Versículo em destaque
Mateus 13:44 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" “O Reino dos Céus também é semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas volta a escondê-lo. Então, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo. "
Mateus 13:44
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
42 e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.
43 Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça”.
44 “O Reino dos Céus também é semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas volta a escondê-lo. Então, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
45 O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
46 Ao encontrar uma de grande valor, ele vai, vende tudo o que possui e a compra.
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Temos aqui quatro pequenas parábolas.
I. A parábola do tesouro escondido no campo. Até aqui, Jesus vinha comparando o reino dos céus a coisas pequenas, porque seu começo é pequeno. Mas, para que ninguém o considerasse algo de pouco valor, agora ele mostra o grande valor que o reino tem em si mesmo e o grande benefício que traz a todos os que o recebem e se submetem às suas condições. Aqui, o reino é como um tesouro escondido num campo, que podemos tornar nosso, se quisermos.
Jesus Cristo é o verdadeiro tesouro. Nele há abundância de tudo o que é rico e útil, e que pode se tornar a nossa porção: toda plenitude (Colossenses 1:19; João 1:16), tesouros de sabedoria e de conhecimento (Colossenses 2:3), justiça, graça e paz. Tudo isso está guardado para nós em Cristo; e, se pertencemos a ele, tudo isso é nosso.
O evangelho é o campo em que esse tesouro está escondido. Ele está oculto na palavra do evangelho, tanto no evangelho do Antigo quanto do Novo Testamento. Nas ordenanças do evangelho ele está escondido, como o leite no seio, o tutano no osso, o maná no orvalho, a água no poço (Isaías 12:3) e o mel no favo. Não está oculto num jardim fechado ou numa fonte selada, mas num campo aberto. Quem quiser pode vir, examinar as Escrituras e cavar nesse campo (Provérbios 2:4). Qualquer mina rica que ali encontremos se torna nossa, se tomarmos o caminho certo.
É algo grandioso descobrir esse tesouro e enxergar o seu valor. Muitos rejeitam o evangelho e não querem gastar nada nem arriscar nada para recebê‑lo, porque olham apenas para a superfície do campo e julgam por ela. Não veem mais excelência na fé cristã do que nos ensinamentos dos filósofos. Entretanto, as minas mais ricas costumam estar em terrenos que parecem áridos. Assim, não chegam nem a fazer oferta pelo campo, muito menos a pagar o preço. “O que é o teu amado mais do que outro amado? O que é a Bíblia mais do que outros bons livros? O que é o evangelho de Cristo mais do que a filosofia de Platão ou a moral de Confúcio?” Mas aqueles que examinaram as Escrituras até encontrar nelas Cristo e a vida eterna (João 5:39) acharam nesse campo um tesouro de valor infinito.
Os que veem esse tesouro e o avaliam corretamente não descansam enquanto não o tornam seu, custe o que custar. O homem que encontra o tesouro o esconde, o que mostra uma santa vigilância, para que não faltemos à promessa (Hebreus 4:1) e para que ninguém no‑lo tome, enquanto vigiamos com cuidado (Hebreus 12:15). Ele se alegra com o tesouro mesmo antes de fechar o negócio. Fica contente por existir um negócio tão vantajoso e por estar em bom caminho para obter parte em Cristo. Seu coração já pode se alegrar mesmo enquanto ainda busca o Senhor (Salmo 105:3).
Ele resolve comprar o campo. Todos os que recebem o evangelho nos termos do próprio evangelho compram esse campo, porque o fazem seu por causa do tesouro escondido. É a Cristo no evangelho que devemos mirar. Não precisamos subir ao céu, pois Cristo, na sua Palavra, está perto de nós. Ele está tão decidido a isso que vende tudo para comprar o campo. Os que desejam obter o benefício salvador por meio de Cristo precisam estar dispostos a abrir mão de tudo, para torná‑lo seguro para si. Precisam considerar todas as outras coisas como perda, a fim de ganhar a Cristo e serem achados nele.
II. A parábola da pérola de grande valor (Mateus 13:45‑46) diz a mesma coisa que a do tesouro. A lição é repetida porque a verdade é certa. Todos os homens andam ocupados buscando boas pérolas. Um deseja riquezas, outro honra, outro conhecimento. Mas a maioria se engana e se contenta com falsificações em vez de verdadeiras pérolas.
Jesus Cristo é a pérola de grande valor, joia de preço inestimável, que torna realmente rico quem a possui, rico para com Deus. Tendo a Cristo, temos o suficiente para a felicidade aqui e para sempre. O verdadeiro cristão é um negociante espiritual que busca e encontra essa pérola de grande valor. Ele não se satisfaz com nada menos do que ter parte em Cristo. Decidido a ser espiritualmente rico, negocia com ousadia. Ele vai e compra aquela pérola, não apenas faz oferta por ela, mas efetivamente a adquire.
De que nos serve conhecer Cristo se não o conhecemos como nosso, feito para nós sabedoria (Colossenses 1:30)? Os que desejam ter parte salvadora em Cristo precisam estar dispostos a renunciar a tudo por ele e deixar tudo para segui‑lo. Qualquer coisa que se oponha a Cristo, ou que concorra com ele pelo nosso amor e serviço, devemos abandonar de boa vontade, por mais querida que seja para nós. Um homem pode pagar caro demais pelo ouro, mas nunca pagará demais por essa pérola de grande valor.
III. A parábola da rede lançada ao mar (Mateus 13:47‑49). O mundo é um vasto mar, e os filhos dos homens são incontáveis criaturas vivas nesse mar, pequenas e grandes (Salmo 104:25). As pessoas em seu estado natural são como os peixes do mar, que não têm governador sobre eles (Habacuque 1:14).
A pregação do evangelho é como lançar uma rede nesse mar para ajuntar alguns dali para a glória daquele que domina o mar. Os ministros são pescadores de homens, enviados para lançar e puxar essa rede. Eles têm êxito quando lançam a rede conforme a palavra de Cristo; de outro modo trabalham e nada apanham. Essa rede ajunta peixes de toda espécie, como um grande arrastão. Na igreja visível há muito entulho e lixo, terra, ervas daninhas e animais nocivos, assim como peixes.
Chegará o tempo em que essa rede estará cheia e será puxada para a praia. Há um tempo determinado em que o evangelho completará a obra para a qual foi enviado; e sabemos que não voltará vazio (Isaías 55:10, Isaías 55:11). A rede está se enchendo agora. Em alguns períodos se enche mais depressa que em outros, mas continua a se encher e será puxada à praia quando o mistério de Deus se cumprir.
Quando a rede estiver cheia e for puxada para a praia, o que é bom e o que é mau, apanhado nela, será separado. Hipócritas e verdadeiros cristãos serão então apartados. Os bons serão recolhidos em vasos, como coisas de valor, que precisam ser guardadas com cuidado. Os maus serão lançados fora, como inúteis e sem proveito. Miserável, de fato, será a condição dos que forem rejeitados naquele dia. Enquanto a rede está no mar, ninguém pode dizer o que há dentro dela, nem mesmo os próprios pescadores. E, no entanto, eles a puxam cuidadosamente, com tudo o que está dentro, até a praia, por causa dos bons peixes que há no meio. Assim é o cuidado de Deus para com a igreja visível, e assim também deve ser o cuidado dos ministros por todos os que estão sob sua responsabilidade, ainda que estejam misturados.
Aqui temos a explicação da última parte da parábola. A primeira parte é suficientemente clara, pois vemos que a igreja visível contém pessoas de toda espécie. Mas a última parte se refere ao que ainda há de vir e, por isso, aqui é explicada mais plenamente. Assim será no fim do mundo. Então, e só então, chegará o dia da separação e da plena revelação.
Não devemos esperar que a rede contenha apenas peixes bons enquanto ainda está na água. No ajuntamento final, os vasos estarão cheios de bons peixes, mas na rede eles estão misturados. Aqui vemos, primeiro, como os perversos serão separados dos justos. Os anjos do céu farão o que os anjos das igrejas jamais puderam fazer: separarão os maus do meio dos justos. Não precisamos perguntar como irão distingui‑los, porque têm tanto a comissão quanto as instruções daquele que conhece a todos. Ele sabe quem lhe pertence e quem não pertence, e podemos estar certos de que não haverá erro, nem para mais, nem para menos.
Vemos também o destino dos ímpios depois de separados. Serão lançados na fornalha. Miséria e tristeza eternas serão, com certeza, a porção daqueles que viveram entre o povo santo de Deus, mas morreram sem serem santificados. Este é o mesmo aviso dado antes (Mateus 13:42). O próprio Cristo falou muitas vezes do tormento do inferno como castigo duradouro dos hipócritas, e é bom que ouçamos com frequência esse chamado de despertamento.
Chegamos, então, à parábola do pai de família prudente, que tem o propósito de firmar todo o restante do ensino. A ocasião foi o bom progresso que os discípulos haviam feito em aprender, especialmente com este sermão. Ele lhes perguntou: “Entendestes todas estas coisas?” Essa pergunta mostrava que ele estava pronto para explicar qualquer ponto que ainda não tivessem entendido. É vontade de Cristo que todos os que leem ou ouvem a Palavra a entendam, pois, do contrário, como poderiam ser beneficiados por ela? Assim, é proveitoso que, depois de lermos ou ouvirmos, examinemos a nós mesmos, ou permitamos que outros nos examinem, para ver se de fato compreendemos. Não há vergonha em os discípulos de Cristo serem ensinados com cuidado. Cristo nos convida a ir a ele para receber instrução, e os ministros devem estar dispostos a ajudar aqueles que, com sinceridade, têm dúvidas sobre o que ouviram.
Eles responderam: “Sim, Senhor.” Há bons motivos para crer que falaram a verdade, porque, quando não entendiam, pediam explicação (Mateus 13:36). Essa explicação abriu caminho para compreenderem o restante. Um bom entendimento de um sermão ajuda muitas vezes a entender outro, porque as verdades de Deus se explicam e se sustentam mutuamente. O conhecimento vem com mais facilidade para quem já entendeu bem o que ouviu.
O propósito da parábola era elogiar o crescimento deles. Cristo está disposto a encorajar os que aprendem de boa vontade em sua escola, mesmo que ainda sejam fracos, e a dizer: “Muito bem.” Ele os descreve como escribas instruídos para o reino dos céus. Eles estavam aprendendo para depois ensinar, e, entre os judeus, os mestres eram chamados escribas. Esdras, que dispôs o coração para ensinar em Israel, é chamado de escriba hábil (Esdras 7:6; Esdras 7:10). Da mesma forma, um sábio e fiel ministro do evangelho também é um escriba, mas, para distingui-lo, é chamado de escriba instruído para o reino dos céus, isto é, alguém bem ensinado nas verdades do evangelho e capaz de ensiná-las bem. Quem vai instruir outros precisa primeiro ser bem instruído. Se os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, sua mente deve, antes, estar cheia de conhecimento. E a formação de um ministro do evangelho precisa girar em torno do reino dos céus, porque é ali que está o centro de sua obra. Alguém pode ser grande pensador ou grande homem público e, ainda assim, ser um ministro fraco, se não for instruído para o reino dos céus.
Cristo também os compara a um bom pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas, como frutos do ano passado e deste ano, em abundância e variedade para os seus amigos (Cântico dos Cânticos 7:13). Um ministro deve ter um depósito de coisas novas e velhas. Como tem tantos deveres diferentes, precisa se abastecer bem nos anos de preparo, com verdades do Antigo e do Novo Testamento, com os antigos e os novos modos como Deus tem socorrido o seu povo, para que o servo de Deus seja perfeitamente preparado (2 Timóteo 3:16; 2 Timóteo 3:17). Experiências antigas e observações recentes têm o seu valor, e não devemos nos contentar apenas com descobertas antigas. É necessário continuar aprendendo.
E o que deve fazer o ministro com esse tesouro? Deve trazê-lo para fora. Ele ajunta para repartir, para o bem dos outros. Muitos são cheios, mas nada repartem; têm talento, mas o enterram. São servos inúteis. Cristo mesmo recebeu para poder dar, e assim devemos agir também. Então teremos ainda mais para partilhar. Ao trazer coisas para fora, o velho e o novo funcionam melhor juntos: velhas verdades com métodos e palavras novas e, acima de tudo, com afetos renovados.
Deste capítulo
Mateus 13:1
"Naquele dia, Jesus saiu e sentou-se à beira do lago."
Mateus 13:2
"Porém, uma multidão tão grande se reuniu ao redor dele que ele precisou entrar numa barca. Nela se sentou, enquanto a multidão permanecia à margem."
Mateus 13:3
"E seus discursos foram uma série de parábolas."
Mateus 13:4
"Ele disse: “Um semeador saiu para semear. Enquanto semeava, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram."
Mateus 13:5
"Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e brotou logo, porque a terra era pouco profunda."
Mateus 13:6
"Porém, assim que o sol nasceu, ela se queimou por não ter raízes."
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