Versículo em destaque
Marcos 15:15 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado. "
Marcos 15:15
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
13 Eles tornaram a gritar: “Crucifique-o!”.
14 Pilatos replicou: “Mas que mal ele fez?”. Eles clamavam ainda mais: “Crucifique-o!”.
15 Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado.
16 Os soldados o conduziram ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte.
17 Vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram sobre a cabeça dele.
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Aqui, Pilatos entrega Cristo para ser crucificado para agradar os judeus e acalmar a ira deles (Marcos 15:15). A ideia é que ele queria satisfazer a multidão o suficiente para silenciá-la. Ele solta Barrabás, que tinha sido uma vergonha e um estorvo para a nação, e entrega Jesus, que era a honra e a verdadeira bênção da nação.
Pilatos já havia mandado açoitar Jesus, esperando que isso fosse o bastante para contentá-los. Ele não pretendia ir tão longe a ponto de permitir a crucificação, mas, uma vez que cedeu até certo ponto, todo o resto veio em seguida. Quando alguém consegue convencer a si mesmo a castigar um inocente (Lucas 23:16), aos poucos consegue também se convencer a fazer coisas ainda piores.
Cristo foi crucificado porque esse era, em primeiro lugar, um tipo de morte sangrenta, e sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9:22). O sangue representa a vida (Gênesis 9:4). Ele carrega a vida do corpo; assim, quando o sangue é derramado, a vida é derramada com ele. Cristo iria dar a sua vida por nós, por isso derramou o seu sangue.
O sangue também fazia expiação pela alma, isto é, pagava pelo pecado e afastava a culpa (Levítico 17:11). Por isso, nos sacrifícios pelo pecado, havia todo um cuidado especial em derramar o sangue e aspergi-lo diante do Senhor. Cristo derramou seu sangue para cumprir todos esses sinais e figuras.
Em segundo lugar, a crucificação era uma morte dolorosa. O sofrimento era agudo e intenso, porque a morte atacava o corpo através de suas partes mais sensíveis. Cristo morreu de um modo que lhe permitiu sentir o próprio morrer, pois ele era ao mesmo tempo o sacerdote e o sacrifício. Ele foi ativo em sua morte, porque estava oferecendo a sua alma pelo pecado.
Um escritor antigo chamou a crucificação de “um castigo terrível ao extremo”. Cristo enfrentou a morte em sua forma mais temível, e ainda assim a venceu. Em terceiro lugar, era uma morte vergonhosa, própria de escravos e dos piores criminosos, ao menos entre os romanos. Na Escritura, a cruz e a vergonha aparecem juntas.
Como o pecado humano tinha ofendido a honra de Deus, Cristo trouxe satisfação a essa honra. Ele fez isso não apenas humilhando-se e, por um tempo, deixando velada a honra visível de sua natureza divina, mas também submetendo-se à maior vergonha e desonra que a natureza humana poderia suportar. E, ainda assim, isso não foi a pior parte.
Em quarto lugar, era uma morte maldita. A lei judaica declarava maldito de Deus o homem pendurado no madeiro (Deuteronômio 21:23). Foi esse tipo de morte que os filhos de Saul sofreram quando a culpa da casa sanguinária de Saul precisava ser cobrada (2 Samuel 21:6). Hamã e seus filhos também foram enforcados (Ester 7:10; 9:13).
Não lemos sobre profetas do Antigo Testamento sendo enforcados. Mas, agora que Cristo foi pendurado em um madeiro, a vergonha e a maldição ligadas a esse tipo de morte foram removidas. Por isso, isso não deve perturbar o consolo daqueles que morrem inocentemente ou em arrependimento. Nem deve diminuir, mas sim aumentar, a honra dos mártires que morrem por Cristo, por morrerem sob a mesma forma externa de vergonha pela qual ele passou.
Pilatos também entregou Jesus aos soldados romanos, que quiseram zombar dele enquanto preparavam a execução. Eles reuniram todo o destacamento de serviço e o levaram para dentro do pátio. Ali trataram nosso Senhor Jesus com desprezo, fingindo honrá-lo como rei, assim como os servos no pátio do sumo sacerdote já o haviam zombado como Profeta e Salvador.
Reis usam mantos de púrpura ou escarlate? Então eles o vestem com púrpura. Isso deve lembrar os cristãos a não fazerem de roupas finas o seu orgulho (1 Pedro 3:4). Como um manto de púrpura ou escarlate pode ser motivo de vaidade para um cristão, se foi um sinal de vergonha para Cristo?
Reis usam coroas? Então eles tecem uma coroa de espinhos e a colocam sobre a cabeça dele. Uma coroa de palha já teria sido zombaria suficiente, mas essa ainda causava dor. Ele usou a coroa de espinhos que nós merecíamos, para que pudéssemos usar a coroa de glória que ele conquistou.
Que esses espinhos nos ensinem a odiar o pecado e a ficar inquietos debaixo dele. Que também nos levem a amar a Jesus Cristo, que aqui aparece como um lírio entre espinhos. Se alguma vez formos afligidos por um “espinho na carne”, que nos console o fato de que nosso sumo sacerdote entende as nossas fraquezas, pois ele mesmo sentiu o que é ter espinhos cravados.
Reis recebem os vivas do povo: “Viva o rei”? Os soldados também zombam disso, dizendo: “Salve, Rei dos judeus”. Um rei assim e um povo assim pareciam, em seu desprezo, adequados uns aos outros.
Reis recebem um cetro, sinal de governo, assim como a coroa é sinal de honra. Para imitar isso, puseram uma cana em sua mão direita. Aqueles que tratam a autoridade de Jesus Cristo como algo que não precisa ser obedecido, que ignoram seus mandamentos e advertências, na prática estão colocando uma cana em sua mão. E, ainda pior, batem nele com essa mesma cana, como fizeram esses soldados, mostrando o desprezo que têm por ele.
Os súditos costumavam beijar seu governante ao jurar fidelidade. Os soldados imitam isso também, mas, em vez de beijá-lo, cospem nele. Reis também eram honrados com genuflexão, e eles transformam isso em piada. Dobram o joelho e o “adoram” em zombaria, apenas para se divertirem uns com os outros.
Pelo pecado, tínhamos nos tornado merecedores de vergonha e desprezo sem fim. Para nos livrar disso, nosso Senhor Jesus aceitou vergonha e desprezo em nosso lugar. Eles zombam dele com as roupas de outro homem, e não com as suas próprias, para mostrar que ele não sofria por seu próprio pecado. A culpa era nossa; a vergonha foi dele.
Os que afirmam se submeter a Cristo, mas na realidade se entregam ao mundo e à carne, fazem algo muito semelhante. São como aqueles que dobraram o joelho diante dele em zombaria e gritaram: “Salve, Rei dos judeus”, enquanto, no coração, diziam: “Não temos outro rei senão César”. Aqueles que dobram os joelhos, mas não o coração, que o honram com os lábios enquanto o coração permanece longe, praticam o mesmo tipo de afronta.
Quando chegou o momento, os soldados o levaram do pretório de Pilatos para o lugar da execução (Marcos 15:20). Ele foi como ovelha ao matadouro e foi contado com os malfeitores, embora não tivesse cometido pecado algum. Mas, como queriam que ele morresse sob o peso da cruz que iria carregar, obrigaram Simão, de Cirene, a carregá-la para ele.
Simão passava por ali, vindo do campo, e não tinha ideia de que isso aconteceria. Não devemos estranhar se cruzes caírem sobre nós de repente e nos pegarem de surpresa.
A cruz era um fardo muito pesado e incômodo. E, ainda assim, o homem que a carregou por apenas alguns minutos foi honrado tendo seu nome escrito no livro de Deus, embora fosse, de outro modo, um desconhecido. Assim, onde quer que este evangelho seja pregado, isso é contado em sua memória. Do mesmo modo, embora nenhum sofrimento ou cruz pareça motivo de alegria no momento, mas sim de dor, depois produz uma coroa de glória para aqueles que são exercitados por meio dela.
Deste capítulo
Marcos 15:1
"Logo pela manhã, reuniram-se os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o conselho. E, depois de amarrarem Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos."
Marcos 15:2
"Este lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?”. Ele lhe respondeu: “Sim”."
Marcos 15:3
"Os sumos sacerdotes o acusavam de muitas coisas."
Marcos 15:4
"Pilatos lhe perguntou outra vez: “Você não responde nada? Veja de quantos delitos o acusam!”."
Marcos 15:5
"Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado."
Marcos 15:6
"Ora, ele costumava soltar-lhes, em cada festa, qualquer dos presos que pedissem."
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