado (Salmo 17:3). O juízo de Deus é reto porque ele julga com conhecimento completo, mais certo do que a investigação humana mais minuciosa. Davi sabia que Deus o havia provado de duas maneiras.
Primeiro, Deus o provou por meio da sua própria consciência, que é como um servo de Deus na alma. “O espírito do homem é a lâmpada do SENHOR.” Deus o havia sondado dessa forma quando Davi examinava o seu coração à noite. Ele havia revisto a sua vida com honestidade para ver onde estava errado, mas não encontrou em si os crimes de que seus inimigos o acusavam.
Segundo, Deus o provou por meio da providência, isto é, dos acontecimentos que Deus permitiu. Davi teve duas oportunidades claras de matar Saul. Também foi provado pelo ódio de Saul, pela traição de amigos e por muitas provocações. Se Davi fosse o homem que diziam que ele era, isso teria aparecido. Mas, depois de todas essas provas, nada confirmou as acusações contra ele.
Deus tinha sondado o coração de Davi e podia testemunhar sua integridade. E Davi também aponta duas coisas que a própria consciência dele podia confirmar. Primeiro, ele havia tomado uma firme resolução de não pecar com a língua. “A minha boca não consentiu” em transgredir. Ele não diz: “Espero que não peque”, mas: “Resolvi que não pecará.” Ele vigiava a sua boca (Salmo 39:1). Resolução constante e vigilância contra pecados de fala são bons sinais de integridade. Se alguém não tropeça no falar, essa pessoa é madura (Tiago 3:2). Davi não quer dizer que jamais falhou nas palavras, pois todos tropeçamos em muitas coisas. Ele quer dizer que havia decidido sinceramente que sua boca não pecaria, e Deus sabe se esse propósito é verdadeiro.
Segundo, ele tinha sido tão cuidadoso para evitar ações pecaminosas quanto para evitar palavras pecaminosas (Salmo 17:4). Ele declara que, nos negócios comuns da vida, se guardara, pela orientação da palavra de Deus, das veredas do destruidor. Alguns entendem isso especialmente a respeito de Saul, ou seja, Davi recusou destruir Saul quando teve oportunidade e ainda impediu outros de fazê-lo, dizendo a Abisai: “Não o mates” (1 Samuel 26:9). Em sentido mais amplo, significa que ele se preservou de obras más e procurou, na posição em que estava, impedir outros de cometê-las também.
Os caminhos do pecado são as veredas do destruidor. Esse destruidor é o diabo, cujo ofício é arruinar almas, atraindo-as ao pecado. Todos nós precisamos ficar fora dessas veredas, porque, se andarmos no caminho que leva à perdição, teremos de culpar a nós mesmos quando destruição e miséria vierem no fim. É pela palavra de Deus, nossa guia e nossa regra, que nos desviamos dessas veredas, seguindo suas orientações e advertências (Salmo 119:9). Se evitarmos com cuidado os caminhos pecaminosos, isso nos consolará depois, especialmente em tempos de tribulação. Se nos guardarmos de modo que o maligno não nos toque com suas tentações (1 João 5:18), podemos esperar que também não nos toque com seus terrores.
A petição de Davi, em resumo, é que ele experimente a obra de Deus em seu coração como prova do favor de Deus para com ele. Isso é graça e paz da parte de Deus Pai. Primeiro ele ora pela graça de Deus para que o mantenha no caminho certo (Salmo 17:5).
“Senhor, pela tua graça tenho me guardado da vereda do destruidor. Pela mesma graça, mantém-me nas tuas veredas. Faz mais do que me deter do mal: desperta-me para continuar fazendo o bem. Firma os meus passos nos teus caminhos, para que eu não volte atrás nem me desvie. Guarda-me de tropeçar em pecado ou de negligenciar o meu dever. Senhor, como me tens guardado até aqui, continua a guardar-me.”
Os que andam nos caminhos de Deus pela graça ainda precisam orar para que seus passos sejam firmados nesses caminhos. Não permanecemos em pé, se ele não se agradar de nos sustentar. Não avançamos, se ele não nos guiar, apoiar e carregar. Davi tinha sido preservado até ali na vereda do dever, mas não julgava isso suficiente para garantir seu futuro; por isso orou: “Senhor, continua a sustentar-me.”
Quem deseja prosseguir e continuar obedecendo a Deus precisa buscar dele, dia após dia, nova graça e novo vigor, por meio da fé e da oração. Davi sabia que seu caminho era escorregadio. Sabia que ele mesmo era fraco e não tão firme e preparado quanto deveria ser. Também sabia que muitos vigiavam para vê-lo cair e aproveitariam o menor deslize contra ele. Por isso, orou: “Senhor, sustenta-me, para que o meu pé não escorregue, e para que eu nunca diga ou faça coisa alguma que pareça desonesta ou revele desconfiança de ti, do teu cuidado ou da tua promessa.”
Ele também pede sinais do favor de Deus (Salmo 17:7). Observe, primeiro, como ele olha para Deus como protetor e salvador do seu povo e daí tira consolo em sua oração: “Tu, que com a tua destra salvas”, isto é, com o teu próprio poder, sem precisar de ajuda de ninguém, “os que confiam em ti daqueles que se levantam contra eles.” Confiar em Deus faz parte do caráter do seu povo. Ele se agrada em tê-los como seus íntimos, pois “o seu segredo está com os justos”, e eles fazem dele o seu refúgio, entregando-se a ele.
Os que confiam em Deus têm muitos inimigos, muitos que se levantam contra eles e buscam arruiná-los. Mas eles têm um único Amigo que pode tratar de todos esses inimigos. Se ele é por eles, não importa quem seja contra eles. Ele considera honra ser o seu Salvador. Seu poder onipotente está empenhado em favor deles, e todos os seus têm experimentado que ele está pronto para salvar.
O texto também pode ser entendido assim: “Tu, que salvas os que confiam em ti daqueles que se levantam contra a tua destra.” Os que se opõem aos santos são rebeldes contra Deus e contra a sua destra, isto é, contra o seu poder. Por isso, não há dúvida de que, no tempo certo, ele se levantará contra eles.
Em seguida, Davi diz a Deus o que ele deseja e espera: “Mostra a tua maravilhosa benignidade”. Essa expressão fala, em primeiro lugar, de favores especiais. É como se dissesse: “Reserva a tua benignidade para mim. Não me deixes apenas com bênçãos comuns, mas sê gracioso comigo como és para aqueles que amam o teu nome”. Também aponta para favores admiráveis: “Que a tua benignidade seja algo espantoso. Senhor, mostra o teu favor de um modo que faça tanto a mim quanto aos outros ficarem cheios de admiração”.
A benignidade de Deus é maravilhosa porque é totalmente livre e plenamente abundante. Em certos casos, ela se mostra de modo especialmente admirável (Salmo 118:23). E certamente será vista assim na salvação dos santos, quando Cristo vier para ser glorificado neles e para ser admirado em todos os que creem.
Deste capítulo
Salmos 17:2
"Disse: Eu te amo, Senhor, minha força!"
Salmos 17:3
"O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força da minha salvação e minha cidadela."
Salmos 17:4
"Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos."
Salmos 17:5
"Os vagalhões da morte me cercavam, torrentes devastadoras me atemorizavam,"
Salmos 17:6
"as cadeias da habitação dos mortos me enlaçavam, a própria morte me prendia em suas redes."
Salmos 17:7
"Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para o meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos."
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