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Lucas 1:39 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Naqueles dias, Maria se levantou e foi depressa às montanhas, a uma cidade de Judá. "

Lucas 1:39

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37 porque para Deus nada é impossível”.

38 Então Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor. Que se faça em mim segundo a sua palavra”. E o anjo afastou-se dela.

39 Naqueles dias, Maria se levantou e foi depressa às montanhas, a uma cidade de Judá.

40 Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel.

41 Ora, assim que Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos o encontro de duas mães felizes, Isabel e Maria. O anjo havia dito a Maria que sua parenta Isabel também fora abençoada com um filho (Lucas 1:36), e isso levou a essa visita. Muitas vezes, uma das melhores ajudas que podemos dar é aproximar pessoas piedosas, para que compartilhem o que Deus tem feito.

Primeiro, considere a visita de Maria a Isabel. Maria era mais jovem, e também estava mais no início da gravidez; por isso, era adequado que ela fizesse a viagem. Ela não exigiu honra especial por causa da maior dignidade do Filho que carregava (Lucas 1:39). Levantou-se e deixou de lado seus próprios afazeres para tratar desse assunto mais importante. Ela foi “naqueles dias”, isto é, pouco depois de o anjo visitá-la, provavelmente depois de passar algum tempo em oração, e então se apressou para a casa de sua parenta, onde teria mais sossego e melhor auxílio em um lar sacerdotal.

Ela foi com cuidado, diligência e rapidez. Não saiu, como muitos jovens costumam fazer, apenas por prazer, mas para aprender e buscar comunhão. Foi a uma cidade de Judá, na região montanhosa. A cidade não é nomeada, mas, comparando-se a descrição com (Josué 21:10-11), parece ter sido Hebrom, que ficava na região montanhosa de Judá e pertencia aos sacerdotes, filhos de Arão. Maria enfrentou essa longa jornada, embora fossem muitos quilômetros.

Alguns pensaram, e não é impossível, que ela possa ter ido a Hebrom porque ali o Messias seria concebido. Se assim foi, isso se enquadra no modo de agir de Deus. Nessa cidade a promessa foi dada a Isaque, ali se estabeleceu a circuncisão, ali Abraão teve sua primeira possessão de terra, e Davi recebeu sua primeira coroa. Ali também, segundo antiga tradição, os patriarcas foram sepultados. É apropriado, então, que a promessa comece a se cumprir entre aqueles a quem foi dada em primeiro lugar.

É bem provável também que Maria tenha ido para fortalecer sua fé por meio do sinal que o anjo lhe dera, isto é, de que sua parenta estava grávida. Ela queria compartilhar sua alegria com alguém que pudesse entendê-la. Talvez quisesse também mais privacidade, ou apenas desfrutar de companhia melhor do que tinha em Nazaré. Provavelmente ainda não havia contado aos vizinhos o que o anjo lhe dissera, mas ansiava falar sobre um assunto que tinha meditado muitas vezes. Não conhecia ninguém melhor do que Isabel para conversar livremente sobre isso.

Isso é proveitoso para todos em quem uma obra de graça já começou na alma, e em quem Cristo está sendo formado. Devem procurar outros que estejam no mesmo estado, para que possam compartilhar suas experiências. Assim como um rosto se reflete em outro nas águas, um coração cristão frequentemente responde a outro coração cristão.

Em seguida vem o encontro entre Maria e Isabel. Maria entrou na casa de Zacarias, marido de Isabel, ainda que ele provavelmente ficasse à parte em seu quarto, por estar mudo e surdo. Então Maria saudou Isabel (Lucas 1:40) e lhe explicou que viera visitá-la, saber de sua situação e alegrar-se com sua alegria. Já nesse primeiro encontro, algo fora do comum aconteceu, para confirmar a fé das duas.

Maria sabia que Isabel estava grávida, mas não há indicação de que Isabel tivesse sido informada de que Maria seria mãe do Messias. Portanto, qualquer conhecimento que Isabel demonstrasse teria de ter vindo por revelação, e isso encorajaria grandemente Maria. O bebê saltou no ventre de Isabel (Lucas 1:41). Isabel provavelmente já sentira o filho se mexer antes, pois estava no sexto mês, mas esse foi um movimento incomum, forte, que a fez esperar algo extraordinário. A mesma palavra é usada na tradução grega do Antigo Testamento para descrever Jacó e Esaú lutando no ventre de Rebeca (Gênesis 25:22) e para os montes que “saltam” (Salmo 114:4).

O bebê pareceu saltar como sinal à mãe de que estava perto d’Aquele de quem seria precursor. Ele seria o arauto de Cristo por cerca de seis meses, assim como já estava no ventre havia esse tempo. Ou esse movimento pode ter sido causado por uma forte impressão produzida no próprio coração de Isabel. Assim começou a cumprir-se a palavra do anjo a Zacarias, de que João seria cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Lucas 1:15). Talvez o próprio João se referisse a isso mais tarde, quando disse: “O amigo do noivo muito se alegra por causa da voz do noivo” (João 3:29).

A própria Isabel foi cheia do Espírito Santo, ou de um espírito de profecia. Por isso entendeu que o Messias estava perto, que a profecia estava para se erguer novamente e que o Espírito Santo seria derramado com maior abundância do que antes, como esperavam os que aguardavam a consolação de Israel. O movimento incomum do bebê em seu ventre era sinal da forte comoção em seu próprio espírito, sob o poder de Deus. Aqueles a quem Cristo visita graciosamente podem saber disso por serem cheios do Espírito Santo, pois, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Então Isabel, falando pelo Espírito de profecia, recebeu Maria, mãe do Senhor, não como uma visitante comum, mas como aquela por meio de quem o Messias nasceria. Primeiro, felicitou-a por sua honra e, embora pudesse ter acabado de saber disso, falou com plena confiança e alegria. Exclamou em alta voz, não porque houvesse uma parede ou um andar entre elas, mas porque estava cheia de júbilo e falou sem reservas. Disse: “Bendita és tu entre as mulheres”, as mesmas palavras que o anjo havia usado (Lucas 1:28), pois aquilo que Deus honra no céu deve também ser honrado na terra.

Isabel acrescentou então a razão da bem-aventurança de Maria: “Bendito é o fruto do teu ventre.” A grandeza de Maria vinha do bendito Filho que ela carregava.

Isabel era esposa de sacerdote e já idosa, mas não invejou a sua parenta, bem mais jovem e em tudo inferior a ela na posição social, por receber a honra de conceber sendo ainda virgem e tornar-se mãe do Messias. A honra concedida a Isabel era bem menor, mas ela se alegrou com a honra maior de Maria. Seu coração era como o de seu filho mais tarde, quando disse que aquele que vem depois dele é, na verdade, colocado adiante dele (João 1:27).

Isso nos ensina que, embora devamos reconhecer livremente que recebemos de Deus muito mais do que merecemos, nunca devemos invejar quando outros são ainda mais favorecidos do que nós.

Isabel também reconheceu a bondade de Maria em visitá-la, dizendo: “De onde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1:43). Ela chama a virgem Maria de mãe do seu Senhor, como Davi, falando pelo Espírito, chamou o Messias de seu Senhor, porque sabia que ele seria Senhor de todos. Isabel não apenas recebeu Maria em sua casa, embora Maria provavelmente tivesse vindo em condições humildes, mas considerou a visita em si como grande favor, do qual não se julgava digna. Os que são cheios do Espírito Santo pensam humildemente de si mesmos e altamente da bondade de Deus.

Seu próprio filho, João Batista, falou de modo semelhante mais tarde, quando disse: “Vens tu a mim?” (Mateus 3:14).

Isabel também contou a Maria que o bebê em seu ventre se juntara a essa saudação (Lucas 1:44). Em outras palavras, ela disse: “Tu, sem dúvida, trazes contigo grandes novas e bênçãos, porque, assim que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, o meu coração saltou de alegria, e até o bebê em meu ventre saltou.” A criança ainda não era capaz de conhecer coisa alguma por si, mas saltou como que de alegria porque o Messias, de quem seria mensageiro, estava para vir logo depois dele. Isso fortaleceria muito a fé de Maria, pois outros também receberam sinais semelhantes. Começava assim a cumprir-se o que há muito fora prometido, que haveria alegria em toda parte diante do Senhor, quando ele viesse (Salmo 98:8-9).

Isabel então louvou a fé de Maria e a encorajou: “Bem-aventurada a que creu” (Lucas 1:45). Os que creem são pessoas bem-aventuradas, e isso será plenamente manifesto no fim. Essa bem-aventurança vem por meio da fé, inclusive a bênção de pertencer a Cristo e de tê-lo formado na alma. São bem-aventurados os que creem na palavra de Deus, porque essa palavra não lhes falhará. Aquilo que o Senhor disse a Maria certamente seria realizado.

A certeza da promessa de Deus é a verdadeira felicidade de todos os que nela confiam e dela esperam tudo. A fidelidade de Deus é a bem-aventurança da fé dos santos. Os que já viram Deus cumprir suas promessas em suas próprias vidas devem animar outros a esperar que ele será igualmente fiel para com eles: “Contarei o que Deus tem feito à minha alma.”

O cântico de louvor de Maria vem em seguida. As palavras de Isabel foram um eco da saudação de Maria, e o cântico de Maria é um eco ainda mais forte da profecia de Isabel. Isso mostra que Maria estava tão cheia do Espírito Santo quanto Isabel. Podemos imaginá-la chegando cansada da viagem, mas ela esquece o cansaço e é tomada por nova vida, força e alegria quando sua fé é confirmada. Como ela percebe, por esse súbito mover do Espírito, que esse era o propósito da sua visita, ela se assemelha ao servo de Abraão, que não quis descansar até falar tudo o que tinha vindo dizer.

Seu cântico é cheio de alegria e louvor, e Deus somente é o alvo desse louvor e o centro dessa alegria. Alguns o comparam ao cântico de Miriã, irmã de Moisés, depois da libertação do Egito e da travessia do mar Vermelho. Outros acham melhor compará-lo ao cântico de Ana, após o nascimento de Samuel, porque ambos partem de uma misericórdia pessoal para uma bênção mais ampla sobre o povo de Deus. Maria começa como Ana: “O meu coração exulta no Senhor” (1 Samuel 2:1).

Note como Maria fala de Deus. Ela fala com grande reverência, chamando-o de “o Senhor”: “A minha alma engrandece ao Senhor”. É como se dissesse: “Nunca o vi tão grande como agora o encontro tão bom”. Somente são realmente exaltados em misericórdia aqueles que passam a pensar mais alto de Deus. Há pessoas, em contraste, que deixam a prosperidade levá-las a dizer: “Quem é o Todo-poderoso, para que o sirvamos?”. Quanto mais honra Deus nos dá de qualquer modo, mais devemos nos esforçar para devolver honra a ele. Só engrandecemos verdadeiramente o Senhor quando a nossa alma o faz, quando todo o nosso íntimo se envolve nisso. O louvor precisa ser uma obra do coração.

Ela também fala com profunda alegria nele como seu Salvador: “O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Isso parece se referir ao Messias que ela iria conceber. Ela o chama de “Deus, meu Salvador”, porque o anjo lhe dissera que ele seria o Filho do Altíssimo e que seu nome seria Jesus, isto é, Salvador. Ela toma essa promessa para si: ele é Deus, meu Salvador. Até a mãe do nosso Senhor precisava dele como seu Salvador e estaria perdida sem ele. Ela se alegra mais na misericórdia que compartilha com todos os crentes do que na honra especial de ser sua mãe. Isso está de acordo com a preferência do próprio Cristo pelos que lhe obedecem em comparação com sua família terrena (Mateus 12:50; Lucas 11:27-28).

Os que têm Cristo como seu Deus e Salvador têm todo motivo para se alegrar em espírito, com alegria espiritual, do mesmo tipo que o próprio Cristo teve (Lucas 10:21).

Maria então apresenta as razões de sua alegria e de seu louvor. Primeiro, ela fala da bondade de Deus em sua própria vida (Lucas 1:48-49). Seu espírito se alegra no Senhor por aquilo que ele lhe fez em misericórdia e benignidade. “Porque atentou na baixeza de sua serva.” Isto é, ele a olhou com compaixão, no sentido em que essa palavra muitas vezes é usada. Ele a escolheu para essa honra apesar de sua profunda humildade, pobreza e obscuridade.

A expressão pode até sugerir algo além de pobreza e baixa posição. Pode significar, como nas palavras de Gideão, que sua família era pobre em Judá, e que ela mesma era a menor na casa de seu pai, como se estivesse sob especial desprezo entre seus parentes, injustamente negligenciada ou tratada como um tipo de rejeitada na família. Deus colocou essa honra sobre ela para mais do que compensar essa vergonha. Vemos a mesma espécie de bondade em outros casos. Porque Deus viu que Lia era desprezada, abriu-lhe a madre (Gênesis 29:31). Porque Ana era provocada, afligida e zombada por Penina, Deus lhe deu um filho (1 Samuel 1:19). Aqueles a quem as pessoas, injustamente, rebaixam e desprezam, Deus às vezes exalta em sua compaixão, especialmente se suportaram isso com paciência (Juízes 11:7).

No caso de Maria, se Deus atentou bondosamente para a sua baixa condição, nisso ele deu um retrato de seu favor para com toda a raça humana. Ele se lembra das pessoas em seu abatimento, como diz o salmista (Salmo 136:23), e também concedeu a Maria uma honra duradoura. A honra que Deus dá não se desfaz. Por isso Maria pôde dizer: “Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada”, isto é, vão considerá-la uma mulher feliz e altamente favorecida. Todos os que recebem Cristo e o seu evangelho concordarão: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos em que mamaste” (Lucas 11:27). Isabel já a tinha chamado bem-aventurada mais de uma vez, mas Maria diz que isso não basta, pois todas as gerações, gentios bem como judeus, dirão o mesmo.

Maria diz: “A minha alma engrandece ao Senhor” por causa das grandes coisas que ele lhe fez (Lucas 1:49). “Porque me fez grandes coisas o Poderoso.” É, de fato, algo grandioso que uma virgem conceba. É também algo grandioso que o Messias, há tanto prometido à igreja e há tanto esperado, vá finalmente nascer. Isso mostra a ação do poder do Altíssimo. Ela acrescenta: “E santo é o seu nome”, assim como Ana dissera em seu cântico: “Não há santo como é o Senhor”, explicando em seguida: “porque não há outro fora de ti” (1 Samuel 2:2). Deus está só, único, como Deus, e mostra isso de modo especial na obra da nossa redenção. Aquele que é poderoso, e cujo nome é santo, fez grandes coisas por mim. Podemos esperar grandes coisas daquele que é ao mesmo tempo poderoso e santo, que pode fazer tudo e fará tudo bem e da melhor maneira.

Maria então fala também em favor de outros. Como mãe do Messias, ela passa a ser, de certo modo, uma pessoa pública. Agora ela tem um espírito mais público do que antes e olha para além de si mesma. Ela observa os diferentes modos de Deus lidar com as pessoas, especialmente à luz da vinda do Redentor, como Ana fizera (1 Samuel 2:3). Ela começa com esta verdade segura: Deus tem misericórdia reservada para todos os que o reverenciam e honram sua autoridade. Isso, porém, se mostrou da forma mais clara quando ele enviou seu Filho ao mundo para nos salvar (Lucas 1:50). Sempre foi verdade que ele demonstra favor especial aos que o temem. Mas agora ele manifestou essa misericórdia mais plenamente do que nunca, enviando seu Filho para introduzir uma justiça eterna e realizar uma salvação eterna para os que o temem, de geração em geração. As bênçãos do evangelho são transmitidas adiante e são destinadas a permanecer. Os que temem a Deus como Criador e Juiz podem esperar misericórdia por meio de Cristo, seu Mediador, isto é, seu intermediário e advogado. Nele, a misericórdia está firmemente estabelecida sobre todos os que temem a Deus: misericórdia que perdoa, que cura, que aceita e que coroa, enquanto o mundo existir. Em Cristo ele guarda misericórdia para milhares.

Maria também retoma uma observação comum: a providência de Deus muitas vezes abate os orgulhosos e honra os humildes. Ele fez isso de modo especial em toda a obra da redenção humana. Assim como se mostrou poderoso ao exercer misericórdia para com ela, também mostrou força com seu braço, em misericórdia, para com os que o temem. Na providência comum, Deus muitas vezes age de forma que surpreende e frustra os planos das pessoas. Os orgulhosos esperam impor sua vontade e manter sua posição, mas ele os dispersa nos seus pensamentos, quebra seus projetos, arruína seus desígnios e os abate justamente pelos conselhos que pensavam que os levantariam. Os poderosos acham que estão seguros em sua própria força, mas ele os derruba e os tira de seus tronos. Ao mesmo tempo, pessoas de baixa condição, que nunca esperavam se elevar, são maravilhosamente exaltadas. O mesmo acontece com as riquezas. Muitos que eram tão pobres que não tinham pão para suas famílias, de repente são fartos de bens pela surpreendente providência de Deus. Em contrapartida, alguns que eram ricos e pensavam que o amanhã seria sempre como hoje, com seu monte firme, são de repente empobrecidos e mandados embora vazios. Ana já havia feito esse mesmo ponto e o ampliado em seu cântico, aplicando-o a si mesma e à sua rival (1 Samuel 2:4-7). Compare também (Salmo 107:33-41), (Salmo 113:7-9) e (Eclesiastes 9:11). Deus se agrada em frustrar aqueles que se prometem grandes coisas neste mundo e em fazer ainda mais do que os humildes esperavam. Como Deus justo, ele se glorifica abatendo os que se exaltam e advertindo os que se sentem seguros demais. Como Deus bondoso, ele se glorifica exaltando os que se humilham e consolando os que o temem.

Isso se vê de modo especial nos caminhos da graça do evangelho. Primeiro, aparece nas honras espirituais que Deus concede. Quando orgulhosos fariseus foram rejeitados, e publicanos e pecadores entraram no reino dos céus antes deles; quando judeus que buscavam a justiça pela lei não a alcançaram, e gentios que nunca a esperavam receberam em seu lugar a justiça (Romanos 9:30-31); e quando Deus não escolheu os sábios, os poderosos ou os nobres para espalhar o evangelho, mas as coisas loucas e fracas deste mundo, as coisas desprezadas, então ele espalhou os soberbos e derrubou os poderosos de seus tronos, exaltando os humildes (1 Coríntios 1:26-27). Quando o poder dos principais sacerdotes e anciãos foi quebrado, embora há muito governassem o povo de Deus e esperassem continuar assim, e os discípulos de Cristo, um pequeno grupo pobre e desprezado de pescadores, receberam autoridade e foram colocados em tronos, para julgar as doze tribos de Israel, e quando o poder das quatro grandes monarquias foi quebrado e o reino do Messias, como uma pedra cortada sem auxílio de mãos, encheu a terra, então os soberbos foram espalhados e os humildes foram exaltados.

Em segundo lugar, isso aparece nas riquezas espirituais que ele concede (Lucas 1:53). Os que percebem sua necessidade de Cristo e desejam intensamente a justiça e a vida nele são fartos de bens, dos melhores bens. Ele lhes dá com generosidade, e eles ficam plenamente satisfeitos com as bênçãos que recebem. Os cansados e sobrecarregados encontram descanso em Cristo, e os que têm sede são convidados a ir até ele e beber, porque são justamente esses que sabem de fato valorizar seus dons.

Para a alma faminta, até as coisas amargas parecem doces. O maná torna-se como pão dos anjos, e a água simples tem sabor de mel tirado da rocha. Mas os que são ricos, que não sentem fome, que se assemelham a Laodiceia e pensam não precisar de nada, estão cheios de si mesmos e de sua própria justiça. Ele os despede da sua porta. Não são bem-vindos a ele, e ele os manda embora vazios, cheios de si e vazios de Cristo.

Ele os remete de volta aos deuses que serviram, à justiça e à força em que confiaram. Mas o Messias sempre foi esperado como sendo, de modo especial, a força e a glória do seu povo Israel, e assim ele é, de forma particular, aqui. Maria diz: “Amparou a Israel, seu servo” (Lucas 1:54). A expressão significa que ele tomou Israel pela mão e o levantou quando tinha caído e não podia ajudar a si mesmo.

Os que haviam soçobrado sob o peso de uma aliança quebrada, ou seja, o pacto falho de inocência, são erguidos pelas bênçãos de uma aliança renovada de graça, o favor salvador de Deus. Enviar o Messias, sobre quem foi colocada a ajuda para pobres pecadores, foi a maior bondade que se podia mostrar a Israel, e o maior socorro que se podia dar. O que torna essa misericórdia ainda mais brilhante é, primeiro, que ela é lembrança de sua misericórdia, de seu coração bondoso e da misericórdia que ele havia reservado para seu servo Israel. Enquanto essa bênção era adiada, seu povo que esperava muitas vezes se via pronto a perguntar: “Acaso Deus se esqueceu de ser misericordioso?” Mas agora ele mostrou que não se havia esquecido. Ele se lembrou da sua misericórdia.

Ele também se lembrou de sua antiga misericórdia e repetiu, em bênçãos espirituais, aquilo que antes fizera por eles em bênçãos externas. Ele se lembrou dos dias antigos. “Onde está aquele que os fez subir do mar, do Egito?” (Isaías 63:11). Ele faria outra vez uma obra do mesmo tipo, e o livramento anterior era uma figura desse livramento maior. Em segundo lugar, essa misericórdia veio em cumprimento de sua promessa. Não foi apenas planejada, mas anunciada de antemão (Lucas 1:55). Ele havia dito aos pais que a semente da mulher pisaria a cabeça da serpente, que Deus habitaria nas tendas de Sem e, especialmente a Abraão, que em sua descendência todas as famílias da terra seriam abençoadas. Essa era a melhor bênção, a bênção duradoura, e pertenceria à semente que permaneceria para sempre, ou seja, seus filhos espirituais, visto que seus descendentes segundo a carne foram, em grande medida, logo cortados.

O que Deus falou, ele fará. O que falou aos pais será cumprido para os filhos e para os filhos dos filhos, em bênçãos que duram para sempre. Por fim, Maria voltou para Nazaré (Lucas 1:56), depois de ficar com Isabel cerca de três meses. Esse tempo foi suficiente para que Maria ficasse plenamente certa de que estava grávida e tivesse essa certeza confirmada por sua prima Isabel. Alguns entendem que Maria ficou até Isabel dar à luz e se restabelecer, para poder ajudá-la e estar com ela no parto. Pensam também que a fé da própria Maria seria fortalecida ao ver Deus cumprir plenamente sua promessa a Isabel.

A maioria, porém, segue o relato como está escrito e entende que Maria voltou quando Isabel já estava próxima do tempo de dar à luz. Julgam que Maria ainda preferia a quietude e não quis permanecer quando esse nascimento prometido traria muitos visitantes à casa. Aqueles em cujos corações Cristo está sendo formado costumam ter mais prazer do que antes em sentar-se a sós e permanecer em silêncio.

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