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Salmos 104:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Aleluia. Celebrem o Senhor, aclamem o seu nome, proclamem entre as nações as suas obras.
Salmos 104:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Aleluia. Celebrem o Senhor, aclamem o seu nome, proclamem entre as nações as suas obras.
2 Cantem-lhe hinos e cânticos, anunciem todas as suas maravilhas.
3 Gloriem-se no seu santo nome; alegre-se o coração dos que procuram o Senhor.
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Quando nos aproximamos de qualquer ato de adoração, precisamos despertar a nós mesmos para encontrar Deus nele (Isaías 64:7). É isso que Davi faz aqui. Ele parece dizer à própria alma: “Venha, alma, onde você está? Em que está pensando? Esta é uma obra santa, é obra digna até dos anjos. Entregue-se a isso com propósito verdadeiro: Bendize, ó minha alma, ao Senhor!”.
Nesses versículos, o salmista primeiro levanta os olhos para a glória de Deus no mundo superior, que a fé enxerga mesmo quando os olhos não veem. Ele começa com reverência e temor santo: “Senhor Deus meu, tu és magnificentíssimo!”. É alegria do povo de Deus saber que o seu Deus é um Deus grande. A honra de um rei é o orgulho e o deleite de seus súditos fiéis.
Davi descreve a grandeza de Deus comparando-a com o modo como reis terrenos tentam se apresentar em público. Toda a pompa real, mesmo a dos reis do Oriente, amantes do esplendor, é como a luz de um vaga-lume diante do sol em todo o seu brilho. Costuma-se julgar a grandeza dos reis, em primeiro lugar, pelas vestes que usam. Quais são, então, as vestes de Deus? “Estás vestido de glória e de majestade” (Salmo 104:1). Deus é visto em suas obras, e nelas se manifesta como infinitamente sábio, bom e grande.
“Ele se cobre de luz como de um vestido” (Salmo 104:2). Deus é luz (1 João 1:5), o Pai das luzes (Tiago 1:17), e habita em luz inacessível (1 Timóteo 6:16). A luz é a coisa visível que mais se aproxima da natureza de um espírito, por isso Deus a usa como figura de si mesmo. Assim como as pessoas são percebidas pelas roupas que vestem, Deus se revela nessa glória resplandecente, embora o seu rosto ninguém possa ver.
Os reis também se distinguem pelos palácios ou pelas tendas com que saem à guerra. Qual é o palácio de Deus, qual é o seu pavilhão? “Ele estende os céus como uma cortina” (Salmo 104:2). Ele fez isso na criação, quando formou o firmamento, palavra que traz a ideia de algo estendido (Gênesis 1:7). Ele ainda hoje sustenta os céus, e eles permanecem firmes por sua ordem. O ar que envolve a terra é como uma cortina em volta de um leito, conservando a terra aquecida e suavizando o brilho do mundo superior.
Embora Deus se cubra de luz, ele também faz das trevas o seu esconderijo, em misericórdia para conosco. Nuvens espessas são como uma cobertura para ele. A grandeza desse vasto pavilhão deve nos levar a considerar quão grande é aquele que enche o céu e a terra. Ele tem os seus aposentos, os “altos quartos”, como a palavra indica, e assenta suas vigas nas águas que estão acima do firmamento (Salmo 104:3). Pelo seu poder, ar e água permanecem firmes em seus lugares, como se estivessem sustentados por vigas e traves.
Os reis viajam com pompa em cavalos e carros de guerra, e isso acrescenta glória ao seu nome. Mas Deus faz das nuvens os seus carros, e cavalga sobre elas com força, rapidez e acima de toda oposição, sempre que exerce sua providência especial neste mundo. Ele desceu numa nuvem como em um carro ao monte Sinai para dar a lei, e ao monte da transfiguração para proclamar o evangelho (Mateus 17:5). Ele também anda, com doçura e majestade, sobre as asas do vento. Ele ordena aos ventos e os usa conforme os seus sábios propósitos.
Deus também é grande em seus assistentes, seus servos celestiais. “Faz dos seus anjos espíritos” (Salmo 104:4). O apóstolo cita essas palavras para mostrar a superioridade de Cristo sobre os anjos (Hebreus 1:7). Esses anjos são chamados de seus anjos e seus ministros porque pertencem ao seu reino e cumprem a sua vontade. São chamados espíritos, e são comparados ao vento e ao fogo, indicando que são ágeis, puros e ativos. São seres espirituais, não corporais como nós. Por serem espíritos, estão menos sujeitos a limitações do que os homens e são, em sua natureza, mais próximos da glória de Deus.
Eles são brilhantes e velozes, como fogo, como chama. Na visão de Ezequiel, iam e vinham como relâmpagos (Ezequiel 1:14). Por isso são chamados serafins, isto é, “ardentes”. Tudo o que os anjos são, são pela obra de Deus. Ele lhes dá o ser, os conserva no ser e os emprega como lhe apraz.
Depois o salmista olha para baixo e ao redor, para o poder de Deus no mundo inferior. Ele não fica tão absorvido pela glória do céu a ponto de se esquecer das regiões mais distantes do domínio de Deus, nem mesmo do mar e da terra seca. “Ele fundou a terra” (Salmo 104:5). Embora a tenha pendurado sobre o nada (Jó 26:7), ela permanece firme como se estivesse edificada sobre os alicerces mais sólidos. Ele firmou a terra sobre os seus fundamentos, de modo que, embora o pecado dos homens a tenha abalado e a malícia do inferno a ataque, ela não será abalada para sempre, isto é, até o fim do tempo, quando dará lugar à nova terra.
Deus também estabeleceu limites para o mar, pois o mar também lhe pertence. Na criação, ele o trouxe dentro de fronteiras definidas. A princípio, a terra, corpo mais pesado, estava coberta pelo abismo (Salmo 104:6). As águas estavam acima das montanhas, e assim a terra não era própria para a habitação humana. Então, no terceiro dia, Deus disse: “Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a terra seca” (Gênesis 1:9). O salmo chama esse mandado de repreensão de Deus, como se ele falasse em desagrado porque a terra estava encoberta e imprópria para morada do homem. Poder acompanhou essa palavra, por isso também é chamada de voz do seu trovão, uma voz poderosa que produz grandes efeitos (Salmo 104:7).
À tua repreensão, as águas fugiram, como se de repente percebessem que estavam fora de lugar. Apressaram-se em recuar, como se clamassem às rochas e montes que as escondessem. Como diz o salmo em outro lugar: “As águas te viram, ó Deus, as águas te viram e tremeram” (Salmo 77:16). Até aquelas águas em movimento sentiram a força do terror de Deus.
Mas estaria o Senhor irado com os rios por causa deles mesmos? Não; ele os repreendeu por causa do seu povo. Era para abrir espaço para a vida humana, como em Habacuque, onde Deus age para a salvação do seu povo (Habacuque 3:8, 13). Os homens não foram feitos para ficar como os peixes do mar, comprimidos, sem ar para respirar (Habacuque 1:14). Por isso as águas logo se retiraram (Salmo 104:8).
Elas correram por montes e vales, subiram pelos outeiros e desceram pelos vales, até chegarem ao lugar que Deus lhes determinou. Ali se aquietaram. O modo tão pronto com que até essas águas inquietas obedecem a Deus deveria nos ensinar obediência à sua palavra e à sua vontade. Seria o homem, entre todas as criaturas, o único a se mostrar rebelde?
O recuo das águas e o seu descanso no lugar estabelecido por Deus também deveriam nos ensinar a aceitar o modo como a sábia providência de Deus determina os limites da nossa habitação. Deus mantém as águas dentro dos seus limites (Salmo 104:9). Elas estão proibidas de ultrapassar a fronteira que ele fixou, de modo que não voltam a cobrir a terra.
Elas de fato cobriram a terra uma vez, no dilúvio dos dias de Noé, porque Deus assim ordenou. Mas desde então não o fizeram, porque ele as contém e prometeu nunca mais destruir o mundo com água. O próprio Deus aponta isso como demonstração do seu poder (Jó 38:8 e seguintes) e se serve disso para nos conclamar ao temor do seu nome (Jeremias 5:22). Se meditássemos nisso como convém, viveríamos em santo temor diante do Senhor e de sua bondade, pois o mar poderia rapidamente cobrir a terra se Deus não o detivesse.
Deste capítulo
Salmos 104:2
"Cantem-lhe hinos e cânticos, anunciem todas as suas maravilhas."
Salmos 104:3
"Gloriem-se no seu santo nome; alegre-se o coração dos que procuram o Senhor."
Salmos 104:4
"Recorram ao Senhor e ao seu poder, procurem continuamente a sua face."
Salmos 104:5
"Lembrem-se das maravilhas que ele realizou, dos seus prodígios e dos julgamentos proferidos por seus lábios,"
Salmos 104:6
"ó descendência de Abraão, seu servo, ó filhos de Jacó, seus escolhidos!"
Salmos 104:7
"Ele é o Senhor, nosso Deus; suas sentenças governam a terra inteira."
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