Versículo em destaque
João 21:20 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Pedro se voltou e viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava (aquele que estivera reclinado sobre o seu peito durante a ceia e lhe perguntara: “Senhor, quem é que te há de trair?”). "
João 21:20
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
18 Em verdade, em verdade lhe digo: quando você era mais moço, cingia-se e andava aonde queria. Mas, quando for velho, estenderá as suas mãos, e outro o cingirá e o levará para onde você não quer ir”.
19 Com essas palavras, ele indicava o gênero de morte com que haveria de glorificar a Deus. E, depois de falar assim, acrescentou: “Siga-me!”.
20 Pedro se voltou e viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava (aquele que estivera reclinado sobre o seu peito durante a ceia e lhe perguntara: “Senhor, quem é que te há de trair?”).
21 Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: “Senhor, e este? O que será dele?”.
22 Jesus lhe respondeu: “O que isso importa a você, se eu quero que ele fique até que eu venha? Siga-me você”.
Explore estudos bíblicos guiados
Sessões estruturadas com notas, perguntas e insights de orientadores
As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
Prévia da sessão 1:
Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
6 min
Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
Prévia da sessão 1:
O Cuidado do Pastor
5 min
Crie uma conta grátis para salvar notas, acompanhar progresso e desbloquear todas as sessões
Criar conta grátisComentário Bible Guided
Nesses versículos vemos a conversa de Cristo com Pedro a respeito de João, o discípulo a quem Jesus amava. Pedro tinha acabado de receber do Senhor a revelação sobre o seu próprio caminho, e então se volta e vê João também seguindo. O escritor não menciona o próprio nome; descreve‑se de um modo que revela ao mesmo tempo humildade e a forma especial de amor com que Cristo o amava.
João provavelmente menciona que, na ceia, se recostara no peito de Jesus e perguntara sobre o traidor a pedido de Pedro (João 13:24), porque agora Pedro pode estar retribuindo aquela gentileza. Antes, João ajudara Pedro fazendo uma pergunta em seu lugar; agora, Pedro deseja de alguma forma cuidar de João em retorno. Isso ilustra bem a comunhão entre os crentes. Quando Deus nos dá liberdade e oportunidade para interceder por outros, devemos usar isso para o bem deles. Aqueles que, em algum momento, nos ajudaram com suas orações, devem também ser ajudados por nós em outra ocasião.
João também seguia Jesus porque amava estar com Ele. Onde Cristo ia, seu servo queria ir também. Quando Jesus chamou Pedro para segui‑lo, podia parecer que haveria ali uma conversa reservada. Mas João amava tanto o Mestre que preferia correr o risco de parecer inconveniente a perder qualquer uma de suas palavras. O que Cristo disse a Pedro, ele provavelmente acolheu como dito também a si, já que o mandamento “Segue‑me” valia para todos os discípulos. No mínimo, João desejava ter comunhão com aqueles que tinham comunhão com Cristo.
Pedro então se volta e vê João seguindo. Isso pode ser entendido de duas maneiras. Pode revelar uma fraqueza de Pedro, que deveria estar totalmente concentrado em Cristo e em sua própria vocação. Mesmo as melhores pessoas acham difícil manter a mente fixa em seguir a Jesus sem distrações. Mas também pode revelar um cuidado bondoso com um discípulo companheiro. Pedro não ficou tão envaidecido com o chamado especial que recebera de Cristo a ponto de negar um olhar atencioso a quem vinha logo atrás.
Em seguida Pedro pergunta: “Senhor, e deste que será?” Cristo já havia dito a Pedro qual seria sua obra — apascentar as ovelhas — e também seu futuro — ser levado para onde não queria ir. Então Pedro quis saber também qual seria a obra e a sorte de João. Isso pode ter vindo de preocupação com o amigo, pois João não havia perdido o favor de Cristo. Pode ter vindo também de certa inquietação em relação ao sofrimento que aguardava o próprio Pedro. Ou ainda ter sido simples curiosidade sobre o futuro, que tantas vezes nos tenta.
Havia algo de inadequado nessa pergunta. Depois de receber uma incumbência tão solene e um aviso tão sério, teria sido melhor Pedro perguntar como poderia ser fiel em seu próprio chamado. Deveria ter dito: “Senhor, aumenta a minha fé”, ou, “Seja a minha força conforme o meu dia”. Em vez disso, parece mais interessado em outro do que em si mesmo. Somos rápidos em nos ocupar com o caminho dos outros, descuidando da nossa própria alma. E também tendemos a olhar mais para os acontecimentos do que para o dever. As profecias da Escritura não foram dadas para matar nossa curiosidade, mas para dirigir nossa consciência.
Cristo respondeu: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue‑me” (João 21:22). As palavras de Cristo apontam para o propósito dele quanto a João. João não morreria de morte violenta, como Pedro, mas permaneceria até que Cristo viesse buscá‑lo por uma morte natural. Antigos escritores costumam dizer que João foi o único dos doze que não sofreu martírio. Ele enfrentou perigos, prisão e exílio, mas morreu em idade avançada.
Essas palavras de Cristo também podem apontar para o fato de João viver até depois da vinda de Cristo em juízo contra Jerusalém. Todos os outros apóstolos morreram antes desse acontecimento, mas João viveu muitos anos depois. Deus, em sua sabedoria, ordenou que um apóstolo vivesse o bastante para concluir a redação do Novo Testamento, o que João fez de maneira solene (Apocalipse 22:18). Isso também serviu para conter falsos mestres que começaram cedo a espalhar enganos. João viveu para enfrentar Ebion, Cerinto e outros hereges que se levantaram falando coisas falsas.
Alguns entendem que essa palavra de Cristo tinha apenas o objetivo de corrigir a curiosidade de Pedro. Como se Cristo dissesse: “Por que perguntas sobre algo oculto e que não te diz respeito? Ainda que eu quisesse que João nunca morresse, o que isso tem a ver contigo? Já te revelei como será a tua morte. Isso basta para ti. Segue‑me.” Cristo quer que seus discípulos se concentrem no dever presente, e não em questões curiosas sobre o futuro, seja o próprio futuro ou o dos outros.
Há muitas coisas sobre as quais somos tentados a nos preocupar e que não nos competem. O caráter dos outros não é assunto nosso, porque não é nosso papel julgá‑los (Romanos 14:4). Os negócios alheios também não são campo para nossa interferência; devemos trabalhar com sossego e cuidar das nossas próprias responsabilidades. Além disso, muitas perguntas sutis e curiosas são feitas a respeito dos planos de Deus e do mundo invisível, e muitas vezes a resposta correta é: “Que me importa isso?” As coisas encobertas não pertencem a nós.
O que importa acima de tudo é o dever, não os acontecimentos. O dever é nosso; os eventos pertencem a Deus. Nosso dever é o que cabe a nós, não o de outra pessoa, pois cada um levará o seu próprio fardo. Nosso dever presente é o que nos diz respeito, não o dever de amanhã, pois a cada dia basta o seu próprio mal. Os passos do homem bom são confirmados pelo Senhor (Salmo 37:23), e ele é guiado passo a passo. Todo o nosso dever se resume a isto: seguir a Cristo. Precisamos observar os seus movimentos e ajustar a eles a nossa vida. Devemos segui‑lo para honrá‑lo, como o servo segue o seu senhor. Devemos andar como Ele andou e almejar estar onde Ele está. Se de fato mantivermos os olhos fixos em seguir a Cristo, nos restarão pouco tempo e pouco ânimo para nos ocuparmos com o que não nos pertence.
Essa palavra de Cristo também deu origem a um engano na igreja: a ideia de que João não morreria, mas ficaria com a igreja até o fim dos tempos. Jesus precisou corrigir esse engano repetindo suas próprias palavras em (João 21:23). É fácil que um erro cresça quando as palavras de Cristo são mal compreendidas e uma simples hipótese é transformada em afirmação. Porque João não morreria como mártir, concluíram que ele não morreria de modo algum.
As pessoas também estavam prontas para crer nisso porque desejavam que fosse verdade. Acreditamos com facilidade naquilo que queremos. Se João pudesse permanecer no mundo depois que os outros apóstolos se fossem e ficar até a segunda vinda de Cristo, pensavam que isso seria uma grande ajuda para a igreja. Estavam prestes a perder a presença corporal de Cristo e alimentavam a esperança de ainda conservar junto de si o discípulo amado. Esqueceram‑se, porém, de que o Espírito Santo, o Consolador, foi dado justamente para suprir essa necessidade. Tendemos demais a apoiar‑nos em pessoas e em auxílios externos, imaginando que estaremos seguros se pudermos retê‑los conosco. No entanto, Deus muda seus obreiros e continua a sua obra, para que fique claro que o poder pertence a Deus e não às pessoas. A igreja não precisa de ministros que nunca morram, porque é guiada pelo Espírito eterno.
Talvez também tenham sido fortalecidos nessa crença pelo fato de João ter vivido mais do que os outros apóstolos. Como teve vida longa, logo concluíram que viveria para sempre. Mas o que envelhece está prestes a desaparecer (Hebreus 8:13). Em todo caso, o erro começou com uma palavra de Cristo mal entendida e depois repetida como se fosse um ensinamento oficial da igreja.
Isso nos mostra quão incerta é a tradição humana e quão insensato é fundamentar a fé nela. Aqui temos uma tradição, até mesmo de caráter apostólico, uma sentença que correu entre os irmãos. Era antiga, conhecida e difundida — e ainda assim era falsa. Isso mostra o pouco valor de confiar em tradições não escritas, por mais que alguns queiram colocá‑las no mesmo nível da Escritura. Mostra também com que facilidade as pessoas leem mal as palavras de Cristo. Erros graves às vezes se abrigam sob a capa de verdades tidas como indiscutíveis, e até a própria Escritura tem sido torcida pelos ignorantes e inconstantes. Não devemos estranhar quando as palavras de Cristo são mal interpretadas ou usadas para sustentar falsos ensinos, até mesmo falsos dogmas que se apoiam em expressões de Cristo, como no caso da transubstanciação, que se agarra às palavras: “Isto é o meu corpo”.
Tais enganos são corrigidos da maneira mais segura quando permanecemos bem próximos das próprias palavras de Cristo. O evangelista aqui corrige o boato repetindo com exatidão o que Jesus disse. Cristo não afirmou que o discípulo não morreria; portanto, nós também não devemos afirmá‑lo. Ele disse: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?” Disse isso e nada além disso. Não devemos acrescentar às suas palavras. Deixemos que as palavras de Cristo falem por si mesmas, e lhes demos apenas seu sentido simples e natural.
A melhor maneira de encerrar discussões é permanecer nas palavras claras da Escritura e falar de acordo com elas (Isaías 8:20). A linguagem da própria Escritura é o modo mais seguro e adequado de expressar a verdade bíblica, nas palavras ensinadas pelo Espírito Santo (1 Coríntios 2:13). A própria Escritura, lida com atenção, é a melhor arma contra erros perigosos. Por isso deístas, socinianos, papistas e entusiastas procuram enfraquecer a sua autoridade. Ao mesmo tempo, a Escritura, recebida com humildade, é o melhor remédio para as feridas causadas por diferentes maneiras de dizer a mesma verdade. Pessoas que não conseguem concordar em termos lógicos ou técnicos podem, ainda assim, concordar nas palavras da Bíblia; e assim aprendem a amar umas às outras.
Este Evangelho termina dizendo mais sobre o seu escritor, voltando com suavidade ao que foi dito antes (João 21:24). João declara, em essência: “Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e as escreveu para as gerações futuras.” Ele fala de si mesmo, o apóstolo João. Aqueles que escreveram a história de Cristo não tiveram vergonha de se identificar, e João faz isso de modo claro aqui.
Podemos ter certeza de quem escreveu os cinco primeiros livros do Antigo Testamento, o fundamento da primeira revelação escrita de Deus, e também de quem escreveu os quatro Evangelhos e Atos, os principais livros históricos do Novo Testamento. O registro da vida e da morte de Cristo não veio de pessoas desconhecidas. Veio de homens de honestidade comprovada, homens dispostos não só a jurar que aquilo era verdade, mas também a morrer por isso.
Os que escreveram a história de Cristo escreveram a partir de conhecimento direto, e não de boatos. João foi discípulo, discípulo amado, aquele que se recostou no peito de Cristo. Ele ouviu o ensino e as conversas de Cristo, viu os Seus milagres e viu as provas da Sua ressurreição. Quando diz que dá testemunho, fala como quem conhece profundamente os fatos.
Eles também primeiro anunciaram essas coisas oralmente, antes de registrá-las por escrito. O evangelho foi pregado com plena confiança antes de ser colocado em forma escrita. Foi declarado em público, defendido diante de governantes e firmemente sustentado como verdadeiro. Não foi como um viajante contando uma história para divertir amigos, mas como testemunhas em tribunal apresentando provas cuidadosas para que se chegasse a um veredito. O que escreveram foi como um depoimento sob juramento, e eles o confirmaram com a própria vida.
Isso foi um dom gracioso para a igreja. Deus determinou que a história de Cristo fosse escrita, para que pudesse se espalhar com maior plenitude e segurança por todos os lugares e por todas as épocas. Esse registro escrito continuaria falando muito tempo depois que as primeiras testemunhas partissem.
O texto acrescenta então uma afirmação sobre a veracidade do que foi narrado: “Sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.” Isso pode ser entendido de algumas maneiras. Em primeiro lugar, reflete aquilo que se reconhece, em geral, sobre uma prova confiável: o testemunho de uma testemunha ocular honesta, que escreve com cuidado sobre o que viu, é uma forte evidência. Na vida comum, tribunais e julgamentos se baseiam justamente nesse tipo de testemunho. Os fatos sobre Jesus — que Ele ensinou tais doutrinas, fez tais milagres e ressuscitou dos mortos — são apoiados por provas tão sólidas quanto as aceitas em qualquer outro caso.
Em segundo lugar, pode expressar o consenso das igrejas daquela época quanto à veracidade desse relato. Alguns entenderam que fosse a igreja de Éfeso, ou os ministros das igrejas da Ásia, dando o seu aval. A Escritura inspirada não precisava de apoio humano para ser digna de confiança, mas o testemunho deles mostrava sua plena satisfação com esse escrito e o recomendava às igrejas como verdadeira escritura inspirada.
Em terceiro lugar, pode ser a própria certeza madura de João quanto ao que escreveu, semelhante ao que ele diz em João 19:35. Ele afirma “sabemos” não como ostentação, mas com modéstia, como em 1 João 1:1 e 2 Pedro 1:16. Os próprios evangelistas estavam plenamente convencidos da verdade do que nos transmitiram. Eles não pediram que crêssemos em algo que eles mesmos não criam. Sabiam que o seu testemunho era verdadeiro, porque estavam dispostos a arriscar nele tanto esta vida quanto a eternidade.
O capítulo termina observando que houve muitas outras coisas ditas e feitas pelo Senhor Jesus, coisas memoráveis que não foram registradas para leitores posteriores (João 21:25). Muitos eventos importantes e proveitosos poderiam ter sido descritos em detalhe. Se tudo tivesse sido escrito com todas as minúcias, o mundo inteiro — isto é, todas as suas bibliotecas — não comportaria os livros. O escritor encerra como um orador, à semelhança de Paulo em Hebreus 11:32: “Que mais direi? Falta-me tempo para falar de tudo.”
Se alguém perguntar por que os Evangelhos não são mais longos, por que a história do Novo Testamento não é tão extensa quanto a do Antigo, a resposta não é que os escritores ficaram sem material. Houve muitas coisas que Jesus disse e fez que nunca foram registradas, embora fossem dignas do melhor dos estilos. Tudo o que Cristo falou e fez merecia atenção e poderia ser estudado com proveito. Ele nunca pronunciou uma palavra vazia, e nunca realizou um ato inútil. Na verdade, Ele jamais disse ou fez algo mesquinho, trivial ou pequeno, o que não se pode afirmar nem sequer dos mais sábios e melhores dentre os homens.
Seus milagres foram numerosos, de muitos tipos, e frequentemente repetidos conforme surgia a necessidade. Um único milagre verdadeiro já bastaria para demonstrar uma missão divina; mas milagres repetidos, em muitos lugares, entre muitas pessoas e diante de muitas testemunhas tornaram a verdade ainda mais evidente. Cada novo milagre tornava mais críveis os relatos anteriores, e a grande quantidade deles torna todo o conjunto inquestionável. Os evangelistas também registram, com frequência, resumos amplos de Sua pregação e de Seus milagres que englobam muitos atos individuais, como em Mateus 4:23, Mateus 4:24, Mateus 9:35, Mateus 11:1, Mateus 14:14, Mateus 14:36, Mateus 15:30 e Mateus 19:2. Ao falar de Cristo, lidamos com um assunto vasto e abundante: a realidade é maior do que o relato, e mesmo assim nem a metade foi narrada. Paulo cita uma palavra de Cristo que não foi registrada por nenhum evangelista, em Atos 20:35, e certamente houve muitas outras. Todas as Suas palavras foram sentenças sábias e memoráveis.
Houve muitas outras coisas que não foram escritas, porque não havia ocasião para registrá-las. O que temos na Escritura já nos dá revelação suficiente do ensino de Cristo e provas suficientes sobre quem Ele é. O restante apenas diria a mesma verdade com outras palavras. Por isso, aqueles que usam esse fato para argumentar contra a suficiência da Escritura como regra de fé e prática, e em favor da necessidade de tradições não escritas, deveriam mostrar o que essas tradições acrescentam à Palavra escrita. Sabemos que algumas tradições a contradizem, e por isso as rejeitamos.
Isso deve ser um alerta, pois “fazer muitos livros é um enfado” (Eclesiastes 12:12). Se não crermos e não usarmos o que já está escrito, não nos sairíamos melhor mesmo que houvesse muito mais. Era possível ao Espírito inspirar tudo, mas era humanamente impossível aos escritores registrar tudo. A expressão “o mundo não poderia conter os livros” é uma forma enfática de dizer que haveria um número enorme, quase inimaginável, de volumes. Uma história assim tão extensa seria tão volumosa que acabaria tomando o lugar de todos os outros escritos e não deixaria espaço para mais nada.
Pense quantos volumes seriam necessários só para as orações de Cristo, se tivéssemos o registro de todas elas. Ele muitas vezes passava a noite inteira em oração a Deus, sem repetições vazias. Quanto mais espaço seria preciso para todos os Seus sermões, conversas, milagres, curas, trabalhos e sofrimentos? Teria sido interminável. Também não seria sábio escrever tudo, porque, em sentido moral, o mundo não suportaria um acervo tão grande. Cristo não disse tudo o que poderia ter dito a seus discípulos, porque eles não podiam suportar; e os evangelistas, pelo mesmo motivo, não escreveram tudo o que poderiam ter escrito.
A expressão “o mundo não poderia conter” também sugere que não haveria espaço para tantos livros. As pessoas passariam todo o tempo lendo, e outras responsabilidades seriam deixadas de lado. Mesmo com o que já temos, muito é ignorado, muito é esquecido e muito se torna assunto de discussão. Esse problema seria ainda maior se houvesse muitos mais livros com igual autoridade e obrigação para nós. Foi também sábio da parte de Deus deixar espaço para meditação e explicação, já que o que está escrito ainda precisa ser pensado e ensinado.
Pais e ministros, ao ensinar, devem lembrar-se dos limites daqueles que instruem. Como Jacó, precisam cuidar para não forçar o rebanho além do que pode suportar. Devemos agradecer a Deus pelos livros que temos, e não dar menos valor a eles porque são simples e breves. Devemos usar com cuidado o que Deus escolheu revelar, e ansiar pelo estado em que nossa mente será tão ampliada que não haverá perigo de ficarmos sobrecarregados.
O evangelista encerra com “Amém” e, com isso, coloca o seu selo sobre a mensagem. Façamos o mesmo, com um Amém de fé, concordando que o evangelho é verdadeiro, inteiramente verdadeiro. Digamos também Amém com satisfação, pois o que está escrito é suficiente para nos tornar sábios para a salvação. Amém, que assim seja.
Deste capítulo
João 21:1
"Depois disso, Jesus voltou a se manifestar aos seus discípulos junto ao lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo:"
João 21:2
"Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galileia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos."
João 21:3
"Simão Pedro lhes disse: “Vou pescar”. Eles lhe responderam: “Também nós vamos com você”. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, não apanharam nada."
João 21:4
"Quando chegou a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o reconheceram."
João 21:5
"Jesus lhes perguntou: “Amigos, vocês não têm por acaso alguma coisa para comer?”. — “Não”, responderam-lhe."
João 21:6
"Ele lhes disse: “Lancem a rede do lado direito da barca e acharão”. Eles a lançaram e já não conseguiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes."
Oração diária
Receba uma reflexão bíblica diária por e-mail
Comece cada manhã com um versículo, uma oração e um próximo passo simples.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.
Bible Guided oferece orientação baseada na fé e deve complementar, não substituir, apoio terapêutico profissional.