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Provérbios 9:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" A Sabedoria construiu sua casa, talhou sete colunas. "

Provérbios 9:1

menu_book Versículo no contexto

1 A Sabedoria construiu sua casa, talhou sete colunas.

2 Matou seus animais, preparou seu vinho e pôs a mesa.

3 Enviou servas para que anunciassem nos pontos mais elevados da cidade:

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auto_stories Comentário Bible Guided

A Sabedoria é apresentada aqui como uma grande e generosa rainha. Essa Sabedoria é a Palavra de Deus, por meio da qual Deus dá a conhecer sua boa vontade para com os homens, e é também Deus, o Verbo, a quem o Pai confiou todo o juízo. No capítulo anterior, ela havia mostrado sua grandeza e glória como Criadora do mundo. Aqui ela manifesta sua graça e bondade como Redentora.

A palavra está no plural, “sabedorias”, porque em Cristo estão escondidos tesouros de sabedoria, e em sua obra vemos a multiforme sabedoria de Deus revelada em mistério. Devemos notar, em primeiro lugar, a rica provisão que a Sabedoria fez para todos os que quiserem tornar-se seus discípulos. Isso é descrito como um grande banquete, e provavelmente deu origem às parábolas em que nosso Senhor comparou o reino dos céus a um grande jantar (Mateus 22:2; Lucas 14:16). Isso também foi anunciado em (Isaías 25:6). É como o banquete que Assuero, rei da Pérsia, ofereceu para mostrar as riquezas de seu reino. Na Ceia do Senhor, a graça do evangelho nos é apresentada dessa maneira.

Para receber seus convidados, a Sabedoria preparou uma casa imponente (Provérbios 9:1). Ela não encontrou uma casa suficientemente grande para todos os seus convidados, por isso construiu uma para eles. Para que fosse forte e bela, lavrou suas sete colunas, que lhe dão firmeza e majestade. O céu é a casa que a Sabedoria edificou para acolher todos os chamados para as bodas do Cordeiro. É a casa de seu Pai, onde há muitas moradas e para onde ela foi a fim de preparar lugares para nós. Deus pendurou a terra sobre o nada, por isso aqui não temos cidade permanente. Mas o céu é uma cidade que tem fundamentos e possui colunas. A igreja também é a casa da Sabedoria, onde ela convida seus hóspedes e onde o poder e a promessa de Deus sustentam tudo como sete colunas. Salomão pode estar aludindo ainda ao templo que havia acabado de construir para o culto, e para o qual desejava que o povo viesse adorar a Deus e aprender a doutrina da Sabedoria. Alguns pensam que ele tinha em vista também as escolas dos profetas.

Há ainda um farto banquete preparado (Provérbios 9:2). Ela já abateu os seus animais e misturou o seu vinho, de modo que há abundância de comida e bebida, e tudo excelente. A palavra pode significar também sacrifício, indicando que é um banquete custoso e sagrado, um banquete em torno de um sacrifício. Cristo se ofereceu por nós, e sua carne é verdadeira comida e seu sangue é verdadeira bebida. A Ceia do Senhor é um banquete de paz e alegria posterior ao sacrifício de expiação, isto é, ao sacrifício que nos reconcilia com Deus. O vinho é misturado com algo mais rico que ele mesmo, para lhe dar sabor mais pleno e maior força. A Sabedoria guarneceu completamente a sua mesa com todas as bênçãos de que uma alma pode necessitar: justiça e graça, paz e alegria, a certeza do amor de Deus, o consolo do Espírito e as promessas e primícias da vida eterna.

Tudo isso é obra da própria Sabedoria. Ela abateu os animais e misturou o vinho. Isso mostra tanto o amor de Cristo, que faz pessoalmente a provisão, quanto a excelência da preparação. Aquilo que a Sabedoria prepara com as próprias mãos é necessariamente perfeito para o fim a que se destina.

Em segundo lugar, a Sabedoria faz um convite gracioso, não apenas a alguns amigos, mas a todas as pessoas em geral, para que venham participar dessas dádivas. Ela envia as suas servas (Provérbios 9:3). Os ministros do evangelho são encarregados de anunciar o que Deus preparou na aliança eterna para todos os que vierem segundo as condições dela. Devem fazê-lo com pureza e cuidado, sem corromper a si mesmos nem a palavra de Deus. Devem conclamar todos quantos encontrarem, mesmo nos caminhos e atalhos, a virem participar do banquete da Sabedoria, porque tudo já está preparado (Lucas 14:23).

A própria Sabedoria clama dos lugares mais altos da cidade, desejosa do bem das pessoas e entristecida porque elas rejeitam a própria misericórdia em troca de vaidades mentirosas. O próprio Senhor Jesus anunciou seu evangelho. Depois de enviar seus discípulos, ele os seguiu para confirmar o que diziam. De fato, a palavra começou a ser anunciada pelo próprio Senhor (Hebreus 2:3). Ele se pôs em pé e clamou: “Vinde a mim”.

Devemos notar quem é convidado. São os simples e os que não têm entendimento (Provérbios 9:4). Se fôssemos preparar um banquete, estes não seriam, em geral, os convidados que escolheríamos. Preferiríamos chamar os sábios e entendidos, para ouvir sua sabedoria e desfrutar de sua conversa. Mas a Sabedoria chama os simples porque são os que mais precisam do que ela oferece. Ela busca o bem deles. Os simples são convidados para se tornarem sábios, e os que não têm coração, isto é, sã compreensão, são chamados a vir aqui e receber um. Sua provisão se parece mais com remédio do que com simples alimento. Ela se destina a produzir a maior cura, a cura do entendimento.

Seja quem for, o convite é aberto a todos e não exclui ninguém, a não ser quem se exclui a si mesmo. Por mais tolos que sejam, ainda assim serão bem-vindos. Podem ser ajudados. Não serão desprezados, nem abandonados como casos sem esperança. Nosso Salvador veio não para chamar justos, mas pecadores; não aqueles que julgam enxergar bem (João 9:41), e sim os simples, que sabem que são insensatos e disso se envergonham, e os que estão dispostos a tornar-se loucos para que sejam sábios (1 Coríntios 3:18).

Devemos notar também qual é o conteúdo do convite. Somos convidados à casa da Sabedoria: “Quem é simples, volte-se para cá”. E isso nos inclui, pois, quem de nós não pode admitir que se enquadra na descrição de simples e necessitado? As portas da Sabedoria estão abertas para tais pessoas, e ela deseja falar com elas para o seu bem. Não tem outro propósito em relação a elas. Somos ainda convidados à sua mesa (Provérbios 9:5): “Vinde, comei do meu pão”. Isso significa provar os verdadeiros prazeres que há em conhecer e temer a Deus. Pela fé, quando cremos nas promessas do evangelho e nelas encontramos consolo, nós nos alimentamos e banqueteamos com aquilo que Cristo providenciou para as almas pobres. O que comemos e bebemos se torna nosso e nos nutre e fortalece. Da mesma forma, a palavra de Deus alimenta a alma, pois nela há comida e bebida para os que têm entendimento.

Por fim, há algo exigido de quem deseja usufruir desse convite (Provérbios 9:6). É preciso romper com as más companhias. “Deixai os insensatos”, isto é, não andem com eles, não imitem seus caminhos, nem tenham comunhão com as obras das trevas, nem com os que as praticam. O primeiro passo em direção à virtude é evitar o vício, e isso implica evitar os viciosos. “Apartai-vos de mim, malfeitores”.

É preciso despertar e levantar-se dentre os mortos. Devem viver, não para o prazer, pois quem vive assim está morto enquanto vive. Devem viver para o serviço de Deus, pois só quem vive dessa maneira realmente vive e vive com verdadeiro propósito. “Não vivam como os animais, como as bestas, mas finalmente vivam como seres humanos. Vivam espiritualmente, e assim viverão para sempre” (Efésios 5:14).

Devem escolher os caminhos da Sabedoria e perseverar neles. “Andai pelo caminho do entendimento” significa: daqui em diante governem-se pelas regras da verdadeira religião e da reta razão. Não basta deixar para trás os insensatos. É preciso também unir-se aos que andam em sabedoria e seguir o mesmo espírito e os mesmos passos.

A Sabedoria também dá instruções às servas que envia a convidar outros, isto é, aos ministros e aos que, em seus lugares, trabalham para cumprir seus propósitos. Ela lhes diz qual deve ser sua obra. Não devem apenas falar em termos gerais sobre a provisão feita para as almas e sobre a oferta dessa graça. Precisam falar a pessoas concretas, apontar-lhes as faltas, repreendê-las e adverti-las (Provérbios 9:7, Provérbios 9:8). Devem ainda ensinar como melhorar e mostrar como mudar (Provérbios 9:9). A palavra de Deus tem por fim reprovar, corrigir e instruir em justiça, e assim também o ministério dessa palavra.

A Sabedoria ainda lhes diz que tipos de pessoas encontrarão, o que fazer com elas e que tipo de resultado podem esperar. Alguns serão escarnecedores e ímpios, que zombam dos mensageiros do Senhor e os maltratam. Ri-se deles quem é convidado para o banquete do Senhor, como aconteceu em (2 Crônicas 30:10), e chegam a tratá-los com violência, como em (Mateus 22:6). Essas pessoas não são proibidas de ser convidadas à casa da Sabedoria, mas os mensageiros são orientados a não insistir com elas em repreensões e advertências contínuas. “Não repreendas o escarnecedor. Não lanceis pérolas aos porcos” (Mateus 7:6). Por isso Cristo disse a respeito dos fariseus: “Deixai-os” (Mateus 15:14).

Não os reprovar, em primeiro lugar, é algo justo para com eles. Eles já rejeitaram a ajuda que receberam e, com isso, abriram mão de ter direito a mais ajuda. Quem quer permanecer sujo, que fique sujo; quem se agarra aos ídolos, que permaneça com eles. “Voltamo-nos para os gentios.” Em segundo lugar, não os reprovar é também para o bem de quem adverte. Se você insistir, pode desperdiçar esforço e ainda passar vergonha com o fracasso. Além disso, pode provocar a ira deles. Mesmo falando com sabedoria e mansidão, se você falar com fidelidade, eles o odiarão, o insultarão e dirão todo tipo de mal contra você. Assim, suas repreensões podem causar mais dano do que benefício.

Há outros, porém, que são sábios, bons e justos. Graças a Deus, nem todos são escarnecedores. Alguns são sábios e honestos o bastante para acolher a instrução. Quando encontramos pessoas assim, precisamos repreendê-las quando necessário, porque nem mesmo os sábios são tão sábios a ponto de nunca precisarem de correção. Não devemos fechar os olhos para as falhas de alguém só porque respeitamos a sua sabedoria. E o sábio não deve imaginar que sua sabedoria o isenta de ser corrigido quando diz ou faz algo tolo. Na verdade, quanto mais sabedoria alguém tem, mais disposto deveria estar a que suas fraquezas sejam apontadas, porque um pouco de tolice é uma falha grave em quem é conhecido por sabedoria e honra.

À repreensão, devemos acrescentar instrução e ensino (Provérbios 9:9). Podemos esperar que eles recebam isso como um ato de bondade (Salmo 141:5). O sábio considera como amigos aqueles que lidam com ele de maneira franca e verdadeira. “Repreende tal pessoa, e ela te amará” pela sinceridade. Agradecerá e desejará que você lhe preste o mesmo favor novamente, se for preciso. É tanta sabedoria receber bem uma repreensão quanto dá-la bem.

Quando um sábio recebe bem a correção, ela cumpre seu propósito e lhe faz bem. Ele se torna mais sábio por meio das repreensões e lições que recebe. Aumentará em aprendizado, crescerá em conhecimento e, assim, crescerá em graça. Ninguém deve julgar-se sábio demais para aprender, nem bom demais para precisar melhorar e, portanto, para precisar de ensino. Devemos prosseguir adiante e buscar continuamente conhecer a Deus até alcançarmos plena maturidade. “Dá ao sábio”, isto é, dá-lhe conselho, repreensão ou consolo, e ele se tornará ainda mais sábio. Ou, como traduz a Septuaginta, dá-lhe oportunidade de mostrar sua sabedoria, e ele o fará. Atos de sabedoria fortalecem hábitos sábios.

A Sabedoria também instrui aqueles que são convidados, e as suas servas devem insistir nessas lições com eles. Primeiro, é preciso aprender o que é a verdadeira sabedoria e o que é oferecido na mesa da Sabedoria (Provérbios 9:10). O coração precisa ser formado pelo temor de Deus, que é o princípio da sabedoria. Um profundo respeito pela grandeza de Deus e um santo temor de sua ira são os primeiros passos da verdadeira religião, e todas as demais partes dela brotam daí. No início, esse temor pode trazer aflição, mas, pouco a pouco, o amor lançará fora esse tormento.

A mente também deve ser cheia do conhecimento das coisas de Deus. “O conhecimento das coisas santas” é entendimento, isto é, tudo o que diz respeito ao serviço de Deus e à nossa própria santidade. Até a repreensão é chamada de coisa santa (Mateus 7:6). Ou pode significar o conhecimento que os santos possuem, ensinados pelos santos profetas, acerca das coisas que eles anunciaram movidos pelo Espírito Santo. Esse é o verdadeiro entendimento, o melhor e mais proveitoso. Ele é o que mais nos ajuda e produz os melhores resultados.

É necessário também conhecer os benefícios dessa sabedoria (Provérbios 9:11). “Por mim se multiplicarão os teus dias.” A sabedoria contribui para a saúde do corpo, de modo que a vida na terra pode ser prolongada, enquanto a insensatez e os excessos a abreviam. Ela também conduz o homem ao céu, onde seus dias serão multiplicados sem fim, e os anos de sua vida não mais terão limite. Não existe sabedoria verdadeira fora do caminho da religião, nem vida verdadeira fora do fim desse caminho.

Precisam ainda saber o que acontece se aceitarem ou rejeitarem essa oferta tão justa (Provérbios 9:12). Os que a abraçam são bem-aventurados. “Se fores sábio, para ti sábio serás.” Você será o beneficiado, não a Sabedoria. O homem não pode trazer lucro a Deus. É para o nosso próprio bem que somos convidados. Você não deixará esse ganho para outros, como fazemos com nossas riquezas terrenas quando morremos, razão pela qual elas são chamadas de riquezas alheias (Lucas 16:12). Essa sabedoria você levará consigo para o mundo vindouro. Quem é sábio para sua alma é verdadeiramente sábio para si mesmo, porque a alma é a pessoa real. Ninguém busca de fato o seu próprio maior interesse se não for verdadeiramente religioso.

Isso nos reconduz a Deus e nos afasta da loucura e da corrupção que, por natureza, dominam sobre nós. Emprega nossa vida naquilo que é mais útil neste mundo e nos dá direito ao que é infinitamente melhor no mundo vindouro.

Ao mesmo tempo, mostra a vergonha e a ruína dos que rejeitam a sabedoria. Se você despreza a oferta da Sabedoria, você mesmo carregará as consequências. Trará sobre si a culpa disso. Os bons devem agradecer a Deus por sua bondade, mas os maus não podem culpar senão a si mesmos. Deus não é o autor do pecado. Satanás apenas tenta, não força, e os companheiros perversos são apenas seus instrumentos. Assim, toda a culpa repousa sobre o pecador.

Você também arcará com a perda daquilo que rejeitou. O que você despreza resultará em sua própria destruição. O seu sangue estará sobre a sua própria cabeça, o que tornará mais pesado o juízo. “Filho, lembra-te de que esta oferta justa te foi feita, e tu não a quiseste aceitar. Estavas ao alcance da vida, mas preferiste a morte.”

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