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Marcos 5:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Passaram para a outra margem do lago, ao território dos gerasenos. "
Marcos 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Passaram para a outra margem do lago, ao território dos gerasenos.
2 Assim que saíram da barca, um homem possuído pelo espírito imundo saiu do cemitério
3 onde se refugiava e veio ao encontro dele. Não podiam atá-lo nem mesmo com uma corrente, nem nos sepulcros,
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Aqui vemos Cristo expulsando o valente armado e tratando dele como lhe agradasse, mostrando que era mais forte do que Satanás. Ele fez isso quando chegou à outra margem, depois de atravessar o mar tempestuoso. Sua obra ali era libertar aquele pobre homem do domínio do diabo e, tendo cumprido isso, voltou. Do mesmo modo, Cristo veio do céu à terra, e depois retornou, passando por sofrimentos e perigos, para resgatar um pequeno remanescente da humanidade do poder do diabo. Ele não considerou seu trabalho perdido, mesmo sendo tão poucos.
Mateus diz que havia dois endemoninhados, enquanto Marcos fala de um homem com espírito imundo. Se havia dois, certamente havia um, e Marcos não diz que era apenas um. Portanto, não há contradição real. Provavelmente um era mais notável que o outro, e foi ele quem falou em nome de ambos.
Primeiro, note a condição miserável desse homem. Ele estava sob o poder de um espírito imundo, e o diabo o dominava. O resultado não foi uma tristeza silenciosa, como em alguns casos, mas uma loucura furiosa. Ele era violentamente perturbado, e sua situação parece pior do que a da maioria das pessoas que Cristo curou da possessão demoníaca.
Ele morava entre os sepulcros, entre as sepulturas dos mortos. Esses sepulcros ficavam fora das cidades, em lugares solitários (Jó 3:14), e isso dava grande vantagem ao diabo. Ai daquele que está sozinho. O diabo pode tê-lo levado para lá para fazer o povo pensar que as almas dos mortos tinham se transformado em demônios e estavam causando aquele mal, para que assim se desculpasse o verdadeiro autor do mal. Um túmulo também tornava a pessoa cerimonialmente impura (Números 19:16). O espírito imundo empurra as pessoas para companhias sujas e danosas e as mantém ali. Quando Cristo salva almas do poder de Satanás, ele livra os vivos do meio dos mortos.
Ele também era muito forte e impossível de ser controlado. Ninguém conseguia prendê-lo, o que seria necessário para segurança própria e dos outros. Não só cordas, mas correntes e grilhões de ferro não o podiam deter (Marcos 5:3-4). É algo triste quando alguém precisa ser contido assim, e tais pessoas estão entre as mais dignas de compaixão no mundo. Mas o caso desse homem era ainda pior, porque o diabo era tão forte nele que não podia ser preso. Isso mostra o estado lamentável das almas sob o domínio do diabo, aqueles filhos da desobediência em quem esse espírito imundo opera. Alguns pecadores obstinados são como esse louco. Todos os pecadores são como o cavalo e a mula, que precisam de cabresto e freio, mas alguns são ainda mais como o jumento selvagem, que não aceita ser contido. Os mandamentos e advertências da lei são como correntes e grilhões para conter os pecadores, mas eles rompem esses laços. Isso é prova evidente do poder do diabo neles.
Ele também era um terror e tormento para si mesmo e para todos ao redor (Marcos 5:5). O diabo é um senhor cruel para os que ele leva cativos, um verdadeiro tirano. Aquele miserável passava noites e dias nos montes e nos sepulcros, clamando e ferindo-se com pedras. Talvez lamentasse sua condição terrível, ou blasfemasse contra o céu. Pessoas em tal desvario muitas vezes se ferem e até se destroem. O que é o homem quando a razão é derrubada do trono e Satanás se assenta ali em seu lugar? Os adoradores de Baal, em seu frenesi, se cortavam, do mesmo modo que esse endemoninhado. Deus diz: “Não te faças mal.” Satanás diz: “Faz todo o mal que puderes.” E, no entanto, as pessoas desprezam a palavra de Deus e seguem a voz de Satanás. Talvez o fato de ele se cortar com pedras signifique apenas que feria os pés nas pedras pontiagudas enquanto corria descalço.
Em segundo lugar, note sua vinda a Cristo (Marcos 5:6). Quando viu Jesus de longe, chegando à praia, correu e o adorou. Ele costumava correr contra as pessoas em fúria, mas correu para Cristo com respeito. Isso foi feito pelo poder invisível de Cristo, pois correntes e grilhões não conseguiam fazer isso. Sua fúria foi de repente refreada. Até o diabo naquele pobre homem foi forçado a tremer diante de Cristo e a se curvar perante ele. Ou melhor, o próprio homem, sentindo sua necessidade de socorro, correu e adorou a Cristo, enquanto o poder de Satanás sobre ele foi, por aquele momento, contido.
Em terceiro lugar, note a ordem de Cristo para que o espírito imundo saísse (Marcos 5:8). Ele disse: “Sai deste homem, espírito imundo.” Cristo primeiro tornou o homem disposto a ser ajudado, quando lhe deu capacidade de correr e adorá-lo, e então mostrou seu poder para ajudá-lo. Se Cristo opera em nós de modo que realmente clamemos por livramento de Satanás, ele também operará para efetuar esse livramento. Aqui vemos o poder e a autoridade de Cristo sobre espíritos imundos, e eles lhe obedeceram (Marcos 1:27). Ele disse: “Sai deste homem.” O propósito do evangelho de Cristo é expulsar os espíritos imundos da alma das pessoas. “Sai deste homem, espírito imundo”, para que o Espírito Santo entre, tome posse do coração e governe ali.
Em quarto lugar, note o temor que o diabo tinha de Cristo. O homem correu e adorou Cristo, mas foi o diabo nele quem clamou em alta voz, usando a voz daquele pobre homem: “Que tenho eu contigo?” (Marcos 5:7), como outro espírito imundo já tinha dito (Marcos 1:24). Ele chama Deus de Altíssimo, acima de todos os outros deuses. Entre os fenícios e as nações ao redor de Israel, Deus era conhecido pelo nome Elion, o Altíssimo, e o diabo usa esse nome aqui também. Ele ainda admite que Jesus é o Filho de Deus. Não é de admirar ouvir boas palavras em bocas más. Só o Espírito Santo faz alguém dizer isso do modo correto (1 Coríntios 12:3), mas até um espírito imundo pode dizer isso de forma solta e superficial. Não devemos julgar as pessoas apenas por palavras suaves, mas pelos frutos. A piedade exterior é fácil de imitar. O hipócrita mais refinado não pode dizer nada melhor do que “Jesus é o Filho de Deus”, e, ainda assim, o diabo disse o mesmo.
O demônio também nega qualquer desejo de lutar com Cristo. “Que tenho eu contigo?” significa: “Não preciso de ti. Nada reclamo de ti. Não quero ter parte contigo. Não posso resistir a ti e não quero cair diante de ti.” Ele pede misericórdia e diz: “Conjuro-te”, isto é, “suplico-te intensamente, por amor de Deus, com cuja permissão me apoderei deste homem, que, mesmo que me expulses daqui, não me castigues. Não me impeças de fazer mal a outros. Embora eu saiba que estou condenado, não me mandes para as cadeias de trevas, nem me impeças de andar por aí para destruir.”
Em quinto lugar, Cristo pergunta o nome desse espírito imundo. Essa parte não está em Mateus.
Cristo perguntou: “Qual é o teu nome?” Não porque ele não pudesse saber. Ele poderia chamar pelo nome todos os anjos caídos, assim como todos os anjos fiéis. Ele perguntou para que todos ali percebessem a grande quantidade e o grande poder desses espíritos malignos. Por isso a resposta é tão significativa: “Meu nome é Legião, porque somos muitos.” Uma legião romana era um grande corpo de soldados, contado muitas vezes em cerca de seis mil homens, embora o número não fosse sempre fixo.
Isso nos ensina várias coisas sobre os demônios, esses espíritos malignos do inferno. Primeiro, são forças de guerra. Uma legião é um conjunto de soldados prontos para o combate. O diabo e seus servos pelejam contra Deus, contra Cristo, contra o evangelho e contra a santidade e a felicidade das pessoas. São os inimigos contra os quais devemos resistir e com quem devemos lutar (Efésios 6:12).
Segundo, são muitos. O espírito maligno fala quase como quem se orgulha: “Somos muitos.” É como se esperasse ser numeroso demais para Cristo enfrentar. Há muitos espíritos caídos, todos postos contra Deus e contra a humanidade. E aqui estava uma legião inteira destacada em um único homem, para se opor a Cristo.
Terceiro, são unidos no mal. Havia muitos demônios, mas agiam como uma só legião na mesma causa perversa. Isso mostra quão sem fundamento era o que os fariseus diziam, de que Satanás estaria dividido contra si mesmo. Não era um demônio traindo os demais. Todos falavam com uma só voz e um só propósito: “Que tenho eu contigo?”
Quarto, são poderosos. Quem pode resistir a uma legião? Pela nossa própria força, não somos páreo para inimigos espirituais. Mas no Senhor, e na força do seu poder, podemos resistir a eles, ainda que sejam legiões.
Quinto, há ordem entre eles, como há em uma legião. A Escritura fala de principados, potestades e príncipes das trevas deste século, o que sugere também ordens inferiores. Há o diabo e seus anjos, o dragão e os que o seguem, o príncipe dos demônios e seus súditos. Isso torna esses inimigos ainda mais perigosos.
A legião então pediu a Cristo que lhes permitisse entrar numa grande manada de porcos que pastava perto dos montes (Marcos 5:11), os mesmos montes onde o homem possesso havia vivido (Marcos 5:5). Primeiro, haviam pedido que ele não os mandasse para fora daquela região (Marcos 5:10). Não queriam apenas evitar serem enviados ao seu cárcere final, para sofrerem antes do tempo determinado. Também não queriam ser expulsos daquela terra, embora tivessem espalhado ali grande terror e dano, e embora Cristo tivesse pleno direito de bani-los dali.
Parece que tinham um interesse especial por aquela região, ou algum plano específico de prejudicá-la. Não lhes bastava perambular pelo restante da terra, como em (Jó 1:7). Queriam aquele lugar montanhoso como seu campo de ação, como animais que pastam livres (Jó 39:8). Alguns entendem que desejavam ficar ali porque muitos naquela terra haviam se afastado de Deus e, assim, tinham perdido a proteção da sua aliança. Outros pensam que os demônios conheciam bem os costumes daquele povo e, por isso, podiam tentá-los com mais eficácia.
O segundo pedido deles foi que Cristo os deixasse entrar nos porcos. Ao destruir a manada, esperavam causar mais dano às almas das pessoas do que possuindo apenas o corpo de um homem. Não pediram para entrar em outro ser humano, porque sabiam que Cristo não o permitiria.
Cristo atendeu ao pedido e permitiu que entrassem nos porcos (Marcos 5:13). Não os impediu. Assim, fez com que os gadarenos vissem quão fortes e maldosos são os demônios, para que fossem levados a buscá-lo como seu Amigo. Só ele podia controlar e vencer tais inimigos, e já havia demonstrado que tinha esse poder.
Imediatamente os espíritos imundos entraram nos porcos. Pela lei, o porco era um animal imundo, e tem por natureza o hábito de revolver-se na lama, algo bem adequado à impureza daqueles espíritos. Pessoas que, como os porcos, se comprazem em prazeres pecaminosos tornam-se morada apropriada para Satanás. São como Babilônia, morada de todo espírito imundo e de toda ave impura (Apocalipse 18:2). Em contraste, almas purificadas são lugares apropriados para a habitação do Espírito Santo.
Logo que os demônios entraram nos porcos, toda a manada se precipitou descontrolada por um despenhadeiro, caiu no mar e se afogou, cerca de dois mil animais ao todo. O homem possesso só havia se ferido, cortando-se, porque Deus havia limitado o dano e preservado sua vida. Mesmo assim, fica evidente que, se não tivesse sido contido, provavelmente teria acabado se afogando também. Devemos reconhecer quanto devemos à providência de Deus e ao cuidado dos bons anjos, que nos guardam dos espíritos malignos.
A notícia de tudo isso espalhou-se rapidamente por toda a região. Os que cuidavam dos porcos correram para avisar aos donos o que havia acontecido (Marcos 5:14). Então o povo saiu para ver com os próprios olhos. Ao verem o quanto aquele pobre homem havia sido curado, passaram a respeitar Cristo (Marcos 5:15). Viram o homem que estivera possesso e o reconheciam bem, pois muitas vezes haviam se assustado com ele antes. Agora, ficaram admirados ao vê-lo sentado, vestido e em perfeito juízo. Expulso Satanás, o homem voltou a si imediatamente.
Assim é quando Cristo despedaça o poder do diabo na alma de uma pessoa. Uma vida sóbria, vigilante e disciplinada mostra que Cristo agora reina ali. O povo ficou com medo, e esse temor os levou a reconhecer o poder de Cristo e seu direito de ser temido.
Mas, ao saberem que tinham perdido os porcos, começaram a criar aversão a Cristo. Preferiam que o poder dele lhes fosse retirado a tê-lo presente entre eles. Rogaram que saísse da região deles, julgando que ele não havia feito bem suficiente para compensar a perda de tantos porcos, talvez porcos gordos, prontos para venda. Nisso, os demônios conseguiram o que queriam, pois nada favorece mais os espíritos malignos do que o amor desordenado às coisas deste mundo.
O povo temia que Cristo trouxesse mais juízos se permanecesse ali. No entanto, se estivessem dispostos a abandonar seus pecados, ele lhes teria concedido vida e felicidade em troca. Mas, como não quiseram abrir mão nem dos pecados nem dos porcos, escolheram rejeitar o seu Salvador. Ainda hoje acontece o mesmo quando alguém prefere guardar um único pecado barato em vez de abandonar tal pecado para não perder a Cristo e todo o bem que nele poderia receber.
Deveriam ter raciocinado de outra forma: “Se ele tem tal poder sobre os demônios e sobre todas as criaturas, é bom tê-lo como nosso Amigo. Se aos demônios é permitido permanecer em nossa terra (Marcos 5:10), vamos pedir que ele também permaneça, pois só ele pode dominá-los.” Mas fizeram o contrário e quiseram mantê-lo à distância. Assim é como o coração pecador distorce os juízos justos de Deus. Em vez de se deixarem conduzir para mais perto dele, como deveriam, esforçam-se para mantê-lo ainda mais longe. No entanto, Deus já disse: “Não me provoqueis à ira, e nenhum mal vos farei” (Jeremias 25:6).
Há ainda o relato do comportamento daquele homem depois de ser liberto. Primeiro, ele desejou seguir com Cristo (Marcos 5:18). Talvez temesse que o espírito maligno voltasse a dominá-lo, ou, mais provavelmente, queria continuar aprendendo com Jesus e não desejava permanecer entre aquele povo pagão que havia pedido que Jesus fosse embora. Quem é liberto de um espírito maligno inevitavelmente passa a desejar intimidade e comunhão com Cristo.
Em segundo lugar, Cristo não permitiu que ele o acompanhasse. Isso provavelmente serviu para preservá-lo de qualquer aparência de exibicionismo e também para mostrar que Cristo podia protegê-lo e ensiná-lo mesmo à distância. Havia outra obra a ser feita. Ele deveria voltar para sua casa, para os seus, e contar-lhes as grandes coisas que o Senhor tinha feito em seu favor, isto é, o que o Senhor Jesus lhe havia feito. Dessa forma, Cristo seria honrado, seus vizinhos e amigos seriam beneficiados, e seriam convidados a crer nele. Ele deveria notar especialmente a compaixão de Cristo, não apenas o seu poder, pois Cristo se agrada em mostrar misericórdia. Deveria contar a todos a misericórdia que o Senhor lhe mostrara em sua miséria.
Em terceiro lugar, o homem, cheio de alegria, espalhou por toda aquela região as grandes coisas que Jesus fizera por ele (Marcos 5:20). Isto é algo que devemos tanto a Cristo quanto ao nosso próximo, para que ele seja glorificado e eles sejam ajudados. O resultado do testemunho daquele homem foi que todos se admiravam, mas poucos iam além disso. Muitos são capazes de se espantar com as obras de Cristo, e ainda assim deixam de segui-lo com o coração, como deveriam.
Deste capítulo
Marcos 5:2
"Assim que saíram da barca, um homem possuído pelo espírito imundo saiu do cemitério"
Marcos 5:3
"onde se refugiava e veio ao encontro dele. Não podiam atá-lo nem mesmo com uma corrente, nem nos sepulcros,"
Marcos 5:4
"pois muitas vezes tinha sido preso com grilhões e correntes, mas os despedaçava, e ninguém conseguia dominá-lo."
Marcos 5:5
"Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras."
Marcos 5:6
"Ao ver Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz:"
Marcos 5:7
"“Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes”."
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