Versículo em destaque
João 5:31 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é digno de fé. "
João 5:31
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
29 os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para ser condenados.
30 Por mim mesmo, não posso fazer coisa alguma. Julgo conforme ouço, e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
31 Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é digno de fé.
32 Há outro que dá testemunho de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é digno de fé.
33 Vocês enviaram mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.
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Nesses versículos, nosso Senhor Jesus confirma e comprova a autoridade que já havia reivindicado, mostrando que foi enviado por Deus como o Messias. Primeiro, ele põe de lado o seu próprio testemunho acerca de si mesmo (João 5:31): “Se eu testifico de mim mesmo, embora o que eu digo seja perfeitamente verdadeiro (João 8:14), vocês não o aceitarão como prova válida, segundo o modo comum de julgar entre os homens”.
Isso revela algo triste sobre a honestidade humana. Se formos sinceros, precisamos admitir que o amor-próprio muitas vezes é mais forte do que o amor à verdade. Por isso, o testemunho de uma pessoa sobre si mesma costuma ser recebido com desconfiança. Ao mesmo tempo, esse fato acaba honrando o Filho de Deus. Embora ele seja a testemunha fiel, a própria verdade, e pudesse, com pleno direito, exigir fé apenas com base na sua palavra, ele, em sua bondade, oferece outros testemunhos para fortalecer a nossa fé.
Em seguida, ele apresenta outras testemunhas que mostram que foi enviado por Deus. Primeiro, o próprio Pai testificou a respeito dele (João 5:32). Cristo diz: “Há outro que testifica de mim”. Ele se refere a Deus Pai, pois Cristo fala do seu testemunho junto com o testemunho do Pai (João 8:18). O Pai confirmou a missão de Cristo de mais de uma maneira, incluindo a voz vinda do céu, e continua a testificar por meio dos sinais de sua presença e favor com Jesus.
Isso mostra a quem Deus se dispõe a apoiar. Ele dá testemunho daqueles que envia e usa, pois toda verdadeira comissão vinda de Deus vem acompanhada de provas. Ele também honra os que dão testemunho dele, como Cristo fez. E concede ajuda especial àqueles que não buscam a própria glória, assim como Cristo não buscou a sua. Jesus tinha absoluta certeza de que o testemunho do Pai a seu respeito era verdadeiro. Ele não tinha a menor dúvida sobre a sua missão divina, e o diabo jamais conseguiu fazê-lo questionar que era o Filho de Deus.
Aqueles a quem Deus envia, dele receberão testemunho. Onde quer que ele dá uma comissão, ele também a sela. O Deus que nunca se deixou ficar sem testemunho (Atos 14:17) não deixará seus servos sem testemunho quando os envia em sua missão. Onde Deus exige fé, ele não deixa de dar evidência suficiente, como fez a respeito de Cristo. O principal ponto a ser testemunhado sobre Cristo era isto: o Deus a quem havíamos ofendido estava disposto a recebê‑lo como Mediador. O próprio Deus nos deu plena certeza disso, e ninguém era mais adequado para fazê‑lo do que ele mesmo, declarando‑se satisfeito com Cristo. Se nós estamos satisfeitos com ele, a questão está resolvida.
Alguém poderia perguntar: se o próprio Deus deu testemunho de Cristo, por que ele não foi recebido pela nação judaica e por seus líderes? Cristo responde que isso não devia causar estranheza, e que a incredulidade deles não podia enfraquecer a sua verdade, por duas razões. Primeiro, eles não estavam familiarizados com manifestações tão diretas de Deus e de sua vontade. “Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes a sua forma.” Embora alegassem ter relacionamento com Deus, eram tão estranhos a ele quanto somos a uma pessoa que nunca vimos nem ouvimos. Em essência, Jesus diz: “Por que deveria falar com vocês sobre o testemunho de Deus a meu respeito, se vocês nada sabem dele e não têm verdadeira comunhão com ele?” A ignorância de Deus é a verdadeira causa de as pessoas rejeitarem a mensagem que Deus deu acerca de seu Filho.
Uma compreensão correta da religião natural – o conhecimento de Deus acessível pela criação e pela consciência – mostraria tanta harmonia com o cristianismo que nos prepararia grandemente para recebê‑lo. Alguns entendem de outro modo: o Pai deu testemunho de Cristo por meio de uma voz e da descida de uma pomba, algo tão incomum que eles nunca tinham visto nem ouvido coisa semelhante. Contudo, por causa de Cristo, aquela voz e aquela aparição foram concedidas. Eles poderiam tê‑las ouvido e visto, como outros viram, se tivessem prestado cuidadosa atenção ao ministério de João; mas, desprezando‑o, perderam esse testemunho.
Em segundo lugar, eles não se deixavam mover nem mesmo pelos meios comuns pelos quais Deus já lhes tinha se revelado. “Também não tendes a sua palavra permanecendo em vós” (João 5:38). Eles possuíam as Escrituras do Antigo Testamento. Não deveriam, por meio delas, estar prontos para receber Cristo? Sim, se de fato as Escrituras os tivessem moldado. Mas a palavra de Deus não estava neles. Estava entre eles, em sua terra e em suas mãos, mas não dentro deles, em seus corações. Não governava suas almas, apenas alcançava seus olhos e ouvidos. De que lhes adiantava ter os oráculos de Deus confiados a eles (Romanos 3:2), se esses oráculos não reinavam em seu interior? Se reinassem, teriam recebido Cristo de bom grado.
A palavra também não permanecia neles. Muitos deixam a palavra de Deus entrar e produzir alguma impressão por um tempo, mas ela não fica. Não está sempre neles como alguém em sua própria casa. Vem e vai como um viajante de passagem. Se a palavra permanece em nós, se nela pensamos com frequência, se a consultamos em toda situação e regulamos nossa conduta por ela, então receberemos prontamente o testemunho que o Pai dá acerca de Cristo (João 7:17).
Mas como se mostrava que a palavra de Deus não habitava neles? Mostrava‑se nisto: “Porque a quem ele enviou, a esse vós não credes.” O Antigo Testamento falava tanto de Cristo e deu sinais tão claros de quando e onde buscá‑lo, que, se tivessem refletido seriamente, não poderiam escapar à conclusão de que Cristo fora enviado por Deus. O fato de não crerem em Cristo era forte prova de que a palavra de Deus não vivia neles.
Observe que a presença da palavra, do Espírito e da graça de Deus em nós é melhor provada pelos seus resultados. Uma das provas mais claras é se recebemos aquilo que Deus envia: seus mandamentos, seus mensageiros, suas providências, e especialmente Cristo, a quem ele enviou.
O último testemunho que Jesus apresenta é o do Antigo Testamento, que falava dele; e a ele ele apela: “Examinai as Escrituras” (João 5:39). Isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, pode significar: “Vocês de fato examinam as Escrituras, e isso é algo bom. Vocês as leem diariamente nas sinagogas e têm rabinos, mestres e escribas que se dedicam a estudá‑las e explicá‑las.” Os judeus se orgulhavam do crescimento do estudo das Escrituras nos dias de Hilel, que morreu cerca de doze anos após o nascimento de Cristo. Consideravam alguns homens do Sinédrio como o orgulho de sua sabedoria e a glória de sua lei. Cristo admite que eles examinavam as Escrituras, mas o faziam para conquistar honra para si mesmos. Em essência, ele diz: “Vocês examinam as Escrituras, e se não fossem cegos de propósito, creriam em mim.” É possível estudar cuidadosamente as palavras da Escritura e ainda permanecer estranho ao seu poder.
Ou, como geralmente lemos, “Examinai as Escrituras”. Então Cristo está fazendo um apelo: “Vocês dizem que recebem e creem na Escritura; pois bem, vamos resolver isso por meio dela, se vocês estiverem dispostos a ir além da letra e a sondá‑la em profundidade.” Quando apelamos para a Escritura, é preciso examiná‑la. Devemos pesquisar toda a Bíblia, comparar uma passagem com outra e deixar que uma esclareça a outra. Devemos também considerar atentamente cada trecho, não nos contentando com o que parece dizer à primeira vista, mas perguntando o que de fato significa.
Isso é também um conselho, e mesmo uma ordem, a todos os cristãos: examinem as Escrituras. Todos os que desejam encontrar Cristo devem examiná‑las; não apenas lê‑las ou ouvi‑las, mas examiná‑las. Isso implica diligência, esforço, atenção cuidadosa e verdadeiro desejo de encontrar algo. Devemos ler a Bíblia buscando proveito espiritual e perguntando com frequência: “O que estou procurando aqui?” Devemos buscá‑la como quem procura tesouros escondidos (Provérbios 2:4), como quem cava em busca de ouro, prata ou pérolas (Jó 28:1‑11). Foi isso que honrou os bereanos (Atos 17:11).
Há duas coisas que devemos ter em vista ao examinar as Escrituras: o céu como alvo e Cristo como caminho. Devemos procurar nas Escrituras o céu como nosso grande fim: “porque vós cuidais ter nelas a vida eterna”. A Escritura nos fala de uma eternidade futura e nos oferece vida eterna nessa eternidade. Ela apresenta o mapa dessa vida, a promessa que a assegura, o caminho que conduz a ela e o fundamento da esperança nela. Isso vale a pena ser buscado, porque estamos certos de encontrá‑lo ali.
Mas Cristo diz aos judeus: “Vós cuidais ter nelas a vida eterna”, porque eles se enganavam nesse ponto. Criam na vida eterna e baseavam essa esperança nas Escrituras, mas erravam ao pensar que o simples ler e estudar a Escritura bastava. Um dito comum, porém falso, entre eles era: “Quem tem as palavras da lei tem a vida eterna.” Pensavam que o céu estava garantido se conseguissem recitar certas passagens de memória, especialmente como eram transmitidas pela tradição. Assim como consideravam o povo comum amaldiçoado por não conhecer a lei desse modo (João 7:49), julgavam que os instruídos eram certamente abençoados.
Devemos também buscar nas Escrituras a Cristo, que é o novo e vivo caminho para esse fim. “São elas que de mim testificam.” As Escrituras do Antigo Testamento testificam de Cristo, e por meio delas Deus dá testemunho dele. O Espírito de Cristo nos profetas falou antecipadamente a respeito dele (1 Pedro 1:11), juntamente com os planos e promessas de Deus sobre ele e os sinais anteriores que apontavam para ele. Os judeus sabiam muito bem que o Antigo Testamento se referia ao Messias e anotavam cuidadosamente as passagens que pareciam fazê‑lo, mas falharam gravemente na aplicação delas.
Assim, devemos examinar as Escrituras e podemos esperar encontrar nelas a vida eterna, porque elas testificam de Cristo. Pois a vida eterna consiste em conhecê‑lo (João 17:3). Cristo é o tesouro escondido no campo da Escritura, a água em seus poços, o leite em seus seios.
A esse testemunho Jesus acrescenta uma repreensão por sua incredulidade e pecado, manifestos de quatro maneiras. Primeiro, eles o ignoraram a ele e ao seu ensino: “E não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40). Eles examinavam as Escrituras e criam nos profetas, que claramente apontavam para ele, e ainda assim se recusavam a se aproximar dele. O distanciamento em relação a Cristo se devia não tanto à falta de entendimento, mas a uma vontade obstinada.
Isso é dito como uma queixa. Cristo lhes oferecia vida, e eles não a aceitavam. Há vida a ser recebida em Jesus Cristo para almas necessitadas: vida de perdão, de graça, de consolo e de glória. Vida é o maior bem do nosso ser, e inclui toda verdadeira felicidade. Cristo é a nossa vida. Os que desejam essa vida precisam vir a Jesus Cristo para recebê‑la. Vir a ele envolve o acordo da mente com o seu ensino e com o testemunho prestado a seu respeito, o consentimento da vontade ao seu governo e à sua graça, e a confiança e obediência do coração que correspondem a tudo isso.
A única razão pela qual os pecadores perecem é que se recusam a vir a Cristo para ter vida e verdadeira felicidade. Não é porque não possam, e sim porque não querem. Não querem aceitar a vida oferecida, porque ela é espiritual e vem de Deus. Não querem concordar com as condições em que essa vida é oferecida, nem usar os meios estabelecidos por Deus para recebê-la. Não querem ser curados, porque não querem seguir o caminho da cura. E essa recusa obstinada em aceitar a graça é uma profunda tristeza para o Senhor Jesus, e ele se queixa disso.
As palavras “Eu não recebo honra de homens” (João 5:41) são acrescentadas para afastar uma objeção. Alguns poderiam pensar que Jesus buscava a própria glória e queria formar um grupo em torno de si, exigindo que todos viessem a ele e o louvassem. Mas ele não andava à caça de aplauso humano. Ele não desejava ostentação e esplendor mundanos, o tipo de grandeza externa que os judeus esperavam de seu Messias.
Ele inclusive dissera a alguns que havia curado que não espalhassem a notícia, e se retirou quando quiseram fazê-lo rei. De fato, quase não recebeu aplausos dos homens, e muito do que recebeu deles foi vergonha e desprezo, porque se humilhou a si mesmo. Ele não precisava do louvor humano. Isso nada acrescentava à sua glória, uma vez que todos os anjos de Deus o adoram.
Em seguida, Jesus aponta a falta de amor deles para com Deus (João 5:42). “Eu vos conheço”, diz Jesus, “que não tendes em vós o amor de Deus.” Por que estranhar que não quisessem vir a ele, se lhes faltava até mesmo a primeira marca básica da verdadeira religião, que é o amor a Deus? Uma das principais razões pelas quais as pessoas rejeitam Cristo é que não amam a Deus. Se amássemos de fato a Deus, amaríamos aquele que revela perfeitamente quem Deus é, e correríamos para aquele que, sozinho, pode nos reconduzir ao favor de Deus.
Jesus já os havia acusado de não conhecerem a Deus (João 5:37), e agora afirma que também não o amam. Isso mostra que as pessoas não amam a Deus porque não querem conhecê-lo. A acusação contra eles é clara: “Não tendes em vós o amor de Deus.” Eles afirmavam amar profundamente a Deus, e pensavam provar isso com zelo pela lei, pelo templo e pelo sábado. No entanto, estavam realmente sem amor por Deus. Muitos fazem grande demonstração de religiosidade, mas o descaso por Cristo e o desprezo por seus mandamentos mostram que não amam a Deus. Odeiam a sua santidade e tratam com leveza a sua bondade.
É o amor de Deus em nós, amor firmado no coração como poder vivo e atuante, que Deus aceita. É esse o amor que ele derrama nos corações dos crentes (Romanos 5:5). Cristo comprova essa acusação a partir de seu próprio conhecimento. Ele sonda o coração e conhece o que há no homem. Ele atravessa qualquer máscara, e pode dizer a cada pessoa: “Eu te conheço.” Ele conhece as pessoas melhor do que seus vizinhos. As multidões podiam pensar que escribas e fariseus eram muito devotos, mas Cristo sabia que neles não havia amor a Deus.
Ele também conhece as pessoas melhor do que elas mesmas se conhecem. Aqueles judeus tinham alta opinião de si mesmos, mas Cristo conhecia a corrupção interior deles, por mais respeitável que fosse a aparência externa. Podemos enganar a nós mesmos, mas não a ele. Ele conhece até mesmo aqueles que não o conhecem e não querem conhecê-lo. Ele olha para pessoas que desviam os olhos dele e as chama pelo nome que realmente lhes cabe.
Outra acusação contra eles é que estavam prontos a acolher falsos cristos e falsos profetas, enquanto resistiam obstinadamente ao verdadeiro Messias (João 5:43). “Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.” Isso é espantoso. O povo de Deus havia cometido dois grandes males, como em Jeremias 2:12-13. Primeiro, abandonaram a fonte de águas vivas, porque não quiseram receber Cristo, que veio com a autoridade do Pai e trabalhava para a glória do Pai. Segundo, cavaram cisternas rotas, porque davam ouvidos a qualquer um que se apresentasse por conta própria, em seu próprio nome.
Falsos profetas são aqueles que vêm em seu próprio nome, que nunca foram enviados e que só trabalham em causa própria. É justo da parte de Deus permitir que tais pessoas sejam enganadas por falsos mestres quando não acolhem a verdade com amor (2 Tessalonicenses 2:10-11). Os erros do anticristo são um juízo adequado contra os que não obedecem à doutrina de Cristo. Quem fecha os olhos para a luz verdadeira muitas vezes é entregue a perseguir falsas luzes, sendo levado por cada brilho inútil.
Isso também é um triste sinal da loucura humana. Muitos rejeitam a verdade antiga, mas amam o erro novo. Desprezam o maná e se alimentam de cinzas. Depois que os judeus rejeitaram Cristo e seu evangelho, foram continuamente perturbados por falsos cristos e falsos profetas (Mateus 24:24). A avidez em seguir tais pessoas contribuiu para a desordem e o tumulto que acabaram levando à sua ruína.
Jesus ainda os acusa de orgulho, vaidade e da incredulidade que nasce disso, em João 5:44. Tendo repreendido severamente a incredulidade deles, ele agora vai à raiz do problema. Eles desprezavam Cristo porque admiravam demais a si mesmos. Ele nada tinha a ganhar com honra humana, mas eles colocavam o coração nisso. “Vocês recebem honra uns dos outros” significa que esperavam um Messias cercado de ostentação externa e queriam obter honra mundana através dele.
Eles recebiam honra de várias maneiras. Desejavam-na e a buscavam em tudo quanto faziam. Também davam honra aos outros apenas para que esses lhes devolvessem a mesma honra. Eram zelosos em manter a honra dentro do próprio grupo, como se lhes pertencesse por direito. E qualquer respeito que lhes chegasse, retinham para si, em vez de devolvê-lo a Deus, como fez Herodes. Idolatrar pessoas e suas opiniões, e desejar ser idolatrado por meio do louvor delas, é uma forma de idolatria que se opõe ao cristianismo tão claramente quanto qualquer outra.
Ao mesmo tempo, negligenciavam a honra que vem somente de Deus. Não a buscavam nem se importavam com ela. A verdadeira honra é a que vem de Deus, a honra real e duradoura. Verdadeiramente honrosos são aqueles a quem Deus introduz em aliança e comunhão consigo. Todos os que creem em Cristo participam dessa honra, porque por meio dele recebem o que vem de Deus. Ele não é injusto; onde concede graça, concede também glória.
É essa honra que vem de Deus que devemos buscar. Devemos desejá-la, viver por ela e não aceitar menos do que isso. Devemos considerá-la nossa recompensa, assim como os fariseus consideravam o louvor dos homens. Aqueles que não querem vir a Cristo, e aqueles que correm atrás de honra mundana, mostram claramente que não estão buscando a honra que vem de Deus. Essa é a sua loucura, e isso os leva à perdição.
É também por isso que eles não criam. Como podeis crer, pergunta Jesus, sendo assim tão apegados a esse modo de viver?
A dificuldade de crer nasce de nossa própria corrupção. Nós mesmos tornamos a fé algo difícil, e depois reclamamos que não é possível crer. Um grande obstáculo à fé em Cristo é o desejo de honra mundana. Como podem crer aqueles que fazem do aplauso alheio o seu ídolo? Quando a piedade séria é malvista e amplamente combatida, quando Cristo e seus seguidores são tratados como algo estranho, e ser cristão é quase o mesmo que ser um “pássaro manchado” no meio dos outros, como podem crer aqueles cujo principal objetivo é parecer bem aos olhos dos homens?
A última testemunha que Cristo convoca é Moisés (João 5:45). Os judeus tinham grande respeito por Moisés e alegavam ser seus discípulos, mesmo enquanto se opunham a Cristo. Mas Jesus mostra que Moisés era, na verdade, uma testemunha contra os judeus incrédulos e levava a causa deles diante de Deus. Isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro, Moisés, isto é, a lei, os acusa, porque a lei mostra o que é o pecado. Ela os condena, e, para os que confiam nela, torna-se ministério de morte e de condenação. O evangelho de Cristo, porém, não foi dado para nos acusar. Jesus não veio como alguém que procura falhas ou crimes. Ele veio como advogado, e não como acusador, para aproximar Deus e os homens, não para afastá-los ainda mais. Quão insensatos, então, aqueles que se agarravam a Moisés contra Cristo e queriam viver debaixo da lei (Gálatas 4:21).
Em segundo lugar, Cristo mostra quão irracional era a incredulidade deles. Ele não está dizendo que precisa apelar contra eles diante de Deus, como se tivesse de levar o caso a uma instância superior. Não; eles já estavam acusados e condenados no tribunal do céu, e o próprio Moisés dava provas suficientes para condená-los por incredulidade. Eles se enganavam a respeito de Cristo, porque ele não usou sua posição no céu para fazer descer juízo sobre os que se opunham a ele. Ele veio para salvar, não para punir. E se enganavam também a respeito de Moisés, como se Moisés os apoiasse em rejeitar Cristo. Na verdade, era Moisés quem os acusava, e era justamente nele que eles punham sua confiança.
A lição é clara. Muitas pessoas confiam em privilégios e vantagens externas, enquanto rejeitam Cristo e a sua graça. Os judeus confiavam em Moisés e pensavam que possuir a sua lei e as suas cerimônias seria suficiente para salvá‑los. Mas quem depende dessas coisas sem obedecê‑las descobrirá que esses mesmos privilégios se voltarão contra si. Aquilo em que contavam para sua segurança se tornará testemunha de acusação.
Moisés também foi testemunha de Cristo e do seu ensino, porque escreveu a respeito dele (João 5:46-47). Moisés falou de Cristo como a Descendência prometida da mulher, a Descendência de Abraão, o Siló, e o grande Profeta. As cerimônias da lei de Moisés eram figuras daquele que havia de vir. Os judeus tentaram usar Moisés como apoio para sua rejeição de Cristo, mas Jesus mostra que Moisés escreveu a favor de Cristo, e não contra ele.
Cristo também acusa os judeus de não crerem verdadeiramente em Moisés. Ele havia dito que eles confiavam em Moisés, mas agora mostra que, na realidade, não criam nele. Confiavam no nome de Moisés, mas não recebiam o seu ensino em seu verdadeiro sentido. Não entendiam corretamente nem criam de fato no que Moisés escreveu sobre o Messias. E Cristo prova isso pela incredulidade deles em relação a ele. Se tivessem realmente crido em Moisés, teriam crido em Cristo.
A prova mais segura da fé é o que ela produz. Muitos dizem que creem, mas suas ações demonstram o contrário. Se tivessem crido nas Escrituras, teriam agido de outra forma. E quem crê de verdade numa parte das Escrituras acolherá o seu todo. As promessas do Antigo Testamento foram plenamente cumpridas em Cristo, de modo que rejeitar Cristo era, na prática, rejeitar também essas promessas.
Deste capítulo
João 5:1
"Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém."
João 5:2
"Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos."
João 5:3
"Nesses pórticos jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos, que esperavam o movimento da água."
João 5:4
"[Pois, de tempos em tempos, um anjo do Senhor descia ao tanque, e a água começava a se mover. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.]"
João 5:5
"Estava ali um homem que estava enfermo havia trinta e oito anos."
João 5:6
"Ao vê-lo deitado e sabendo que já estava enfermo havia muito tempo, Jesus lhe perguntou: “Você quer ficar curado?”"
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