Versículo em destaque
Marcos 6:30 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e lhe contaram tudo o que haviam feito e ensinado. "
Marcos 6:30
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
28 trouxe sua cabeça em um prato e a deu à moça, e ela a entregou à sua mãe.
29 Ao ouvirem isso, os seus discípulos foram buscar o seu corpo e o colocaram em um sepulcro.
30 Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e lhe contaram tudo o que haviam feito e ensinado.
31 Ele lhes disse: “Venham à parte, para algum lugar deserto, e descansem um pouco.” Porque eram muitos os que iam e vinham, e eles nem sequer tinham tempo para comer.
32 Partiram de barco para um lugar solitário, à parte.
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Nestes versículos vemos, em primeiro lugar, os apóstolos retornando a Cristo depois de ele tê-los enviado (Marcos 6:7) para pregar e operar milagres. Eles haviam passado algum tempo percorrendo diversas regiões do país e, quando terminaram a obra que ele lhes havia confiado, juntaram-se de comum acordo e vieram a Jesus, o centro da unidade deles. Deram-lhe um relatório completo de tudo o que tinham feito sob a sua ordem, como um servo enviado para convidar pessoas para um banquete que volta e conta ao seu senhor tudo o que aconteceu. Assim, os apóstolos lhe contaram todas as coisas, tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado.
Ministros são responsáveis tanto pelo que fazem quanto pelo que ensinam. Devem vigiar sobre a própria alma e cuidar das almas dos outros, como aqueles que hão de prestar contas (Hebreus 13:17). Por isso, não devem fazer nem ensinar nada que não estariam dispostos a repetir ao Senhor Jesus. É um consolo para os ministros fiéis quando podem apelar a Cristo quanto à sua doutrina e quanto ao seu modo de viver, especialmente quando são mal compreendidos pelas pessoas. Ele lhes permite abrir o coração, expor todo o caso diante dele, contando-lhe todas as coisas, inclusive o que enfrentaram, o que deu certo e o que fracassou.
Em segundo lugar, vemos o cuidado terno de Cristo pelo descanso deles após o trabalho árduo (Marcos 6:31). Vendo que estavam quase exaustos e ofegantes, ele lhes disse: “Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco”. Parece que, aproximadamente ao mesmo tempo em que os discípulos de Jesus chegaram com o seu relatório, os discípulos de João lhe trouxeram a triste notícia da morte de seu mestre. Cristo percebe os temores de uns discípulos e o cansaço de outros, e provê ajuda adequada a cada um: descanso para os cansados e refúgio para os atemorizados.
Quanta bondade e compaixão há nas palavras de Cristo: “Vinde, e repousai”! Nem mesmo os servos mais ativos de Cristo podem trabalhar sem pausa o tempo todo. Eles têm corpos que precisam de descanso e de algum alívio. Não poderemos servir a Deus sem cessar, dia e noite, até chegarmos ao céu, onde os santos não param de louvá-lo (Apocalipse 4:8). O Senhor leva em conta as necessidades do corpo. Ele não apenas permite o descanso, como também relembra o seu povo de que o tome. “Vai, povo meu, entra nos teus quartos” e “Volta, ó minha alma, ao teu repouso” se ajustam bem a essa verdade. Aqueles que trabalham com fidelidade e empenho podem descansar com boa consciência, porque “doce é o sono do trabalhador”.
Observe-se ainda alguns detalhes. Cristo lhes mandou que fossem à parte, porque, se outros estivessem com eles, ainda haveria conversa ou serviço a ser feito. Se era para descansarem, precisavam estar a sós. Ele não os conduziu a uma casa de campo agradável, com belas construções e jardins, mas a um lugar deserto, pobre em confortos, apropriado para o silêncio pela sua própria natureza, e não por artifício humano. Isso se harmonizava com todo o restante da sua vida. Não admira que aquele que teve apenas um barco como “púlpito” para pregar, tivesse apenas um deserto como lugar de descanso.
Ele os chamou para descansar apenas um pouco. Não deviam esperar um longo período de repouso, mas apenas o suficiente para recobrarem o fôlego e, então, voltarem ao trabalho. Não há descanso permanente para o povo de Deus antes de chegarmos ao céu. A razão dada não foi apenas o fato de terem trabalhado muito, mas de terem vivido em constante correria. Muitos iam e vinham, e eles nem tinham tempo para comer. Quando cada coisa ocupa o seu tempo e a sua ordem, muito trabalho pode ser feito com menos desgaste; mas quando todos estão sempre entrando e saindo, sem qualquer ordem, até mesmo uma porção pequena de serviço se torna difícil.
Então eles se retiraram de barco, não atravessando para o outro lado, mas fazendo um pequeno trajeto pela costa até o deserto de Betsaida (Marcos 6:32). Viajar por água era muito menos cansativo do que teria sido ir por terra. Eles foram em particular, para ficarem a sós. Até pessoas de atuação pública precisam, às vezes, de tempo em particular.
Em terceiro lugar, vemos quão ansiosamente o povo o seguiu. Foi um tanto indelicado fazê-lo quando ele e os discípulos procuravam retirar-se por motivos tão justos, e, ainda assim, eles não são repreendidos. Ao contrário, são acolhidos. Falta de etiqueta é facilmente relevada naqueles que seguem a Cristo, quando é compensada por um grande amor e desejo. Eles o seguiram voluntariamente, sem serem chamados. Não houve tempo marcado, nem encontro combinado, nem sino tocando; e, no entanto, vieram como nuvens, como pombas voando para as suas janelas. Seguiram-no para fora das cidades, deixando casas, lojas, trabalhos e negócios para ouvi-lo pregar.
Seguiram a pé, embora ele tivesse ido por mar. Dessa forma, parecia até que ele os punha à prova, quase querendo afastá-los; mas eles ainda assim permaneceram com ele. Correram com tanta pressa que chegaram ao lugar antes dos discípulos. Vieram com fome da palavra de Deus. Chegaram até a segui-lo a um lugar deserto, ainda que simples e incômodo. A presença de Cristo pode transformar um deserto em jardim.
Em quarto lugar, vemos como Cristo os recebeu (Marcos 6:34). Ao ver a grande multidão, ele não se irritou por terem interrompido o tempo de recolhimento, como muitos, até mesmo muitos bons homens, teriam feito. Pelo contrário, moveu-se de íntima compaixão. Olhou para eles com cuidado e interesse, porque eram como ovelhas que não têm pastor. Pareciam ensináveis e dóceis, como ovelhas dispostas a ser conduzidas, mas lhes faltava um pastor que as guiasse pelo caminho certo e as alimentasse com boa doutrina. Por isso, compadecido deles, não apenas curou os enfermos, como também, conforme registra Mateus, ensinou-lhes muitas coisas. E tudo quanto ele lhes ensinou era verdadeiro, bom e proveitoso para eles aprenderem.
Em quinto lugar, vemos a generosa provisão que ele fez para eles. Transformou todos os seus ouvintes em seus convidados e lhes deu um rico banquete, sobremodo notável porque foi miraculoso. Os discípulos sugeriram que a multidão fosse despedida. Quando o dia já estava avançado e a noite se aproximava, disseram: “Este lugar é deserto, e o dia já está muito adiantado. Despede-os, para que vão e comprem pão” (Marcos 6:35-36). Disseram isso a Jesus, embora a multidão não pareça ter pedido tal coisa.
O povo não disse: “Despede-nos”, embora devessem estar famintos. Valorizavam as palavras da boca de Cristo mais do que o alimento necessário e, enquanto o ouviam, até se esqueciam de si mesmos. Os discípulos pensaram que seria uma demonstração de bondade mandá-los embora. Um coração disposto muitas vezes faz mais e suporta por mais tempo na prática do bem do que se costuma imaginar. Então Cristo determinou que todos fossem alimentados (Marcos 6:37), dizendo-lhes: “Dai-lhes vós de comer”.
Embora a multidão apertasse em torno de Jesus e de seus discípulos, a ponto de nem lhes deixar tempo para comer (Marcos 6:31), ele não os mandou embora com fome para “se vingar”. Pelo contrário, para nos ensinar a tratar com bondade até aqueles que são incômodos para nós, ele providenciou alimento. O pão que Jesus e os discípulos tinham levado para o deserto, para uma refeição tranquila entre eles, tornou-se comida também para a multidão. Assim ele demonstrou hospitalidade.
Primeiro, o povo permaneceu com ele por causa do alimento espiritual, o ensino; depois, ele cuidou para que não lhes faltasse o alimento comum. O caminho do dever é também o caminho da segurança, e é o caminho em que se encontra o suprimento. Cabe a Deus encher as cisternas com chuva do céu e abrir uma fonte no vale de Baca para aqueles que seguem rumo a Sião, de força em força (Salmo 84:6, Salmo 84:7). O cuidado de Deus, quando nele confiamos de modo correto e não o tentamos, jamais falhou para com nenhum de seus servos fiéis. Muitas vezes ele tem dado refrigério na hora exata, e de maneiras que ninguém esperava. Repetidas vezes isso tem sido visto no monte do Senhor, Jeová-Jiré, “o Senhor proverá”, para aqueles que nele esperam.
Os discípulos objetaram porque a tarefa lhes pareceu impossível: “Iremos nós, e compraremos duzentos dinheiros de pão para lhes darmos de comer?” Na fraqueza da fé, não esperaram pelas orientações de Cristo; antes, tornaram a questão mais difícil ao elaborarem seus próprios planos. Nem sabiam ao certo se tinham tanto dinheiro, se a região poderia fornecer, de repente, pão em tal quantidade, ou se isso seria suficiente para uma multidão tão grande. Moisés havia falado de modo semelhante, quando disse: “Matar-se-iam para eles ovelhas e bois em quantidade suficiente?” (Números 11:22). Cristo permitiu que eles percebessem quão insensato é planejar antecipadamente confiando em suas próprias forças, para que mais valorizassem a provisão dele.
Cristo respondeu à preocupação deles e providenciou alimento para todos até que se fartassem. Eles tinham apenas cinco pães, levados para o próprio uso na viagem de barco, e dois peixinhos, talvez pescados pelo caminho. Esse era todo o mantimento. Era muito pouco até mesmo para Jesus e seus discípulos, e, no entanto, tiveram de entregá-lo, como a viúva com as suas duas pequenas moedas, e como a igreja da Macedônia, cuja profunda pobreza transbordou em grande riqueza de generosidade.
Muitas vezes vemos Cristo comendo à mesa de outras pessoas, na casa de um amigo para a refeição de um horário e na de outro amigo em outro momento. Aqui, porém, Ele alimentou uma grande multidão às próprias custas. Isso mostra que, quando outros o sustentavam com seus recursos, não era porque Ele não pudesse prover para si mesmo. Se tivesse fome, não precisava pedir ajuda a ninguém. Antes, fazia parte do caminho de humildade que Ele escolheu seguir e no qual se agradava. Também não era propósito dos milagres que Ele os realizasse em benefício próprio.
Perceba primeiro que o alimento era simples. Não havia pratos especiais nem muitos tipos de comida, embora Cristo pudesse tê-los provido, se quisesse. Ele quis nos ensinar a estar contentes com o que é suficiente para as nossas necessidades, e a não cobiçar luxo. Se temos o que é necessário, não deveria importar que não tenhamos iguarias ou comidas requintadas. Em amor, Deus dá alimento para nossa fome; em juízo, Ele pode dar alimento para os desejos exagerados das pessoas (Salmo 78:18). A promessa aos que temem ao Senhor é que certamente serão alimentados, não que estarão sempre em banquetes. Se Cristo e seus discípulos se satisfizeram com coisas simples, certamente nós também podemos fazê-lo.
Perceba em seguida que os convidados estavam bem organizados. Assentaram-se sobre a relva verde, em grupos, de cem em cem e de cinquenta em cinquenta (Marcos 6:39, Marcos 6:40). Isso facilitava a distribuição do alimento de forma justa e cuidadosa. Deus é Deus de ordem, e não de confusão. Assim se garantiu que cada um recebesse o suficiente, que ninguém fosse esquecido e que ninguém recebesse mais do que era adequado.
Observe também que foi feita uma bênção sobre o alimento. Jesus levantou os olhos ao céu e o abençoou. Ele não pediu que um dos discípulos fizesse a bênção, mas a pronunciou Ele mesmo (Marcos 6:41). Por meio dessa bênção, o pão foi multiplicado de maneira extraordinária, e o mesmo aconteceu com os peixes. Todos comeram e se fartaram, embora houvesse ali cinco mil homens (Marcos 6:42, Marcos 6:44). Esse milagre tem um significado espiritual. Mostra que Cristo veio ao mundo não apenas como o grande médico, mas também como o grande provedor de alimento. Veio não só para restaurar a vida espiritual, mas também para preservá-la e nutrí-la. Nele há o bastante para todos os que se achegam a Ele, o suficiente para encher a alma. Ninguém sai de Cristo de mãos vazias, a não ser aqueles que já vêm cheios de si mesmos.
Por fim, houve cuidado com o que sobrou, e eles encheram doze cestos com os pedaços restantes. Embora Cristo tivesse pão ilimitado à sua disposição, Ele usou essa situação para nos ensinar a não desperdiçar nenhum dos bons dons de Deus. Devemos lembrar quantas pessoas carecem do que é necessário, e que não sabemos se um dia nós mesmos poderemos precisar justamente dos pedaços que hoje jogamos fora.
Deste capítulo
Marcos 6:1
"Depois, ele partiu dali e foi para a sua pátria, seguido por seus discípulos."
Marcos 6:2
"Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos o ouviam e, tomados de admiração, diziam: “De onde lhe vem isso? Que sabedoria é essa que lhe foi dada, e como se realizam por suas mãos milagres tão grandes?"
Marcos 6:3
"Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Suas irmãs também não vivem aqui entre nós?”. E ficaram perplexos a seu respeito."
Marcos 6:4
"Mas Jesus lhes disse: “Um profeta só é desprezado em sua pátria, entre os seus parentes e em sua própria casa”."
Marcos 6:5
"Não pôde fazer ali milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos."
Marcos 6:6
"Ele se admirava da desconfiança deles. E percorria as aldeias vizinhas, ensinando."
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