Versículo em destaque

Mateus 12:46 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Jesus ainda falava à multidão quando sua mãe e seus irmãos vieram e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. "

Mateus 12:46

menu_book Versículo no contexto

44 Então ele diz: Voltarei para a casa de onde saí. E, ao voltar, encontra-a vazia, limpa e enfeitada.

45 Então vai buscar outros sete espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem ali; e o último estado daquele homem se torna pior que o primeiro. Essa será a sorte desta geração perversa”.

46 Jesus ainda falava à multidão quando sua mãe e seus irmãos vieram e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.

47 Alguém lhe disse: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”.

48 Jesus lhe respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Muitas palavras boas e proveitosas saíram da boca de nosso Senhor Jesus em ocasiões especiais. Até seus comentários de passagem ensinavam algo, assim como seus sermões formais. Aqui o vemos ser interrompido, enquanto pregava, por sua mãe e seus irmãos, que estavam do lado de fora e queriam falar com ele (Mateus 12:46-47). O pedido deles chegou até Jesus, atravessando a multidão. Não precisamos perguntar quais irmãos vieram com Maria, mãe de Jesus; podem ter sido aqueles que ainda não criam nele (João 7:5). Também não precisamos adivinhar o motivo exato de sua vinda. Talvez pensassem que estavam ajudando Jesus, pedindo que parasse um pouco, com medo de que ele se esgotasse ou dissesse algo que pudesse irritar ainda mais os fariseus.

Jesus ainda falava ao povo. Sua pregação era uma conversa simples e clara, adequada à compreensão e às necessidades das pessoas. O que ele já tinha dito havia sido criticado, mas ele continuou. A oposição que enfrentamos em nosso trabalho não deve nos afastar dele. Jesus parou de falar com os fariseus, porque viu que nada de bom conseguiria com eles. Mas continuou falando ao povo simples, que estava mais disposto a aprender.

Sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, querendo falar com ele, quando deviam estar do lado de dentro, querendo ouvi-lo. Eles tinham a vantagem de ouvi-lo muitas vezes em particular, e por isso eram menos cuidadosos em acompanhar sua pregação pública. Muitas vezes, os que estão mais perto dos meios de conhecimento e de graça são os que menos os valorizam. Familiaridade e acesso fácil podem levar ao desprezo. Somos tentados a negligenciar o que temos hoje à disposição, imaginando que sempre teremos o mesmo, esquecendo que só o tempo presente é garantido para nós. Há muita verdade no ditado: “Quanto mais perto da igreja, mais longe de Deus.” É triste quando isso se cumpre.

Eles não apenas deixaram de ouvir, como também atrapalharam outros que o escutavam com alegria. O diabo era inimigo declarado da pregação de nosso Salvador. Quando não conseguiu detê-la pelas objeções injustas dos escribas e fariseus, tentou outro caminho, usando a visita inoportuna dos parentes de Jesus. Frequentemente encontramos impedimentos em nosso trabalho vindos das pessoas ao nosso redor. Até amigos bem-intencionados podem, por falta de bom juízo, tornar-se obstáculo ao cumprimento do nosso dever. Pedro foi um problema para Cristo quando disse: “Senhor, tem compaixão de ti mesmo”, embora pensasse estar ajudando.

Maria queria falar com o Filho. Percebe-se que ela não tinha autoridade para mandar nele, como mais tarde o falso ensino em certa tradição religiosa passou a afirmar. Nem era isenta de falhas e tolices, como alguns gostariam de apresentá-la. Só Cristo tinha o direito e a capacidade de fazer tudo com perfeita sabedoria, da melhor forma e no tempo certo. Um dia ele já lhe havia dito: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” e ela guardou essa palavra no coração (Lucas 2:49). Mas, se a tivesse trazido à memória nessa ocasião, não o teria interrompido enquanto ele cuidava da obra do Pai. Muitas verdades boas julgamos ter bem guardadas, mas, quando precisamos delas, não vêm à mente.

Jesus não interrompeu sua pregação por causa do recado. Estava tão concentrado em sua missão que nem os laços de família nem as conveniências sociais o desviaram dela. “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” Isso não quer dizer que o afeto natural deva ser rejeitado, nem que a fé nos autorize a ser grosseiros com os pais ou duros com os parentes. Significa que todo dever tem seu tempo apropriado, e o dever menor deve ceder lugar quando um maior está diante de nós. Quando a lealdade à família entra em conflito com o serviço a Deus e com uma oportunidade de fazer o bem, devemos escolher Deus em primeiro lugar. Os parentes mais próximos devem ser amados menos do que a Cristo (Lucas 14:26). Ele nos deu esse exemplo. O zelo pela casa de Deus o tomava de tal forma que o levava a pôr de lado até os laços humanos mais queridos.

Não devemos interpretar como ofensa pessoal quando nossos amigos preferem agradar a Deus do que agradar a nós. Não devemos acusá-los de falta de generosidade, quando sua escolha pode nascer apenas de um santo zelo pela glória de Deus e pelo bem do próximo. Devemos estar prontos a negar a nós mesmos e ao nosso próprio conforto, em vez de fazer qualquer coisa que distraia nossos amigos de seu dever para com Deus.

Jesus aproveitou esse momento para honrar seus discípulos, que eram sua família espiritual, acima de seus parentes naturais enquanto tais. Esse era um bom motivo para ele não parar a pregação apenas para falar com seus irmãos. Ele preferia beneficiar seus discípulos a simplesmente agradar seus parentes. Seus discípulos são aqueles que fazem a vontade de seu Pai. Não apenas a ouvem, conhecem ou comentam, mas a obedecem. Fazer a vontade de Deus é a melhor preparação para se tornar discípulo de Cristo (João 7:17), e também a melhor prova de verdadeiro discipulado (Mateus 7:21). É isso que marca alguém como um seguidor real de Jesus.

Ele não diz: “Aquele que faz a minha vontade”, porque não veio fazer uma vontade própria, separada, mas a vontade de seu Pai. A vontade dele e a do Pai são uma só. Mas ele nos aponta para a vontade do Pai, porque, em sua obra e condição presentes, estava submetido a ela (João 6:38). A honra dos discípulos de Cristo é esta: “Este é meu irmão, e irmã, e mãe.” Seus discípulos, que tinham deixado tudo para segui-lo e haviam aceitado sua doutrina, eram mais queridos para ele do que aqueles que tinham apenas laços de sangue. Eles haviam colocado Cristo acima dos laços familiares, deixando pai e casa por causa dele (Mateus 4:22; Mateus 10:37). Agora ele deixa claro que também os tinha em altíssima estima.

Quão terna e encorajadora foi essa palavra de Cristo: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos.” E essa honra não foi só para eles. Todos os santos a compartilham. Todos os crentes obedientes são parentes chegados de Jesus Cristo. Trazem o seu nome, refletem a sua imagem, participam de sua natureza e pertencem à sua família. Ele os ama e fala com eles com liberdade, como com seus próprios familiares.

Ele os acolhe à sua mesa, cuida deles e provê para suas necessidades. Ele se certifica de que não lhes falte nada que seja realmente bom para eles. Quando morreu, deixou-lhes grandes bens espirituais. Agora, estando no céu, permanece em contato com eles e, ao final, os receberá para estar com ele. Ele nunca deixará de cumprir o papel de parente resgatador, como em (Rute 3:13). Nunca terá vergonha de seus pobres parentes. Pelo contrário, os confessará diante dos homens, diante dos anjos e diante de seu Pai.

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