Versículo em destaque
Neemias 5:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Depois do dia em que o rei me estabeleceu como governador da região de Judá, isto é, depois do vigésimo até o trigésimo segundo ano do reinado do rei Artaxerxes, durante doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos o pão do governador. "
Neemias 5:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 Eles responderam: “Devolveremos tudo e nada mais lhes pediremos; faremos tudo o que você diz”. Então chamei os sacerdotes e os fiz jurar que procederiam assim.
13 Sacudi o pó do meu manto, dizendo: “Que Deus sacuda assim de sua casa e de seus bens todo aquele que não cumprir sua palavra; que tal homem seja igualmente expulso e fique despojado!”. Então toda a assembleia respondeu: “Amém” — louvando o Senhor. E o povo nada mais disse.
14 Depois do dia em que o rei me estabeleceu como governador da região de Judá, isto é, depois do vigésimo até o trigésimo segundo ano do reinado do rei Artaxerxes, durante doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos o pão do governador.
15 Os antigos governadores, meus predecessores, cobravam o pão e o vinho à razão de quarenta siclos por dia e haviam sido uma carga pesada para o povo, que também sofria as cobranças de seus servos. Mas, quanto a mim, o temor de Deus me impediu de proceder assim.
16 Eu mesmo colaborei no trabalho de reparação das muralhas. Não compramos campo algum, e todos os meus servos se puseram a trabalhar.
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Neemias já havia mencionado sua própria conduta para exortar os nobres a não sobrecarregarem os pobres, mesmo com exigências que fossem legalmente permitidas. Aqui ele explica sua prática com mais detalhes, não por orgulho ou autoelogio, mas para encorajar governadores futuros e outros oficiais a serem o mais suaves possível quanto aos pesos colocados sobre o povo.
Primeiro, ele chama a atenção para o que os governadores anteriores haviam feito, embora não mencione seus nomes. Ele omite os nomes porque o que diz a respeito deles não é motivo de honra, e muitas vezes é sábio poupar nomes em casos assim. O povo sabia o quanto aqueles governantes tinham sido caros e quanto a nação havia pago caro por aquele governo. O salário deles era de quarenta ciclos de prata, provavelmente algo como cinco libras por dia. Mas, além disso, esperavam que o povo lhes fornecesse pão e vinho como parte do ofício, e ainda permitiam que seus servos arrancassem dinheiro do povo.
Isso mostra que não é novidade alguma pessoas em cargos públicos pensarem primeiro em si mesmas e usarem o que é público para ganho particular. Mostra também que os senhores devem responder diante de Deus pela fraude, injustiça, violência e opressão que permitem em seus servos.
Neemias, então, fala do seu próprio modo de agir. Em linhas gerais, ele não fez o que os antigos governadores fizeram. Ele não quis proceder assim, e diz que não ousou fazê-lo porque temia a Deus. Ele vivia com reverência pela grandeza de Deus e com temor do seu juízo. Esse temor o impediu de oprimir o povo, porque quem de fato teme a Deus não ousa agir com crueldade ou injustiça. E foi isso, unicamente, que o conteve. Ele foi generoso, não para ganhar elogios humanos ou obter vantagem diante do povo, mas por consciência, porque temia a Deus. Esse é um motivo forte e agradável a Deus tanto para a justiça quanto para a bondade.
Os governadores anteriores haviam lucrado com o cargo, mas Neemias não ganhou nada além da alegria de fazer o bem. Ele diz: “não compramos terras” (Neemias 5:16). Isso não significa que ele fosse descuidado com o dinheiro. Significa que ele foi um bom governador, que não usou o ofício para enriquecer sua própria casa. Devemos lembrar as palavras do Senhor: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20:35).
Mais especificamente, Neemias mostra o quão pouco tomou para si. Ele exercia a função de governador, mas não comeu o pão do governador (Neemias 5:14) e não o exigiu (Neemias 5:18). Estava tão longe de pressionar por mais do que lhe seria devido, que nem sequer pediu o que, por direito, pertencia ao cargo. Em vez disso, viveu do que recebera na corte do rei da Pérsia e dos seus próprios bens em Judá. Sua razão era simples: o peso sobre o povo já era grande. Ele poderia ter usado a desculpa comum de que seria injusto para com os futuros governadores, se não reivindicasse seus direitos. Mas ele olhou para o sofrimento dos judeus e não quis acrescentar nada à sua carga. Esteve disposto a diminuir os próprios recursos antes que arruinar o povo. Em nossas exigências, precisamos pensar não só no que é justo em teoria, mas também no que o outro é capaz de suportar. Se não há de onde tirar, quem insiste no seu “direito” acaba sendo o verdadeiro perdedor.
Neemias também deu muito daquilo que poderia ter guardado para si. Seus servos foram colocados a trabalhar (Neemias 5:16). Servos de príncipes normalmente acham que estão dispensados do labor, mas os servos de Neemias foram todos trazidos para a obra, sem dúvida por ordem dele. Aqueles que têm muitos servos devem pensar cuidadosamente em como podem empregá-los em coisas úteis e mantê-los ocupados em trabalho honesto.
Ele também repartiu da sua própria mesa (Neemias 5:17, 18). Mantinha uma mesa bastante generosa, não só em dias especiais, mas continuamente. Recebia muitos convidados importantes, pelo menos cento e cinquenta dos seus compatriotas, homens de primeira categoria, além de estrangeiros que vinham tratar de assuntos com ele. Oferecia-lhes ampla provisão de comida e bebida. Os que estão em cargos públicos devem lembrar que foram postos ali para fazer o bem, não para se enriquecerem. E os que ocupam posições mais humildes devem aprender a exercer hospitalidade uns para com os outros, sem murmuração (1Pedro 4:9).
Neemias termina com uma oração: “Lembra-te de mim para bem, ó meu Deus” (Neemias 5:19). Ele menciona o que havia feito pelo povo, não com orgulho, como quem se gaba, nem com ira, como se os estivesse repreendendo. Parece ter registrado isso para envergonhar os governantes e levá-los a abandonar a opressão. Que aprendessem com ele a não serem gananciosos no que exigem, nem mesquinhos no que gastam, e assim teriam a honra e a alegria de serem generosos, como ele teve.
Ele também leva o assunto diante de Deus em oração, não como se merecesse o favor divino como pagamento, mas para mostrar que não buscava recompensa dos homens. Confiava somente em Deus para compensar o que havia perdido e dado por amor à honra do Senhor. Considerava o favor de Deus recompensa suficiente. “Se Deus apenas pensar em mim para o bem, isso me basta.” Os pensamentos de Deus a nosso respeito são a nossa felicidade (Salmo 40:5). Ele deixa tudo nas mãos de Deus, para que o recompense da maneira que lhe agradar. Se as pessoas se esquecerem de mim, que o meu Deus se lembre de mim, e nada mais me faltará.
Deste capítulo
Neemias 5:1
"Houve uma forte lamentação do povo e de suas mulheres contra os judeus, seus irmãos."
Neemias 5:2
"Alguns diziam: “Nós, nossos filhos e nossas filhas somos numerosos; precisamos de trigo para que possamos comer e viver”."
Neemias 5:3
"Outros diziam: “Somos obrigados a empenhar nossas terras, nossas vinhas e nossas casas para conseguir trigo durante a fome”."
Neemias 5:4
"Outros ainda diziam: “Tivemos de tomar dinheiro emprestado para pagar o tributo ao rei, empenhando nossas vinhas e nossos campos."
Neemias 5:5
"E, no entanto, somos da mesma raça que nossos irmãos; nossos filhos não são diferentes dos filhos deles. E agora foi preciso escravizar nossos filhos e nossas filhas; mesmo neste momento, algumas de nossas filhas já são escravas. E nada podemos fazer, porque nossos campos e nossas vinhas já passaram para as mãos de outros”."
Neemias 5:6
"Esses lamentos e reclamações me irritaram profundamente."
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