Versículo em destaque
Naum 1:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" O que vocês tramam contra o Senhor? Ele consumará a ruína; esse desastre não acontecerá duas vezes. "
Naum 1:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 O Senhor é bom, é um refúgio na tribulação; conhece os que nele confiam.
8 Como um temporal violento, ele destruirá este lugar e, mesmo nas trevas, perseguirá seus inimigos.
9 O que vocês tramam contra o Senhor? Ele consumará a ruína; esse desastre não acontecerá duas vezes.
10 Porque, entrelaçados como espinheiros e embriagados com seu vinho, serão consumidos como palha seca.
11 De você saiu aquele que maquina o mal contra o Senhor, aquele que trama maus desígnios.
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Esses versículos parecem apontar para a destruição do exército assírio sob Senaqueribe, rei da Assíria. Esse episódio pode ser entendido como parte do “peso” ou juízo contra Nínive, a principal cidade do império assírio, e como uma garantia da própria queda de Nínive cerca de cem anos depois. Esse acontecimento foi frequentemente mencionado por Isaías, que provavelmente foi contemporâneo de Naum.
Em primeiro lugar, é preciso notar a grande ofensa que os assírios cometeram contra Deus, o Deus justo e santo, que se vinga, ainda que seja tardio em irar-se (Naum 1:11). Um homem saiu de Nínive, que intentou mal contra o Senhor: trata-se de Senaqueribe e do seu porta-voz, Rabsaqué. Eles enviaram uma carta blasfema e fizeram discursos ímpios, não apenas contra Ezequias e o povo, mas contra o próprio Deus. Trataram o Senhor como se não fosse melhor do que os deuses das nações, incapaz de salvar os que o adoram.
Também tentaram afastar o povo de Jerusalém de confiar em Deus, insistindo para que se submetessem ao rei da Assíria. Na prática, queriam tirar de Jerusalém sua identidade como cidade do Senhor, cidade santa. Esse poderoso homem de Nínive, que se achava grande, trouxe esse fardo sobre Nínive por ter intentado mal contra o Senhor. Nunca a Majestade gloriosa do céu e da terra foi tão ousadamente insultada como por Senaqueribe naquele tempo.
Ele era um mau conselheiro. Incentivava o povo a perder a esperança na proteção de Deus, a render-se ao rei da Assíria e a desprezar a reforma de Ezequias, pela qual o povo havia voltado ao verdadeiro culto (Isaías 36:7). Naum confronta esse conselheiro perverso diretamente: “Que pensais vós contra o Senhor?” É loucura e maldade conspirar contra Deus, como se a sabedoria humana pudesse superá-lo ou a força humana pudesse vencer o seu poder.
Muita coisa é tramada contra o Senhor pelas forças do inferno e contra o bem do seu reino no mundo, mas tudo se mostrará inútil (Salmo 2:1; Salmo 2:2). Aquele que se assenta nos céus ri dos planos dos que pretendem portar-se como poderosos governantes contra ele, e ele fará com que seus planos caiam sobre a própria cabeça deles.
Em segundo lugar, note-se a grande destruição que Deus traria sobre eles por esse pecado, ainda que não de uma só vez sobre todo o império assírio, pois a ruína total foi adiada até que a medida da culpa se enchesse. Primeiro ele feriria o exército. Deus poria um fim completo a esse exército, cortando-o e arruinando-o com um único golpe. Um só golpe fatal do anjo destruidor os deixaria mortos onde estavam, sem necessidade de um segundo ataque.
Com alguns pecadores, Deus executa juízo de forma rápida e conclui a questão de uma vez. Seus juízos não seguem apenas um padrão. Às vezes age por uma doença repentina, às vezes por uma enfermidade prolongada. De uma forma ou de outra, ele porá fim completo a todos os seus inimigos que continuam a maquinar contra ele. É provável que o exército assírio partilhasse do espírito e das palavras de seu líder, e agora Deus trataria com eles, ainda que, em parte, apenas repetissem o que lhes havia sido ensinado. Ficar-se-ia claro também que, por suas próprias ações e escolhas, eles se expuseram à ira divina (Naum 1:10).
Eles são como espinhos entrelaçados uns aos outros, emaranhados. Tornam-se mutuamente piores e mais obstinados contra Deus e contra o seu povo, endurecendo o coração uns dos outros e fortalecendo-se mutuamente nas obras más. Assim, Deus lidará com eles como um lavrador faz com um espinheiro que não consegue separar: lança tudo de uma vez no fogo.
Eles também são como homens bêbados, enlouquecidos por orgulho e ira. Pessoas assim caminham para uma ruína da qual não conseguem se recuperar. Vão tropeçar, cair e tornar-se motivo de vergonha e zombaria. São dignos de ser ridicularizados.
Serão consumidos como restolho seco, que queima por completo e não oferece resistência ao fogo. Os juízos de Deus são como um fogo devorador para aqueles que se fazem como palha diante dele. Esse grande exército é advertido de novo (Naum 1:12) de que, embora esteja em paz e seja muito numeroso, sentindo-se seguro por causa de sua própria força, será ainda assim ceifado como a erva ou o cereal. Quando ele passar, mesmo que seja apenas o anjo destruidor enviado para os ferir, cairão sem nenhum esforço.
A segurança dos pecadores e a confiança que depositam em sua própria força muitas vezes são sinais de que a ruína está próxima.
Em terceiro lugar, observe-se o juízo sobre o próprio rei. Ele intentou mal contra o Senhor, e escapará? Não (Naum 1:14). “Contra ti o Senhor deu ordem: já saiu o decreto de que o teu nome não será mais perpetuado, de que a tua memória perecerá, e que já não se falará de ti como antes.” Até mesmo a narrativa de seus grandes feitos se apagaria e se dispersaria, em vez de ser celebrada.
Como o filho de Senaqueribe reinou depois dele, alguns entendem que isso aponta para a queda do império assírio não muito tempo depois. Aqueles que intentam mal contra o Senhor apenas trazem mal sobre si mesmos, sobre suas famílias e seus interesses, e arruinam o próprio nome ao desonrar o nome de Deus.
Também é ameaçado que as imagens que ele adorava seriam cortadas de seu templo, tanto a imagem de escultura como a de fundição, da casa de seus deuses. Alguns veem o cumprimento disso quando Senaqueribe foi morto por dois de seus filhos enquanto adorava no templo de Nisroque, seu deus. Esse assassinato brutal teria tornado o templo impuro e talvez o deixado abandonado, com as imagens removidas e com o culto ali encerrado.
Ou isso pode ser entendido de forma mais ampla, como um retrato da ruína completa da Assíria. O exército inimigo passaria destruindo tudo, até mesmo os seus ídolos. Assim Deus mostrava que um dos motivos do juízo era a idolatria deles. Também se diz que ali seria posto o sepulcro de Senaqueribe, talvez na casa de seu deus. Ali ele foi morto, e ali seria enterrado, pois é desprezível. Sua vergonha ficou fixada para sempre, porque perdeu até o amor natural de seus próprios filhos, e dois deles o assassinaram.
Isso também pode se referir à queda humilhante da própria monarquia assíria, de cujas ruínas mais tarde se levantou a Babilônia. A queda daquele estado outrora temido tornou-se um escândalo público e estrondoso (Ezequiel 31:3, Ezequiel 31:11, Ezequiel 31:15, Ezequiel 31:16). Os que se tornam vis por meio de pecados vergonhosos serão tornados vis por meio de castigos igualmente vergonhosos.
Além disso, tudo isso resultaria em grande livramento para o povo de Deus e para a cidade que traz o seu nome. A ruína dos inimigos da igreja é a salvação da igreja, e Jerusalém recebeu uma salvação extraordinária na derrota do exército de Senaqueribe.
O cerco seria levantado. Deus diz: “Agora quebrarei o jugo de sobre ti, o jugo que te mantinha em escravidão, e romperei as tuas cadeias em dois”, as cadeias que pareciam prender-te à ira da Assíria. Aquele grande exército tinha-se espalhado por Judá, tomando o que queria e vivendo à custa da terra. Jerusalém, enquanto cercada, era como um prisioneiro acorrentado, mas quando o anjo destruidor terminou a sua obra, aquelas algemas foram quebradas e a cidade ficou livre outra vez. Isso apontava para a grande salvação pela qual a Jerusalém de cima é verdadeiramente libertada.
O inimigo ficaria tão enfraquecido e desanimado que nunca mais faria um ataque semelhante. Deus levaria essa aflição a um desfecho tão bom, pela sua graça, que não haveria necessidade de outra correção tão severa. Deus não castigaria Jerusalém dessa forma novamente, pois a sua ira se afastara. Ele diz: “Basta”, porque havia usado esse terror para cumprir toda a sua obra em Sião (Isaías 10:12) e, assim, “embora eu te tenha afligido, não te afligirei mais”. Deus não pune de bom grado. O inimigo também não ousaria mais passar por Jerusalém (Naum 1:15). “O ímpio não passará mais por ti”, como havia feito para destruir tudo, porque seria completamente exterminado e incapaz de repetir isso. Seu exército seria cortado, sua coragem seria cortada e, por fim, o próprio inimigo seria totalmente cortado.
A notícia desse grande livramento se espalharia por toda parte e seria recebida com grande alegria em todo o reino (Naum 1:15). Enquanto Senaqueribe, rei da Assíria, avançava vitorioso e arrasava tudo diante de si, cada dia trazia más notícias. Mas agora haveria um mensageiro visto sobre os montes, trazendo boas novas, correndo o mais depressa que seus pés pudessem levá‑lo. Quão bem‑vindo é ver um mensageiro de paz depois de tantos mensageiros de angústia, como aqueles que vieram a Jó. Outro profeta usa essas mesmas palavras para descrever o livramento de Deus tirando seu povo de Babilônia (Isaías 52:7), não porque um profeta copiou o outro, como faziam os falsos profetas (Jeremias 23:30), mas porque ambos falaram pelo mesmo Espírito. Ministros também podem mostrar sua concordância na sã verdade usando as mesmas palavras claras (1 Timóteo 6:3; 2 Timóteo 1:13). O apóstolo ainda cita essas palavras, tanto de Isaías como de Naum, e as aplica à grande redenção que Jesus Cristo conquistou por nós e à pregação dessa obra por meio do evangelho eterno (Romanos 10:15). Os ministros de Cristo são esses mensageiros das boas novas que anunciam paz por meio de Jesus Cristo. Quão formosos são os seus pés, e quão bem‑vinda é a sua mensagem para aqueles que enxergam o seu pecado, sua miséria e seu perigo.
Observe também que aquele que traz essas boas novas conclama Judá a guardar suas festas fixas e cumprir seus votos. Durante a tribulação, as festas regulares haviam sido interrompidas. Enquanto Jerusalém estava cercada por exércitos, eles não podiam subir para adorar; mas agora, removido o impedimento, devem voltar ao culto do Senhor. As festas do Senhor tornam‑se ainda mais doces para o povo de Deus depois de terem sido privados delas por um tempo e então as receberem de novo pela bondade de Deus. Aprendemos o valor de tais bênçãos quando as perdemos por um tempo. Eles também haviam feito votos a Deus, prometendo que, se ele os livrasse daquela aflição, fariam algo especial em seu serviço, para sua honra. Agora que o livramento chegou, são exortados a cumprir esses votos. O que prometeram então deve agora ser pago, pois é melhor não fazer voto algum do que votar e não cumprir.
As palavras “o malvado nunca mais passará por ti” podem ser entendidas também como uma promessa de que a boa obra de reforma iniciada por Ezequias seria levada à conclusão. Os ímpios não circulariam mais livremente pela terra, como antes. Seriam exterminados. E a derrota de inimigos ímpios no exterior é verdadeiramente uma misericórdia para uma nação quando vem acompanhada da contenção e reforma dos ímpios dentro de casa, que muitas vezes são seus inimigos mais perigosos.
Deste capítulo
Naum 1:1
"Oráculo sobre Nínive. Livro da visão de Naum de Elcós."
Naum 1:2
"O Senhor é um Deus zeloso e vingador; o Senhor é um vingador irascível. O Senhor se vinga de seus adversários e trata seus inimigos com rigor."
Naum 1:3
"O Senhor é paciente e grande em poder; não deixa o culpado impune. O Senhor caminha em meio à tempestade e sobre o vento impetuoso; as nuvens são a poeira de seus pés."
Naum 1:4
"Ele ameaça o mar e o torna seco, e esgota todos os regatos. O Basã e o Carmelo fenecem; as flores do Líbano murcham."
Naum 1:5
"As montanhas vacilam diante dele, e as colinas desaparecem; a terra, o mundo e todos os seus habitantes se agitam diante dele."
Naum 1:6
"Quem poderia enfrentar sua cólera? Quem poderia resistir ao ardor de sua ira? Seu furor se derrama como fogo; seu aspecto basta para destruir rochedos."
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