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Salmos 13:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ao mestre de canto. De Davi. O insensato diz em seu coração: “Deus não existe”. Os homens se corromperam, sua conduta é abominável; não há um só que faça o bem. "

Salmos 13:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ao mestre de canto. De Davi. O insensato diz em seu coração: “Deus não existe”. Os homens se corromperam, sua conduta é abominável; não há um só que faça o bem.

2 Do alto do céu, o Senhor observa os filhos dos homens, para ver se acaso existe alguém sensato que busque a Deus.

3 Mas todos eles se desviaram e se perverteram; não há mais ninguém que faça o bem, nem um, nem mesmo um só.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi está em profunda aflição aqui, derramando a sua alma diante de Deus. A oração é curta, mas o modo como ele ora merece ser observado, porque oferece direção e também encorajamento. Suas angústias despertam queixas, e os aflitos têm liberdade para expor sua dor diante do Senhor (título de Salmo 102). Aliviam-se as dores do coração quando ele pode falar dos seus pesares, especialmente diante do trono da graça, para onde podemos ir com confiança àquele que se compadece das tribulações do seu povo e conhece a sua fraqueza.

Veja primeiro do que Davi se queixa. Ele fala como se Deus tivesse sido pouco bondoso com ele, e nisso se revela sua fraqueza. Achou que Deus o havia esquecido, esquecido de suas promessas, de sua aliança com ele e do amor que antes lhe demonstrara. Sentiu como se Deus tivesse esquecido até mesmo que ele existia no mundo e precisava de ajuda e livramento. Sião disse a mesma coisa: “O Senhor me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim” (Isaías 49:14), e Israel também: “O meu caminho está encoberto ao SENHOR” (Isaías 40:27).

Isso não significa que uma pessoa piedosa, de fato, duvide do poder, da bondade ou da fidelidade de Deus. É a voz do medo quando ele toma a dianteira. Ainda assim, quando esse medo nasce de um desejo profundo pelo favor de Deus, embora seja errado e reprovável, será perdoado, porque um juízo melhor e mais calmo logo o corrigirá. Deus escondeu o seu rosto de Davi, e assim ele perdeu o consolo interior que costumava ter em Deus. Nisso, Davi foi uma figura de Cristo na cruz, clamando: “Deus meu, por que me desamparaste?” Deus às vezes esconde o rosto até de seus próprios filhos e os deixa inseguros quanto à sua condição diante dele. Muitas vezes, eles sentem isso mais profundamente do que qualquer tribulação exterior.

Davi também se queixa da própria miséria. Sua mente estava cheia de preocupações, e ele diz: “Entesourei os cuidados na minha alma”, isto é, ficava voltando seus pensamentos sobre o problema. Estava confuso, sem conselheiro em quem pudesse confiar, e ficava o tempo todo planejando como poderia ajudar a si mesmo. Mas nenhum plano parecia ter probabilidade de dar certo, e assim ele se via impelido a uma agitação contínua. A ansiedade é um fardo pesado, e até pessoas tementes a Deus muitas vezes colocam sobre si mesmas mais desse fardo do que deveriam.

Ele também estava oprimido por uma tristeza constante, que enchia o coração: “Tenho tristeza no meu coração todo o dia.” Havia nele uma inclinação persistente à melancolia, que consumia suas forças interiores. Isso o perturbava não apenas à noite, quando estava só e em silêncio, mas também durante o dia, quando conversas e ocupações normalmente aliviam a dor. Cada dia parecia trazer novos motivos para chorar, como se as nuvens voltassem logo depois da chuva. Para o povo de Deus, às vezes a tristeza se torna um “pão de cada dia”. Nosso Senhor mesmo foi “homem de dores”.

Seus inimigos tornavam tudo ainda pior. Saul, seu grande adversário, e outros sob sua liderança, se exaltavam sobre ele. Zombavam de sua aflição, se alegravam em sua tristeza e aguardavam uma vitória completa contra ele. Davi sentia isso como um insulto a Deus, pois lhe parecia que tanto o poder quanto as promessas do Senhor estavam sendo desonrados.

Então Davi se volta para Deus com uma pergunta: “Até quando isto vai durar?” Tribulação prolongada põe a paciência à prova e muitas vezes a desgasta. Quando a aflição se alonga, é fácil imaginar que será para sempre. Assim, o desânimo pode se cristalizar em desespero, e quem passa muito tempo sem alegria começa a perder a esperança. Ele pede ao Senhor que lhe diga até quando esconderá o seu rosto e que o assegure de que isso não será para sempre, mas que, no fim, a misericórdia voltará. Essa certeza tornaria muito mais suportáveis as aflições presentes.

Suas queixas, então, o conduzem à oração. Nunca devemos permitir em nós queixas que não possam ser levadas à presença de Deus e que não nos levem de joelhos a ele. Davi pede que Deus considere o seu caso, ouça o seu clamor e ilumine os seus olhos. Isso significa, em primeiro lugar: fortalece a minha fé, porque a fé é o “olho da alma”, que a ajuda a olhar acima dos problemas visíveis e através deles. Em segundo lugar: guia meus passos, para que eu perceba e evite as armadilhas que armam contra mim. Em terceiro lugar: refrigera a minha alma com a alegria da tua salvação. Quando o espírito é levantado da opressão, diz-se que os olhos se tornam mais claros (1 Samuel 14:27; Esdras 9:8). Ele pede que Deus remova a nuvem de tristeza e torne o seu semblante novamente alegre.

Ele também apela ao seu relacionamento com Deus: “Ó SENHOR, meu Deus.” Em seguida, apresenta o perigo em que se encontra, pois precisa de socorro rápido. Se Deus não iluminar seus olhos em breve, ele crê que morrerá: “dormirei o sono da morte.” Nada é mais mortal para a alma do que a perda do favor de Deus, e nada é mais restaurador do que o seu retorno. Ele também teme que seus inimigos triunfem. Se cair, eles dirão: “Foi o que desejamos”, e Saul, e até Satanás, se alegrarão. O orgulho deles seria alimentado, porque poderiam dizer que prevaleceram, que saíram vitoriosos sobre ele e sobre o Deus dele. E a maldade deles também seria alimentada, porque se regozijariam com a sua queda. Davi não suporta a ideia de que o santo nome de Deus seja assim pisado.

Então, quase de repente, a oração se transforma em louvor: “Mas eu confio na tua benignidade; o meu coração se alegrará na tua salvação. Cantarei ao SENHOR.” Que mudança repentina é essa. No início do salmo, ele está afundando em tristeza e medo; ao final, está se alegrando em Deus e cheio de louvor. Isso mostra o poder da fé, o poder da oração e a bênção de se aproximar de Deus. Quando levamos nossos cuidados e tristezas ao trono da graça e os deixamos ali, podemos sair como Ana, que “se foi o seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste” (1 Samuel 1:18).

A misericórdia de Deus é o sustento de sua fé. Davi sabe que a situação é suficientemente grave para parecer sem esperança, até que ele se lembra da bondade inesgotável do Senhor. Como ele tem misericórdia em que confiar, é consolado, ainda que não tenha mérito algum em si mesmo. Em aflições anteriores, ele já confiara na misericórdia de Deus e nunca a encontrou falhando. Essa misericórdia o ajudou no tempo certo, e a confiança nela o sustentou até lá. Mesmo agora, embora Deus esconda o rosto e os temores o cerquem por todos os lados, ele ainda confia na misericórdia divina, que é como âncora em meio à tempestade. Pode ser sacudido, mas não será submerso. Continua a se entregar a essa misericórdia, certo de que ela, por fim, lhe fará bem. Deus se agrada daqueles que esperam na sua misericórdia (Salmo 147:11).

Sua fé na misericórdia de Deus enche o seu coração de alegria na salvação do Senhor, porque alegria e paz vêm pela fé (Romanos 15:13). Quando alguém crê, alegra-se (1 Pedro 1:8). Depois que confiou na misericórdia de Deus, Davi passou a ter plena certeza de salvação e sabia que o seu coração, que até então se consumia em tristeza dia após dia, ainda se alegraria nessa salvação.

Ainda que a tristeza dure muito tempo, a alegria voltará. Sua alegria na salvação de Deus também encherá a sua boca de cânticos de louvor (Salmo 13:6). Ele diz: “Cantarei ao SENHOR”, querendo dizer que continuará cantando em lembrança do que Deus já fez por ele. Mesmo que nunca voltasse a ter a mesma paz que teve antes, morreria bendizendo a Deus por um dia tê-la conhecido.

Deus já havia agido com grande bondade para com ele no passado, e Deus deveria receber glória por isso, qualquer que fosse a forma como tratasse Davi dali em diante. Ele também cantaria na esperança do que Deus ainda faria por ele, porque tinha certeza de que tudo terminaria bem, e bem para sempre. Ele fala disso como se já tivesse acontecido: “pois me tem feito muito bem”, porque, pela fé, já havia recebido as primícias da salvação e estava tão certo dela como se fosse um fato consumado.

Quando cantamos este salmo e oramos com suas palavras, se não temos as mesmas queixas que Davi teve, devemos agradecer a Deus por isso. Devemos temer e suplicar para que ele não retire de nós a sua presença, compadecer-nos dos que estão atribulados em sua mente e fortalecer-nos na fé e na alegria que são santíssimas.

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