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Miqueias 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ai dos que planejam a iniquidade, dos que tramam o mal em seus leitos e o executam logo ao amanhecer, porque têm o poder nas mãos! "

Miqueias 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ai dos que planejam a iniquidade, dos que tramam o mal em seus leitos e o executam logo ao amanhecer, porque têm o poder nas mãos!

2 Cobiçam as terras e se apoderam delas, cobiçam as casas e as roubam; fazem violência ao homem e à sua família, ao dono e à sua herança.

3 Por isso, eis o que diz o Senhor: planejo um mal contra essa raça, do qual vocês não livrarão o pescoço de vocês. Vocês não andarão mais com a cabeça erguida, porque será um tempo de calamidades;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos, em primeiro lugar, a injustiça de um povo que planeja e executa o mal do pecado, especialmente o da opressão (Miquéias 2:1-2). Deus estava se levantando contra esse povo para o destruir, e mostra o motivo da sua causa contra eles. Um único pecado costuma trazer ruína sobre nações e famílias tão certamente quanto qualquer outro, e esse pecado é a opressão. É assim que ele opera.

Primeiro, eles desejam o que não é deles. Isso é raiz de amargura e raiz de todo mal, como ensina (Miquéias 2:2). Cobiçam campos e casas, como Acabe cobiçou a vinha de Nabote. Em essência, pensam: “Se aquele campo e aquela casa fossem meus, me serviriam melhor, e eu administraria tudo melhor.”

Depois, usam a mente para inventar meios de conseguir o que desejam, como se vê ao longo do capítulo (comparar com Miquéias 2:4). Engendram o mal com habilidade e astúcia, planejando como realizá-lo com eficiência, evitando perigo e vergonha. Isso é “trabalhar o mal”. Ficam girando o plano na cabeça, em casa e no íntimo, com tanta concentração e prazer como se já o estivessem praticando. Agem também como se o sucesso fosse certo, confiantes de que o plano está bem traçado.

É ruim causar dano num impulso repentino, mas é muito pior planejá-lo com cuidado. Quando à astúcia e esperteza da antiga serpente, Satanás, se junta o seu veneno e sua peçonha, aí está a maldade em seu pior grau. Eles maquinaram o mal em suas camas, quando deveriam estar dormindo. Em vez de descansar, perdem o sono para tramar a iniquidade. A cama deveria ser o lugar de se lembrar de Deus, examinar o coração e refletir com sinceridade sobre si mesmo. Importa muito como usamos nossas horas de silêncio e de solidão.

Depois, usam o poder que possuem para executar o que planejaram. Praticam a iniquidade que imaginaram, porque “está no poder da sua mão” (Miquéias 2:1). Suas riquezas, autoridade e influência cooperam para o sucesso, e ninguém ousa detê-los ou pedir contas. Pensam que, porque podem fazer, têm direito de fazer. Mas o poder nunca é dado para destruição, e sim para edificação.

Além disso, são rápidos e diligentes em cumprir seus planos perversos. Uma vez decidido o que farão, na mente e no leito, não perdem tempo. “À luz da alva o praticam” (Miquéias 2:1). Correm para realizar o que podem, e isso envergonha nossa lentidão em fazer o bem. No serviço de Deus e no serviço à nossa geração, não deveria ser dito de nós que deixamos para amanhã o que poderíamos fazer hoje.

Também não medem esforços para alcançar seus objetivos. Aquilo que cobiçam, tomam se podem. Não se importam com quão aberto ou vergonhoso seja o mal. Tomam os campos dos homens pela violência, não apenas por fraude, artimanhas secretas ou mau uso da lei, mas à força e às claras. Tampouco se importam com quem ferem nem com a extensão do dano. Oprimem o homem e sua casa, arruinam famílias, deixando mulheres e filhos reduzidos à miséria. Oprimem o homem e a sua herança, arrancando-lhe aquilo que deveria permanecer no patrimônio da família. A cobiça arranca a compaixão do coração; quem ama este mundo, de fato, não ama o próximo.

Em segundo lugar, vemos a justiça de Deus ao planejar o castigo para esse pecado (Miquéias 2:3). “Portanto”, diz o Senhor, o justo Juiz que decide entre os homens e vinga a injustiça, “eis que projeto um mal contra esta família.” Refere-se a todo o reino de Israel, em especial às casas cruéis e opressoras. Eles maquinam o mal contra os seus irmãos, e Deus, com plena justiça, planeja mal contra eles. A sabedoria do Senhor moldará o castigo de modo que seja certo, severo, claro e adequado ao pecado. Quanto mais perversa a habilidade posta no pecado, tanto mais brilharão a santa sabedoria e a justiça adequada no castigo. Por meio desses juízos, o Senhor se fará conhecido.

Deus os encontra seguros e confiantes, imaginando que escaparão do juízo, ou que, se vier, se livrarão logo dele. Por isso, declara que esse será um jugo do qual não poderão tirar o pescoço. Foram como gente teimosa, que não quis suportar o jugo leve dos mandamentos justos de Deus e arrebentou as suas cordas. Assim, Deus porá sobre eles o jugo pesado de seus juízos justos, e eles não conseguirão livrar-se dele. Os que se recusam a ser governados serão abatidos.

Ele também os encontra orgulhosos e cheios de si; então anuncia que não andarão mais com o pescoço erguido e olhar insolente, desfilando em autossatisfação (ver Isaías 3:16). O tempo de juízo é um tempo mau, e o que nele acontece humilha até o espírito mais altivo.

Deus os encontra alegres e despreocupados, por isso avisa que o cântico deles mudará. O riso se converterá em pranto, e a alegria em tristeza (Miquéias 2:4). Naquele dia, quando Deus os castigar por sua opressão, se levantará contra eles um provérbio e um lamento amargo. Os inimigos zombarão, e os amigos lamentarão por eles. O clamor será: “Estamos de todo assolados; estamos completamente arruinados.” Os que foram mais orgulhosos e confiantes em tempos de bonança costumam ser os mais esmagados e desesperados na adversidade.

Ele os encontra ainda ricos em casas e terras adquiridas por opressão e, por isso, anuncia que serão despojados de tudo.

No desespero, abrirão mão da terra por completo. Dirão: “Estamos arruinados; ele tirou de nós a porção do meu povo; já não nos pertence, mas está nas mãos de nossos inimigos. Como pôde tirá-la de mim! Quão de repente, quão poderosamente!” O que se obtém de forma injusta não permanece muito tempo com quem o adquiriu. O Deus justo o tomará de volta.

Quando Deus se afasta em ira e reparte nossos campos a outros, é um juízo terrível. A ideia é: em vez de restaurar-nos, ele dividiu nossos campos; em vez de devolver-nos a posse, confirmou-a nas mãos de quem os tomou. É justo que Deus deixe sofrer o mesmo tipo de injustiça aqueles que usaram de fraude e violência contra os outros.

Deus confirmará também o que eles dizem em seu desespero (Miquéias 2:5). Assim será: não haverá entre eles quem meça a terra por sorte na congregação do Senhor, nem quem reparta heranças, porque não restarão heranças a repartir. Não haverá tribunais para discutir direitos de propriedade ou lançar sortes sobre as parcelas, como nos dias de Josué, porque tudo estará nas mãos dos inimigos.

Essa terra era não apenas legitimamente deles, mas também motivo especial de alegria, porque nela estava a congregação do Senhor. Era terra de Deus, terra santa, e isso tornava ainda mais amarga a sua expulsão. As aflições mais profundas são as que nos afastam da congregação do Senhor, ou reduzem grandemente a nossa participação em suas bênçãos.

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