Versículo em destaque

Lucas 13:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Também lhes contou esta comparação: “Um homem havia plantado uma figueira em sua vinha e, ao ir procurar fruto, não o encontrou. "

Lucas 13:6

menu_book Versículo no contexto

4 Ou vocês pensam que aqueles dezoito homens sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém?

5 Não, digo a vocês. Mas, se vocês não se arrependerem, todos perecerão do mesmo modo”.

6 Também lhes contou esta comparação: “Um homem havia plantado uma figueira em sua vinha e, ao ir procurar fruto, não o encontrou.

7 Disse ao viticultor: Eis que há três anos venho procurando fruto nesta figueira e não o encontro. Corte-a; por que ela ainda ocupa inutilmente o terreno?”

8 Mas o viticultor respondeu: “Senhor, deixe-a ainda este ano; cavarei ao redor dela e colocarei adubo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta parábola vem reforçar diretamente a advertência que Jesus acabara de fazer: “Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” Ou seja, se as pessoas não se voltarem do pecado e não mudarem de vida, acabarão arruinadas, assim como uma árvore sem fruto é cortada quando continua infrutífera.

Em primeiro lugar, a parábola se dirige de modo especial à nação e ao povo judeu. Deus os escolheu para si, aproximou-os de si e lhes deu mais luz e privilégios do que a outras nações. Em troca, esperava obediência e fidelidade, que seriam o fruto para a sua glória. Mas eles falharam. Não cumpriram seu dever e, em vez de honrarem a fé que professavam, trouxeram opróbrio sobre ela. Por isso, Deus com toda justiça poderia tê-los rejeitado, tirado seus privilégios e cortado esse povo. No entanto, porque Cristo intercedeu por eles, como Moisés havia feito muito tempo antes, Deus lhes concedeu mais tempo e mais misericórdia. Por assim dizer, deu-lhes mais um ano ao enviar seus apóstolos entre eles, chamando-os ao arrependimento e oferecendo perdão em nome de Cristo, se se voltassem para ele. Alguns se comoveram, se arrependeram e deram fruto, e com estes tudo ficou bem. Mas, como nação, permaneceram teimosos e infrutíferos, e a ruína veio sobre eles sem remédio. Cerca de quarenta anos depois, foram cortados e lançados ao fogo, como João Batista já os havia advertido (Mat 3:10). Esta parábola amplia aquela advertência.

Mas a parábola vai além. Ela visa despertar todos os que desfrutam dos meios de graça e dos privilégios da igreja visível, para que certifiquem que sua vida interior e sua conduta exterior correspondam à fé que professam. Esse é o fruto que Deus exige. A figueira tinha muitas vantagens. Foi plantada numa vinha, em terra melhor e com mais cuidado do que as figueiras comuns, que normalmente cresciam à beira do caminho, e não em vinhas, que são reservadas para as videiras (Mat 21:19). Esta árvore pertencia a um certo homem, que era seu dono e gastara dinheiro e esforço com ela. A igreja de Deus é a sua vinha, separada do mundo comum e cercada (Isaías 5:1, Isaías 5:2). Pelo nosso batismo, somos plantados nessa vinha como figueiras. Temos um lugar e um nome na igreja visível, e isso é um grande privilégio e misericórdia. Deus não tratou assim outras nações.

O dono esperava fruto da figueira, e tinha todo o direito de esperar. Ele não mandou um servo, veio pessoalmente, mostrando o desejo de encontrar fruto. Cristo veio a este mundo e veio aos seus, os judeus, buscando fruto. Deus, no céu, exige e espera fruto daqueles que têm um lugar em sua vinha. Ele observa os que ouvem o evangelho para ver se vivem de maneira condizente com ele. Procura provas de que os meios de graça lhes fazem bem. Folhas não bastam, isto é, palavras vazias como “Senhor, Senhor”. Flores também não bastam, isto é, um bom começo ou belas promessas. É preciso fruto. Nossos pensamentos, palavras e ações devem corresponder ao evangelho, à luz e ao amor que recebemos.

O dono se decepcionou. Não encontrou fruto algum, nem um só figo. É triste pensar quantos desfrutam dos privilégios do evangelho e, mesmo assim, nada fazem para honrar a Deus ou para cumprir o propósito pelo qual lhes foram dados esses privilégios. Isso entristece o Espírito da graça. Ele se queixa disso ao viticultor: “Vim buscar fruto, e fui frustrado. Esperei uvas, mas nasceram uvas bravas.” Um povo assim entristece o coração de Deus.

A decepção é agravada por dois fatores. Primeiro, o dono já esperara muito tempo. Não pedia demais, apenas fruto, e não era impaciente. Veio três anos, ano após ano. Aplicado aos judeus, isso pode apontar para um tempo antes do cativeiro, outro depois dele e outro na pregação de João Batista e do próprio Cristo. Também pode se referir aos três anos do ministério público de Cristo, que estavam quase no fim. Em sentido mais amplo, ensina que a paciência de Deus é longa para com muitos que ouvem o evangelho e, ainda assim, não produzem fruto. Essa paciência é muitas vezes muito abusada, o que torna o juízo final ainda maior. Quantas vezes Deus tem vindo a alguns de nós, por assim dizer, ano após ano, buscando fruto, e não encontra, ou encontra quase nada, ou até algo pior do que nada?

Segundo, a árvore não apenas deixava de dar fruto, mas ainda causava dano. Ela ocupava inutilmente a terra, isto é, tomava o lugar de uma árvore frutífera e ainda era um peso para o solo. Pessoas que não fazem o bem, muitas vezes fazem o mal pelo mau exemplo. Desencorajam os piedosos e fortalecem os ímpios no caminho errado. O dano é maior ainda se a árvore é grande, frondosa ou antiga, pois então ocupa mais espaço sem produzir nada.

A sentença sobre ela é: “Corta-a.” Isso é dito ao viticultor, a Cristo, a quem todo juízo foi confiado, e também aos ministros, que declaram o juízo em seu nome. Não se deve esperar outro fim para árvores infrutíferas senão serem cortadas. Como uma vinha infrutífera é devastada e deixada aberta a todos (Isaías 5:5, Isaías 5:6), assim as árvores estéreis na vinha são lançadas fora e secam (João 15:6). Deus as corta por meio de juízos, especialmente juízos espirituais, como aqueles que caíram sobre os judeus incrédulos (Isaías 6:9, Isaías 6:10). Ele também as corta pela morte e as lança no inferno, e isso é justo, pois por que uma árvore assim continuaria ocupando a terra inutilmente?

Em seguida vem o pedido de misericórdia do viticultor. Cristo é o grande Intercessor e vive sempre para interceder. Os ministros também exercem um papel de intercessão. Aqueles que trabalham na vinha devem orar por ela, pois aqueles a quem pregamos devem ser também aqueles por quem oramos. O viticultor pede um adiamento: “Senhor, deixa-a ainda este ano.” Ele não pede: “Nunca a cortes”, mas: “Agora não.” Ele está pedindo que a árvore ainda não seja removida, que o viticultor não seja tirado, que o orvalho não seja retido, que a árvore não seja arrancada. É misericórdia quando uma árvore estéril recebe mais tempo. Algumas pessoas ainda não receberam a graça do arrependimento, mas é ainda assim misericórdia serem-lhes concedidos tempo e oportunidade para se arrependerem, como o mundo antigo recebeu cento e vinte anos para buscar paz com Deus. Devemos a Cristo, o grande Intercessor, o fato de que árvores estéreis não sejam cortadas imediatamente. Se ele não tivesse se colocado no meio, todo o mundo teria sido cortado por causa do pecado de Adão. Mas ele, por assim dizer, disse: “Senhor, deixa-o”, e é ele quem sustenta todas as coisas.

Somos estimulados a orar por um adiamento misericordioso para as figueiras estéreis, isto é, para pessoas que não mostram fruto espiritual. Podemos pedir: “Senhor, poupa-os ainda por um pouco. Dá-lhes mais tempo, suporta-os, espera para mostrar tua graça.” Assim, colocamo-nos na brecha para desviar a ira.

Esses adiamentos de misericórdia são somente por um tempo. “Deixa-a ainda este ano” indica um período curto, mas suficiente para provar plenamente a árvore. Quando Deus já tem suportado por muito tempo, podemos esperar que ainda aguarde um pouco mais, mas não podemos imaginar que esperará para sempre. Tais prorrogações podem ser concedidas por causa das orações de outros, mas não significam perdão completo. Para isso, é necessária a nossa própria fé, arrependimento e oração; sem isso, não há perdão.

O viticultor então promete fazer tudo o que puder para melhorar a árvore, se o adiamento for concedido: “até que a escave e a esterque.” Nossas orações devem sempre ser acompanhadas de esforço. Ele parece dizer: “Senhor, talvez eu tenha falhado no que me cabia, mas deixa-a ainda este ano, e farei mais do que antes para ajudá-la a dar fruto.” Em todas as nossas orações, devemos pedir a graça de Deus e, ao mesmo tempo, nos dispor humildemente a cumprir o nosso dever. Caso contrário, zombamos de Deus e mostramos que não valorizamos de verdade a misericórdia que pedimos.

Isso também ensina que, quando oramos por graça para nós ou para outros, precisamos seguir nossas orações com o uso cuidadoso dos meios de graça, os instrumentos que Deus deu para fazer o povo crescer. O viticultor promete fazer a sua parte, e com isso instrui os ministros sobre o seu dever. Ele cavará ao redor da árvore e a adubará. Cristãos infrutíferos precisam ser despertados pelas advertências da lei, que revolvem o solo endurecido, e depois ser encorajados pelas promessas do evangelho, que aquecem e nutrem, como adubo para uma árvore. Ambos devem ser usados: um prepara o caminho para o outro, e os dois são necessários.

Ele encerra a questão com esta esperança: “Vamos prová-la mais um ano; se der fruto, bem” (Lucas 13:9). É possível, e até razoável esperar, que ainda venha a ser frutífera. Nessa esperança, o dono será paciente e o viticultor trabalhará com empenho. Se a árvore vier a dar certo, ambos se alegrarão por ela não ter sido cortada.

A palavra “bem” não está no original, mas o sentido é tão cheio de alegria que se ajusta perfeitamente. Se a figueira der fruto, haverá bom motivo para regozijo, porque, enfim, se terá aquilo que se desejava encontrar. Pessoas religiosas sem fruto, se depois de muito tempo se arrependem, mudam de caminho e passam a dar fruto, verão que tudo está bem. Deus se agradará, porque será honrado. Os ministros serão fortalecidos, e essas pessoas arrependidas serão agora a sua alegria e, mais tarde, a sua coroa.

Além disso, haverá alegria no céu por causa disso. A terra deixará de ser sobrecarregada e passará a ser melhor aproveitada. A vinha ficará mais bela, e as boas árvores nela também serão beneficiadas. Para a própria árvore, isso será um bem: ela não apenas será poupada de ser cortada, mas receberá a bênção de Deus (Hebreus 6:7). Será podada e dará mais fruto, porque o Pai é o agricultor (João 15:2). E, por fim, será tirada da vinha terrena e transplantada para o paraíso celestial.

Porém, se não der fruto, então, depois disso, será cortada. Embora Deus seja longânimo, ele não suportará para sempre pessoas infrutíferas. A sua paciência tem um limite e, se for abusada, dará lugar a uma ira que não terá fim. As árvores estéreis certamente serão, por fim, cortadas e lançadas no fogo.

Quanto mais tempo Deus espera e quanto mais investe nelas, maior será a sua ruína. Ser cortado depois de tanta paciência, depois de tantas expectativas e de tanto cuidado, será algo muito triste e tornará o juízo mais pesado. No entanto, cortar não é algo em que Deus encontre prazer. Note-se que o dono disse ao viticultor: “Corta-a, por que ocupa ainda a terra inutilmente?”. Mas o viticultor, em essência, responde: “Se for inevitável fazê-lo ao final, que seja pelas tuas mãos. Que a minha mão não esteja nisso”.

Aqueles que agora oram pelas árvores estéreis e se esforçam por elas poderão, se elas permanecerem sem fruto, enfim concordar em vê-las cortadas. Não terão mais nada a dizer em sua defesa. Até os seus melhores amigos concordarão e até louvarão o justo juízo de Deus quando ele for revelado (Apocalipse 15:3, Apocalipse 15:4).

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