Versículo em destaque
Mateus 3:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ao ver, porém, que muitos dos fariseus e dos saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: “Raça de víboras, quem ensinou vocês a fugir da ira vindoura? "
Mateus 3:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região ao redor do Jordão vinham a ele.
6 Confessavam seus pecados e eram batizadas por ele nas águas do Jordão.
7 Ao ver, porém, que muitos dos fariseus e dos saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: “Raça de víboras, quem ensinou vocês a fugir da ira vindoura?
8 Produzam, pois, frutos de verdadeira penitência.
9 Não digam dentro de vocês: Nós temos Abraão por pai! Pois eu digo a vocês: Deus é poderoso para suscitar destas pedras filhos a Abraão.
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João pregava arrependimento porque o reino dos céus estava próximo, e aqui vemos como ele aplicava essa mensagem. Uma boa pregação precisa ser aplicada à vida das pessoas, e foi isso que João fez. Ele falava de modo diferente para ouvintes diferentes. Para muitos, ele dizia simplesmente: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” Mas, quando viu fariseus e saduceus vindo ao seu batismo, percebeu que precisava falar de forma mais direta.
Fariseus e saduceus eram dois dos principais grupos judaicos daquela época. Um terceiro grupo, os essênios, não aparece nos Evangelhos porque viviam afastados da vida pública. Os fariseus eram muito rigorosos quanto às cerimônias, ao poder religioso e às tradições dos anciãos. Os saduceus iam ao extremo oposto, e pouco se distinguiam dos incrédulos, negando a existência de espíritos e a vida após a morte. É espantoso que viessem ao batismo de João, mas a curiosidade pode tê-los levado a ouvi-lo, e alguns talvez até tenham sido batizados. Ainda assim, a maioria rejeitou a mensagem de João, como Jesus depois declarou: “Os publicanos reconheceram a justiça de Deus, sendo batizados com o batismo de João, mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus a seu respeito, não tendo sido batizados por ele” (Lucas 7:29-30). Muitos se aproximam das práticas religiosas, mas nunca se submetem ao seu poder.
João lhes falou com total sinceridade. Dirigiu-se à multidão de modo claro e penetrante, como alguém que não veio para impressionar, mas para alcançar a consciência das pessoas. Embora tivesse sido preparado em particular, não era tímido em público. Não temia a opinião humana, porque estava cheio do Espírito Santo e de poder.
Ele começou com uma palavra forte de advertência. Não os lisonjeou, nem lhes deu os títulos que apreciavam. Chamou-os de “raça de víboras”. Jesus usou a mesma expressão mais tarde (Mateus 12:34; Mateus 23:33). Exteriormente pareciam respeitáveis, mas por dentro eram venenosos e cheios de ódio a tudo o que é bom. Eram como uma família de serpentes, manifestando o mesmo espírito maligno dos que vieram antes deles. Eles se vangloriavam de ser filhos de Abraão, mas João mostrou que, na realidade, se pareciam mais com a descendência da serpente, em contraste com a promessa de (Gênesis 3:15), e com aqueles que Jesus descreveu como filhos do diabo (João 8:44). Embora fossem inimigos entre si, estavam unidos na prática do mal.
Uma geração ímpia é uma geração de víboras, e deve ser chamada pelo nome que condiz com o que ela é. Os ministros de Cristo precisam ter ousadia para mostrar aos pecadores a sua verdadeira condição. João então perguntou: “Quem vos ensinou a fugir da ira futura?” Isso mostrava que eles estavam em perigo de juízo. Seus corações estavam tão endurecidos – os fariseus pela religiosidade vazia, os saduceus pela incredulidade – que parecia quase impossível fazer-lhes algum bem. Suas palavras equivaliam a dizer: “O que trouxe vocês aqui? Que temor despertou em vocês a busca do reino dos céus?”
Há uma ira futura, não apenas o juízo que já se vê no mundo, mas uma ira reservada para mais adiante. É grande preocupação de cada pessoa fugir dessa ira. E é grande misericórdia Deus nos advertir de forma tão clara. Ele nos avisa por meio da sua Palavra, por meio de seus ministros e por meio da consciência. Às vezes esses avisos abalam até pessoas que pareciam muito seguras em seu pecado e autoconfiança.
João então lhes fez um chamado direto: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.” Já que foram advertidos a fugir da ira vindoura, deveriam deixar que esse aviso os conduzisse a uma vida santa. Ou, ainda, como afirmavam que estavam se arrependendo e tinham vindo para o batismo de arrependimento, deveriam provar que seu arrependimento era verdadeiro. O arrependimento habita no coração como uma raiz, mas é vazio alegar tê-lo se nenhum fruto aparece em uma vida transformada. O verdadeiro arrependimento é uma mudança completa de rumo, um afastar-se do pecado e apegar-se ao que é bom. Esse fruto é o que corresponde ao arrependimento.
As pessoas não são dignas de ser chamadas arrependidas, nem de desfrutar das bênçãos do arrependimento, se dizem estar pesarosas, mas continuam pecando. Aqueles que professam arrependimento, como todos os batizados o fazem, devem viver como pecadores arrependidos e nunca praticar aquilo que não condiz com esse chamado. Uma pessoa arrependida deve ser humilde, grata até pelas menores misericórdias, paciente em grandes tribulações, vigilante contra o pecado e até contra os primeiros passos em direção a ele, fiel em cada dever e caridosa ao julgar os outros.
João também os advertiu a não confiar em privilégios externos e usá-los como desculpa para fugir do arrependimento. Ele disse: “E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão.” O coração humano costuma falar assim em seu íntimo para escapar do poder penetrante da Palavra de Deus. Os ministros devem esperar tais pensamentos ocultos e lidar com eles antes que endureçam a consciência. As palavras de João significam: “Não imaginem, não aleguem, não se consolem com essa ideia. Não se embalem achando segurança nisso.” Deus nota o que as pessoas dizem dentro de si mesmas, ainda que jamais o dissessem em voz alta. Ele conhece todo falso consolo ao qual a alma se agarra.
Muitos escondem a mentira que os destrói, como se fosse um tesouro secreto. Guardam-na para si porque têm vergonha de admiti-la e, assim fazendo, permanecem sob a influência do diabo. João primeiro expõe a desculpa deles: “Temos por pai a Abraão.” Em outras palavras: “Não somos como os gentios pecadores. Eles podem precisar se arrepender, mas nós somos judeus, uma nação santa, o povo especial de Deus. O que este aviso tem a ver conosco?” A Palavra de Deus não nos faz bem algum se nos recusamos a ouvi-la como dirigida a nós.
Não pensem que, porque são filhos de Abraão, não precisam se arrepender, ou que não têm do que se arrepender. Não pensem que o vínculo com Abraão, nem a participação na aliança que Deus fez com ele, torna vocês tão santos a ponto de não precisarem mudar a mente e o modo de viver. Não pensem que tudo correrá bem mesmo sem arrependimento, nem que isso os ajudará no juízo e os protegerá da ira futura. Deus não deixará de ver o coração impenitente só porque vocês são descendentes de Abraão.
É tolice confiar que bons laços de família nos salvarão, se nós mesmos não formos bons. E se tivermos vindo de antepassados piedosos, recebido uma educação religiosa, vivido em lares onde o temor de Deus era honrado, e tivermos amigos que nos aconselharam e oraram por nós? Nada disso ajudará se não nos arrependermos e não vivermos como pessoas que perseveram em se arrepender. Eles diziam: “Temos por pai a Abraão”, e por isso julgavam ter os privilégios da aliança concedida a ele. Como seus descendentes, viam-se como filhos da igreja, semelhantes aos que diziam: “Templo do Senhor, templo do Senhor” (Jeremias 7:4). Muitos ainda hoje ficam aquém do céu por descansarem apenas na honra e nas vantagens da membresia visível na igreja.
Essa alegação era vã e sem fundamento. Eles imaginavam que, por serem descendência de Abraão, eram o único povo de Deus no mundo. Pensavam que, se fossem rejeitados, Deus ficaria sem igreja. Mas João mostrou quão enganados estavam. Em essência, ele diz: seja lá o que vocês pensem, Deus pode, destas pedras, suscitar filhos a Abraão. João batizava no Jordão, em Betábara, “casa da passagem”, onde Israel havia atravessado o rio, e onde Josué levantou doze pedras memoriais, uma para cada tribo (João 1:28; Josué 4:20). João pode ter apontado para aquelas pedras, pois Deus podia torná-las, mais do que um simples memorial, semelhantes às doze tribos de Israel. Ou talvez ele tivesse em mente as palavras de (Isaías 51:1), onde Abraão é chamado de rocha da qual foram cortados. O mesmo Deus que trouxe Isaque daquela “rocha” pode fazer isso de novo, pois nada é impossível para ele.
Alguns entendem que João pode ter apontado para soldados gentios que estavam ali, advertindo os judeus de que Deus levantaria uma igreja entre as nações e lhes daria a bênção de Abraão. Do mesmo modo, quando nossos primeiros pais caíram, Deus poderia tê-los deixado perecer e suscitado outro Adão e outra Eva a partir de pedras. Ou o sentido pode ser este: que até pedras seriam contadas como descendência de Abraão antes daqueles pecadores tão duros, secos e estéreis. Isso abala a falsa confiança dos pecadores em Jerusalém, mas fortalece a esperança do verdadeiro povo de Deus. Aconteça o que acontecer com a geração presente, Deus nunca ficará sem igreja no mundo. Se os judeus caírem, os gentios serão enxertados em seu lugar (Mateus 21:43; Romanos 11:12).
Aqui também há uma advertência aos fariseus descuidados e autoconfiantes, mestres religiosos que enfatizavam o rigor na guarda da lei, e aos saduceus, grupo judeu que negava algumas verdades, bem como a outros que não percebiam os sinais dos tempos nem o dia da visitação de Deus (Mateus 3:10). Agora o reino de Deus estava perto, por isso precisavam despertar e sentir a gravidade do perigo em que se encontravam. O tempo de prova deles seria curto e severo. O machado já estava posto à raiz da árvore, ou seja, o tempo deles estava quase esgotado, e eles se encontravam debaixo de juízo. Deus estava prestes a tratar com eles de maneira mais rápida do que antes, e o juízo começaria pela casa de Deus. Onde Deus concede mais luz e mais meios, ele permite menos tempo. Cristo disse: “Eis que venho sem demora.”
Se não respondessem, a condenação deles seria severa. O machado à raiz mostra que Deus falava seriamente. Toda árvore, não importa quão elevada em dons ou honra, nem quão verde em religiosidade aparente e boas obras exteriores, que não produzisse bom fruto, fruto condizente com arrependimento, seria cortada, rejeitada como árvore falsa na vinha de Deus e lançada no fogo da sua ira. Esse é o lugar adequado para árvores estéreis. Se não servem para dar fruto, servem para ser lenha. Isso aponta provavelmente para a destruição de Jerusalém pelos romanos. Diferente de outros juízos, que apenas cortavam ramos ou o tronco e deixavam a raiz para brotar de novo, este seria uma ruína total, final e irrecuperável daquele povo. Todos os que permanecessem impenitentes pereceriam nela. Deus poria um fim completo, e a ira viria sobre eles até o máximo.
João também falou a respeito de Jesus Cristo, porque toda a sua pregação se concentrava nele. Os ministros de Cristo não pregam a si mesmos, mas a ele. João apresenta primeiro a dignidade de Cristo e o quão acima de si ele está. Ele diz: “Eu vos batizo com água”, isto é, é o máximo que posso fazer. Os sacramentos não tiram o seu poder da pessoa que os administra. O ministro pode apenas conceder o sinal; mas é direito de Cristo conceder aquilo que o sinal significa (1 Coríntios 3:6; 2 Reis 4:31). “Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu.” João tinha poder real, pois veio no espírito e poder de Elias, mas Cristo tem muito mais. João foi de fato grande, grande aos olhos do Senhor, e nenhum homem maior do que ele havia nascido de mulher; ainda assim, ele se considerava indigno até mesmo do lugar do servo mais humilde perto de Cristo, não se achava digno de carregar as suas sandálias.
João via quão poderoso Cristo era em comparação com ele, e quão pequeno ele próprio era em comparação com Cristo. Isso é grande consolo para ministros fiéis. Jesus Cristo é mais poderoso do que eles, e pode fazer por eles e por meio deles aquilo que eles mesmos não podem fazer. O poder de Cristo se aperfeiçoa na fraqueza deles. Aqueles a quem Deus honra são, muitas vezes, levados a serem muito humildes aos seus próprios olhos. Estão dispostos a ser abatidos para que Cristo seja exaltado, a ser qualquer coisa ou nada, contanto que Cristo seja tudo.
A vinda de Cristo também tinha um propósito: estabelecer uma separação clara. João havia dito que depois dele o Senhor viria de repente e se assentaria como refinador, aquele que purifica o metal pelo fogo (Malaquias 3:1-3). Depois da vinda de Elias, viria o dia que arde como fornalha (Malaquias 4:1). Cristo viria para separar as pessoas pela poderosa atuação da sua graça. “Ele vos batizará”, isto é, alguns de vocês, “com o Espírito Santo e com fogo.” Batizar com o Espírito Santo é direito especial de Cristo. Ele fez isso nos dons extraordinários do Espírito concedidos aos apóstolos, e o próprio Cristo aplica as palavras de João a esse dom (Atos 1:5). Ele também faz isso nas graças e consolações do Espírito concedidas àqueles que lhas pedem (Lucas 11:13; João 7:38-39; Atos 11:16).
Os que são batizados com o Espírito Santo também são batizados com fogo. Os sete espíritos de Deus aparecem como sete lâmpadas de fogo (Apocalipse 4:5). O fogo ilumina, e assim o Espírito traz entendimento e discernimento espiritual. O fogo aquece, e assim o Espírito faz arder o coração. O fogo consome, e assim o Espírito de juízo, como espírito de queima, consome a escória dos nossos hábitos pecaminosos. O fogo também torna semelhante a si aquilo que toca e tende para o alto; assim o Espírito santifica a alma e a puxa para o céu. Cristo diz: “Eu vim lançar fogo sobre a terra” (Lucas 12:49).
Isso também aponta para o juízo final de Cristo, como em (Mateus 3:12), onde “tem a pá na mão”. A capacidade de Cristo de julgar com justiça vem da sua sabedoria eterna como Filho do Pai, que vê todas as coisas na verdadeira luz. Sua autoridade para julgar vem do fato de que todo o juízo lhe foi entregue. A pá na sua mão significa que ele separará o que é verdadeiro do que é falso (Jeremias 15:7). Agora ele se assenta como refinador, como quem purifica metal.
A igreja visível é a eira de Cristo, “a eira e o trigo da minha eira” (Isaías 21:10). Um templo, que apontava para a igreja, foi construído sobre uma eira. Nessa eira há mistura de trigo e palha. Os verdadeiros crentes são como o trigo, firmes, úteis e de valor. Os hipócritas são como a palha, leves, vazios, inúteis, levados por qualquer vento. Por enquanto, bons e maus estão misturados debaixo da mesma profissão exterior e na mesma igreja visível.
Virá o dia em que a eira será limpa e o trigo e a palha serão separados. Parte dessa separação acontece já nesta vida, quando Deus chama o seu povo para sair de Babilônia (Apocalipse 18:4). Mas o grande dia da joeira será o juízo final. Então as doutrinas e as obras serão plenamente manifestas como realmente são (1 Coríntios 3:13), e as pessoas também serão separadas (Mateus 25:32, Mateus 25:33). Santos e pecadores serão apartados para sempre.
O céu é o celeiro onde Jesus Cristo logo recolherá todo o seu trigo, e nenhum grão se perderá. Ele o ajuntará como se recolhe o fruto maduro. A morte, como uma foice, é usada para trazê-los de volta ao seu povo. No céu, os santos são reunidos e deixam de estar espalhados. Estão seguros e já não expostos. São libertos de vizinhos pecaminosos ao redor e de desejos pecaminosos dentro de si, e não há palha entre eles.
Eles não são apenas recolhidos ao celeiro (Mateus 13:30), mas ao depósito onde são completamente limpos e purificados. O inferno, em contraste, é o fogo inextinguível que consumirá a palha. Esse será, com certeza, o destino e o castigo de hipócritas e incrédulos: sua destruição eterna. Assim, vida e morte, bem e mal, são colocados diante de nós aqui. Como agora somos no campo, assim seremos então na eira.
Deste capítulo
Mateus 3:1
"Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia."
Mateus 3:2
"Ele dizia: “Façam penitência, porque o Reino dos Céus está próximo.”"
Mateus 3:3
"Este é aquele de quem falou o profeta Isaías, quando disse: Uma voz clama no deserto: Preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas veredas."
Mateus 3:4
"João usava uma vestimenta de pelos de camelo e um cinto de couro em volta dos rins. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre."
Mateus 3:5
"Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região ao redor do Jordão vinham a ele."
Mateus 3:6
"Confessavam seus pecados e eram batizadas por ele nas águas do Jordão."
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