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João 17:24 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória, que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo. "

João 17:24

menu_book Versículo no contexto

22 Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um:

23 eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, assim como amaste a mim.

24 Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória, que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo.

25 Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes sabem que tu me enviaste.

26 Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lhes manifestar, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.”

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos uma oração pela glorificação de todos aqueles que o Pai deu a Cristo, não apenas dos apóstolos, mas de todos os crentes (João 17:24). Ele diz: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo.” Percebe-se como isso se conecta com os pedidos anteriores: ele já havia rogado para que Deus os guardasse, os santificasse e os unisse; agora pede que Deus coroe todos esses dons com a glorificação deles. Assim também nossa ordem de oração deve seguir esse caminho: primeiro pedir graça, depois glória (Salmo 84:11), pois é assim que Deus concede seus benefícios.

Seria impensável supor que o Deus único e sábio agisse como um construtor insensato que começa uma obra sem alicerce e edifica sobre a areia, se ele fosse glorificar pessoas a quem não tivesse antes santificado. Também seria impensável que ele agisse como um construtor tolo que começa uma casa e não a termina, se santificasse pessoas e nunca as glorificasse. A obra de Deus é completa e sábia do começo ao fim.

O pedido é formulado de modo especial: “Pai, quero” (“Pai, eu quero”). Jesus ainda fala com Deus como Pai, e nós também devemos fazê-lo. Mas quando ele diz “quero”, fala de um modo que pertence somente a ele. As pessoas comuns não oram dessa maneira, mas isso se ajusta perfeitamente a Cristo, porque ele pagou o preço por aquilo que pede.

Isso revela o poder da sua intercessão, isto é, seu pleito em nosso favor diante de Deus. Sua palavra tem poder no céu assim como na terra. Desde que entrou no lugar santíssimo com seu próprio sangue, sua intercessão ali não pode falhar. Ele intercede como Rei, pois é sacerdote no seu trono, como Melquisedeque, rei e sacerdote ao mesmo tempo.

Também mostra sua autoridade especial nesse assunto. Ele tinha poder para dar a vida eterna (João 17:2), e em coerência com esse poder ele diz: “Pai, eu quero.” Embora naquele momento vivesse na forma de servo, esse poder se manifestará plenamente quando ele vier outra vez na glória de Juiz, dizendo: “Vinde, benditos.” Tendo sempre diante de si esse dia, ele podia, com razão, dizer: “Pai, eu quero.”

O pedido em si é que todos os eleitos, os escolhidos por Deus, estejam por fim com Cristo no céu, vejam sua glória e participem dela. O céu é descrito aqui de três maneiras. Primeiro, é estar onde Cristo está, quer seja no paraíso para onde sua alma foi na morte, quer no terceiro céu, onde sua alma e seu corpo entraram na ascensão. “Onde eu estiver” significa onde em breve estarei e onde estarei para sempre.

Segundo, é estar com ele onde ele está. Não é uma repetição inútil. Mostra que o céu não é apenas estar no mesmo lugar em que Cristo se encontra, mas num lugar cuja alegria procede da sua presença. A alegria mais plena do céu é estar com Cristo, em comunhão e intimidade com ele (Filipenses 1:23).

Terceiro, é contemplar sua glória, a glória que o Pai lhe deu. A glória do Redentor é a luz do céu. A glória diante da qual os anjos cobrem o rosto é a sua glória (João 12:41). O Cordeiro é a lâmpada da nova Jerusalém (Apocalipse 21:23). Cristo virá na glória de seu Pai, porque ele é o resplendor dessa glória. Deus manifesta ali sua glória, assim como manifesta aqui sua graça, por meio de Cristo.

O Pai deu essa glória a Cristo, ainda que, quando essas palavras foram pronunciadas, ele estivesse em estado de humilhação. Contudo, essa glória já era certa e próxima. A felicidade dos remidos consiste em grande parte em contemplar essa glória. Terão uma visão direta da pessoa gloriosa de Cristo. Jó falou de ver a Deus na sua carne (Jó 19:26-27). Também compreenderão de forma mais clara sua grande obra, pois ela estará então plenamente consumada. Verão as profundezas do amor de onde procedem todos os rios da graça.

Terão uma visão pessoal e salvadora da glória de Cristo, como a esposa que participa da honra do marido. E serão transformados por essa visão na mesma imagem, de glória em glória. Ao ver Cristo, se tornarão mais semelhantes a ele.

Nossa esperança do céu não se funda em nenhum outro fundamento senão a mediação de Cristo, isto é, sua obra como aquele que se coloca entre Deus e os homens, e sua intercessão. Ele disse: “Pai, eu quero”, e nisso está nosso título ao céu. Nossa santidade é a prova da nossa esperança, pois todo aquele que tem essa esperança em Cristo purifica a si mesmo. Mas é a vontade de Cristo que é a base do nosso direito à glória, e é por essa vontade que somos santificados (Hebreus 10:10).

Cristo fala aqui como se sua própria felicidade não fosse completa sem que seus eleitos a compartilhassem com ele. Conduzir muitos filhos à glória é o que torna perfeito o Autor da nossa salvação (Hebreus 2:10). Ele não quer estar só na sua glória.

Ele acrescenta mais um motivo para esse pedido: “porque tu me amaste antes da fundação do mundo.” Isso é motivo para ele esperar glória para si mesmo, porque o amor do Pai por ele como Mediador é a fonte da honra e do poder que lhe foram dados (João 5:20). O Pai ama o Filho e se agrada plenamente de sua obra, por isso entregou tudo em suas mãos. Como esse plano foi estabelecido no conselho divino desde a eternidade, diz-se que Cristo foi amado antes da fundação do mundo.

É também motivo para ele esperar que aqueles que lhe foram dados estejam com ele e compartilhem sua glória. É como se dissesse: “Tu me amaste, e a eles amaste em mim; portanto, não podes negar-me nada do que peço por eles.”

A oração se encerra de modo que fortalece todos os pedidos feitos pelos discípulos, sobretudo o último, de que sejam glorificados. Cristo apresenta aqui dois pontos.

Primeiro, apela à honra de seu Pai em João 17:25. Ele chama Deus de “Pai justo”. Quando orou para que os discípulos fossem santificados, chamou-o de “Pai santo”. Agora que roga para que sejam glorificados, chama-o de “Pai justo”, porque o justo Juiz dará a coroa da justiça. A justiça de Deus está empenhada em conceder todos os bens que o Pai prometeu e o Filho comprou.

Ele também descreve o mundo jazendo na maldade: “o mundo não te conheceu.” Isso mostra a escuridão espalhada sobre a humanidade, a treva em que vivem. Ele se vale disso de duas formas. Os discípulos precisavam de graça especial por causa da obra que tinham pela frente, pois deveriam levar um mundo que ignora a Deus a conhecer a Deus. E precisavam porque sua tarefa era difícil: trazer luz àqueles que lutavam contra a luz. Por isso ele pede: guarda-os.

Isso também mostra que eles estavam habilitados para receber novas bênçãos especiais, porque conheciam a Deus de um modo que o mundo não conhece. Segundo, Cristo apela para a sua própria posição diante do Pai: “Mas eu te conheci.” Cristo conhecia o Pai como ninguém jamais o conheceu. Conhecia os fundamentos de toda a sua obra e a mente do Pai em todas as coisas. Assim, vem nesta oração com confiança, como quem se aproxima de alguém que conhece intimamente.

Cristo aqui pede bênçãos para aqueles que lhe pertencem. Depois de dizer: “O mundo não te conheceu”, poderíamos esperar que acrescentasse: “mas eles te conheceram.” Em vez disso, diz: “eu te conheci.” Isso mostra que não há nada em nós que mereça o favor de Deus. Todo o nosso acesso a Deus, e toda a nossa comunhão com ele, procedem da posição de Cristo diante do Pai. Nós não somos dignos, mas ele é digno.

O argumento que Cristo apresenta em favor de seus discípulos é este: “Eles têm sabido que tu me enviaste.” Isso os distingue do mundo incrédulo. Muitos a quem Cristo foi enviado, e a quem sua graça foi oferecida, não creram que Deus o tinha enviado. Mas esses discípulos creram, e não se envergonharam de confessar isso. Conhecer e crer em Jesus Cristo, vivendo em um mundo que permanece cego e incrédulo, é muito agradável a Deus e certamente será honrado com glória especial. Uma fé firme é adequada para bênçãos especiais.

Isso também lhes dá parte na mediação de Cristo, isto é, na sua obra de nos conduzir a Deus. Cristo, por assim dizer, diz: “Eu te conheci, direta e perfeitamente, e estes têm sabido que tu me enviaste. Eles conheceram o que eram obrigados a conhecer. Conheceram o Criador por meio do Redentor.” Ao conhecer Cristo como aquele que foi enviado por Deus, eles chegam também a conhecer o Pai por meio dele. Por isso Cristo pede: “Pai, cuida deles por minha causa.”

Cristo ainda manifesta seu cuidado pelos discípulos em João 17:26: “E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e ainda o farei conhecer, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles.” Cristo já os havia introduzido no conhecimento de Deus, e continuaria fazendo isso cada vez mais. Seu grande e bondoso propósito era que o amor com que o Pai ama o Filho estivesse neles, e que o próprio Cristo estivesse neles.

Primeiro, Cristo já havia declarado o nome do Pai a eles. Ele fez isso para seus seguidores mais íntimos enquanto viveu entre eles. Todo o tempo em que andou com eles, fez dessa a sua obra: declarar o nome do Pai e ensiná‑los a honrá‑lo. O alvo de todos os seus sermões e de todos os seus milagres era honrar o Pai e espalhar o conhecimento dele (João 1:18). Ele também fez isso por todos os que creem nele, porque ninguém teria chegado à fé se Cristo não tivesse dado a conhecer o Pai. Tudo o que sabemos sobre o nome do Pai devemos a Cristo. Ele o declara, e ele abre nossa mente para recebê‑lo. E aqueles a quem Cristo introduz no favor de Deus são primeiro introduzidos no conhecimento de Deus.

Em segundo lugar, Cristo pretende continuar declarando ainda mais o nome do Pai. Ele planejava dar um ensino mais profundo aos discípulos depois da ressurreição (Atos 1:3) e, depois da ascensão, haveria de levá‑los a uma compreensão muito mais íntima das coisas divinas, derramando sobre eles o Espírito. Ele também continua iluminando cada vez mais o coração de todos os crentes. Onde Cristo já declarou o nome do Pai, ele continuará a declará‑lo, porque ao que tem, mais será dado. Os que conhecem a Deus tanto precisam quanto desejam conhecê‑lo melhor. Isto é um forte argumento em favor deles: “Pai, aprova‑os e favorece‑os, porque eles te reconhecerão e te honrarão.”

Em terceiro lugar, o propósito de Cristo em tudo isso não era encher a mente deles de ideias engenhosas nem fazê‑los parecer sábios diante dos eruditos. Seu objetivo era assegurar e aumentar a verdadeira felicidade deles de duas maneiras. A primeira era a comunhão com Deus, isto é, um relacionamento real e vivo com ele. Cristo lhes deu o conhecimento do nome do Pai para que o amor que o Pai tem pelo Filho estivesse neles, não apenas voltado para eles. Isso significa, primeiro, que eles receberiam o fruto desse amor em santificação, sendo tornados santos. Que o Espírito de amor que o Pai deu ao Filho esteja neles. Cristo dá a conhecer o Pai aos crentes para que, com essa luz na mente, também o amor divino seja derramado em seus corações. Esse amor se torna um poder dominante e controlador para a santidade, e os faz participantes da natureza divina.

Quando o amor de Deus passa a estar em nós, é como a força que um ímã comunica à agulha, fazendo‑a voltar‑se para o polo. Ele atrai a alma para Deus por afetos santos, que são como o fôlego da vida espiritual da alma. Em segundo lugar, Cristo quer que eles tenham o consolo desse amor. Ele quer que não apenas saibam que estão incluídos no amor de Deus, porque o nome do Pai lhes foi revelado, mas também sintam o consolo disso, por um conhecimento mais profundo desse mesmo amor. Então não apenas conhecerão a Deus, mas saberão que o conhecem (1 João 2:3). É o amor de Deus derramado no coração que o enche de alegria (Romanos 5:3, Romanos 5:5). Deus providenciou isso, para que não apenas sejamos satisfeitos com a sua benignidade amorosa, mas também certos dela. Assim podemos viver em alegria diante de Deus e em comunhão com ele. Devemos buscar isso em oração e empenho. Se o temos, devemos agradecer a Cristo por isso. Se nos falta, a culpa é nossa.

O segundo grande propósito é a união com Cristo para receber essa bênção. “E eu neles.” Ninguém entra no amor de God senão por meio de Cristo. E não podemos permanecer nesse amor, a não ser permanecendo em Cristo, isto é, que ele permaneça em nós. E não podemos ter clara consciência desse amor senão experimentando Cristo habitando em nós, isto é, o Espírito de Cristo em nossos corações. É Cristo em nós a única esperança de glória que não nos decepcionará (Colossenses 1:27). Toda a nossa comunhão com Deus, tanto ao receber o amor dele quanto ao devolver‑lhe nosso amor, passa pelo Senhor Jesus. E todo o consolo dessa comunhão procede dele.

Cristo havia dito pouco antes: “Eu neles” (João 17:23), e o repete aqui, embora o pensamento já estivesse completo. Ele encerra com essa afirmação para mostrar o quanto seu coração está empenhado nisso. Todos os seus pedidos se concentram nessa única coisa, e com ela as orações de Jesus, o Filho de Davi, chegam ao fim: “Eu neles; concede‑me isto, e nada mais desejo.” É a glória do Redentor viver naqueles que ele redimiu. Esta é a sua alegria permanente, e foi o que ele desejou. Assim, importa assegurar que estejamos unidos a Cristo, e então tomar consolo na oração que ele fez por nós. Essa oração terminou, mas sua obra viva de intercessão jamais termina.

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