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Salmos 1:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Feliz é o homem que não age conforme o conselho dos ímpios, não anda no caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores.
Salmos 1:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Feliz é o homem que não age conforme o conselho dos ímpios, não anda no caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores.
2 Feliz é aquele que tem prazer no serviço do Senhor e medita em sua lei dia e noite.
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O salmo começa descrevendo o caráter e a condição da pessoa piedosa, para que os que pertencem a Deus encontrem, antes de tudo, consolo nessas palavras. Ele nos apresenta um retrato do espírito e do modo de viver do justo, para que possamos nos examinar à sua luz. O Senhor conhece os seus pelo nome, mas nós os conhecemos pelo caráter. Isso se ajusta à nossa vida presente de provação, porque fomos colocados aqui para aprender esse caráter e procurarmos viver à altura dele, tanto como dever sob a lei de Deus, quanto como parte da promessa que nos é destinada.
A pessoa boa é descrita pela regra que escolhe seguir e pelo guia em quem confia. Aquilo que tomamos por guia, no começo e a cada encruzilhada, é de grande importância, seja o caminho do mundo ou a palavra de Deus. Se escolhemos o padrão e o líder errados, o erro é profundo e mortal. Mas, se estamos certos nesse ponto, estamos num bom caminho.
A pessoa piedosa, se deseja evitar o mal, rejeita completamente a companhia dos ímpios e se recusa a ser guiada por eles (Salmo 1:1). Isso vem em primeiro lugar, porque quem quer guardar os mandamentos de Deus precisa dizer aos malfeitores: “Apartai-vos de mim” (Salmo 119:115), e é aí, no desviar-se do mal, que começa a sabedoria. Ele vê ímpios por todos os lados, porque o mundo está cheio deles. Eles são descritos de três maneiras: ímpios, pecadores e escarnecedores. Isso mostra como as pessoas avançam, passo a passo, em direção a um mal cada vez maior.
Ninguém se torna profundamente perverso de uma vez só. Primeiro são ímpios, jogando fora o temor de Deus e negligenciando o dever para com ele. Em seguida avançam, e, uma vez colocada a religião de lado, tornam-se pecadores, revoltando-se abertamente contra Deus e servindo ao pecado e a Satanás. Deveres negligenciados levam a pecados declarados, e estes vão endurecendo o coração até que, por fim, se tornam escarnecedores, zombando abertamente das coisas santas, rindo da religião e tratando o pecado como brincadeira. O pecado sempre desce ladeira abaixo. O ímpio vai piorando, e os pecadores acabam se tornando tentadores e defensores do mal. A palavra traduzida como “ímpios” indica pessoas instáveis, sem alvo definido e sem regra firme, levadas por todo desejo e toda tentação. “Pecadores” são os que se dedicam a praticar o pecado como seu ofício. “Escarnecedores” são os que falam contra o céu. O justo os contempla com tristeza, porque eles afligem continuamente a sua alma justa.
Contudo, ele os evita onde quer que estejam. Não faz o que eles fazem e, por isso, não mantém com eles uma convivência estreita. Não anda segundo o conselho dos ímpios. Não se senta nas suas reuniões nem toma o seu conselho. Ainda que sejam hábeis, sagazes ou instruídos, se são ímpios, não são as pessoas em quem ele confia para receber orientação. Ele não concorda com eles nem toma suas opiniões como padrão. Os ímpios são rápidos em aconselhar contra a religião, e suas palavras podem ser tão habilidosas que devemos ser gratos quando escapamos de ser moldados ou enredados por elas.
Ele não se detém no caminho dos pecadores. Evita fazer o que eles fazem, e o caminho deles não se tornará o seu caminho. Ele não entra nesse caminho, muito menos permanece nele, como o pecador, que se estabelece num estilo de vida mau (Salmo 36:4). Mantém-se afastado, tanto quanto possível, dos lugares em que eles se reúnem. Para não imitá-los, não os escolhe como companheiros. Não fica parado onde eles possam facilmente atraí-lo, mas se mantém longe, como quem foge de uma peste, porque teme o seu contágio (Provérbios 7:8; Provérbios 4:14-15). Quem quer ser guardado do mal precisa manter-se fora do alcance do mal.
Ele não se assenta na roda dos escarnecedores. Não se acomoda junto aos que estão tranquilos na sua maldade e têm a consciência endurecida. Não se associa aos que, em segredo, planejam como sustentar o mal, nem aos que, abertamente, julgam e condenam os justos. A mesa dos bêbados também é a roda dos escarnecedores (Salmo 69:12). Feliz aquele que nunca se assenta ali (Oséias 7:5).
O homem piedoso, se deseja fazer o bem e perseverar nele, submete-se à palavra de Deus e a mantém perto de si (Salmo 1:2). Isso o preserva do caminho dos ímpios e o fortalece contra suas tentações. Pelas palavras dos lábios de Deus ele é guardado das veredas do destruidor (Salmo 17:4). Não precisamos da companhia dos pecadores para ter prazer ou crescer, enquanto tivermos comunhão com Deus e com a sua palavra. Quando você acordar, ela falará com você (Provérbios 6:22).
Podemos avaliar nosso estado espiritual perguntando o que a lei de Deus significa para nós, que lugar lhe damos e como a estimamos. A pessoa piedosa tem prazer na lei de Deus. Ele se alegra nela, ainda que seja lei e jugo, porque é a lei de Deus, que é santa, justa e boa. De bom grado concorda com ela no íntimo, e assim encontra nela seu deleite (Romanos 7:16, Romanos 7:22). Todos os que se alegram por haver um Deus deveriam igualmente alegrar-se por haver uma Bíblia, uma revelação de Deus, de sua vontade e do único caminho para achar felicidade nele.
Ele também mantém conhecimento íntimo da palavra de Deus. Medita nessa lei dia e noite, e isso prova que realmente tem prazer nela, porque gostamos de pensar naquilo que amamos (Salmo 119:97). Meditar na palavra de Deus é conversar conosco mesmos a respeito de suas grandes verdades, refletir sobre elas com atenção e constância, até que o coração seja devidamente tocado e sintamos o seu poder em nós. Devemos fazer isso dia e noite, mantendo um respeito contínuo e habitual pela palavra como regra de nossas ações e fonte de nosso consolo. Devemos tê-la em mente sempre que pudermos, seja de dia, seja de noite. Nenhum horário é impróprio para pensar na palavra de Deus, e nunca é fora de tempo aproximar-se dela. Não devemos apenas separar manhã e noite para isso, mas entrelaçar esses pensamentos com o trabalho, a conversa, o descanso e o sono de cada dia e cada noite. “Quando eu acordar, ainda estou contigo.”
Desse modo, a pessoa piedosa tem assegurada a felicidade, e devemos animar a nós mesmos a viver assim. Em termos gerais, ele é bem-aventurado, e a bênção de Deus o fará feliz (Salmo 5:1).
“Bem-aventurança” abrange todo tipo de bênção, da mais alta à mais simples, o suficiente para tornar alguém plenamente feliz. Nada que seja necessário para a verdadeira felicidade lhe faltará. Quando o salmista descreve o bem-aventurado, descreve o homem bom, porque só quem é realmente santo é realmente feliz. Devemos nos importar mais com o caminho da bem-aventurança do que em enumerar tudo o que ela inclui. Bondade e santidade não são apenas a estrada para a felicidade; são, em si mesmas, a própria felicidade (Apocalipse 22:14). Ainda que não houvesse vida futura, a pessoa que anda fielmente no caminho do dever já seria, nesta vida, alguém feliz.
Essa bem-aventurança é ilustrada por uma figura em (Salmo 1:3). Ele será como árvore, frutífera e viçosa. Isso decorre da sua prática piedosa, ao meditar na lei de Deus e deixar-se moldar por ela de dentro para fora. Quanto mais tempo passamos com a palavra de Deus, mais bem preparados estamos para toda boa palavra e obra. Ou decorre da bênção que Deus prometeu, pois, sendo abençoado pelo Senhor, será como árvore. A bênção de Deus produz resultados reais.
Eis a felicidade do piedoso: ele é plantado pela graça de Deus. Por natureza, essas árvores eram oliveiras bravas, e assim permaneceriam até serem de novo enxertadas e plantadas por um poder vindo do alto. Nenhuma árvore verdadeiramente boa jamais cresceu por si mesma. É plantação do Senhor, e por isso ele deve ser honrado nela. O profeta diz que “para que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado” (Isaías 61:3).
Ele também é colocado junto aos meios de graça, aqui chamados de ribeiros de águas. Esses são os rios que alegram a cidade de Deus (Salmo 46:4). Desses cursos ele recebe vigor e força, ainda que de modos ocultos que outros não percebem. Suas obras também serão frutíferas, produzindo bom resultado (Filipenses 4:17). A primeira ordem de Deus às suas criaturas foi: “Frutificai” (Gênesis 1:22), e frutificar continua sendo tanto consolo quanto honra, valendo todo esforço.
Os que participam das misericórdias da graça devem demonstrá-lo tanto na disposição do coração quanto no rumo de sua vida. Então, de fato, dão fruto. Para louvor do grande agricultor da vinha, produzem o fruto que lhes é exigido, na estação própria, quando é mais belo e mais útil. Aproveitam bem cada oportunidade de fazer o bem, e o fazem no tempo certo.
“E cujas folhas não caem.” Aqueles que só exibem folhas de uma profissão de fé, sem qualquer fruto, verão até as folhas secarem. Acabarão envergonhados da fé que um dia ostentaram. Mas, se a palavra de Deus governa o coração, ela manterá a profissão verde, para nosso consolo e para o bom testemunho. As vitórias alcançadas desse modo jamais murcharão.
A prosperidade o acompanhará por onde quer que vá, especialmente a prosperidade da alma. Tudo o que ele fizer em obediência à lei prosperará e terá êxito conforme o propósito de Deus, ou até além do que ele esperava. Ao entoarmos estes versículos, e percebemos de modo correto o caráter odioso e perigoso do pecado, a grande beleza da lei de Deus e o poder da graça de Deus, da qual procede o nosso fruto, devemos instruir a nós mesmos e uns aos outros a vigiar contra o pecado e contra qualquer movimento em direção a ele, a dedicar muito tempo à Palavra de Deus e a abundar no fruto de justiça.
E, ao orarmos a partir dessas verdades, devemos pedir a Deus graça para nos guardar de toda palavra e obra má e para nos capacitar em toda boa palavra e boa obra.
Deste capítulo
Salmos 1:2
"Feliz é aquele que tem prazer no serviço do Senhor e medita em sua lei dia e noite."
Salmos 1:3
"Ele é como a árvore plantada à margem das águas correntes: dá fruto na época própria, e sua folhagem jamais murchará. Tudo o que empreende prospera."
Salmos 1:4
"Os ímpios não são assim! Pelo contrário, são como a palha que o vento leva."
Salmos 1:5
"Por isso, não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembleia dos justos."
Salmos 1:6
"Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição."
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