Versículo em destaque
Números 22:22 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" O Senhor se irritou com sua partida, e o anjo do Senhor colocou-se no caminho dele como obstáculo. Balaão cavalgava em sua jumenta, acompanhado de seus dois servos. "
Números 22:22
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
20 Deus veio a Balaão durante a noite e lhe disse: “Já que essa gente veio chamar você, levante-se e vá com eles. Mas faça somente o que eu lhe disser”.
21 Balaão levantou-se pela manhã, selou sua jumenta e partiu com os chefes de Moab.
22 O Senhor se irritou com sua partida, e o anjo do Senhor colocou-se no caminho dele como obstáculo. Balaão cavalgava em sua jumenta, acompanhado de seus dois servos.
23 A jumenta, vendo o anjo do Senhor parado no caminho, com uma espada desembainhada na mão, desviou-se e seguiu pelo campo; o adivinho a fustigava para fazê-la voltar ao caminho.
24 Então o anjo do Senhor colocou-se em um caminho estreito que passava entre as vinhas, com um muro de cada lado.
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Aqui temos o relato da resistência que Deus opôs a Balaão enquanto ele viajava em direção a Moabe. Os príncipes podem ter ido adiante ou tomado outro caminho, e Balaão pode ter combinado com eles o lugar em que se encontrariam ou onde o esperariam. Nada mais se diz deles nesta parte da história; apenas que Balaão, como um homem de posição, era acompanhado por dois de seus servos. Isso já era honra suficiente para um homem como ele, e ele não precisava da promoção que Balaque prometera.
Em primeiro lugar, vemos a ira de Deus contra Balaão por prosseguir nessa viagem: “a ira de Deus acendeu-se, porque ele se ia” (Nm 22:22). Devemos aprender que os pecadores não ofendem menos a Deus só porque ele lhes permite continuar no caminho que escolheram. Não podemos imaginar que, por Deus nem sempre impedir o pecado por meio de sua providência, ele por isso o aprove ou se irrite menos com ele. Deus pode permitir o pecado por um tempo e, ainda assim, detestá-lo completamente. Nada desagrada mais a Deus do que planos malignos contra o seu povo, porque quem toca neles toca na menina dos seus olhos.
Em segundo lugar, Deus demonstrou seu desagrado enviando um anjo para bloquear o caminho de Balaão. O anjo pôs-se no caminho como adversário, e nisso Deus cumpria sua promessa a Israel: “Serei inimigo dos teus inimigos” (Êx 23:22). Os santos anjos se opõem ao pecado e podem ser usados com mais frequência do que imaginamos para deter o mal, especialmente quando se trama dano contra a igreja e o povo de Deus. Miguel, “o vosso príncipe”, se levanta em favor do povo de Deus (Dn 12:1; Dn 10:21). Isso consola todos os que se importam com o Israel de Deus, pois ele não permite que homens perversos iniciem um ataque sem enviar seus santos anjos para desfazê-lo e proteger seus pequeninos.
Quando o inimigo vem como uma inundação, o Espírito do Senhor levanta contra ele um estandarte. O anjo era inimigo de Balaão porque Balaão o tratava como inimigo. Na realidade, aqueles que nos impedem de andar no pecado são nossos melhores amigos, e deveríamos considerá-los assim. O anjo estava com a espada desembainhada, uma espada flamejante, como a que os querubins empunhavam no Éden (Gn 3:24), voltando-se para todos os lados. Os santos anjos estão em guerra com aqueles contra os quais Deus está irado, pois servem como executores de sua justiça.
Note-se que Balaão foi advertido do desagrado de Deus por meio de sua jumenta, e nem isso o abalou. A jumenta viu o anjo (Nm 22:23). Quão vazia soa, então, a jactância de Balaão de que ele era um homem de olhos abertos que via as visões do Todo-Poderoso (Nm 24:3–4), quando sua jumenta viu mais do que ele. Seus olhos estavam cegos pela cobiça e ambição, ofuscados pelo prêmio da adivinhação. Muitos têm Deus contra si, juntamente com seus santos anjos, e não sabem disso. A jumenta conhece seu dono e enxerga o perigo, mas Balaão não entende nem considera (Is 1:3). “Quando a tua mão se levanta, eles o não veem” (Is 26:11).
Ninguém deve se orgulhar de visões e revelações, quando até uma jumenta viu um anjo. Ao mesmo tempo, aqueles que seguem em caminhos maus depois de advertidos de que a espada de Deus está desembainhada contra eles, deveriam se envergonhar. A jumenta entendeu melhor o instinto de preservação do que Balaão. Para salvar a si mesma e a seu insensato cavaleiro, ela primeiro se desviou do caminho (Nm 22:23). Balaão deveria ter tomado isso como advertência e perguntado se ele mesmo não havia saído do caminho do dever. Em vez disso, ele a feriu e a obrigou a voltar à estrada. Assim fazem muitos que correm para a ruína pelo pecado deliberado: irritam-se contra quem tenta detê-los.
Depois, a jumenta tornou a ver o anjo e, para evitá-lo, apertou-se contra um muro, machucando o pé de Balaão (Nm 22:24–25). Quantos perigos enfrentamos no caminho, e, se somos poupados, devemos isso à providência de Deus. Seus anjos nos guardam em todos os nossos caminhos, para que não tropecemos em pedra alguma. E, se encontramos dificuldades, isso deveria levar-nos a perguntar se estamos andando de modo reto diante de Deus. O pé de Balaão foi ferido, mas sua vida foi poupada, e, ainda assim, ele ficou tão indignado que tornou a ferir a jumenta. Muitas vezes nos iramos contra aquilo que, na verdade, é bondade para conosco, mesmo quando nos causa apenas um pouco de dor para um bem maior.
Na terceira vez em que a jumenta encontrou o anjo, ela caiu debaixo de Balaão (Nm 22:26–27). Balaão deveria ter percebido que algo extraordinário estava acontecendo, pois sua jumenta não era teimosa por natureza e nunca antes agira assim. Mas, quando as pessoas estão decididas a fazer o mal, frequentemente forçam passagem por todos os obstáculos que Deus põe diante delas. Balaão bateu na jumenta pela terceira vez, embora ela acabasse de lhe prestar o maior serviço de sua vida: salvá-lo da espada do anjo e instruí-lo por meio de sua queda.
Como nada disso o comoveu, Deus abriu a boca da jumenta, e ela falou com ele duas vezes, e nem isso o amoleceu (Nm 22:28). Foi um grande milagre, acima das leis da natureza, realizado pelo poder daquele que criou a fala humana. Visto que as pessoas aprendem a falar por imitação, os que nascem surdos também são mudos, e o primeiro homem jamais teria falado se Deus não lhe tivesse dado a fala. Aquele que fez o homem falar podia, quando quisesse, fazer uma jumenta falar com voz humana (2 Pe 2:16). Um comentarista observa que, quando o diabo tentou os primeiros pais, usou uma serpente astuta; mas, quando Deus corrigiu Balaão, usou uma jumenta muda, criatura tida como tola. Satanás opera por astuta enganação, mas Cristo frequentemente escolhe as coisas fracas do mundo para envergonhar as sábias. Por meio de um animal mudo, Deus repreendeu a loucura do profeta, pois ele jamais ficará sem testemunha contra o pecado e pode até fazer as pedras clamarem, se quiser (Lc 19:40; Hc 2:11).
A jumenta queixou-se da crueldade de Balaão: “Que te fiz eu, para que me ferisses?” (Nm 22:28). Deus, que é justo, não ignora o abuso das criaturas mais fracas. Ele lhes dará voz para falar por si mesmas, ou falará por elas de outra forma. Se Deus não permitiu que um animal fosse injustamente maltratado, muito menos deixará passar o dano feito a uma pessoa, a um cristão, a um filho seu. Nós não podemos abrir a boca do mudo como Deus fez aqui, mas podemos e devemos falar em favor dele (Pv 31:8; Jó 31:13). A queixa da jumenta era justa: “Que te fiz?” Quando somos tentados a ferir alguém com as mãos ou com palavras, devemos primeiro perguntar o que de fato essa pessoa nos fez e que mal realmente nos causou.
Toda a criação, embora não a ouçamos, geme e está com dores (Rm 8:22). É notável que Balaão não se espantou quando sua jumenta falou e o repreendeu. Alguns pensam que ele poderia estar acostumado a tais manifestações, como feiticeiro, por causa de suas práticas malignas e de seus “espíritos familiares”. Outros entendem que sua ira obstinada o havia cegado de tal maneira que ele não percebeu nem mesmo quão estranho era aquilo. Nada torna as pessoas mais insensatas do que a ira desenfreada. Balaão estava tão furioso que desejou ter uma espada para matar a jumenta (Nm 22:29).
Vemos assim quão impotente ele era. Como poderia pensar em ferir Israel com maldições, se não era capaz nem de matar sua própria jumenta? Ele não podia fazer isso, embora o quisesse. E o que ganharia matando-a, senão prejudicar-se ainda mais e satisfazer sua ira e vingança? Esta era a loucura desse falso profeta. Foi bem observado que é perigoso cair nas mãos de pessoas em quem nem os animais mudos podem confiar, pois o justo atenta para a vida de seus animais.
Então a jumenta começou a argumentar com ele (Nm 22:30). Deus capacitou não só uma criatura muda a falar, mas uma criatura de pouco entendimento a falar com sabedoria. Ela argumentou com ele de três maneiras.
Primeiro, falou a partir de seu vínculo com ele: “Porventura não sou a tua jumenta?” Devemos lembrar de três coisas. Deus deu ao ser humano domínio sobre as criaturas. Elas foram colocadas sob nossos cuidados para serem usadas, guiadas e governadas. Até mesmo os ímpios têm um direito legítimo às coisas que Deus lhes deu, e ninguém deve privá-los delas injustamente. Mas a autoridade que Deus nos concede sobre os animais é, ao mesmo tempo, um motivo para não abusarmos deles. Somos seus senhores, portanto não devemos agir como tiranos.
Segundo, ela o lembrou do seu serviço: “Sobre mim tens cavalgado”. É bom pensarmos com frequência o quanto as criaturas inferiores têm sido úteis a nós. Isso deveria nos tornar mais agradecidos a Deus e mais gentis com elas.
Terceiro, ela ressaltou que nunca tivera tal comportamento antes. Jamais esmagara o pé de Balaão nem caíra sob ele. Portanto, ele deveria ter percebido que algo incomum estava acontecendo. A raridade de uma ofensa deveria abrandar nossa ira contra quem a cometeu. E, quando as criaturas deixam de nos obedecer como de costume, devemos buscar a causa em nós mesmos e humilhar-nos por causa do nosso pecado.
Por fim, Balaão foi advertido do desagrado de Deus pelo anjo, e isso o assustou. Quando Deus lhe abriu os olhos, ele viu o anjo (Números 22:31). Então caiu com o rosto em terra, honrando aquele mensageiro glorioso e temendo a espada em sua mão. Deus tem muitos meios de quebrantar e humilhar um coração duro e impenitente.
O anjo primeiro o repreendeu por seu comportamento violento (Números 22:32, 33). “Por que feriste a tua jumenta?” Quer pensamos nisso ou não, Deus certamente nos chamará a prestar contas pelo mal que fazemos às criaturas dele. O anjo também mostrou a Balaão que ele tinha muito mais motivo para bater no próprio peito e condenar a si mesmo do que para descarregar sua ira sobre a jumenta. “O teu caminho é perverso diante de mim”; sendo assim, como poderia esperar ter êxito? Mostrou ainda a Balaão como a jumenta tinha sido muito mais sensata do que ele, e quanto ele lhe devia por ela se desviar do caminho. Ela o fez por segurança dele, não dela. Se tivesse seguido adiante, ele teria sido morto, e ela teria vivido. Quando nossos olhos são abertos, enxergamos o quanto de perigo corremos enquanto andávamos no pecado. Também vemos o quanto nos fez bem ser interrompidos, e quão insensatos fomos em reclamar justamente das coisas que nos preservaram a vida.
Então Balaão pareceu ceder (Números 22:34). “Eu pequei”, disse ele, querendo dizer que pecara ao iniciar a viagem e ao insistir nela com tanta obstinação. Ainda assim, tentou se desculpar, dizendo que não tinha visto o anjo. Agora que o via, estava disposto a voltar. Mas o principal que desagradava a Deus não era simplesmente o fato de ele ir, e sim o fato de ir com um plano maligno contra Israel e com a esperança oculta de ainda poder amaldiçoá-los, agradar a Balaque, rei de Moabe, e receber honra dele. Ele não parece ter sentido a maldade em seu próprio coração nem ter estado disposto a admiti-la. Quando descobriu que não podia prosseguir, conformou-se em voltar, já que não havia outra opção. Não há sinal de que seu coração tenha sido transformado. Suas mãos foram detidas, mas só isso. Muitos abandonam seus pecados apenas porque seus pecados os abandonam. A vida exterior muda, mas de que adianta, se o coração não é renovado?
Ainda assim, o anjo permitiu que ele prosseguisse: “Vai com esses homens” (Números 22:35). Isto é, vá, se você quer se expor ao ridículo e ser envergonhado diante de Balaque e de todos os príncipes de Moabe. Vá, mas somente a palavra que eu te disser, essa falarás, queira você ou não. Isso parece mais uma predição do que uma ordem, indicando o que aconteceria: ele não apenas falharia em amaldiçoar Israel, mas seria forçado a abençoá-lo. Isso traria mais glória a Deus e mais vergonha a Balaão do que se ele tivesse voltado atrás. Assim, Deus lhe deu um aviso claro, mas ele não quis escutar. Ele foi com os príncipes de Balaque. Por causa do pecado ganancioso de Balaão, Deus se irou e o feriu, e ainda assim ele continuou teimosamente (Isaías 57:17).
Deste capítulo
Números 22:1
"Os filhos de Israel partiram e acamparam nas planícies de Moab, além do Jordão, diante de Jericó."
Números 22:2
"Balac, filho de Sefor, tinha visto tudo o que Israel havia feito aos amorreus."
Números 22:3
"Moab teve muito medo desse povo, porque era muito numeroso, e ficou aterrorizado diante dos israelitas."
Números 22:4
"E Moab disse aos anciãos de Madiã: “Essa multidão vai devorar tudo ao nosso redor, como os bois devoram a erva do campo”. Balac, filho de Sefor, era então o rei de Moab."
Números 22:5
"Mandou, então, mensageiros a Balaão, filho de Beor, em Petor, sobre o rio, na terra dos filhos de Amon, para que o chamassem e lhe dissessem: “Há aqui um povo que saiu do Egito, que cobre a face da terra e se estabeleceu diante de mim."
Números 22:6
"Peço que você venha e amaldiçoe esse povo, pois ele é muito mais poderoso do que eu. Talvez assim eu possa batê-lo e expulsá-lo da minha terra. Sei que será bendito aquele que você abençoar e maldito aquele que você amaldiçoar”."
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