Versículo em destaque
João 9:39 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Então Jesus disse: “Vim a este mundo para fazer uma discriminação: que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos”. "
João 9:39
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
37 Jesus lhe disse: “Você o vê; é o mesmo que fala com você!”.
38 “Creio, Senhor” — disse ele. E, prostrando-se, o adorou.
39 Então Jesus disse: “Vim a este mundo para fazer uma discriminação: que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos”.
40 Alguns dos fariseus que estavam com ele o ouviram e lhe perguntaram: “Por acaso, nós também somos cegos?...”.
41 Jesus lhes respondeu: “Se vocês fossem cegos, não teriam pecado; mas agora vocês pretendem ver, e o pecado de vocês subsiste”.
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Cristo havia acabado de falar consolo ao homem perseguido, e agora fala advertência aos seus perseguidores. Isso nos dá um retrato de como, no grande Dia, a tribulação e o descanso serão distribuídos (2 Tessalonicenses 1:6-7). É provável que essas palavras não tenham sido ditas imediatamente após a cura, mas na primeira oportunidade que Cristo teve para falar aos fariseus.
Primeiro, Cristo explica por que veio ao mundo: “Eu vim a este mundo para juízo” (João 9:39). Isso significa que ele veio para dirigir e governar os grandes assuntos do reino de Deus entre os homens, com autoridade para julgar conforme o sábio propósito de Deus. O que ele diz aqui não é apenas a voz de um pregador no púlpito, mas de um rei em seu trono e de um juiz em seu tribunal.
Sua obra no mundo era grandiosa. Ele veio, por assim dizer, para instalar um tribunal e realizar uma grande libertação. Veio para juízo em vários sentidos. Primeiro, veio pregar uma doutrina e uma lei que provariam as pessoas e revelariam quem elas realmente são, servindo como regra de governo agora e como regra de juízo depois. Segundo, veio fazer uma separação nítida entre as pessoas, descobrindo os pensamentos de muitos corações e mostrando seu verdadeiro caráter pela maneira como respondem a ele. Terceiro, veio mudar a forma do governo de Deus em sua igreja, pôr fim ao sistema judaico, que tinha sido estabelecido por Deus por um tempo, mas se tornara velho, corrupto e perigoso, e estabelecer uma nova ordem com novos mandamentos e ofícios. Veio encerrar o judaísmo e estabelecer o cristianismo, e isso foi um grande marco divisório.
Ele ilustra isso com o milagre que acabara de realizar. Veio para que “os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos”. Essa diferença aparece muitas vezes na vinda de Cristo. Para alguns, o evangelho se torna vida; para outros, morte.
Isso se aplica a nações e povos. Os gentios, que por muito tempo tinham carecido da luz da revelação de Deus, iriam recebê-la. Os judeus, que por muito tempo tinham desfrutado dessa luz, teriam as coisas que pertenciam à sua paz ocultadas de seus olhos (Oséias 1:10; Oséias 2:23). Os gentios veem uma grande luz, enquanto cegueira vem sobre Israel, e seus olhos são entenebrecidos.
Também se aplica a pessoas individualmente. Cristo veio ao mundo com o propósito de dar vista aos que são espiritualmente cegos. Pela sua palavra ele revela a verdade, e pelo seu Espírito ele cura o olho interior, para que muitas almas preciosas se voltem das trevas para a luz. Ele veio, nesse sentido, para libertar os que estão dispostos a sair de sua prisão escura (Isaías 61:1). Mas, ao fim, os que pensam que já veem são feitos cegos. Pessoas que se orgulham de sua própria sabedoria e a colocam contra a verdade de Deus são entregues à ignorância e à incredulidade. A pregação da cruz se torna loucura, e se torna algo que cega, para aqueles que, por sua sabedoria mundana, não conhecem a Deus.
Cristo veio para governar um reino espiritual na mente das pessoas. Sob a igreja judaica, as bênçãos e os juízos de Deus apareciam, em grande parte, em coisas exteriores e terrenas. Agora essa forma de agir seria mudada. Os bons cidadãos de seu reino seriam abençoados com bênçãos espirituais nas regiões celestiais, inclusive com verdadeiro entendimento. Os rebeldes seriam punidos com juízos espirituais, não mais com guerra, fome e peste como antes, mas com mente obscurecida, coração endurecido, consciência perturbada, forte ilusão e paixões pecaminosas. Assim Cristo julga entre as ovelhas e o gado, como diz Ezequiel (Ezequiel 34:17, 22).
Os fariseus reagiram contra isso. Estavam ali com ele, não para aprender algo bom, mas para achar algo mau contra ele. Perguntaram: “Porventura nós também somos cegos?” Quando Cristo disse que os que pensavam ver seriam feitos cegos por sua vinda, eles entenderam que ele estava se referindo a eles. Eram líderes, mestres, homens instruídos, pessoas que reivindicavam discernimento. Em outras palavras, estavam dizendo: “Sabemos que o povo comum é cego, mas nós também somos cegos? Nós, rabinos e doutores, também somos cegos?” Isso feria o status deles.
Muitas vezes, justamente os que mais precisam de repreensão são os que percebem com mais rapidez uma repreensão implícita, mas não têm graça para suportar uma repreensão direta. Esses fariseus tomaram a correção como um insulto, como os doutores da lei que disseram: “Mestre, dizendo isso, também nos afrontas a nós?” (Lucas 11:45). Nada endurece mais o coração pecador contra a palavra de Deus do que a alta opinião que os outros têm dele. Muitos presumem que tudo o que recebe elogio dos homens também deve ser aprovado por God, mas isso é falso. Deus não vê como o homem vê.
A resposta de Cristo não necessariamente os convenceu, mas os silenciou: “Se fósseis cegos, não teríeis pecado; mas, como agora dizeis: Vemos, por isso o vosso pecado permanece.” Eles se orgulhavam de não serem cegos como o povo comum. Pensavam não ser facilmente enganados, e que tinham sabedoria suficiente para se guiar sozinhos. Cristo lhes diz que aquilo mesmo em que se gloriavam era sua vergonha e sua ruína.
Se fossem de fato cegos, seu pecado não seria tão severamente cobrado. Se fossem realmente ignorantes, como os pobres gentios, ou como muitos dos seus próprios súditos pobres, de quem eles haviam tirado a chave do conhecimento, então teriam, comparativamente, menos pecado. Deus, em certos tempos, levou em conta a ignorância. Ignorância inevitável não torna o pecado justo, mas diminui a culpa. Será mais suportável para os que perecem por falta de luz do que para os que se rebelam contra a luz.
Se tivessem reconhecido a própria cegueira e percebido sua necessidade de alguém que os conduzisse, teriam recebido de bom grado a Cristo como seu guia. Então não teriam “pecado” nesse sentido, porque teriam se submetido à justiça do evangelho e sido conduzidos a um estado de justificação, isto é, de retidão diante de Deus. Os que sabem que estão doentes estão em boa condição para serem curados, porque a autoconfiança é uma das maiores barreiras à salvação das almas.
Mas agora, dizeis: “Vemos.” Vocês têm conhecimento, foram instruídos pela lei, e por isso o pecado de vocês é grandemente aumentado. Já que pensam que entendem tudo e creem que podem enxergar o próprio caminho melhor do que qualquer um possa mostrar, o pecado de vocês permanece. O caso de vocês é desesperador, e a doença não pode ser curada.
Os que se recusam a ver são cegos, mas a cegueira dos que pensam que já veem é ainda mais perigosa. Nenhum paciente é mais difícil de tratar do que a pessoa em delírio que insiste em dizer que está bem e que nada lhe falta. O pecado dos orgulhosos e autoconfiantes permanece porque rejeitam o evangelho da graça. Assim, a culpa de seu pecado continua não perdoada e, porque fecham a porta ao Espírito da graça, o poder do pecado permanece intacto.
Quando se vê um homem sábio orgulhoso de sua própria sabedoria, quando se ouve os fariseus dizerem: “Vemos”, há mais esperança para um tolo, um publicano ou uma prostituta do que para tais pessoas.
Deste capítulo
João 9:1
"Enquanto caminhava, Jesus viu um cego de nascença."
João 9:2
"Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou, este homem ou os pais dele, para que nascesse cego?”."
João 9:3
"Jesus respondeu: “Nem este homem pecou, nem os pais dele, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus."
João 9:4
"Enquanto for dia, devo terminar as obras daquele que me enviou. A noite virá, quando ninguém mais poderá trabalhar."
João 9:5
"Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”."
João 9:6
"Depois de dizer isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e, com o lodo, ungiu os olhos do cego."
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