Versículo em destaque
Marcos 16:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Por fim, apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o haviam visto ressuscitado. "
Marcos 16:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 Mais tarde, ele apareceu sob outra forma a dois deles, que iam para o campo.
13 Eles foram anunciá-lo aos demais, mas estes também não acreditaram.
14 Por fim, apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração, porque não acreditaram nos que o haviam visto ressuscitado.
15 E lhes disse: “Vão por todo o mundo e preguem o Evangelho a toda criatura.
16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
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Aqui vemos, em primeiro lugar, a prova que Cristo deu aos seus apóstolos de que realmente havia ressuscitado dentre os mortos (Marcos 16:14). Ele mesmo lhes apareceu quando estavam juntos, à mesa, o que lhe deu oportunidade de comer e beber com eles, para plena certeza deles (Atos 10:41). Mesmo assim, ele os repreende por sua incredulidade e dureza de coração. Até mesmo na assembleia maior, na Galileia, alguns ainda duvidavam (Mateus 28:17).
As evidências da verdade do evangelho são tão completas que aqueles que o rejeitam são justamente responsabilizados por sua incredulidade. O problema não está na fraqueza das provas, mas na dureza do coração, num espírito obtuso e teimoso. Embora até então não o tivessem visto ressuscitado, eram culpados por não crerem naqueles que o tinham visto depois de ressuscitado. O orgulho provavelmente entrou nisso também, pois podiam pensar: “Se ele realmente ressuscitou, certamente se mostraria primeiro a nós.” Quando ele os deixou de lado e apareceu primeiro a outros, eles resistiram a crer que era mesmo ele.
Muitos rejeitam o ensino de Cristo pelo mesmo motivo. Pensam ser indigno deles confiar nas testemunhas que Cristo escolheu para levar sua mensagem. Isso não servirá de desculpa para a incredulidade no último dia. Não poderemos dizer: “Nós não o vimos depois de ressuscitado”, porque deveríamos ter crido no testemunho daqueles que o viram.
Em segundo lugar, Cristo lhes deu uma comissão para estabelecer o seu reino entre as pessoas, pregando o seu evangelho, as boas-novas de paz com Deus por meio de um Mediador, aquele que reconcilia duas partes. Até então, eles tinham sido enviados apenas às ovelhas perdidas da casa de Israel, sendo-lhes proibido ir aos gentios ou a qualquer cidade de samaritanos. Agora sua missão é ampliada. Eles são enviados a todo o mundo, isto é, a todas as partes do mundo habitado, para pregar o evangelho de Cristo a toda criatura, tanto gentios quanto judeus, a todo ser humano capaz de recebê-lo.
Isso significava anunciar Cristo, sua vida, morte e ressurreição, explicar o sentido dessas coisas e quais bênçãos as pessoas podem receber por meio delas. Deviam convidar a todos, sem exceção, a participar dessas bênçãos. Isso é o evangelho: anunciar em toda parte, a todos. Aqueles onze não podiam, por si só, alcançar o mundo inteiro, muito menos cada indivíduo. Mas eles, junto com outros discípulos, os setenta e os que foram sendo acrescentados depois, deveriam se espalhar em várias direções e levar o evangelho para onde quer que fossem.
Deviam também enviar outros para os lugares onde eles mesmos não pudessem ir. Em resumo, deveriam fazer da propagação dessas boas-novas a obra de toda a sua vida, com zelo e fidelidade. Não seria um passatempo ou diversão, mas uma mensagem solene de Deus aos homens, e o meio estabelecido para torná-los verdadeiramente felizes. Deviam falar a tantos quantos pudessem, e instruí-los a transmitir essa mensagem adiante. A mensagem é para todos, por isso deve ser acolhida por todos, porque ela oferece acolhimento a todos.
A mensagem que deviam pregar é resumida no versículo 16. Deviam colocar vida e morte, bem e mal, diante do mundo. Deviam mostrar que todos se encontram em miséria e perigo, condenados por seu Governante, vencidos e escravizados por seus inimigos. Isso está pressuposto na promessa de salvação, pois ninguém precisa ser salvo se não estiver perdido.
Deviam declarar que, se as pessoas crerem no evangelho e se entregarem para ser discípulas de Cristo, se se voltarem contra o diabo, o mundo e a carne, e pertencerem a Cristo como seu Profeta, Sacerdote e Rei, e a Deus em Cristo como seu Deus de aliança, então serão salvas da culpa e do poder do pecado. O pecado não as dominará nem as destruirá. O verdadeiro cristão será salvo por meio de Cristo. O batismo foi instituído como sinal público de entrada, pelo qual os que abraçavam a Cristo mostravam que pertenciam a ele. Aqui, porém, ele é tomado principalmente pela realidade que simboliza, e não apenas pelo rito exterior. Simão, o mágico, creu e foi batizado, e ainda assim não foi salvo (Atos 8:13). Crer com o coração e confessar com a boca que Jesus é o Senhor (Romanos 10:9) exprime praticamente a mesma coisa aqui.
Ou, em palavras mais simples, é necessário concordar com a verdade do evangelho e aceitar as condições do evangelho. Se as pessoas não crerem, se não receberem o testemunho que Deus deu acerca de seu Filho, não podem esperar outro caminho de salvação. Perecerão certamente. Serão condenadas pelo juízo de um evangelho rejeitado, somado ao juízo já merecido sob a lei quebrada. Ainda assim, isso é evangelho, pois é boa notícia saber que nada, além da incredulidade, condenará alguém. A incredulidade é um pecado contra o próprio remédio.
O Dr. Whitby observa que, se alguém usar este versículo para argumentar que os filhos dos crentes não podem ser batizados porque ainda não podem crer, pela mesma razão teria de sustentar que crianças não podem ser salvas, pois a fé é exigida aqui de forma ainda mais clara para a salvação do que para o batismo. Ele também aponta que o batismo é omitido na segunda parte porque não é simplesmente a falta do batismo que traz condenação, mas o desprezo soberbo e descuidado dele. De outro modo, crianças sofreriam pelos pecados ou descuido de seus pais.
Em terceiro lugar, Cristo lhes disse que poder receberiam para confirmar a doutrina que pregavam (Marcos 16:17). Esses sinais seguiriam aos que cressem. Isso não significa que todo crente faria tais sinais, mas que alguns fariam, especialmente aqueles usados para propagar a fé e ganhar outros para ela. Os sinais são para os incrédulos (1 Coríntios 14:22). Acrescentou muita honra e confirmação ao evangelho o fato de que os pregadores não só operavam milagres, mas também transmitiam a outros o poder de realizá-los. Esse poder acompanhou alguns dos que creram, onde quer que fossem pregar.
Eles fariam maravilhas em nome de Cristo, o mesmo nome em que haviam sido batizados. Atuariam por um poder dado por ele e recebido em resposta à oração. Diversos sinais específicos são mencionados. Um deles era expulsar demônios. Entre os cristãos dos primeiros tempos, esse foi o milagre mais frequente e o que durou mais tempo, como testemunham Justino Mártir, Orígenes, Irineu, Tertuliano, Minúcio Félix e outros, citados por estudiosos nesse trecho. Outro sinal era falar novas línguas que nunca haviam aprendido ou conhecido. Era um milagre na esfera da mente, confirmando a verdade do evangelho e, ao mesmo tempo, facilitando sua difusão entre nações que ainda não o tinham ouvido.
Isso poupava aos pregadores um grande trabalho de aprendizado de idiomas. E sem dúvida aqueles que, por milagre, se tornaram senhores de línguas as conheciam plenamente, com toda a sua graça e beleza naturais. Isso lhes permitia ensinar com mais clareza, tocar mais profundamente os corações e tornar sua pregação mais convincente.
Pegarão em serpentes. Isso se cumpriu em Paulo, que não sofreu dano algum quando uma víbora se prendeu à sua mão, o que o povo reconheceu como grande milagre (Atos 28:5-6). Num sentido mais amplo, seriam preservados da “geração de víboras” no meio da qual viviam e da malícia da antiga serpente, Satanás.
Se seus perseguidores os forçassem a beber algum veneno, isso não lhes faria mal. Há mesmo alguns exemplos disso na história da igreja. Eles não apenas seriam guardados de sofrer mal, mas também teriam poder para fazer o bem a outros.
Imporiam as mãos sobre os enfermos, e estes seriam curados, assim como muitos tinham sido curados pelo toque de seu Mestre. Muitos presbíteros da igreja receberam esse poder, como se vê em Tiago 5:14, onde se ordena ungir os enfermos com óleo, em nome do Senhor, como sinal estabelecido dessa cura milagrosa. Com prova tão clara de sua autoridade, podiam cumprir sua missão com grande confiança.
Deste capítulo
Marcos 16:1
"Depois que passou o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus."
Marcos 16:2
"E, no primeiro dia da semana, foram bem cedo ao sepulcro, quando o sol mal havia despontado."
Marcos 16:3
"E diziam umas às outras: “Quem removerá para nós a pedra do sepulcro?”"
Marcos 16:4
"Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande."
Marcos 16:5
"Ao entrarem no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido de roupas brancas, e ficaram assustadas."
Marcos 16:6
"Ele lhes disse: “Não tenham medo. Buscam Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou; já não está aqui. Vejam o lugar onde o depositaram."
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