Versículo em destaque
Provérbios 5:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Meu filho, atenda à minha sabedoria, preste atenção à minha razão, "
Provérbios 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Meu filho, atenda à minha sabedoria, preste atenção à minha razão,
2 a fim de conservar o sentido das coisas e guardar a ciência em seus lábios.
3 Porque os lábios da mulher alheia destilam mel; seu paladar é mais oleoso que o azeite.
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Aqui Salomão começa com uma advertência muito séria, para prender a atenção (Provérbios 5:1-2). Ele fala como um pai ao seu filho e, assim, a todos os jovens, a quem ama e deseja guiar. Ele pede atenção cuidadosa, não apenas ouvir ou ler, mas refletir com cuidado e ter uma mente disposta a aprender. Como fala por inspiração divina, ele fala com a autoridade de Deus, ainda que não introduza suas palavras com a fórmula: “Assim diz o Senhor”.
Ele também ressalta o valor do que está dizendo. Ele oferece sua sabedoria e seu entendimento, e não tem nada mais adequado para ensinar a verdadeira sabedoria. Seu ensino é dado para que as pessoas vivam com prudência, com bom senso nas decisões do dia a dia. Também é para que falem com sabedoria, de modo que seus lábios guardem o conhecimento e estejam prontos a ajudar os outros. Os lábios do sacerdote são descritos como guardando o conhecimento (Malaquias 2:7), mas todos os que conhecem bem as Escrituras podem, em sua fala, servir de bênção aos outros.
Em seguida, vem o aviso em si: afastar-se do pecado sexual, especialmente do adultério, da fornicação e de toda impureza. Alguns entendem essa figura de forma mais ampla, aplicando-a à idolatria, ao falso ensino ou até ao desejo pecaminoso em geral. Mas o alvo principal é nítido: Salomão está advertindo contra os pecados proibidos no sétimo mandamento, pecados para os quais os jovens são especialmente inclinados, e que destroem a virtude na alma. Ele adverte com grande urgência porque ama e sabe que esse pecado conduz à ruína.
Primeiro, não se deve dar ouvidos às palavras suaves desse pecado. Os lábios da mulher estranha, isto é, da mulher imoral, destilam favos de mel (Provérbios 5:3). A concupiscência é atraente, e suas palavras parecem doces, como azeite na língua, de modo que o perigo não parece claro de imediato. Mas o resultado é amargo. No fim, traz a dor de uma consciência perturbada, “amarga como o absinto” (Provérbios 5:4), e seu caminho desce para a morte e o inferno (Provérbios 5:5). Mesmo que alguns que caíram nesse pecado se arrependam e sejam salvos, o próprio pecado continua tendo tendência à ruína do corpo e da alma.
Seu encanto também é enganoso. A adúltera lisonjeia e fala com agrado, mas ilude os que a escutam. Seus caminhos mudam o tempo todo, por isso não se pode confiar nela. Ela assume muitas formas, como alguém com vários disfarces, porque sabe que, se fosse realmente conhecida, seria detestada. Seu objetivo é afastar as pessoas de uma consideração séria sobre o caminho da vida. Satanás age da mesma forma: procura impedir que as pessoas escolham o caminho que leva à vida, e faz isso afastando-as de uma reflexão séria. A verdadeira religião avança quando as pessoas se dispõem a pesar as coisas com calma e justiça. Já a impureza entorta o juízo, obscurece a mente e endurece a consciência. Como diz Oséias, “a prostituição tira o entendimento” (Oséias 4:11).
Em segundo lugar, não se deve sequer chegar perto da borda desse pecado (Provérbios 5:7-8). Salomão recomeça este aviso com outro apelo fervoroso: que o escutem com atenção e guardem firmemente o que ele diz. Não largar suas palavras, sobretudo quando a tentação se torna forte. A orientação é clara: “Afasta o teu caminho dela”. Se o seu caminho se aproxima, mude de direção. Não te aproximes da porta da casa dela. Se for preciso, faça um desvio. Melhor um caminho mais longo do que colocar a própria alma em perigo.
Isso mostra o quanto devemos temer esse pecado. É preciso odiá-lo e manter-se longe dele como de um lugar infestado de peste. Devemos evitá-lo como evitaríamos um ar podre e contaminado. O melhor meio de permanecer puro é aprender a odiar as concupiscências carnais. Isso também mostra que devemos evitar tudo que possa nos conduzir ao pecado. Quem quer estar seguro precisa manter-se fora do alcance do perigo. A natureza humana é fraca e facilmente inflamável, por isso é tolice aproximar-se da tentação sob qualquer pretexto.
Quem corre para dentro da tentação zombaria de sua própria oração quando diz: “não nos deixes cair em tentação”. Devemos vigiar sobre nós mesmos com um santo cuidado. Não confiar demais em nossas próprias promessas e ir até perto do pecado, dizendo que saberemos parar a tempo.
Se algo se tornou laço e ocasião de pecado para nós, temos de cortá-lo, ainda que nos seja tão caro como um olho direito ou uma mão direita. Devemos renunciar ao que nos é mais precioso, se isso põe em risco nossa alma. Esse é o mandamento do nosso Salvador (Mateus 5:28-30).
Salomão apresenta as razões para esse aviso, semelhantes às já mencionadas: os muitos males que acompanham esse pecado. Primeiro, ele destrói o bom nome. “Darás a outros a tua honra” (Provérbios 5:9). O pecador perde o respeito, e os que o cercam passam a ter bons motivos para envergonhá-lo e desprezá-lo como tolo. O pecado sexual torna a pessoa desprezível e baixa, e nenhum sábio ou piedoso deseja ter íntima amizade com quem corre atrás de prostitutas.
Segundo, ele desperdiça os anos da vida, sobretudo os melhores anos da juventude. Esses anos são entregues a um senhor cruel, uma luxúria imunda que finge cuidar, mas na verdade caça a ruína da alma. O tempo que deveria ser usado para honrar a um Deus gracioso é consumido servindo a um pecado duro e destrutivo.
Terceiro, ele arruína os bens. “Os estranhos se fartarão da tua força” (Provérbios 5:10). O que Deus havia confiado para o bem da família é entregue a outros. O fruto do trabalho vai parar na casa de um estranho, alguém que não tem direito àquilo nem verdadeira gratidão por isso.
Quarto, ele prejudica o corpo e encurta a vida. “O teu corpo e a tua carne se consumirão” (Provérbios 5:11). Os desejos impuros não só guerreiam contra a alma, o que o pecador muitas vezes ignora, mas também guerreiam contra o próprio corpo, que ele mima de modo errado e busca satisfazer. Os que se entregam à impureza frequentemente gastam suas forças, enfraquecem-se e acabam com doenças dolorosas. Seus dias se abreviam, e morrem com pouca piedade da parte dos outros, como vítimas de uma luxúria cruel.
Quinto, esse pecado enche a mente de horror quando a consciência finalmente desperta. “Ainda que agora estejas alegre, no fim gemerás” (Provérbios 5:11). No final, a pessoa terá tristeza, seja quando for levada ao arrependimento, seja quando a doença e a morte a alcançarem. Então, a consciência se levantará contra ela, ou a sepultura se fechará enquanto sua alma sofre no inferno, onde o verme não morre e ressoa para sempre a palavra: “Filho, lembra-te”.
Salomão então coloca nas palavras do pecador convencido a sua própria acusação contra si mesmo. Ele lamentará amargamente por ter odiado a disciplina e, assim, ter odiado o ensino. Ele não suportava ser instruído no que é reto nem ser mostrado em seus erros: “Desprezei no meu coração a correção” (Provérbios 5:12). Ele terá de admitir que aqueles que tinham autoridade sobre ele, como pais e ministros, cumpriram seu dever. Eles o ensinaram, deram-lhe conselhos sadios e o advertiram com clareza (Provérbios 5:13). Mas, para sua vergonha, ele não lhes obedeceu. Nunca deu ouvidos de verdade aos seus mestres, nem deixou que as palavras deles se fixassem em seu coração. Os que recebem boa formação e não vivem à altura dela terão muito a responder.
Ele confessará também que a repetição do pecado o havia endurecido a tal ponto que seu coração se firmou totalmente no mal (Provérbios 5:14). “Quase que me achei em todo mal, no meio da congregação e da assembléia.” Mesmo quando se apresentava ao culto junto com o povo de Deus, seu coração estava cheio de pensamentos e desejos impuros, e seus olhos continuavam voltados para o adultério. A santidade do lugar, das pessoas ao redor e da própria adoração não o refreavam. Ele era quase tão perverso ali quanto em qualquer outro lugar. Nada parece tão terrível a uma consciência despertada quanto profanar coisas santas. E nada torna o pecado mais grave do que cometê-lo no meio da congregação, onde temos privilégios e responsabilidades especiais.
Alguns entendem essas palavras como pecar ousadamente diante das autoridades civis e da assembléia pública. Outros as tomam referindo-se mais ao castigo do pecado do que ao pecado em si. Então o sentido seria: “Tornei-me um exemplo, um aviso público, sob os juízos severos de Deus, no meio da congregação de Israel.” Em qualquer dos casos, a lição permanece clara: evitar aquilo de que um dia se há de se arrepender tão amargamente.
Deste capítulo
Provérbios 5:2
"a fim de conservar o sentido das coisas e guardar a ciência em seus lábios."
Provérbios 5:3
"Porque os lábios da mulher alheia destilam mel; seu paladar é mais oleoso que o azeite."
Provérbios 5:4
"No fim, porém, é amarga como o absinto, aguda como uma espada de dois gumes."
Provérbios 5:5
"Seus pés se encaminham para a morte, seus passos atingem a região dos mortos."
Provérbios 5:6
"Longe de andarem pela vereda da vida, seus passos se extraviam, sem saber para onde."
Provérbios 5:7
"Escutem-me, pois, meus filhos, não se afastem das palavras da minha boca."
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