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Juízes 19:16 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ao anoitecer, apareceu um homem idoso que voltava de seu trabalho no campo. Ele também era da montanha de Efraim e morava como forasteiro em Gabaá, cujos habitantes eram benjaminitas. "

Juízes 19:16

menu_book Versículo no contexto

14 Prosseguiram, pois, em seu caminho. O sol estava se pondo quando se encontravam perto de Gabaá de Benjamim.

15 Dirigiram-se para lá a fim de passar a noite. Depois de entrar na cidade, o levita parou na praça, e ninguém lhe ofereceu hospitalidade.

16 Ao anoitecer, apareceu um homem idoso que voltava de seu trabalho no campo. Ele também era da montanha de Efraim e morava como forasteiro em Gabaá, cujos habitantes eram benjaminitas.

17 O velho levantou os olhos e viu o levita na praça da cidade: “Aonde você vai? — disse-lhe ele — e de onde você vem?”.

18 “Nós partimos — respondeu o levita — de Belém de Judá e vamos até o fundo da montanha de Efraim, onde nasci. Acabo de deixar Belém de Judá para voltar à minha casa, mas ninguém quer me acolher,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Embora em Gibeá não se encontrasse ninguém disposto a acolher o levita aflito, havia ali ao menos um homem que lhe demonstrou bondade. O levita se alegrava só de ver que alguém o notara. É surpreendente que alguns daqueles homens perversos, que mais tarde planejaram tanto mal contra ele e sua concubina depois do anoitecer, não tenham primeiro fingido bondade e os convidado para dentro, a fim de executar o crime com mais facilidade. Talvez não tivessem astúcia suficiente para maquinar dessa forma, ou talvez não fossem perversos o bastante para recorrer àquele tipo de engano. Ou ainda, pode ser que nenhum deles, sozinho, tivesse concebido crime tão horrível, e somente quando se ajuntaram na escuridão da noite começaram a tramar que mal fariam. Pessoas más, quando se unem, tornam-se piores do que cada uma seria isoladamente.

Quando o levita, sua mulher e o servo começaram a temer que teriam de passar a noite na rua, o que seria quase tão perigoso quanto se deitar num covil de leões, finalmente foram convidados a entrar numa casa. Somos informados primeiro quem era esse homem bondoso. Era um homem da montanha de Efraim, que morava como estrangeiro em Gibeá (Juízes 19:16). Entre todas as tribos de Israel, os benjamitas eram os que mais deveriam ter compaixão de viajantes em necessidade, pois seu antepassado Benjamim nasceu no caminho, enquanto sua mãe viajava, e muito perto daquele lugar (Gênesis 35:16-17). No entanto, foram duros de coração para com um viajante em aflição, enquanto um efraimita honesto demonstrou compaixão. Ao descobrir que o levita também era da região montanhosa de Efraim, é provável que tenha se mostrado ainda mais bondoso. Quem vive como estrangeiro residente tem mais facilidade de se compadecer de um viajante, porque conhece o coração do forasteiro (Êxodo 23:9; Deuteronômio 10:19). O povo de Deus, que se vê como peregrino e forasteiro neste mundo, deve ter especial ternura uns pelos outros, pois todos pertencem à mesma pátria melhor e não estão em casa aqui.

Ele também era um homem idoso, alguém em quem ainda restava um pouco da virtude quase desaparecida em Israel. A geração mais jovem havia se tornado totalmente corrompida. Se ainda havia algum bem entre o povo, em grande parte estava nos velhos, já próximos do fim da vida. Ele voltava do trabalho no campo ao entardecer. O entardecer é a hora em que o trabalhador retorna do seu labor (Salmo 104:23). Mas parece que ele era o único trabalhador naquele fim de tarde que voltava para Gibeá. Os demais haviam se entregado à preguiça e ao prazer. Não admira que ali houvesse tanta impureza, como em Sodoma, quando também havia tanta ociosidade (Ezequiel 16:49). Ainda assim, o homem que havia trabalhado honestamente o dia todo estava pronto para exercer generosa hospitalidade para com aqueles pobres estrangeiros à noite. Que o homem trabalhe, para ter com que acudir ao necessitado (Efésios 4:28). Em Juízes 19:21 ele aparece como alguém que possuía certos bens, e ainda assim trabalhava pessoalmente no campo. Nenhuma quantidade de propriedades deve dispensar alguém de um trabalho útil.

Ele foi muito aberto e generoso em seu convite. Não esperou que lhe implorassem um lugar para ficar. Quando os viu (Juízes 19:17), perguntou sobre a situação deles e ofereceu ajuda antes mesmo que pedissem. Nisso, reflete o nosso bom Deus, que muitas vezes responde antes de clamarmos. Um coração generoso não espera ser pressionado pela necessidade, mas apenas a oportunidade de fazer o bem, e socorre assim que percebe a carência. É isso que faz o “olho generoso” (Provérbios 22:9). Se Gibeá se parecia com Sodoma, esse velho se parecia com Ló em Sodoma, que se assentava à porta e convidava os estrangeiros para dentro (Gênesis 19:1). Da mesma forma, Jó abria suas portas ao viajante e não o deixava pernoitar na rua (Jó 31:32). Ele foi pronto em acreditar no relato do levita, pois não tinha motivo para duvidar. O amor não é apressado em suspeitar, mas crê e espera o melhor (1 Coríntios 13:7). Ele não arranjou desculpas como Nabal, que negou bondade a Davi dizendo: “Muitos servos hoje em dia fogem de seus senhores” (1 Samuel 25:10).

O levita disse que estava a caminho da casa do Senhor (Juízes 19:18), onde pretendia oferecer um sacrifício pela culpa, por causa dos pecados de sua família, ou um sacrifício pacífico em gratidão pelas misericórdias de Deus, ou ambos, para então voltar para casa. Se os homens de Gibeá soubessem disso, provavelmente teriam ainda menos disposição em recebê-lo. Os samaritanos se recusaram a receber Cristo porque se dirigia a Jerusalém (Lucas 9:53). Mas esse bom velho foi tanto mais bondoso por saber que o viajante era levita e ia à casa do Senhor. Acolheu um servo de Deus por amor ao seu Senhor, como quem recebe um discípulo em nome de discípulo. Também foi muito liberal ao oferecer abrigo. O levita já tinha o necessário para a viagem (Juízes 19:19) e pedia apenas um lugar para dormir, mas o anfitrião se ofereceu para arcar com as despesas de sua estadia (Juízes 19:20). “Põe sobre mim todas as tuas necessidades” era, por assim dizer, o espírito dele. Assim o trouxe para dentro de sua casa (Juízes 19:21). Dessa maneira, Deus muitas vezes suscita amigos para o seu povo e para os seus ministros, mesmo quando parecem completamente desamparados.

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