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Salmos 102:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Salmo de Davi. Bendiga, ó minha alma, o Senhor, e tudo o que existe em mim bendiga o seu santo nome.

Salmos 102:1

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1 Salmo de Davi. Bendiga, ó minha alma, o Senhor, e tudo o que existe em mim bendiga o seu santo nome.

2 Bendiga, ó minha alma, o Senhor, e jamais se esqueça de todos os seus benefícios.

3 É ele quem perdoa as suas faltas e cura as suas enfermidades.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O título deste salmo é muito marcante. Ele é a oração de alguém aflito, escrita por uma pessoa que conhecia a aflição de perto, tanto em sua própria vida quanto na vida do povo de Deus. Problemas desse tipo pesam ainda mais sobre aqueles que se importam profundamente com o bem público e com o bem-estar da igreja. Este salmo é destinado a qualquer um que esteja em angústia semelhante, porque tudo o que foi escrito na Escritura foi escrito para nosso proveito.

Toda a palavra de Deus nos ajuda a aprender a orar, mas aqui o Espírito Santo foi além e moldou a oração para nós. É como se ele tivesse colocado palavras em nossa boca e dito ao aflito para tomá-las e levá‑las a Deus. O crente que sofre não deve apenas mover as mãos, mas o coração, e apresentar esta oração com sinceridade diante do Senhor. Muitas vezes, até os melhores santos sofrem profundamente neste mundo. Mesmo pessoas piedosas podem sentir-se quase arrasadas e prestes a desfalecer debaixo de seus problemas.

Quando nossa condição é de aflição e nosso espírito está esmagado, é tanto nosso dever quanto nosso consolo orar. Devemos derramar nossas queixas diante do Senhor, o que mostra a liberdade que Deus nos dá para falar abertamente com ele e chegar perto dele. Isso também mostra quanto alívio recebe o coração aflito quando expõe humildemente suas dores diante de Deus. Nesta oração, o salmista primeiro pede que Deus atente tanto para a sua aflição quanto para a sua oração em meio a ela (Salmo 102:1, Salmo 102:2).

Quando oramos na angústia, devemos nos importar principalmente que Deus nos ouça com graça. Se nossas orações não lhe são agradáveis, não nos trarão verdadeiro proveito. Por isso, nosso olhar deve estar fixo nisto: que a nossa oração chegue até Deus, até aos seus ouvidos (Salmo 18:6). Para isso, devemos elevar a oração e, com ela, elevar a nossa alma. Ao mesmo tempo, podemos esperar que ele nos ouça, porque ele mandou que o buscássemos e prometeu que não o buscaremos em vão.

Se oramos com fé, podemos dizer também: “Ouve, SENHOR, a minha oração.” Isso quer dizer: “Faz-me saber que estás perto. Não escondas de mim o teu rosto, em ira, enquanto estou na angústia. Se não me libertares logo, ainda assim faze-me sentir o teu favor. Se eu ainda não puder ver a tua mão agindo em meu favor, permite-me ao menos ver o sorriso do teu rosto.” O fato de Deus esconder o rosto já é dor suficiente para um piedoso mesmo em tempos de prosperidade (Salmo 30:7). Se ele esconde o rosto justamente quando sofremos, o caso é muito mais triste.

Isso também significa: “Age por mim. Faz mais do que ouvir. Responde. Concede-me o socorro de que preciso, e faze-o depressa, no próprio dia em que eu clamo.” Quando a angústia aperta, Deus nos permite ser insistentes na oração, ainda que sempre com humildade e paciência.

Em seguida, o salmista apresenta uma queixa dolorosa sobre quão baixo a aflição o tinha lançado. Seu corpo definhara a ponto de parecer um esqueleto, só pele e ossos. Assim como a prosperidade e a alegria são retratadas por ossos fortes e saudáveis, grandes tribulações são retratadas pelo contrário. Ele diz: “os meus ossos se queimam como lenha” (Salmo 102:3), “os meus ossos se pegam à minha pele” (Salmo 102:5), e “o meu coração está ferido e seco como a erva” (Salmo 102:4). A angústia alcançava até suas forças vitais, e o desgaste era evidente. Ele diz: “eu me vou secando como a erva” (Salmo 102:11), queimada pelo calor de sua aflição. Se a fraqueza do corpo nos leva tão baixo, não devemos estranhar, pois o corpo é como a erva, fraco e terreno por natureza.

Ele também estava profundamente triste e abatido de espírito. Estava tão absorvido em seus problemas que se esquecia de comer o pão (Salmo 102:4). Não tinha apetite nem para o alimento necessário e não conseguia desfrutá-lo. Quando Deus esconde o seu rosto da alma, até os prazeres dos sentidos perdem o sabor. Ele vivia suspirando e gemendo, como alguém oprimido além da medida (Salmo 102:5), e isso o consumia e esgotava suas forças. Também se afastou dos outros, como as pessoas tristes e atribuladas costumam fazer.

Seus amigos se afastaram e mantiveram distância, e ele próprio tinha pouco interesse em companhia (Salmo 102:6, Salmo 102:7). Ele diz: “sou como o pelicano no deserto”, uma ave solitária de voz triste. Também é “como o mocho nas solidões”, morando em lugares arruinados e desertos. Ele vigia e é “como o pardal solitário sobre o telhado”. Em outras palavras, diz: “vivo sozinho e passo as horas pensando nas minhas tristezas e lamentando a minha situação.” Pessoas que fazem isso quando estão abatidas podem sentir algum alívio momentâneo, mas normalmente se prejudicam. Não percebem o que estão fazendo, nem quanto espaço dão ao tentador. Na aflição, devemos ficar a sós para ponderar os nossos caminhos (Lamentações 3:28), mas não ficar a sós para alimentar um pesar doentio.

Ele também era alvo das palavras de seus inimigos, e todo tipo de mal era dito a seu respeito. Quando seus amigos se afastaram, seus adversários se aproximaram (Salmo 102:8). “Os meus inimigos me afrontam todos os dias.” Faziam isso tanto para o irritar, pois uma mente generosa se fere com a desonra, quanto para torná-lo desprezível aos olhos dos outros. Quando não podiam alcançá-lo de outras maneiras, lançavam contra ele palavras amargas. E faziam isso sem descanso, o dia todo, como um gotejar contínuo.

Seus inimigos também eram ferozes e implacáveis. “São loucos contra mim”, isto é, agiam com fúria, obstinação e não queriam desistir. “E se foram contra mim”, podendo lembrar os judeus que se ligaram por juramento para matar Paulo, ou acusadores que juraram conseguir sua morte. De um modo ou de outro, eram determinados e maliciosos.

Ele também jejuava e chorava sob os sinais do desagrado de Deus (Salmo 102:9, Salmo 102:10). “Pois tenho comido cinza como pão” significa que ele tomou o lugar mais baixo e mais triste, como se cinzas fossem seu alimento. Em vez de desfrutar do seu pão, deitava-se no pó e na cinza. “E misturado a minha bebida com o choro” indica que, até quando deveria se refrescar, só conseguia aliviar sua dor derramando lágrimas.

Ele explica a razão: “Por causa da tua ira.” Não era apenas o sofrimento em si que o feria, mas a consciência de que a ira de Deus estava por trás da aflição. Essa era a parte mais amarga do sofrimento, o absinto e o fel em sua tristeza. Ele diz: “porque me alçaste e me rejeitaste”, como alguém erguido apenas para ser lançado ao chão com mais força e despedaçado. Ou pode querer dizer: “Tu já me levantaste em honra, alegria e grande prosperidade, e a lembrança disso torna minha tristeza presente ainda mais aguda.” Devemos reconhecer a mão de Deus tanto quando nos exalta quanto quando nos abate, e dizer: “Bendito seja o nome do SENHOR, que dá e toma.”

Ele se vê como alguém praticamente morrendo. “Porque os meus dias se consomem como a fumaça” (Salmo 102:3), que logo se dissipa e não deixa nada para trás. Ou, como diz de novo, são “como a sombra que declina” (Salmo 102:11), como a sombra da tarde ou como um sinal de que a noite se aproxima.

Embora pareça tratar apenas dos sofrimentos pessoais do salmista e seja, de fato, uma oração de um indivíduo atribulado, este salmo também foi dado para representar o sofrimento da igreja de Deus. O salmista sente aquelas dores públicas como se fossem suas. Nesse sentido, ele se põe ao lado de todo o povo de Deus e lamenta por ele.

A igreja, que é o corpo de Cristo em sentido espiritual, às vezes se parece com o corpo do salmista aqui: ressecado e consumido. Em certos momentos ela parece tão desamparada quanto ossos secos. Às vezes, a igreja é lançada ao deserto, parece perdida e se sente como se tivesse sido deixada, como se o desagrado de Deus estivesse sobre ela.

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